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Mai 19
Shojo Beat Cancelada
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Lancaster |
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Categorias: cancelamentos

A antologia americana Shojo Beat, da Viz – o braço internacional tanto da Shueisha quanto da Shogakukan – está indo para a vala. Não serão aceitas mais assinaturas, enquanto uma das suas distribuidoras já confirmou o seu cancelamento. Assinantes passarão a receber edições da
Shonen Jump americana no lugar. Assim, a primeira grande antologia para meninas americana vai embora, mas a Jump parece estar firme e forte ainda – mesmo com a crise econômica. E sem depender do mercado direto, importante lembrar. Pergunte à Marvel sobre seu resultado em Newstands.
Mas por que isso aconteceu? Na verdade, os motivos tem menos a ver com a condução editorial do material do que do formato em si (senão a Jump também estaria com problemas). A revista vinha perdendo leitores desde que a editora deixou de veicular séries na íntegra em suas páginas, transformando o material em uma revista de amostras: quando as séries estavam estabelecidas em vendas nas versões compiladas em livros, elas simplesmente as removiam do lugar. Diferente da Jump, aonde eles fazem isso sim – mas jamais tiram os carros-chefe do lugar. Enquanto houver Naruto, One Piece, Yu Yu Hakusho e Bleach na revista, ela se sustentará. Mas a editoria da Beat removeu Nana de suas páginas, mantendo uma estúpida política de séries rotativas. E não ouviram seus leitores nessa hora. Curiosamente Nana, de Ai Yazawa, está de volta, na reta final da revista – o que tem cara de medida desesperada, tomada tarde demais.
Mas era algo previsível. Meramente servir de amostra e não dar continuidade ao que é veiculado é uma postura que jamais poderia dar certo e a Beat está pagando o preço. Nessas horas se troca a editoria da revista e se cria um plano de recuperação, não se cancela uma publicação gratuitamente sem se tentar fazer um esforço concreto para salvá-la.
Por outro lado, a Jump americana tem um elemento concreto que ajuda a impulsionar as revistas: animes. Naruto, Yu-Gi-Oh (inclusive na versão GX), Dragon Ball, Bleach, Yu Yu Hakusho, mesmo One Piece em sua versão picotada – todos estiveram ou estão na televisão americana. Friamente: dos títulos que abriram a publicação, Crimson Hero, Kaze Hikaru, Aka-Chan to Boku, Conde Cain, NANA, e Zettai Kareshi, quais tinham animes em andamento em 2005 (ano de lançamento da revista; depois disso, não vale) – e se tinham, algum deles foi exibido na tv gringa?
De acordo com os Kits de mídia das respectivas publicações, a Shoujo Beat surgiu bem, crescendo 75% em vendas em apenas seis meses, sendo vendida nos pontos de venda normais de qualquer revista não-ligada ao mercado direto de quadrinhos: Cadeias de livrarias, supermercados, lojas de conveniência, chegando a ter 55% de sua tiragem em
assinaturas. No entanto, em seu terceiro ano, ela acabou ficando apenas em 43.927 exemplares. A título de comparação, com a crise econômica (que pegou os americanos com bem mais força do que a nós – você não vai deixar de comer para ler uma revista), a Shonen Jump acabou despencando para a faixa dos 200.000 a 250.000 exemplares vendidos – no entanto, essas revistas foram planejadas para vender, em termos de investimento, 100.000 cópias – tanto é que no seu lançamento, a Jump americana teve que tirar mais de uma tiragem para dar conta do recado. No final, a primeira edição, de tiragem em tiragem, acabou tendo 300.000 exemplares impressos – que se esgotaram. Novamente digo: o problema aqui não foi o formato. Foi tratamento editorial – e falta de anime na tv americana. Sempre disse e sempre vou repetir: animes podem ser bons, bonitos ou legais, mas mercadologicamente falando, eles não passam de grandes comerciais de mangá, que duram 26 minutos ao invés de 30 segundos. Porque acham que os animes de Hunter X Hunter acabaram prematuramente? Porque simplesmente com a periodicidade errática do Togashi, eles não tinham mais função: o volume só sai quando há o que publicar, simples assim.
Eu vou dizer uma coisa que vai gerar muita antipatia, mas sinceramente: se é para vender shoujo no exterior, os japoneses deveriam estar fazendo mais animes para meninas, não doramas que vão ter penetração limitada no resto do mundo, salvo em outros países asiáticos – e se uma Viz Media quer manter presença nos Estados Unidos, que saiba vender seu produto. Ou então que se estimule o licenciamento para versões locais em outros países. Se já foi feito, por exemplo, com Hana Yori Dango: uma novela coreana, uma novela de taiwan e uma novela chinesa propriamente dita, façam uma novelinha nos Estados Unidos com uma Marcy e um Donnie no lugar de Makino e Domyouji. Ou uma Márcia e um Dodô por aqui, que seja. Se algum purista nem ligou se a Makino virou Shan Cai em Taiwan e Geum Jan-di na Coréia, mas ficar escandalizado com uma Marcinha, sinceramente: ele merece. 
Simplesmente a Shoujo Beat não conseguia crescer – e transformando a publicação em um mostruário rotativo, não iria para a frente mesmo. A Jump, por outro lado, continua de pé. Agora as antologias nos Estados Unidos estão nas mãos dela e da Yen Plus da Yen Press/Orbit, cujos mangás são essencialmente da Square Enix. Ou seja, a Shonen Gangan (sem Full Metal Alchemist) versus a Shonen Jump, em território americano. A bola é com elas, daqui para a frente.

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Alexandre: Na verdade o ponto é mais simples: se você compra para ler, digamos, dois títulos, e de repente tiram, você vai continuar comprando por quê? Fidelizar o leitor é fundamental e eles ignoraram essa lição básica de qualquer antologia.
Obs: só besteirinha, acabei de ler no twitter do MDS que vai sair bolacha do TDMonicaJovem...o cara sabe faturar em cima da criação dele.
Alexandre: E ele está mais do que certo, ora.
Alexandre: E acho que ele consegue se dar bem, novamente. Ele sabe o que faz.
De fato o carro chefe da Jump são essas séries mesmo, eu diria que principalmente Naruto e One Piece, que tinham dois ou três capítulos por edição (também gostei de ver páginas coloridas de Slam Dunk, do começo da série). Além disso todas as edições vinham com cards do Yu Gi Oh e um amontoado de propagandas de produtos licensiados da Viz, e Checklist com todas as publicações da editora.
A inclusão do card é puro marketing, mas duvido que a revista sobrevivesse sem essa prática (nossas editoras podiam se ligar nisso), além de trazer um público que esta interessado no card, e que pode vir a ler a revista (afinal ja comprou mesmo) e gostar de alguma série. Pode tanto não gostar de nada e nunca mais comprar; pode gostar e continuar comprando; ou pode gostar, mas não querer pagar $5 por dois capítulos de uma única série (pra isso também servem o checklist, pois pode puxar o consumidor que quer algo de maior qualidade).
Posso dizer também que fiquei impressionado com a qualidade grafica da Jump, é muito bem impressa a revista.
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