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Mar 04

Entrevista com Autores de Omega Complex

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Lancaster | PERMALINK | 0

Categorias: Omega Complex

Não é segredo para ninguém que acompanhe esse blog desde o começo que o mangá francês é um cenário em crescimento. Dentro desse cenário, é indubitável o peso dos títulos da Shogun City. Embora eles não sejam o mangá francês mais vendido – esse título pertence a Dofus, um material híbrido (e meio esquisito) baseado em uma franquia local de MMORPG – é bom lembrar que as iniciativas mais interessantes dentro desse cenário, em geral, partem da linha Shogun da editora Humanoides – e um dos principais destaques da antologia digital Shogun Magazine Online, com certeza, é Omega Complex. Produzido (desnecessariamente) em sentido oriental, diferentemente do resto da produção da Shogun, ele tem sido serializado quinzenalmente na citada revista digital. E com o lançamento da série, o pessoal do site especializado francês Manga News acabou de entrevistá-los, e estamos traduzindo. Divirtam-se.

* * * * *


Entrevista com Izu e Shonen, de Omega Complex

Por Shinob

Por ocasião do lançamento do Omega Complex pela Humanoides, quisemos saber mais sobre esta nova série escrita por Izu e desenhada por Shonen. Quem poderia ser melhor do que os próprios autores para falar sobre o assunto?

Izu, você concebeu Omega Complex. De onde você tirou a idéia desse mangá?

Izu: O objetivo foi conceber uma história mais madura do que BB Project (N. do T.: shonen de pancadaria muito popular no cenário de mangá francês; chegou a ser finalista do International Manga Awards e conta a saga de um garoto durão de origem gaulesa em um Japão povoado de imigrantes ocidentais, com conflitos raciais. Apesar do tema espinhoso, ele não passa de pano de fundo: a abordagem é farsesca, com direito a torneios de luta intermináveis), de modo que Shonen pudesse se expressar de forma diferente. No entanto, ela deveria ter uma dose mais forte de ação, e simultaneamente incorporar algo novo ao gênero.
Bem, essa é a idéia. Depois disso, houve muita pesquisa e documentação, que serviu de base para o projeto... em que o mais importante provavelmente foi chegar aos estudos da teoria da supercordas, entre outras invenções de Tipler e sua Teoria do Ponto Ômega. Seu conceito, um pouco fantasioso aqui, levantou os alicerces do "Projeto Omega" citados no Volume 1, que depois conduziram o resto da história...

Como foi a sua colaboração com Shonen em Omega Complex?

Izu: O projeto foi essencialmente feito para o artista, não podia ser outro. Uma vez que ele deu credibilidade ao cenário, tudo correu muito bem. Shonen é muito profissional, além de ser muito talentoso. Ele respeitou o script enquanto adicionava as próprias idéias, para finalmente alcançar um resultado que ultrapassa a soma dos elementos básicos.

Omega Complex é uma história de ficção científica baseado em dados científicos e de física em termos reais. Você teve um gigantesco trabalho de documentação para trabalhar todos estes aspectos científicos?

Izu: A verdadeira dificuldade não é em qualquer documentação, mas a forma de digerir, selecionar as informações e divulgá-las. É verdadeiramente um enigma. Mas sempre fui apaixonado por ficção científica, e ler algo em seguida sobre a física quântica, viajar de volta no tempo ...
Nota especial para duas pessoas, Nola e Ade, que me ajudaram imensamente para tornar toda a ciência mais crível e integrada na história.

Omega Complex usa códigos do shonen (N. do T.: o quadrinho japonês para garotos) e seinen (N. do T.: O equivalente do shonen aos jovens adultos, de faixa universitária)...

Izu: Omega Complex é classificada sob o rótulo seinen... Mas é verdade, houve discussão sobre esse ponto. Omega é claramente uma história complexa que se vale, em termos de estrutura narrativa, dos recursos do seinen – mas com alguns personagens e sequência de luta que o aproximam do shonen: o nosso objetivo era fazer um shonen pensado para adolescentes, não para idiotas ... Mais grave ainda, esta história de classificação é absurda. Mesmo que encaremos o jogo como uma questão de marketing, não devemos esquecer que se ela se aplica principalmente aos nossos amigos japoneses, e suas revistas de pré-publicação, que devem distinguir gêneros para seus leitores. Mas na França, falando criativamente, por que trancá-la em um gênero? Se considerarmos o shonen por exemplo, existem muitos códigos e tabus proibitivos impostos pelos editores japoneses a seus autores. Então, por que negar a nós mesmos um título que parte de suas características e narrativa shonen, quando tentamos discutir isso?
Gunmm é um exemplo perfeito.
Enfim, não se lê uma história porque é shonen E / OU seinen, mas porque é de um jeito ou de outro.
Para voltar a Omega Complex, existem alguns conceitos complexos para os mais novos; no entanto, a história continua com narrativa legível e simples o suficiente para ser seguida por todos. Na verdade, queríamos ter vários níveis de interpretação para diferentes públicos.

O universo em que os heróis de Omega Complex não é muito diferente do que se vê em Gunnm ou Akira ... Katsuhiro Otomo e Yukito Kishiro foram modelos para você? De um modo mais geral, quais são suas influências?

Izu: Eu sou um grande fã de Gunnm, Akira e tudo o mais ... e quanto a Omega, eu realmente queria tentar fazer algo mais pesadamente científico, tal como faz Yukito Kishiro. No entanto, é o único ponto em comum! A verdadeira influência do Omega vem mais do lado de filmes como Mad Max, Filhos da Esperança...

