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Ranking da Taiyosha (JP) – 22/02/2009

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Categorias: rankings

Depois do furacão Jump, é hora dos grandes sucessos das outras editoras. A lista shonen é dominada essencialmente pelos títulos da Kodansha e da Shogakukan, que publicam respectivamente a Shonen Magazine e a Shonen Sunday. Negima, de Ken Akamatsu, dispensa apresentações (graças a Deus, porque assim eu posso passar direto), e de Kenichi – um dos melhores mangás para garotos dos últimos anos – eu já tive oportunidade de falar em posts anteriores. O terceiro e o quinto lugar, Ace of Diamonds e Major, são títulos de beisebol – que como sabemos já virou um subgênero à parte dentro dos quadrinhos de esportes. E se a gente desde criança tende a viver com a bola no pé (duvido que UMA pessoa que esteja me lendo jamais tenha jogado, ou tentado jogar bola quando era criança), o japonês médio por sua vez tem uma relação de vida com bolas e tacos na mão. Identificação cotidiana é tudo.

Shonen/Para garotos

01. Negima 25 (Kodansha)
02. Strongest Disciple Kenichi 32 (Shogakukan)

03. Ace of Diamonds 14 (Kodansha)

04. Inu-Yasha 56 (Shogakukan)

05. Major 71 (Shogakukan)

06. Sayonara Zetsubou Sensei 16 (Kodansha)

07. Dear Boys [Act 2] 30 (Akita Shoten)

08. Area no Kishi 14 (Kodansha)

09. Houkago Play (Kadokawa)
10. Ocha Nigosu 7 (Shogakukan)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. XXXHolic 14 (Kodansha)
02. Gantz 25 (Shueisha)

03. Peacemaker 3 (Shueisha)

04. Detroit Metal City 7 (Hakusensha)

05. 81 Diver 10 (Wanimagazine)

