Submarino.com.br

Artigos

Do Crescimento do Mangá Global


Outros Artigos e Reviews de Interesse



Perguntando aos Leitores


Entrevistas


Comentarios Recentes


Posts Recentes




Busca

Mai 15

One Piece: Tudo ao Mesmo Tempo Agora

Compartilhe: Delicious Digg technorati Stumble Upon Twitter Creative Commons License

Lancaster | PERMALINK | 6

Categorias: One Piece

One Piece

Duas novidades interessantes nos Estados Unidos para os fãs de One Piece, a série de piratas de Eichiro Oda que vem sendo o atual título nº1 japonês há mais de uma década – sem sinal de que venha a cair de seu posto tão cedo. A primeira delas é que a distribuidora americana Funimation, o estúdio Toei Animation, a editora japonesa Shueisha e a rede de televisão Fuji anunciaram que a partir do 403º episódio do anime, ele passará a ser exibido oficialmente na internet uma hora depois de sua exibição original no Japão, com legendas em inglês. A Funimation vinha exibindo para os americanos a série desde o episódio 391, mas não com essa sincronicidade.
Mais surpreendente ainda é saber que a política de exibição simultânea não se limitará mais a animação. A Viz Media anunciou na última quinta-feira que planeja publicar os capítulos mais recentes de One Piece na versão americana da antologia para garotos Shonen Jump, a partir deste inverno. Atualmente, as edições compiladas em livraria estão no volume 21, mas todo mundo sabe que os leitores acabam migrando para internet – aonde a série está mais adiantada, obviamente, saindo em paridade no Japão por conta de traduções de fãs. A revista dará um salto cronológico – bom lembrar que no país de origem, o último volume lançado foi o 53 – mas nada se falou quanto a aumentar o ritmo dos lançamentos. Talvez porque, nos Estados Unidos, One Piece não e o hit avassalador que é no Japão – esse posto no ocidente pertence a Naruto, de Masashi Kishimoto, colega de Oda nas páginas da Jump. Não custa lembrar que Naruto chegou a ter uma acelerada na publicação, mas estava ancorado justamente em vendagens muito boas, e o objetivo era claramente tomar as listagens de mais vendidos. One Piece não tem fôlego para fazer o mesmo. Ainda.
Não é preciso ir muito longe para se entender que isso faz parte de todo um esquema de marketing desenvolvido para aumentar, no ocidente, a penetração da atual marca nº1 da Shueisha: mesmo que tenhamos sido barrados no baile ao se restringir a visualização a território americano, o fato é que houve um barulho enorme causado pela publicação simultânea de Kyokai no Rinne de Rumiko Takahashi, no Japão e nos Estados Unidos. One Piece sofreu problemas graças a incompetência crônica da 4Kids (porque aqui no Brasil as empresas negociam com gente que não tem capacidade de trabalhar nem no próprio país?) e não decolou tanto como poderia. Os cortes até tiveram sua vantagem aqui no Brasil: deixaram o material à prova de ministério público (repararam que eles só fazem barulho quando a Globo está sofrendo danos de audiência com o programa atacado?), então de certa forma a versão 4Kids por aqui tem lá sua serventia. Mas o que importa é que One Piece é uma marca vista até com simpatia nos Estados Unidos, mas que teve um crescimento aquém de seu potencial e a internet supriu seu público base. Agora, a ordem é investir na griffe, pelo visto, para que ela alcance seu potencial em licenciamentos. Com isso, talvez a Viz repense quanto a periodicidade das versões para livrarias –afinal o futuro do mangá no ocidente é a simultaneidade. Não adianta chorar: a tendência está se desenhando e só tende a crescer e nos próximos anos. Cedo ou tarde, ela chegará aqui.
E o que significa isso? Em miúdos, preparem suas mentes e esqueçam a paranóia de "esperar uma série ser concluída para comprar tudo", ou "pedir por séries curtas que sejam lançadas de forma completa". A tendência das editoras no ocidente é publicar simultaneamente com o Japão para evitar que os materiais migrem para a internet e venham a competir com a versão impressa (o famoso "não vou comprar porque eu baixo tudo"). O que está acontecendo com Kyokai no Rinne e agora, com One Piece, é um prelúdio para essa tendência. Não vou deixar de acompanhar uma série longa só porque ela está saindo. Simultaneidade significa que quando ela sair no Japão, ela sai em outro lugar. Se ela acabar por lá, acaba por aqui. Logo, as preocupações com periodicidade morrem. Ou os internautas não esperam o material a medida em que ele é publicado no Japão? Porque não resta dúvidas: One Piece é nada mais, nada menos, do que a série de anime mais vista no mundo... através de pirataria, de acordo com índices especializados. Vale a pena o investimento para trazê-la à legalidade, então.
Que venha o futuro – e enquanto isso, eu já ficaria um pouco mais feliz se, aqui no Brasil, a editora Conrad voltar a publicar One Piece como antigamente. Sem atrasos. Se bem que se ela fizer edições definitivas como as de Vagabond, eu compraria tudo alegremente desde o começo, não importando o preço de capa...


