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Abr 09

Full Metal Panic em Hollywood

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Lancaster | PERMALINK | 4

Categorias: Full Metal Panic

Full Metal Panic

Não sei como isso foi passar batido por mim: Full Metal Panic vai virar filme pela Mandalay Pictures, e há conversas com o ator Zac Efron – de High School Musical – para pegar o papel do protagonista. Por mais estranho que pareça, pessoalmente eu não fico horripilado por isso.
Eu explico: os sete primeiros episódios da série dariam um longa facilmente, e cá entre nós: sei que todo mundo que não seja mulher e tenha passado dos treze anos detesta o Efron, mas olhando friamente, o sujeito não é má escolha – em primeiro lugar, Efron veio de três musicais, e quem dá conta de coreografia de dança atrás de coreografia de dança pode se sair muito bem nas cenas de ação – não custa lembrar que boa parte dos atores do cinema de ação de Hong Kong tem um background parecido; segundo, FMP exige esse pique físico do personagem por ser um Comando Delta com um protagonista adolescente e funciona como se fosse uma paródia tanto do clichê estabelecido do herói de série de mecha (convenhamos: não é óbvio que na verdade o Sousuke é uma zoação com a cara do Hiro Yui de Gundam Wing?) quanto dos protagonistas durões dos filmes de ação. Quantos garotos – ou marmanjos com cara de garoto – dariam conta do papel? O tratamento óbvio aqui é o de blockbuster de tiroteio e explosão, com os mesmos subtons militares dos filmes dos anos oitenta, até porque ESSA é a verdadeira inspiração de Full Metal Panic. Alguém reparou que uma das músicas da trilha sonora da série – Tokkou Yarou – é completamente chupada do tema de abertura do bom e velho seriado Esquadrão Classe A?

Na verdade eu considero que existam dois Full Metal Panic à parte entre si: um que é justamente o eco dos filmes militares dos anos oitenta, e que gerou as séries Full Metal Panic e Full Metal Panic – The Second Raid; e outro que é simplesmente uma comédia medíocre para fãs hardcore, representados pela horrorosa série Full Metal Panic – Fummofu (exibida no Brasil pela Animax. Algo me diz que se a transmissão não fosse na Venezuela de Chávez, escolheriam as outras duas séries ao invés daquela tralha) e pela frustrante primeira série de mangá publicada pela Panini (ainda não li o Full Metal Panic Sigma para saber à qual dos lados da força esse mangá se alinha). Esperemos que na versão filme, eles escolham a versão certa para se basear. Algo me diz que eles o farão, desta vez.
De qualquer forma, vai ser melhor do que o vindouro Dragon Ball. Se bem que não é preciso muito para isso. Basta que o filme não caia nas mãos da Fox... ;)


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Comentários:

Nome: Leandro Nisishima 09/04/09 02:32
Sem querer ser chato, mas Full Metal Panic? Fumoffu! é uma excelente comédia. É bem verdade que o título é feito para os fãs hardcore, mas sinceramente isso não importa e interfere na qualidade. Percebi em seus textos que você aparenta ter um certo desprezo por séries para fãs harcore (Kannagi, Fumoffu?, entre tantos outros). Porém existe muita coisa boa nesse meio também e as vezes melhor do que aquilo que é publicado nas shouens jumps da vida.
Nome: Lancaster 09/04/09 03:03
Olha, eu nunca escondi que entre o material de massa e o de nicho eu sempre dei preferência ao de massa. E o grande problema de FMP é essa divisão. Nunca conheci quem gostasse realmente das duas séries. E há excelentes comédias de massa como Kochikame, Sket Dance, e mesmo a primeira fase de Dragon Ball nas páginas de uma jump – e fora dela, eu sempre quis ler o Makoto-Kun de Kazuo Umezu. Meu maior problema é que essas séries de fã hardcore na verdade são produtos mais voltados a exploração de fetiches do que histórias que se sustentam pelos seus próprios méritos.

E de certa forma eles estrangulam a produção: Por ter um público que mesmo reduzido é fiel e garantido, há muita produção dirigida a eles – eles não tem durabilidade, de modo geral; mas se pagam muito rapidamente e mesmo tendo audiências baixíssimas, recuperam muito bem seu investimento em produtos (pode reparar: toda semana na lista de mais vendidos, quando aparecem mangás de fã hardcore, eles desaparecem na semana seguinte – isso é porque seu público comparece todo de uma vez, fazendo-o vender muito. Mas depois, quem comprou já tinha que ter comprado). Nesse sentido, entendo bem porque eles viraram telhado de vidro da geração de autores superflat: são parte de um problema. E isso tem consequências: olhe para esse link.

Agora vamos a uma resposta (reduzida, porque não quero encher o saco alheio) sobre esse link, vinda de um amigo meu: Bem, eu posso apontar uma EXCELENTE razão para essa crise: O anime está ficando tão autofágico quanto os quadrinhos americanos! Sem exagero! (...) Metade eram baseados em eroges e metade em "fantasy light novels", ou seja, livros de fantasia baratos que os japoneses (e americanos, franceses, e, que diabos, até os PORTUGUESES) produzem em série! É isso a que a indústria de anime se reduziu? Adaptar material otakuzeiro? Mesmo os animes mais inspirados que eu achei estavam infiltrados por moes, lolitas que costumavam ficar restritas a meia dúzia de séries nos bons tempos pré-Evangelion. É esse o legado da Gainax?