06. Countach 15 (Shueisha)

07. Akagi 22 (Bamboo Shobo)

08. Schoolmate 2 (Akita Shoten)

09. Penguin Musume Max 2 (Akita Shoten)
10. My Favorite Carrera (Shueisha)

Uma coisa que chama a atenção definitivamente é a inesperada volta de Inu-Yasha aos dez mais. É como eu falei em outras ocasiões: mesmo que as vendagens da Sunday não sejam mais o que foram um dia, muitos títulos seus têm vendas mais consistentes a longo prazo do que muitos títulos que chegam ao topo e explodem nas vendas. Inu-Yasha foi uma série longa demais, que já havia passado há muito de sua fase áurea quando encerrou as atividades, mas Rumiko Takahashi é Rumiko Takahashi, e não se chega ao volume 56 de uma série com baixas vendas. O fato é que tudo aparenta ser um padrão: Notícias sobre o término de Inu-Yasha na imprensa? O último volume aparece com mais consistência no top 10. Notícias sobre uma nova obra da autor? O último volume reaparece. Notícias sobre uma nova história curta da autora? Ele reaparece mais uma vez. Ela tem eleitorado, até para quem deixou de acompanhar seu trabalho.
O sexto lugar é um dos meus favoritos: Sayonara Zetsubou Sensei – o título ideal para quem adora ver clichês sendo destroçados com crueldade. A série tem como tendência ser um dos títulos menos populares nas votações da Shonen Magazine, mas permanece sendo publicada porque na hora das vendagens em forma de livro, ela sempre chega ao top 10 e mostra bons resultados. Não custa lembrar que o trabalho anterior de Koji Kumeta, Katte ni Kaizô, chegou a 26 volumes antes de ser defenestrado da Shonen Sunday – na verdade olhando o perfil da Sunday, é um milagre que ele tenha ido tão longe: Katte ni Kaizô tinha um pé na escatologia e um humor muito mais grosso do que o apresentado em Zetsubou Sensei – é como se ele fosse os Irmãos Farrely (só que ele era engraçado, os Farrely não) e evoluísse para um Woody Allen (da época em que ele andava com a Diane Keaton – podem notar que depois que ele casou com a Mia Farrow, encasquetou de ser o novo Ingmar Bergman e ficou gradualmente um porre).
Area no Kishi é um título de futebol do qual eu já falei por aqui antes, mas acho que ele merece um pouco mais de atenção. Essencialmente ele é um reflexo da influência que Touch, de Mitsuru Adachi, tem na sociedade japonesa. Sim, eu já falei de forma bem extensa sobre Touch e seu legítimo sucessor em nossos dias, Cross Game. Mas convenhamos que Touch fez história, dentro e fora da Sunday. À primeira vista, Area no Kishi é um caso de benchmarking, aplicando na cara-de-pau uma história famosa a um esporte com um eleitorado crescente e melhores chances de exportação para o resto do globo, que não vive de modo geral com o taco na mão. Seria o caso, por exemplo, do bom Whistle!, de Hiroshi Fukutomi: Essa série, publicada na Shonen Jump da Shueisha, é um produto decente e bem-feito; mas essencialmente é um remake mal disfarçado de um clássico dos quadrinhos de beisebol – Play Ball, de Akio Chiba. À primeira vista isso nos faz ter um certo pé atrás, mas pense bem: quem você acha que teria melhores chances de sucesso nem mesmo no Brasil, mas em países como França, Itália ou Espanha: um material recente sobre um esporte popular no mundo todo ou um material dos anos setenta sobre um esporte que essencialmente é de massa apenas no Japão e nos Estados Unidos – quando muito em cafundós como Porto Rico?
Mas Area no Kishi lida com sua inspiração com alguma inteligência e um certo senso de humor que pode ser encontrado via distanciamento. Aí estou chovendo no molhado: ele em seu início PARECE muito com Touch, mas com alguma dose de mexicanização que parece ser deliberada. O arcabouço está lá: o senso de inferioridade do protagonista em relação ao irmão (aqui, mais velho), o triângulo amoroso que vem da infância, o acidente que leva o sr. perfeito embora... mas quando olhamos bem, verificamos que tudo está sempre um dedo exageradamente acima do tom: o personagem principal somatiza suas neuras e isso acaba gerando uma perna ineficiente, o acidente que mata o irmão quase o mata também, e ele sobrevive com um transplante do coração do irmão morto – e por aí vai. Mas a inteligência que torna o material algo mais do que Touch com a bola no pé repousa justamente na sugestão sutil de que talvez todos os aspectos Adachianos na história não passem de imaginação do protagonista. Lembrem-se, ele somatizou as suas neuroses em um problema com uma das pernas. Na verdade essa somatização vai mais longe: não é dificil perceber que a menina teve uma paixonite de infância pelo irmão mais velho, mas é muito claro que a infância passou e a paixonite ficou lá; que o irmão pode ter interesse em outras mulheres (apesar da cena que sugere isso em particular ter outra explicação); e por aí vai. A perna seria apenas a manifestação maior do que me parece ser o melhor ponto velado da história: os grandes problemas do personagem estão todos em sua cabeça. Mesmo que agora o coração de seu irmão bata nele. E só. De repente, se alguém tivesse enfiado isso no cérebro de ostra do Tatsuya de Touch, seu irmão não precisaria ter morrido para que ele se tornasse alguém na vida...
Como eu acabei me demorando muito ao falar de Area no Kishi, vamos ser mais breves com a lista seinen: o topo dela conta com dois grandes sucessos que, inclusive, são publicados no Brasil. XXX Holic, da Clamp, faz parte do universo crossover que inclui o shonen Tsubasa Reservoir Chronicle (e que na minha opinião eu vejo como a Clamp fazendo fanfic de si mesma). Gantz vai direto ao ponto: o povo quer ver sangue, tripas e mulher pelada? Toma. O roteiro se pensa depois. Quanto aos demais: Penguin Musume Max é típico produtinho otaku que tradicionalmente entra na lista de mais vendidos e some dela tão rápido quanto entrou, porque seu público-alvo tende a comprá-lo em massa no lançamento. 81 Diver é um mangá de Shogi (jogo de tabuleiro), e os jogos também estão presentes com Akagi, de Nobuyuki Fukumoto – o mesmo criador da extraordinária trilogia Kaiji (composta pelas séries Tobaku Mokushiroku Kaiji, Tobaku Hakairoku Kaiji e, finalmente, Tobaku Datenroku Kaiji; agora ele está produzindo outra série no universo do personagem, Tobaku Haouden Zero, com outros protagonistas). O que difere Akagi de Kaiji é que enquanto Kaiji era uma presa lutando para alterar seu lugar na cadeia de alimentação social, Akagi é um predador por natureza, que abre seu caminho no mundo através da jogatina ilegal. Por fim, dois títulos para os apreciadores de carros de luxo e marias gasolina – e desta vez o Lamborghini Countach pilotado por Haruto Umezawa chegou quatro posições na frente do Porsche Carrera de Kia Asamiya. Ainda piloto um desses. ;)


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