Posts similares:
Kyokai no Rinne Simultaneamente no Japão e nos Estados Unidos!
Só J. K. Rowling pode deter Naruto na França?
Streamline em sete línguas… inclusive português!

Related Posts with Thumbnails

Comentários:

Nome: Guilherme Neto 15/05/09 08:48
Cara, isso é genial e essencial! Nesses tempos de internet, toda a logística de exportação de programas de TV, filmes, quadrinhos e até livro precisa ser repensada. Esse é um bom caminho que eu gostaria que tivessem aqui.

O problema é que eu não sei se daria certo, por causa da cultura dos brasileiros do mangá na banca periodicamente...
Nome: F/X 16/05/09 06:22
Essa ideia eh muito boa. Mas eu jah estou vendo problemas grandes na adaptacao.

Uma coisa que sempre me deixou cabreiro com scans eh traducao amadora. Anos atras, quando eu ainda acreditava e ateh contribuia com isso, eu jah notava a traducao literal, e pior, polida! Isso mata muita historia! Hoje, nao sei, nao baixo nada.

Mas o que me entristeceu foi ver o tratamento "profissional" que o manga recebe no Ocidente. Aqui, tem livrarias que vendem versoes Viz dos mangas, ateh mesmo algumas versoes europeias e ateh a brasileira, voltada pro estudo das linguas (ficam do lado de dicionarios e manuais), e a traducao me entristece.

Como se perde vida nessas traducoes! se pensa tanto em ser "correto" que se esquece de ser literario, narrativo... One Piece eh um desses exemplos, a versao americana eh um PORRE se comparada com a japonesa.

Querendo ou nao, eh como se todo mundo da TV falasse como paulistano, ou carioca. E nao tivesse manias de fala. Eh como se fosse um telejornal, todo mundo falando direitinho... PORRE!

Alguns livros tem sido retraduzidos por escritores. E isso eh o mais correto. Tradutor sabe de lingua, escritor sabe alem. Um escritor nunca mataria a experiencia da leitura em prol da boa gramatica do portugues.

Alexandre: E você acha que eu não concordo com tudo isso? O problema são a horda de fãs hardcores que reclamam de cada alteração na tradução. Traduzir é trair, e você não pode ser burocraticamente fiel! O Toren Smith – que, este sim, é um tremendo tradutor, conta que levou uma semana para traduzir um mangá, para tentar passar toda a carga emocional do texto original. E o que aconteceu? Ele foi apedrejado, porque os fãs pela internet consideraram que ele foi longe demais, e que a tradução informal era mais fiel e correta. A empatia que se danasse. Eu sei que vou ser xingado quando vier a última tradução que fiz para NewPop antes de sair, o Kampai. Sei que vou ser xingado por colocar coisas como "Fiquem a vontade e metam esse infeliz no pau-de-arara", ou defender que se cortem todos os "kun" e "sama". Mas não estamos no Japão e acredito sinceramente que devemos aproximar o brasileiro o máximo da experiência de leitura do original, e isso é diferente de defender a aproximação total com o texto original – que dá um material polido, sem emoção, sem graça e que não vai gerar as mesmas sensações que um leitor japonês teve ao ler o material em primeira mão. A pior traição que uma tradução pode ter é uma tradução caninamente fiel.
Nome: pelada 16/05/09 11:17
Eu queria mesmo é que a série fosse lançada corretamente em DVD no Brasil, mas a Playarte me lanca 4 volumes com 3 episódios cada, e por R$ 39,90 cada um? É no mínimo uma coisa broxante.
Nome: pelada 16/05/09 09:12
Quanto a questão da tradução levantada pelo F/X, me lembro de casos como Samurai X, que possuia milhares de notas de rodapé (apesar de considerar que os dialogos fluiam muito bem). Vejam o caso da dublagem do Death Note, que teve gente que reclamou da mudança de Raitou pra Light (pronuncia correta do nome). Ouvi até que Death Note não deveria ser pronunciado corretamente em ingles, mas sim como os japoneses pronunciam, acho que seria como DESU NOTE ou coisa assim. É o cúmulo...

