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Mar 15
Entrevista com o autor de Sun-Ken Rock
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Lancaster |
PERMALINK |
3
Categorias: seinen
O que acontece quando aparece um autor coreano realmente bom? Fácil, ele é levado para o Japão. É o caso de Boiichi. Graduado na área das exatas, sua intenção na verdade era se tornar um autor de quadrinhos de ficção científica. Mas ao entrar no meio coreano de mangá, acabou encontrando sua primeira oportunidade em uma antologia de sunjeong manhwa (o equivalente ao shojo mangá japonês). Isso o tornou popular, e a experiência o tornou versátil, permitindo-o produzir livros sobre como desenhar mangá tanto para garotos quanto para meninas. Essa versatilidade lhe abriu as portas do Japão e ele finalmente conseguiu estrear no seu gênero
favorito com Ultimate Space Emperor Caesar, na antologia seinen (para jovens adultos) Comic Gum, publicada pela Wani Books. Mas a Comic Gum tinha um perfil muito otaku (o que dizer de uma antologia cujo slogan é "Nossa Política é a Energia do Amor e o MOE"? Não, sério, é isso mesmo!), tanto que de suas páginas saíram mangás como Ikkitousen e Mahoromatic. Ele se adequou ao perfil da publicação, mas podia fazer coisas melhores – e elas vieram.
No ano de 2006, ele apresentou na antologia Morning, da Kodansha, duas histórias mais adequadas à sua capacidade: Hotel, que se passa 27 milhões de anos no futuro, quando não apenas a humanidade, mas toda e qualquer forma de vida na Terra, foram extintas, e apresenta a missão de um computador plenamente funcional em sua luta para cumprir uma missão previamente estabelecida; e o drama Present, sobre o drama de um marido apaixonado que espera a morte de sua esposa em coma e desenganada – e que de repente tem que suportar o fardo de que o homem que ela realmente ama não era ele. Ele também vem desenvolvendo para a antologia Mandala, na Kodansha, uma série de histórias fechadas, de periodicidade incerta, que mescla ficção científica e elementos míticos, que começou com Stephanos e prosseguiu com a aventura Diadem.
Mas sua primeira grande obra regular é o seinen policial de pancadaria Sun-Ken Rock, publicado pela antologia Young King da Shonengahosha – e mostra um lado seu que não deveria ser tão inesperado assim, já que ele já mostrou saber lidar bem com construção de personagens e dominar diferentes gêneros. A série lida com um jovem japonês chamado Ken, que se apaixona por Yu-Min, uma policial coreana, e se manda de mala e cuia para o país vizinho, com a intenção de se tornar um policial. Mas por uma série de acidentes de percurso, o pobre Ken se torna o líder de uma gangue local. E a propósito, apesar da pancadaria, tiroteio e violência, a história é uma comédia.
A série já tem oito volumes no Japão, e está sendo publicada na França – e por ocasião do lançamento do quarto volume em terras gaulesas pela editora Doki-Doki, o pessoal da Manga-News postou uma pequena entrevista com o autor, originalmente publicada na antologia Young Comic da Shonen Gahosha, traduzida para o francês como parte da divulgação desse mangá pela empresa – e que estamos trazendo para o português por tabela. Divirtam-se – e depois de ler a entrevista, dêem uma olhada nesse pequeno preview de 26 páginas. Vocês não vão se arrepender. ![]()
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Entrevista – Boichi, autor de Sun-Ken Rock
Seu virtuosismo gráfico tem atraído a muitos em Sun-Ken Rock, cujo volume 4 está disponível desde 11 de março pela Doki-Doki. Nos encontramos com Boichi, autor apaixonado pelo cinema coreano e por heróis carismáticos.
Quais são os filmes que você mais gosta e recomenda para os leitores?
Boichi: Eu adoro filmes. Aprendi muito assistindo-os ou lendo livros sobre cinema. Além disso, na faculdade, minha tese de formatura foi dedicada ao cinema. Tenho um fraco por grandes filmes de Ficção Científica. Para dizer a verdade, eu sempre quis fazer um mangá do gênero. Meus filmes favoritos são 2001 – Uma Odisséia no Espaço, Contatos
Imediatos do Terceiro Grau, Guerra nas Estrelas, o Exterminador do Futuro, Alien – O Oitavo Passageiro. Quanto aos filmes que me marcaram mais em seguida, eu poderia citar Predator, Robocop e Aliens – O Resgate. Vi todos esses três enquanto estava na faculdade, e posso dizer que me atingiram como um tapa. Isso explica a influência do gênero em meu trabalho. Fora da Ficção Científica, um filme que eu descobri recentemente e que me deixou viciado foi Falcão Negro em Perigo. A história realmente me pegou, também.
Que Impacto tem o Cinema em Seu Trabalho?
Boichi: Quando eu embarco em um novo projeto, eu compro um monte de DVDs, que funcionam para mim como documentário. Este foi o caso com Sun-Ken Rock, por exemplo. A ação tem lugar na Coréia e é centrada nas gangues locais. Então, comprei alguns filmes coreanos sobre o assunto. É por isso que se você assistir a esses filmes, vai poder apreciar mais ainda a série. Se você quiser algumas recomendações nesse sentido, eu diria: Number 3, The President's Last Bang e A Bittersweet Life. Há também uma série japonesa, Sunadokei (N. do T.: shoujo cujo mangá original está sendo publicado por aqui pela Panini), que tem sido de valor inestimável como referência. É óbvio que
um filme como O Poderoso Chefão também influenciou fortemente o meu trabalho em Sun-Ken Rock. Para mim, ele é o melhor filme criminal já feito, porque ele leva em conta o estado e a sociedade. Eu tento fazer o meu melhor para que Sun-Ken Rock se torne um trabalho desse tipo.
Muitos fãs estão impressionados com o carisma dos seus personagens, começando com Ken. Qual é a definição de um homem carismático para você?
Boiichi: Obrigado! Esse é o tipo de elogio que me dá forças para continuar. Pessoalmente, estou confiante de que posso fazer ainda melhor como quadrinhista!
Para mim, o carisma de um homem vem de sua força de caráter. Ter consistência na busca de seus objetivos, sem hesitação em fazer o que for preciso... em suma, ter força de vontade. Isso é algo indispensável, tanto na realização de seus sonhos, quanto no amor ou nos estudos. Mas isso não significa que essa vontade seja o suficiente. Manter a linha de conduta a cada momento é uma luta em si! Para mim, um homem deve ter essa atitude guerreira carismática. Falando de Ken, ele começou sem nada – ele não tinha sonhos, esperança ou vontade. E quando veio um sonho, ele se sacrificou por completo para alcançá-lo. Mas ele também tem o que lamentar ou seus momentos de introspecção. Ken é alguém cheio de culpas. Acho que é isso tudo o que lhe dá tanto carisma e o que me liga ao personagem com tanta força.
Senhor Boichi, muito obrigado por responder a nossas perguntas.
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Sobre a entrevista dele, eu não desenho mangá, não sei nada disso, mas ele citou os filmes, o kishimoto cita muito filmes como influência, engraçado isso, o quanto os mangakás se inspiram em filmes, talvez tanto quanto se inspiram em outros mangás . Até mais.
Bem, agora vou procurar por Sun-Ken Rock.
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