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Jun 08

Ranking da Taiyosha (JP) – 07/06/2009

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Lancaster | PERMALINK | 4

Categorias: rankings

Bastard

Semana de lançamentos da linha de frente dos títulos do almanaque para garotos Shonen Jump (e em menor grau, da Jump Square). Ou seja, todos os títulos do Top 10 shonen pertencem a Shueisha. Não há o que falar mais uma vez sobre o peso de One Piece ou Bleach. Claro, há alguns pontos que chamam a atenção como a presença do velho conhecido dos leitores mais velhos Bastard!, de Kazushi Hagiwara, publicado na antologia para jovens adultos Ultra Jump da Shueisha. O que esse título está fazendo aqui?

Shonen/Para garotos

01. One Piece 54 (Shueisha)
02. Bleach 39 (Shueisha)
03. D. Gray-Man 18 (Shueisha)
04. Bakuman 3 (Shueisha)
05. Bastard!! 26 (Shueisha)
06. To Love Ru – Trouble 14 (Shueisha)
07. Nurarihyon no mago 5 (Shueisha)
08. Rosario to Vampire Season 2 – 4 (Shueisha)
09. Tegami Bachi 7 (Shueisha)
10. Sket Dance 8 (Shueisha)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Vagabond 30 (Kodansha)
02. Reibai Izuna 3 (Shueisha)
03. Umi no Mizaki 5 (Hakusensha)
04. New Say Hello to Black Jack 6 (Shogakukan)
05. Nana to Kaoru 2 (Hakusensha)
06. Tennou Ron (Shogakukan)
07. Tenjou Tenge 20 (Shueisha)
08. GELATIN 2009 Summer (Wani Books)
09. Kiss X Sis 4 (Kodansha)
10. Shinjuku Swan 18 (Kodansha)

Bastard, que está sendo publicado no Brasil pela editora JBC, definitivamente não é um título recomendável para menores de idade e parece meio estranha a sua presença em uma lista para garotos. Mas a verdade – e hoje em dia essa idéia pode ser meio difícil de digerir – é que ele surgiu na Shonen Jump e permaneceu nela por seis volumes, até que um editor com bom-senso percebeu que aquele não era um bom lugar para a saga do personagem principal, Dark Schneider, conhecido por passar o rodo em todas as mulheres da série e protagonizar cenas de violência inacreditável. Quando esse tipo de transferência acontece, é muito comum que as listagens simplesmente não indiquem a mudança, mantendo a classificação demográfica original. Assim, da mesma forma que Evangelion (que no meu entender jamais deveria ser classificado como um quadrinho "para garotos", mesmo em uma revista dentro de tal faixa de classificação), Bastard!! continua classificado como shonen. De resto, temos volumes novos de Bakuman e Sket Dance no bolo – ambos muito considerados neste humilde blog: Sket Dance segue em sua linha qualitativamente segura, em sua fórmula que não permite ao leitor um segundo de cansaço simplesmente por escamotear o uso de fórmulas que se repetem ao variar de gênero para gênero; e Bakuman consegue algo até mais difícil, escapar das armadilhas de uma trama que pela própria natureza do conceito, periga se afundar na repetição. Mas não se afunda. A série é difícil de se classificar como gênero, e por isso mesmo periodicamente acaba exigindo novas abordagens dos autores para manter o material andando sem se tornar repetitivo – algo muito fácil de acontecer. Mas essencialmente sua costura é de novela, e embora o eixo para muitos leitores seja a trama romântica imposta pelo estranhíssimo voto que une o casal principal, podemos esquecer facilmente disso pelo acúmulo de circunstâncias. Agora, nossos heróis estão trabalhando com um editor aparentemente não muito competente – já que seu antigo editor não pôde trabalhar com nossos personagens – e sua carreira pode estar em risco.
A lista para leitores adultos, apesar de ter títulos como o conhecido Vagabond de Takehiko Inoue (no topo desde semana passada), Reibai Izuna (continuação de um bem-sucedido título antigo da Shonen Jump, Jigoku Sensei Nube) e o interessante Shinjuku Swan, praticamente tem suas atenções arrastadas para... Tennou Ron, o novo manifesto reacionário em forma de quadrinhos de Yoshinori Kobayashi. Kobayashi é uma cruza nipônica de Olavo de Carvalho, Uderzo, Le Pen, Chuck Dixon – e como se esse caldo não fosse suficientemente ruim, junte-se à mistura todos aqueles historiadores "revisionistas" que passam a vida dizendo que o Holocausto nunca aconteceu e que Hitler não era um sujeito tão mau assim. Articulista político de extrema-direita E quadrinhista, ele escreveu mais de dois mil volumes entre livros e mangás, dedicando sua vida a dizer que o Massacre de Nanquim, na Segunda Guerra, não aconteceu; que os jovens não deveriam denunciar os kamikazes, mas honrar seu "espírito altruístico"; que o Japão jamais forçou mulheres coreanas a servir sexualmente oficiais japoneses no mesmo conflito; e outras gracinhas do tipo. Pelo que estou vendo em foruns no Japão (obrigado, Babelfish), graças a Deus esse sujeito tende a despertar mais polêmica do que realmente ser ouvido. Mas polêmica vende, e por isso mesmo ele continua a ser publicado. Para que se tenha uma idéia do tipo de trabalho que ele faz, estou repassando um link em inglês aonde ele coloca sua opinião sobre a onda de críticas internacionais sobre a posição japonesa quanto à pesca baleeira. Apesar de tudo, quadrinhos são um meio, da mesma forma que um carro é um veículo; um carro pode servir tanto para encurtar distâncias quanto pra colecionar vítimas de atropelamento da calçada, e não é por isso que devemos todos destruir nossos carros e andar de bicicleta. Que quadrinhos sirvam para um articulista político se fazer ouvir e ser levado a sério como tal, é formidável; mas sinceramente, tem coisas que não dão para ser engolidas. Mesmo.


