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Essa é para a galera que mora em Niterói (RJ): A Associação Nikkei da cidade está oferecendo um curso de mangá no colégio São Vicente de Paulo, em Niterói. Normalmente eu não notifico sobre todos os cursos que acontecem ao redor do Brasil, mas como eu tive oportunidade de conhecer a competência técnica dos envolvidos, achei que o toque valeria a pena. Mais detalhes podem ser vistos aqui.
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Comentários:
Mas, é bom lembrar que o problema do aspirante a autor de mangá ou quadrinhos em geral no Brasil não é a falta de habilidade no desenho, mas no roteiro e nos personagens. Os cursos deveriam focar mais nesses pontos também. Senão, aparecem um bilhão de fanzines que são cópia descarada de Naruto e Dragon Ball, e eu não aguento mais isso. Como resultado, não aparecem trabalhos sérios e nada de material nacional razoável é publicado.
Ah, eu não estou falando desse curso que você apresentou, não! Só estou dizendo que há muitos cursos que são assim, mas, já que foi você que apresentou esse, creio que seja bom mesmo!
Alexandre: Na verdade esse é apenas de desenho, mas realmente você apontou um assunto importante. Faltam realmente cursos que enfoquem o roteiro. Mas não adianta oferecer técnica quando não se tem vivência para além do mundinho dos animes e mangás em si. Costumo dizer sempre: os anos setenta no Japão foram o que foram porque seus autores, por uma questão generacional, testemunharam todo tipo de convulsão no país – a derrota na guerra, a reconstrução após anos de instabilidade, a decolagem econômica (que não veio sem preço), o fracasso dos movimentos estudantis dos anos 60, tudo. E quando esses autores escreviam, sua experiência de vida se refletia no seu trabalho, de uma forma ou de outra. Até os anos oitenta, pudemos ver gente que passou pelos diferentes estágios dessas transformações no Japão, escrevendo. E depois dos anos noventa, de modo geral o nível já não era mais o mesmo – começou a entrar no mercado a geração que nunca conheceu um Japão com problemas de verdade e que sempre leu mangá desde que nasceu.
Mas aqui é diferente. Precisamos deixar de ter medo de escrever sobre nós mesmos. E quantas vezes eu ouvi coisas como "não vou escrever sobre favela". Bom, minha sugestão é ir direto a literatura juvenil, às Coleções Vagalume, aos livros como "Um Cadáver Ouve Rádio" do Marcos Rey e "Spharion" de Lúcia Machado de Almeida. Eles já incorporaram nosso cotidiano e tem qualidades análogas aos bons mangás.
É uma história legal, de aventura, que se passa no Brasil e dava até pra existir em versão quadrinhos. Roteiro bacana, levemente ousado (por ter muitas coisas sobrenaturais, algo raro no Brasil), personagens com os quais as crianças se identificariam, etc. Até eu gostei, imagina o público alvo dele? Eu queria que tivesse até continuação, haha.
Então, o problema é: falta de autores nacionais que visem atingir um grande público (lê-se: infanto-juvenil) e "acostumá-lo" à leitura e, consequentemente, fazer surgir, praticamente "forçar" mais trabalhos com bons roteiros a aparecerem.
No curso do Centro (Shirai) estamos trabalhando com o esquema módulos. Módulo I é desenho básico, até para atender aos anseios do aluno que quer primariamente desenhar ou ilustrar e ainda não tem base teórica.
De qualquer forma, no curso de Icaraí (Nikkei), vamos fechar o programa em aproximadamente um ano, portanto vamos abordar teoria dos quadrinhos, layout e roteiro.
Obrigada mais uma vez e abraços!
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