Você revisita certos períodos da história contemporânea em Omega Complex... Então, no seu conjunto, a Guerra Fria provoca um grande conflito atômico... Você está pessimista em relação à utilização de armas nucleares no futuro próximo? Vai passar uma mensagem aos seus leitores sobre esta questão espinhosa?

Izu: Esta é realmente uma mensagem presente no primeiro volume... mas a história, mais à frente, nos levará a outros lugares e a mensagem da série é outra: diz respeito à questão do determinismo, se a passagem do tempo é gerada de forma antecipada, ou se vamos construir o nosso próprio futuro. Neste contexto, estou efetivamente utilizando a questão nuclear, no início da história. Depois disso, eu não tenho a minha pretensão de dizer mais sobre este assunto, embora, evidentemente, ele seja uma abominação da história e todos devam saber disso, para que aquilo que está descrito em Omega nunca aconteça com as gerações futuras...

Você escreveu (ou imaginou) de ponta a ponta o cenário de Omega Complex? Se sim, quantos volumes terá a série?

Izu: A série é de dois ciclos de 4 volumes, tudo já está escrito nesse esquema – o que era necessário, porque muitos paradoxos do tempo estão por vir...

O que irá acontecer no segundo volume?

Izu: Muita e muita ação. Todos aqueles que irão intervir se encontrarão em um único local para capturar a Bomba Tsar... mas, acima de tudo, teremos muitas revelações sobre o famoso "Projeto Omega", que fazer você notar, por tudo o que puder adivinhar pela leitura, que o volume 1 está é longe, muito longe, da verdade!

Tem outros projetos atuais e futuros?

Shonen: Além de B. B. Project e Omega Complex eu não tenho outros projetos em curso, mas espero que eu possa conseguir fazer um projeto mais pessoal no futuro.

Shonen, quanto tempo você trabalhou neste primeiro volume de Omega Complex?

Shonen: O projeto teve início por volta do final de 2007 e o primeiro volume foi concluído em Dezembro de 2008... No entanto, não devemos esquecer que ainda estou trabalhando no Volume 2 e 3 de B. B. Project, ao mesmo tempo. Então eu acho que, na realidade, levei nada menos do que 8 meses para a conclusão deste primeiro volume de Omega Complex. Acho que vou ser capaz de trabalhar um pouco mais rápido no futuro.

Você está trabalhando paralelamente em B. B. Project... O ritmo de trabalho imposto pelas duas séries não é difícil de manter? Como você se organiza sozinho? Você tem assistentes para ajudá-lo?

Shonen: É, de fato, difícil gerenciar dois projetos ao mesmo tempo, especialmente quando um autor não tem experiência suficiente. No entanto, aceitei esse desafio, eu queria conhecer meus limites e tentar apresentar outros tipos de trabalho. Após a organização, tudo é muito simples para mim, ou seja, simplesmente alterno a produção de diferentes volumes. Quando eu termino um volume de Omega Complex, então parto para o próximo B. B. Project. Só espero que os leitores não sejam demasiado exigentes quanto ao ritmo de produ ção, mas farei o meu melhor para avançar rapidamente e adotar uma estratégia de maior periodicidade de produção...
Não tenho assistentes para me ajudar agora, com exceção talvez do volume 2 de Omega Complex (de B. B. Project eu cuido sozinho).

Como foram criados visualmente os personagens de Omega Complex?

Shonen: Eu reuni um monte de referências visuais de diversas origens (séries televisivas, filmes, mangá, etc.) que poderiam me inspirar... Depois houve uma série de discussões sobre os personagens em termos de personalidade e história, mantendo em mente que esta deve ser coerente com a sua concepção. Os nomes mudaram, e da maior parte do roteiro até a versão final, eu fiquei mais ou menos perdido. Finalmente, digamos que o autor não faz tanta parte desse processo, eu trabalho com as especificações de aparência (que são dadas).

Devido à suas características, Kama tem muito em comum com Franck, o herói de B. B. Project... É uma escolha de sua parte?

Izu: O ponto mais "temerário" aqui é essa falsa ligação entre Franck e Kama. Em B. B. Project, Franck é audacioso por inconsequência, mas em Omega Complex, Kama é mais maduro, e trai certa vontade de redenção. Ele tem sim um desejo meio suicida, ele não tem medo de morrer, simplesmente porque ele acredita que uma punição para ele seria justificada. Do mesmo modo, Kama mata inocentes no início do álbum... no início ele está nessa por dinheiro, e se recusa a ajudar Khan no final do álbum. Franck é muito mais próximo do clássico herói shonen, enquanto Kama é a imagem do anti-herói.

Shonen: É verdade que os dois personagens parecem um pouco fisicamente, em especial no início (antes de Kama mudar o corte de cabelo). De fato, pode parecer que a semelhança foi voluntária, mas a idéia não foi minha. Eu admito que eu queria ter um herói completamente diferente, na aparência, claro.

O segundo volume está previsto para quando?

Izu: Em julho, para o Japão Expo.

Para terminar, você pode dar algumas palavras sobre os leitores desta entrevista a olhar para a sua série?

Izu: Hmmm, a professora de Física na série é muito bonitinha!
Não trabalho com marketing, não é o meu trabalho listar os argumentos... Mas eu acho que Omega Complex, para o bem ou para o mal, é um mangá que realmente foi concebido para ser diferente, em sua narração, nas cenas de ação e dos diálogos. Espero apenas que ela seja entendida e apreciada como tal.


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