Ele acertou em especial na frase: "tão autofágico quanto os quadrinhos americanos". Não há mais o estímulo a criação de verdade. Não teremos um mangá que vai parar o japão a cada capítulo lançado, como aconteceu com Ashita no Joe, nem um anime que cause mobilização como Patrulha Estelar, cujo tema de abertura virou quase um segundo hino nacional! Eu ironizei a breguização que Kimagure Orange Road ganhou com o tempo, mas aquilo é um produto legitimamente popular, e tem as mesmas qualidades encontradas em comédias românticas similares feitas para o mercado otaku – sem precisar de caras e bocas e gestos infantilóides, nem gente que parece um cosplay ambulante. Na verdade, a série se sintonizou ao seu tempo tão bem que desce mal vista fora desse contexto. Isso acontece e não é culpa dela.

Na verdade o ideal seria que os mangás e animes voltassem a olhar para seu próprio mundo e seu próprio tempo, e não mergulhar numa bolha de realidade como a do material otaku. Foi isso que levou os quadrinhos americanos a um gueto. Já vimos o que aconteceu por lá. Não gostaria que acontecesse com o Japão, deixando bem claro.

E só pra fechar: quem se empolgou com a mistura azeitada dos sete primeiros capítulos de Full Metal Panic, onde humor e ação se equilibram com perfeição, ver Fummofu na boa – dá vontade de jogar um tijolo na tela. Aquilo é terrível. :P
Nome: Leandro Nisishima 09/04/09 05:18
Ok! Entendo esse lado que você quis apontar Lancaster. E não é surpresa para mim esse negócio da produção de animes estar em "queda" atualmente. Presenciei algo parecido a pouco tempo (e ainda presencio) na indústria dos jogos eletrônicos. O ponto que se coloca em ambos os casos é bem parecido, embora feito de uma maneira inversa. Há um entrave entre a produção hardcore (Xbox 360 e PS3) versus a popularidade e casualidade do Wii. Não posso deixar de dizer que por mais Nintendista que tenha sido um dia, acabei me voltando para o lado hardcore do Xbox 360 e PS3. O que se enfrenta nesse caso é um número cada vez maior de produtores se voltando a produção de jogos sem "brilho" algum para Wii e abandonando o aspecto cinematográfico que os games vem adquirindo a cada ano, além de a indústria estar indo obviamente na contramão da cultura gamer e da chamada "era dourada" dessa indústria.

Isso tem feito aumentar o número de produtoras caça niqueis, e infelizmente o resultado disso é um número ridículo de jogos ruins.

A indústria dos animes passa por um processo parecido, que no fim é resultado da sede por lucros, já que ambas as indústrias atingiram proporções gigantescas.

É inegável que essa reclamação decorrente de heróis estereotipados e histórias que se sustentam por pouco tempo seja recorrente dessa época, pois simplesmente não existia o que copiar no passado. O mesmo vale para as poucas produções de peso existente hoje em comparação ao passado, que em proporção eram maiores simplesmente por que pouco se produzia. Claro que não vou limitar minha justificativa a isso, mas é um processo natural em qualquer indústria e hoje é muito mais difícil empolgar alguém do que no passado.

Usar clichês que deram certo no passado é muito mais confiável do que tentar a sorte com algo novo (em ambos os casos). Se isso vai levar a um estrangulamente no futuro, quem sabe?

Ah sim, e esse lado sem criatividade afeta até mesmo produções populares, como Naruto e Bleach, por exemplo. Ambos os títulos tem grande respeito da comunidade internacional e fazem barulho nos quatro cantos do mundo, mas quem disse que estão livres dos estereótipos? Os protagonistas em si são um clichê. Isso sem contar vários outros personagens. E isso faz sucesso entre o público, da mesma forma que o material mais otaku faz sucesso com um público especifíco. São histórias que não se sustentam apenas pelo enredo. Diria que fazem sucesso pelo apelo popular delas, mas não é como se fossem originais e marcantes.

Lancaster, se analisar a indústria como um todo verá que não somente o lado otaku está afetando a indústria, mas qualquer tipo de material. O fato é que o lucro provindo dos dois lados acaba sendo muito parecido, seja dos títulos de longa vida e populares, como os mais otakus. A indústria dos games tem sido assim também.

No fim, esse negócio de não existir estímulo a criatividade é até verdade, mas posso citar uma centena de bons títulos, que não devem nada aos tempos de ouro e são recomendados a um público restrito (não necessariamente otaku). E se usar de clichês inicialmente se provou ótimo em séries como Suzumiya Haruhi e Gurren Lagann.

Sobre Full Metal Panic, na verdade acho o primeiro e o Second até mais hardcore do que o Fumoffu. A maioria das pessoas que viu Full Metal Panic assistiu o Fumoffu, sendo que o enredo mais complexo afastou muita gente do original. E não acho Fumoffu hardcore, seria se tivesse muita piada com conteúdo otaku, o que não chega a ser o caso (vi apenas uma paródia ou outro, mas que dentro do contexto arranca risada até de quem não sabe da onde veio a piada).

Ah e desculpa o tamanho da postagem.
Nome: Paulo 17/03/11 11:52
Primeiramente, Lancaster , meu nome é Paulo, prazer em conheçe-~o. Agora conheces um fã de todas as séries FMP.

Bem quanto as séries, poderiamos dizer que o fumoffu conta mais ou menos o periodo de "paz" que rolou entre a primeira faze e o second raid, e a opinião mais importante que eu queria deixar aqui: "FMA filme!? kkk ridiculo" não duvido que possa acontecer mas, seria forte candidado ao fracasso, quanto ao ator, não gosto do Zack por causa dos HSM e admito isso, tambem acho que contrata-lo seria muito caro para um filme que provavelmente não renderia nada, portanto a ideia de Zack como protagonista eu descartaria pois geraria prejuizos ao invés de lucros.

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