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Mar 31

Mangá dos Três Mosqueteiros, versão Shonen Jump!

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Lancaster | PERMALINK | 4

Categorias: mangá

Etoile

A Tonkam, editora francesa especializada em mangás, anunciou o lançamento de um título muito especial para o próximo dia 17 de Junho: Étoile (Etoile: Sanjuushi Seira, no original japonês), de Hiroshi Izawa e Kotaro Yamada. A história fala de um jovem, filho de um grande oficial do corpo de guarda do Rei, que se despenca até a capital de seu país atrás de seu sonho de se juntar à guarda, e encontra três... ora, a menos que vocês por acaso não tenham vivido neste planeta por pelo menos um século, já devem ter percebido de que estamos falando de Athos, Porthos, Aramis, Dartagnan, Constance, Milady de Winter, Richelieu e outros personagens criados pela pena do mais importante e relevante escritor já nascido em terras gaulesas, Alexandre Dumas.
Dumas era um escritor de literatura popular no melhor sentido da palavra, produzindo industrialmente seus folhetins (capítulos para publicação serializada em jornais franceses), posteriormente compilados em volumes para livraria; de certa forma, o que ele fazia pode ser considerado tanto a raiz da produção das telenovelas, quanto um ancestral direto da metodologia de produção dos mangás. Sua importância foi enorme, mas em seu tempo, ele foi desprezado pela crítica e, quando de sua morte, não permitiram que seu corpo fosse sepultado no Panteão de Paris (onde estão enterrados os grandes escritores e filósofos da França); mesmo hoje aparece uma ou outra alma empolada e metida a besta, querendo desmoralizar Dumas e empurrar goela abaixo coisas como Marcel Proust e sua busca pela perda de tempo (já tive o desprazer de topar com criaturas assim).
Mas não importa – ele sempre foi maior do que seus detratores, e em 2002 esse crime foi finalmente desfeito: o corpo do autor migrou para seu lugar de direito, em cerimônia pública presidida pelo próprio Presidente da França de então, Jacques Chirac, que em discurso bradou: "Contigo, nós fomos D'Artagnan, Monte Cristo ou Balsamo, cavalgando pelas estradas da França, percorrendo campos de batalha, visitando palácios e castelos -- contigo, nós sonhamos." A própria honraria reconhecia que nenhum grande escritor francês foi tão lido quanto Dumas, pai: traduzido em quase 100 idiomas, gerando mais de 200 filmes inspirados em sua obra.
E quanto a esse mangá? Bom, ele não é uma obra-prima, bom dizer: é apenas uma (bem-feitinha) adaptação shonen (para garotos) que não teve muito tempo para mostrar fôlego: foi publicada através da antologia Monthly Shonen Jump, antes de seu cancelamento, quando foi substituído pela Jump Square. Com apenas dois volumes, a história foi finalizada como se deu. Paciência.
Mas os personagens estão lá; não gosto muito da abordagem visual para alguns deles (apesar da arte ser muito bem executada), mas isso era de se esperar: cada um tem sua interpretação mental para uma obra conhecida como essa – e não custa dizer que não havia muita diferença, em termos editoriais, entre os títulos da finada Jump mensal com sua toda-poderosa irmã semanal. Ou seja: é D'Artagnan e companhia em versão shonen, sem culpa.
De resto, era de se esperar que esse título cedo ou tarde chegasse à França – e deve ser um prazer para os leitores gauleses, em um momento aonde seu país é o maior mercado para os mangás fora do Japão (com 40% do mercado dedicado apenas ao material japonês, coreano, e claro, material nacional dentro da estética), reencontrar esses personagens devidamente repaginados para uma nova geração. E a propósito, o antigo website da Monthly Shonen Jump ainda existe e os títulos que eram publicados quando de seu cancelamento ainda têm sua página interna no local – Étoile incluso. Aproveitem para dar uma olhada nesse link, porque um belo dia, certamente vão se lembrar de tirar essa página do ar. Divirtam-se e enquanto o mangá não chega, vão atrás do original.
Vale a pena.


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Comentários:

Nome: Diana 01/04/09 11:25
Tá ai, gostei muito da arte.
Nome: Aart 01/04/09 02:31
Olha, eu respeito o Dumas, mas eu não acho que ele foi mais importante e relevante que o Victor Hugo ou até o Jules Verne não.
Nome: Lancaster 01/04/09 02:41
Ela é bem-feita, não dá pra negar. :)
Nome: Lancaster 01/04/09 02:48
Adoro o Verne, mas convenhamos: O tempo o tornou para poucos. O Victor Hugo eu colocaria ao lado de Dumas por razões completamente diferente. Ele foi mais alto, mas foi o que foi porque representou um momento diferente da literatura de folhetim: aonde se começou a equilibrar meio e mensagem. De certa forma, um Hugo não teria sido o que foi se antes dele não houvesse um Dumas ocupando os espaços da literatura popular. Ou melhor dizendo: se alcançou um lugar mais alto, é porque esteve nos ombros de gigantes.;)

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