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Mar 28
Initial D é Lançado na França
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Lancaster |
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8
Categorias: Initial D
Eu sempre digo e repito que há mangás que são voltados para o fã hardcore, o otakuzão, e há mangás que são de massa, que tem maior potencial, que podem falar com um grupo maior de leitores. Initial D certamente pertence à segunda categoria. É um mangá sobre carros e rachas, que
cairia muito bem por aqui – e que tem a capacidade de atrair a muitas pessoas que de modo geral não se interessam por animes, mas que sempre alugam qualquer filme nessa temática, sonham com ter um carro ultra-turbinado e compram tudo que é revista do gênero (e não são poucas). Agora, o mangá está tendo seus dois primeiros volumes lançados simultaneamente nas livrarias francesas pela editora local Asuka, com direito a preview. Por aqui, ele não deve ser nem considerado pelas editoras locais – e para piorar, o anime passou por algum tempo na Animax, mas burramente, eles não o trouxeram de volta quando o canal entrou numa grade maior de canais. É uma marca extremamente subexplorada neste país, apesar de ser bem conhecida pelos seus jogos e de sua versão cinematográfica ter emplacado bem nas locadoras (mesmo em versão fullscreen – o que é algo criminoso nos dias de hoje, sinceramente – e tendo o nome rebatizado para Racha: Velocidade sem Limites, o que não seria problema se os jogos com a griffe Initial D não fossem relativamente bem conhecidos pela comunidade gamer, que está longe de ser um grupo pequeno de pessoas no Brasil). Fica a pergunta: algum dia, essa série vai sair por aqui?
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Comentários:
Muito provavelmente não. Taí o exemplo de “1945”, um relativamente obscuro título, tb da Kodansha, lançado pela caloura New Pop, q levou, o quê?, uns cinco anos pra ser negociado... Se assim é com one-shots sem apelo, q dizer dum título com 33 volumes q o credenciam como popular?
No fim, a editora pequena continuaria pequena, vez q quadrinho brasileiro não visa a público senão crítica nos jornais e sites especializados, quiçá a uma noite de autógrafos regada a coquetel barato (como acontece muito no Rio, qdo alguma editora se dispõe a lançar quadrinhos — pra depois ficar por aí mesmo); e o ótimo (e barato) quadrinho argentino não tem público no Brasil, mas gatos pingados de mente ampla diante dos radicais q não veem vida inteligente além dos mangás, comics e europeus.
Desculpe, Lancaster, mas usei seu tópico como pretexto pra, de novo, externar essa problemática de quem, de repente, queira fazer algo tão diferente qto lucrativo e não tem como diante tanto da falta do vil metal qto do esnobismo, falta de visão ou burrice pura e simples dos q poderiam — ainda mais aqui no Rio, onde não há uma ÚNICA editora de HQs.
Não só por ser da Kodansha, minha editora favorita, mas acho que competições, se bem contadas, dão histórias empolgantes.
Até mesmo algo improvável como Go, se torna um belo mangá sobre competitividade, se contado da maneira correta.
Acho que a janela para que uma editora investisse nesse título por aqui já passou. Agora com seus trocentos volumes creio que seja mais difícil ainda. =/
A verdade é que, exceto pela ENORME anomalia que é Tex no Brasil e o Leste Europeu (onde a Bonelli chegou primeiro que as outras HQs - cortesia do agente bósnio Ervin Rustemagic - e dominou o mercado), o quadrinho tradicional italiano é total, completa e absolutamente desconhecido pelo resto do mundo. Manara e o material de sacanagem em geral são bem mais divulgados, assim como Corto Maltese (que durante maior parte de sua carreira foi publicado diretamente na França e é hoje mais francês que italiano).
Não é uma exclusividade do fumetti. O quadrinho holandês/belga flamengo vende horrores em sua língua nativa, mas traduzido ele não consegue nem fazer sucesso na parte francesa da própria Bélgica!
O próprio quadrinho inglês (o publicado na Inglaterra, não Vertigo e cia.) não é muito divulgado fora de seu país natal. Juiz Dredd é minimamente conhecido pelo mundo (nem que seja pelo filme...), mas poucas histórias significativas dele foram publicadas fora da Inglaterra. Apocalypse War, considerada a melhor história do personagem pelos leitores ingleses, é TOTALMENTE DESCONHECIDA mesmo nos EUA.
Nem é preciso ir tão longe. Até os anos 50, praticamente as únicas HQs que faziam algum sucesso fora de suas fronteiras eram as tiras de jornal americanas. Os comic books (Disney principalmente, Marvel e DC em menor escala) começaram a ganhar terreno no exterior nessa época, assim como algum material franco-belga selecionado (Tintin, Asterix, Lucky Luke). Mortadelo e Salaminho teve um curto período de divulgação mundial nos anos 70 e depois sumiu, embora a produção continue firme na Espanha. Melhor sorte teve a Mafalda, que continua sendo publicada no mundo inteiro apesar de não ter histórias novas. Daí é preciso ir pros anos 90 para o mangá finalmente conseguir divulgação mundial. E fica por aí.
O Brasil a história é diferente porque o Brasil é um mercado incomum por diversos motivos. Primeiro é um dos DOIS países do mundo em que as HQs ainda são vendidas predominantemente em bancas (o outro é a Itália), segundo que quase tudo que é quadrinho do mundo já foi publicado em terras tupiniquins (até mesmo a única edição estrangeira da 2000AD igual à original inglesa!), embora com duração geralmente limitada.
Isso gerou algumas "aberrações" locais, tipo o enorme sucesso de Tex, o fato da Luluzinha ter tido tanto sucesso que houve uma significativa produção de histórias novas no Brasil para manter a demanda, o Hulk ter sido durante anos um dos super-heróis mais vendidos no país apesar de nunca ter sido um grande sucesso nos EUA (e ironicamente perder força no Brasil justo na fase do Peter David, que foi seu momento de maior sucesso nos EUA...). E assim por diante.
Lembre-se, o Brasil é o país em que Lobo Solitário vendeu mais que One Piece!
Hunter (Pedro Bouça)
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