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Mar 09
Takehiko Inoue é Premiado por Governo Japonês
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Categorias: Takehiko Inoue

Saiu a lista dos vencedores dos Prêmios de Encorajamento Artístico deste ano do Ministério da Educação, Cultura, Esportes, Ciência e Tecnologia (MEXT) do Japão de acordo com anúncio da Agência de Assuntos Culturais do Japão nesta sexta, e o vencedor na categoria Artes Midiáticas foi ninguém menos que Takehiko Inoue, criador de Slam Dunk, Vagabond e Real. O prêmio não é estranho ao autor: Ele ganhou na categoria de Mangá, em separado, no ano 2000 por conta de Vagabond. Mas aqui o que conta é o conjunto de sua obra: Na lista dos 100 trabalhos de arte favoritos de todos os tempos do governo japonês, o primeiro lugar foi Slam Dunk – eu fiz essa pergunta antes, e vou repetir: por que critério aqui no Brasil a crítica especializada tende a valorizar uma história sobre alguém com uma espada ao invés de uma história sobre alguém com uma bola de basquete? E nem vamos falar do divertidamente pop Slam Dunk – se Real, dramático (na verdade o laço emocional do autor parece ser bem maior com Real do que com Vagabond) fosse publicado por aqui, faria diferença?
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Comentários:
Não me julgue errado, apesar de não achar Vagabond esse poço de filosofia que muitos dizem, eu considero a série sensacional, principalmente por ser extremamente visual. E isso, mesmo sendo uma qualidade dos mangas, parece se ressaltar no trabalho de Inoue. Basta ver o próprio Slam Dunk, onde certas partidas demoram volumes inteiros dos encadernados, mas que quando lidos de uma vez, são uma baita experiência de leitura.
O que infelizmente não tem nada a ver é comparar Vagabond com Lobo Solitário, é uma comparação desproporcional e até mesmo rídicula, que considera apenas a temática samurai. Escutar essa comparação vinda de um leitor de quadrinhos é uma coisa, escutar a mesma coisa de um crítico é outra.
Também já havia comentado antes que essa comparação se equipara a comparar Os Sete Samurais com o Ultimo Samurai, mas acho mais preciso até comparar o primeiro filme com Zatoichi, de Kitano. O último, apesar de se inspirar na época dos samurais, claramente segue um tom diferente da retratação fiel da época, demonstrando um tom de humor durante todo o filme.
Vagabond se encaixa nessa área ao retratar a jornada de Musashi mais como uma aventura de ascensão ao topo dos samurais, onde muitos costumes são mostrados com certo deboche. É um samurai pop, diferente do Kenshin, que segue muito mais pro Shonen (me corrija pela terminologia, mesmo porque não sou um grande entendido da amplitude dos gêneros nos quadrinhos japoneses).
Lobo Solitário demonstra um rigor na historicidade que, se não está presente necessariamente na trajetória do personagem e nas origens de seus inimigos, compensa na fidelidade retratada do próprio Japão feudal, que mesmo com meus parcos conhecimentos da história japonesa, me parece bem real.
E apenas uma observação: estava lendo ontem umas edições de Slam Dunk e percebi como Sakuragi é parecido em personalidade com o Musashi, os dois meio convencidos da própria habilidade. Com Real o protogonista segue essa tendência?
Valeu e desculpe pelo texto longo.
Alexandre: Bom, eu acho que na verdade que o Vagabond de Inoue é shonen de porrada demais para uma obra que se pretenda adulta e pretensamente filosófica e adulta demais para um bom shonen de porrada. Eu gosto de boas obras adultas e gosto de bons shonens de porrada. Não me incomodo com isso. O problema é que Vagabond não é nem um nem outro, nem barro, nem tijolo, e mesmo que ofereça em todo volume sequências de arte e narrativa impressionantes, elas parecem fora de propósito.
Real é diferente porque lida com dramas e traumas. Temos um personagem confiante em suas habilidades mas com razão – só que aprisionado em uma cadeira de rodas, e temos um personagem fisicamente íntegro, mas traumatizado psicologicamente. É da interação entre os dois que nasce o drama, e sinceramente, é uma obra muito mais sincera, madura e honesta do que Vagabond.
Admirar a luta mais comentradas de todos os tempos Myamoto Musashi contra Sasaki Kojiro .
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