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Abr 01
Debaser, de Raf
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Lancaster |
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Categorias: mangá global

Paris, 2020. A sociedade francesa se tornou ultra-consumista, sob um governo ultra-conservador em moldes bushianos. Qualquer música que soe vagamente subversiva é proibida – e o resultado foi bem familiar para nós: música de décima oitava categoria, movida à cantoras que balançam a bunda, massificadas por todos
os cantos da mídia. Nesse contexto, um bando de jovens decide ir à luta e trazer de volta o rock como uma forma de resistência.
Esse é o contexto do mangá francês Debaser, publicado pela editora Ankama, que está lançando seu segundo volume. A série tem um contexto satírico e o traço de Raf tem uma arte cheia de personalidade – não é por ser mangá que se deve atrelar a própria evolução como artista em forminhas de bolo, convenhamos.
Debaser é um material interessante por vários motivos – desde o tema, oportuníssimo na época em que o mangá começou a ser publicado, com o crescimento dos movimentos conservadores exportados pelo governo Bush – até por sua campanha criativa de divulgação, que inclui animações pelo youtube...
... e também um website fajuto da Mundial Musique – a MTV francesa desse futuro, que veicula um monte de porcaria, até que nossos heróis o hackeiam (dêem uma olhada neste link). É um
mangá que não tem medo de ser grosso, é importante dizer; mas o mais interessante aqui é justamente o imenso timing com o seu momento. É muito fácil olhar para o que se está fazendo no Japão e tentar fazer mais histórias com ninjas e samurais – como se eles não existissem em quantidade suficiente. Essa série ofereceu uma proposta nova e totalmente sincronizada com o momento que estava sendo vivido. E o bom quadrinho (e mangá é quadrinho, antes de mais nada) deveria ser, antes de mais nada, veículo para boas idéias.
Debaser é o oposto do mangá da Mônica Jovem, porque ele, sim, é um mangá para adolescentes: porque nessa idade, se mostra o dedo médio, se fala muita besteira entre si, se carrega certa arrogância e auto-suficiência necessárias para chutar o balde da vida à sua frente. Os pais se assustam e querem tentar manter seus filhos na infância, em uma visão comportada de adolescência ("não coma tanto, senão você vai engordar") – de certa forma, há maior liberdade na produção dirigida à infância do que a dirigida a adolescentes – quando deveria ser o contrário.
E diacho, eles batizaram um mangá com o nome de uma música do Pixies – uma das maiores bandas do mundo durante os anos oitenta, na minha humilde opinião. Qualquer um que faça uma dessas já tem seus pontinhos no meu livro. ![]()
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Debaser de Raf, curioso fazeres referência a esta série. Raphaelle Marx, foi com grande influência dela que comecei a desenhar a sério. Somos amigos, trocamos emails, até vamos trocar de arte assim que chegue o meu segundo volume do Debaser.
Sim, sem dúvida, a arte dela é única e bastante especial para mim
Boa crítica
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