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Abr 05
Quanto Custa Se Trabalhar Como Um Quadrinhista no Japão?
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Lancaster |
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4
Categorias: business

Para quem acredita que o maior incômodo da carreira de um desenhista de quadrinhos no Japão é o de ter que varar noites para cumprir prazos insanos, é melhor se preparar para cair da cadeira: Shuho Sato, criador de mangás seinen (para jovens adultos) como a história médica Say Hello to Black Jack e Umizaru, abriu o jogo quanto à suas despesas de trabalho em uma série de posts
em seu próprio blog, de 28 de Março a 4 de Abril: ele ganha cerca de 16 milhões de Ienes por ano pela produção de 450 páginas durante esse período de tempo (leia-se R$ 351.213,66 em câmbio de hoje), mas o custo de se manter seis assistentes para manter esse prazo – 18 milhões de Ienes, ou R$ 395.115,36 – acaba deixando-o no vermelho pelo trabalho em si. O que equilibra seu caixa é a venda de volumes nas livrarias, pelos quais ele recebe 10% do preço de capa (580 ienes, ou R$ 12,731). O mais recente volume de Say Hello vendeu 98.579 edições nas duas primeiras semanas à venda, portanto é só pegar uma calculadora e pôr mãos a obra: ele faturou, nas duas primeiras semanas, 5.717.582 ienes – leia-se R$ 125.505,80. Como a diferença
entre os ganhos pelas páginas e a manutenção de sua equipe é R$ 43.901,70, e falamos de vendas de uma edição em apenas duas semanas, ele já cobriu seus custos e teve um lucro inicial de R$ 81.604,10, ele já pode respirar aliviado, afinal esses materiais tendem a ter uma vida útil relativamente longa nas livrarias (é a vantagem delas em relação às bancas: maior exposição e ganhos mais sólidos a longo prazo).
A questão é: e se você não vende tão bem? De acordo com Sato, há artistas que trabalham em antologias shoujo (para meninas) e que ganham apenas 8% ou 9% pelo preço de capa de seus volumes compilados. Mais: durante seu primeiro trabalho, Umizaru, Sato estima ter perdido 200,000 ienes por mês antes de seus royalties (taxa pelos direitos de personagem, incluídas no preço de capa) terem começado a entrar na sua conta bancária:
Taxa de pagamento por manuscrito (leia-se, roteiro):
10.000 ienes por página
Ganho Mensal:
80 páginas for 800.000 ienes (correspondentes à 20 páginas por cada capítulo semanal)
Taxa mensal de ganhos:
80.000 ienes
Custo de manutenção de equipe de três pessoas:
470.000 ienes
Despesas Alimentares da Equipe:
100.000 ienes
Custos de material de desenho e similares:
100.000 ienes
Aluguel mensal do estúdio:
70.000 ienes
Gastos domésticos e outras despesas:
50.000 ienes
Perdas mensais com outros gastos domésticos:
-200.000 ienes
Com isso, Sato ganhou 25.000 ienes por página em The Isle of Tokkou e agora ganha 35.000 ienes por página em Say Hello to Black Jack ano, o que é bem menos do que um salário. Ele também ganha 150.000 ienes antecipados para produzir
cada capítulo da série. Cada um dos seus assistentes ganha 3.000.000 ienes por médio de um burocrata corporativo em início de carreira.
Agora que fomos bombardeados com a matemática, dá para entender algumas coisas – e uma delas é a diferença monstruosa que faz trabalhar com produtos "licenciáveis": já pararam para pensar porque o universo profissional do mangá shonen (para garotos) é tão mais competitivo do que o seinen? Sim, um Kami no Shizuku ajuda a impulsionar a venda de vinhos e um Kacho Shima Kosaku vende todo tipo de produto para o público adulto, entre bebidas alcóolicas, automóveis e programas de computador – não dá para negar o potencial comercial do produto adulto. Mas compare isso com a verdadeira miríade de produtos que um Naruto ou um One Piece geram. Do ponto de vista de quem tem contas para pagar e precisa manter essa estrutura toda, a atração por um hit comercial de apelo fácil é bem visível.
Em todo caso, vendendo bem, tudo se resolve. Até lá, o jeito é ou trabalhar com menos assistentes ou aceitar ficar um tempo no vermelho – o que todo quadrinhista tem que encarar no começo, pelo visto.
Fonte: Anime News Network
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Comentários:
Como seria a estratégia de distribuição? Faria em volumes? Ou faria em capítulos com menos páginas estilo gibi tradicional... seriam 20 páginas por capítulo, 40? Eu penso nisso tudo porque um dia quero publicar o que venho criando há um tempo. E esse post do Lancaster nos traz claramente o pensamento de que não depende só saber desenhar ou escrever boas histórias... é como se sua publicação fosse uma empresa, um negócio... ter uma infra-estrutura comercial, jurídica, de marketing, de logística... montar uma bela equipe, pois não pode fazer tudo sozinho... é bem complexo o negócio, realmente. Mas não é impossível, creio.
Alexandre: Bom, mas a realidade dos autores que você citou é a realidade dos autores topo de linha, os mais vendidos, os mais bem-sucedidos. Mas os outros 90% dos autores são de classe média mesmo, e é assim que eles vivem.
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