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Jan 26
Ranking da Taiyosha (JP) – 25/01/2008
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Categorias: rankings
Desculpem mesmo postar a lista a essa hora – hoje foi um dia realmente brabo. Bem, o último post de janeiro mostra a força de Hayate no Gotoku em termos de vendagens, mostrando que a Shonen Sunday não é cachorro morto ainda (apenas deixa a dentadura presa na perna da vítima. Mas a dentadura tira pedaço, sim). A lista shonen foi totalmente dominada pelos títulos da Shogakukan e pela Kadokawa Shoten, que comparece, entre outras coisas, com dois Yomikiri pertencentes à franquia Gundam. Se bem que não são Gundam óbvios...
Shonen/Para garotos
01. Hayate no Gotoku! 18 (Shogakukan)
02. Kidou Senshi Gundam-san – Yottsume no Maki (Kadokawa)
03. Kekkaishi 23 (Shogakukan)
04. Toradora Special Book 2 (Kadokawa)
05. Melty Blood 6 (Kadokawa)
06. Naruhodo Kotowaza Gundam-san (Kadokawa)
07. Shikabane Hime 10 (Square Enix)
08. Kami no Mizo Shiru Sekai 3 (Shogakukan)
09. Nichijou 4 (Kadokawa)
10. Sora no Otoshimono 4 (Kadokawa)
Seinen/Para Jovens Adultos
01. Liar Game 8 (Shueisha)
02. Bamboo Blade 10 (Square Enix)
03. Kodomo no Jikan 6 (Futabasha)
04. Addicted to Curry 31 (Shueisha)
05. Roman 2 (Shueisha)
06. Giant Killing 9 (Kodansha)
07. Rabuyan 11 (Kodansha)
08. Kamisama Dolls 4 (Shogakukan)
09. Rappi Rangai 6 (Kodansha)
10. Usagi 11 (Takeshobo)
Aproveitando pra fazer um serviço de utilidade pública: Yomikiri é o nome dedicado a títulos de um único volume; as pessoas por aqui costumam chamá-los de one-shots, mas um one-shot na verdade não passa de uma história curtas e fechada de suas trinta, quarenta páginas. Dito isto, vamos ao que interessa: Hayate continua no topo, e os dois Gundams na verdade são ambos do mesmo autor, Hideki Oowada: Naruhodo Kotowaza Gundam-san e Kidou Senshi Gundam-san – Yottsume no Maki, que são duas séries bobinhas de comédia em cima dos personagens clássicos de Gundam, que saem na antologia infantil Kerokero Ace. O simpático Kekkaishi cai apenas uma posição, o que não é o fim do mundo quando se começa a carreira no segundo lugar. Já o quarto lugar deve ser mais um dos já folclóricos enganos da Taiyosha: é um livro de referência sobre a série Toradora, não um mangá.
O sétimo lugar é a exceção em uma lista aonde os títulos se dividem entre a Kadokawa e a Shogakukan. Shikabane Hime é um título sobre uma garota-zumbi que precisa mandar um certo número de desmortos para as prefundas, para poder morrer em paz. O que se segue é tiroteio. É um título que particularmente tem minha simpatia porque ele em miúdos é o que Blood+ deveria ter sido.
Eu explico. Lembram do primeiro Blood, the Last Vampire? Ele assombrou o mundo, estabeleceu os padrões para animação digital, mas o fato é que no Japão teve um resultado decepcionante. Ou vocês se lembram de algum outro anime de destaque com o character design do excelente Katsuya Terada? Eu – e esta é uma opinião pessoal – acho que parte dos resultados limitados da franquia no Japão em um primeiro momento se deram pelo mesmo motivo pelo qual Saya se tornou tão popular no ocidente (Blood chegou a ganhar live-action com produção franco-americana e uma atriz sul-coreana no papel principal): ela é a antítese de uma feminilidade desejável para o japonês,
sem a ótica de vieses cômicos que tornem isso aceitável, mas é isso que faz dela uma notável personagem de ação. Em miúdos: Saya chuta bundas e não precisa de ninguém cobrindo suas costas. Ela era um Clint Eastwood de saias, NÃO era bonita (na verdade seus traços eram ameaçadores), era uma personagem forte e absurdamente icônica. Era seca e objetiva. Simples. Aí vem Blood+ e a Saya durona é substituída por uma Saya linda, doce, adorável, gentil e que qualquer ser humano do sexo masculino que se preze casaria sem susto. A história fica morosa, em contraponto à ação vertiginosa do original, e a protagonista agora é cheia de angustiazinhas psicológicas porque uma menina não pode fazer um trabalho tão horrível como matar vampiros sem dor na consciência, dúvidas e inseguranças, certo?