As traduções atuais seguem muito essa lógica de manter kun, sama e o raio que o parta na linguagem dos personagens. Eu ja ouvi dizer que a JBC em certos mangas usava várias gírias, e que segundo os "conhecedores da obra", tirava muito do "sentido original". No entanto não sei de nenhum exemplo específico.

O engraçado é que se formos fazer uma enquete para elencar, por exemplo, o melhor anime dublado no Brasil, Yu Yu Hakusho ganha em disparado. E o que foi a dublagem de Yu Yu Hakusho? Uma dublagem bem ADAPTADA, que usava muitos coloquialismo e g[irias da época, que não mudavam em nada o sentido da história, mas mantiam o objetivo de desenho, principalmente nas partes de humor. Va assistir Pokemon e veja como as cenas "humorísticas" são engraçadas (se bem que adaptar coisa vinda da 4Kidas é fogo).

Outro caso é Eden, que foi cancelado pela Panini. Não posso dizer se era bem traduzido, mas posso dizer que adorava ler o gibi porque não tinha que ficar procurando referências ou tendo que aprender uma terminologia japonesa pra ler a história. E os diálogos eram muito bons.
Nome: pelada 16/05/09 09:40
Outro caso interessante de tradução e adaptação na dublagem brasileira pode ser conferido nesse video do Youtube
http://www.youtube.com/watch?v=QpKcbEZBQfE, em duas cenas da saga de Hades dos Cavaleiros do Zodiaco. A primeira fase foi dublada na Alamo, e dirigida pelo Marcelo Campos, o dublador do Mu de Aries. O restante da saga foi dublado na Dubrasil, com direção do Hermes Baroli, o dublado do Seiya de Pegasus.

A dublagem desse segunda fase de Hades teve vários problemas entre dubladores, estúdios etc etc... mas fugindo dessa questão, se percebe como uma direção e adaptação bem feita podem mudar a qualidade do produto.

Eu li algumas entrevista do Marcelo Campos, onde ele critica em muito essa questão dos dubladores dublarem "como se o personagem estivesse lendo", e se esquecerem que eles devem falar como gente. O último filme dos Cavaleiros foi dirigido por ele tambem, e comparado com todas as outras dublagens atuais da série, nota-se como a emoção do desenho se perde. E em um anime como Cavaleiros, que sobrevive muito mais pelo fator nostalgia do que por méritos próprios, uma dublagem falha é fatal.
Nome: pelada 23/05/09 12:47
Para quem estava esperando novos lançamentos de One Piece pela Playarte, uma má notícia: http://www.jbox.com.br/2009/05/22/dvd-playarte-interrompe-one-piece/... O link já diz tudo.

Fico na torcida agora para que a série seja relançada sem cortes no Brasil, como estão fazendo nos DVDs americanos.

Deixe seu comentário:

Seu endereço de email não será exibido nesse site.
Sua URL será exibida.

Tags XHTML permitidas: <p, ul, ol, li, dl, dt, dd, address, blockquote, ins, del, span, bdo, br, em, strong, dfn, code, samp, kdb, var, cite, abbr, acronym, q, sub, sup, tt, i, b, big, small>
(Quebras de linha se tornam <br />)
(Set cookies for name, email and url)
(Allow users to contact you through a message form (your email will NOT be displayed.))

Post anterior: Oito Anos de Comic BunchPróximo post: Samurai Pizza Warriors