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Comentários:

Nome: Severino 08/06/09 12:02
Fico feliz demais de ver o SD ai. Ele anda muito mal nas tocs, precisa vender para se garantir. Esse mangá é uma perola da Jump.

Alexandre: Concordo – a série é ótima. Mas o Sket Dance sempre teve uma carreira muito errática nas listas de popularidade. As vezes sobe, as vezes cai, e a cada vez que sobe, protela suas chances de cancelamento por mais onze semanas por exemplo. Então as duas probabilidades existem: que ele seja cancelado e que tenha uma vida longa. E olha que ele é um dos poucos mangás que eu sinto que aguenta manter uns quarenta e tantos volumes sem deixar a peteca cair – as vezes aparece alguma evoluçãozinha, mas nem precisa. Em todo caso, meu palpite é que se ele passar do 11º volume, pode entrar na reta de candidatos a virar desenho animado. E se isso acontecer, ele vai durar para cacete, vai por mim.

Bakuman também irá para os 5 ultimos nessa proxima toc, então também é bom vender...esse eu não leio, estou esperando o anime, deve ser fantástico.

Alexandre: Sinceramente, Bakuman tem uma relação tão unha e carne com a própria mídia em que é produzido, que acho um anime supérfluo no caso dele. Mas não duvidaria que ele virasse novela no Japão – e mesmo assim, seria inevitavelmente mais pobre do que o original.

Sobre o Bastard, lendo como ele deve ser aqui e quando vc falou um pouco dele na NT, não sinto muita vontade de conferir o material. Abs e até mais.

Alexandre: Bom, eu vou ser sincero: a arte se tornou ótima com o tempo e comprei algumas edições japonesas só para isso, para olhar as figurinhas. O roteiro não me interessou, mesmo.
Nome: Kaio 08/06/09 06:25
Feliz da vida por ver Sket, Mago e Tegami Bachi no top 10 :D
Nome: Pedro Henrique 09/06/09 08:47
"Bom, eu vou ser sincero: a arte se tornou ótima com o tempo e comprei algumas edições japonesas só para isso, para olhar as figurinhas. O roteiro não me interessou, mesmo."

Eu tenho aqui a edição 16 nacional do Bastard!, e sei lá, a capa é bonita, mas eu fico meio perdido em acompanhar a história. É parecido com aquela desenhista do Cavaleiros - Episódio G, onde os próprios desenhos dela deixam confuso o ato de ler a revista (seria o excesso de detalhes?)... pra mim fica evidente a diferença qualitativa da narrativa dessas séries quando comparo as páginas preto e branco com as coloridas (as páginas iniciais do Ep. G são muito bonitas, já valem a revista).

Pelo menos nos pontos citados a arte dos dois me parece BEM confusa.

Não sei se no Japão o formato desses mangás é maior, mas pelas minha referências o Kazushi Hagiwara me parece mais um grande ilustrador do que um mangaká de fato.

Alexandre: Bom, sendo imensamente honesto: No Brasil houve uma perda imensa de qualidade de impressão em relação ao original. Ou seja, considerações como pesos de linha na página acabam perdendo força. Por isso preferi partir para o material japonês: as edições de Bastard da JBC até subtraíam pontos da arte, e eu não estava interessado no roteiro de Bastard – não há muito o que ler ali. Mas faz sentido: ele é um grande ilustrador, mais do que um quadrinhista com uma narrativa sólida. Por outro lado, se ele não dominasse o beabá narrativo, a série não teria começado sua carreira na Jump, onde isso é exigido de qualquer postulante.
Nome: R. Moss 09/06/09 12:13
Ranking fraco pra mim.
Menos Kodansha = Menor interesse.

Já perdi a paciência com Bastard, e me admiro que ainda venda.

Agora fico na expectativa dos números de venda de Bleach para ver se estão mesmo diminuindo ou não.

Eu gosto de Bleach, por isso mesmo torço para as vendas caírem e o mangá terminar com uma certa dignidade, porque do jeito que está...

Já One Piece continuo achando chatíssimo e não consigo entender esse sucesso todo.

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