Sinceramente, eu preferia acompanhar a Saya que pintava o chão de vermelho com seus inimigos. Sem dó. Sem piedade. Sem malditos vampiros bishonen. E no fundo, acho que Shikabane Hime
recupera um pouco do espírito do Blood the Last Vampire original, com uma heroína impiedosa e sem frescuras. Claro, temos um pouco mais de desenvolvimento psicológico, mas o que conta é o que está lá: uma menina armada até os dentes, estourando a fuça de zumbis assassinos e fazendo-os comer capim pela raiz. É uma história honesta de ação, que dá exatamente o que promete e mostra que a Shonen Gangan tem mais a oferecer além de Full Metal Alchemist.
A lista Seinen tem nomes mais previsíveis. Liar Game, de Shinobu Kaitani, é presença regular nas listas seinen de mais vendidos, enfiando seus personagens em uma misteriosa disputa aonde, por dinheiro, é possível se fazer de tudo: trapacear, mentir, enganar, roubar... a história remete em muitos aspectos à extraordinária série Tobaku Mokushiroku Kaiji, de Nobuyuki Fukumoto. Não chega a ser um tapa na cara como esta, mas é uma história que funciona perfeitamente bem no seu objetivo de prender o leitor e questionar os limites da moral quando dinheiro está envolvido. O segundo lugar, Bamboo Blade, é um caso interessante: poderia ser uma daquelas séries açucaradas para atrair fãs hardcore babões com meninas bonitinhas – eu admito que fiquei inseguro antes de parar para ler, por causa do traço que parecia gritar "harééém" – mas que no final se mostra uma digníssima série de esportes, que trata o Kendo
com reverência e que tempera sua história com um muito bem-vindo senso de normalidade.
Já Kodomo no Jikan... bem, para quem não sabe, conta a história de uma menina de oito anos precocemente hiper-sexualizada que tenta seduzir seu professor, passando por cima de todos os limites possíveis. Tudo o que eu tinha para falar sobre essa série foi dita em uma matéria escrita por mim na edição 25 da revista Neo Tokyo e sinceramente, não é propaganda não; a polêmica gerada pelo artigo foi muito, mas muito desgastante e começar com esse assunto de novo vai ser um saco... Sem brincadeira, mesmo.
Em todo caso, a presença da série deveria estar mostrando uma situação comum – que quando os materiais de massa estão relativamente ausentes, os materiais para fãs hardcore acabam preenchendo os vãos das listas de mais vendidos – mas o fato é que nesta semana, os outros títulos de modo geral não tem perfil otaku. Então o que há a se dizer?
Simples: não importa o lugar do mundo, polêmica vende. E bem.
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Comentários:
Liar Game em primeiro \0/. Acho esse mangá muito bacana, muito bem feito .
Não conheço essas garotas dessas séries que você citou, mas me veio na cabeça a Tokiko-San do Busou Renkin. Ela também porrava todo mundo sem pensar duas vezes hehe .
Eu não conheço esse Kodomo no Jikan e pelo que li dele na sua matéria na NT, não conhecerei, deus me livre, já não gosto do fan service natural , quanto mais com crianças . Tanta garota bonita de verdade por aí e os sujeitos babando por crianças de mangá .
Até mais !
Bom, quanto a diferença entre as duas versões da Saya, as imagens falam tudo:
Blood: The Last Vampire
http://bloodsite.free.fr/images/blood%20the%20last%20vampire%20(3).jpg
Blood+
http://i14.photobucket.com/albums/a307/queeneve84/bloodplus2.jpg
Puxa! Eu acho a minina do "velho" Blood tão bunita!
…me fazia pensar que seria assim, um anime de MAI. ¬¬'
Não é que eu a ache feia – eu a acho realista no ponto certo, somada a uma carranca perpétua. E convenhamos, ela tinha que parecer ameaçadora 100% do tempo. Mas infelizmente não foi isso que os japoneses pensaram, apesar do sucesso internacional.
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