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Jan 01
Autor de Gegege no Kitaro ganha Prêmio Asahi
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Categorias: Gegege no Kitaro
O prêmio Asahi, do jornal Asahi Shinbun, é dedicado a aqueles que tem no currículo grandes contribuições à sociedade. Este ano, um dos ganhadores do prêmio foi nada mais nada menos do que o quadrinhista Shigeru Mizuki, o criador da clássica série Gegege no Kitaro. Ele não apenas está trabalhando em um novo mangá (Tono Monogatari, na antologia Big Comic da Shogakukan), como sua obra mais conhecida recentemente voltou a ganhar popularidade com um novo longa-metragem com atores e duas novas séries animadas – tanto o mais recente Gegege quanto Hakaba Kitaro, exibido com sucesso no bloco Noitamina da TV Fuji e que remete ao nome original do mangá.
Explicando: Hakaba Kitaro era o nome original do quadrinho, e a série foi rebatizada como Gegege no Kitaro quando virou desenho animado. Isso fez com que as posteriores republicações do mangá fossem feitas com o nome do desenho, cristalizando o novo nome na cabeça de todo mundo. Mas diferenciar aqui faz sentido.
Hakaba, o recente anime, retorna às versões mais primitivas que o personagem teve – que têm um pé no grotesco e são bem diferentes da percepção mais, digamos, "amigável" que gradualmente se instalou no material. E transpira uma autoralidade que meio que evaporou a cada versão animada que o pequeno Kitaro ganhou com o correr dos anos. É só comparar: o tempo os tornou mais bonitinhos e amigáveis às crianças.
Não era possível mais chamar essa volta às origens mais sombrias e cínicas do personagem pelo nome de "Gegege no Kitaro" – porque o que tornou Gegege aquilo que é para o japonês, não é o que fazia de Hakaba o que era. Simples assim – tanto que as duas séries são exibidas simultaneamente no Japão, em horários bem diferentes, para públicos bem diferentes.
Há um motivo simples para a reverência em torno do nome de Shigeru Mizuki (que praticamente coleciona esse tipo de prêmio até hoje): ele simplesmente é reconhecido como o homem que salvou o folclore japonês do ostracismo cultural em seu próprio país. E isso graças a uma história em quadrinhos.
Gegege no Kitaro surgiu na época da decolagem do Japão como nação, após anos de aperto – e houve um esforço em se mostrar uma imagem moderna do país para o mundo (podem conferir: Numa série como National Kid, você não encontra um quimono). Gegege, que é menos uma série de terror do que um quadrinho de humor negro para garotos, encontrou um local para os mitos locais na cultura pop japonesa, sem o ranço sacipereresco que esse tipo de coisa pode ter, evitando que a tradição fosse alijada da modernidade. Não haveria, digamos, um Inu-Yasha nos dias de hoje sem que Gegege tivesse pavimentado o caminho.
Hoje o Japão como um todo é grato por sua figura. Na cidade aonde o autor nasceu, Sakaiminato, há ruas que são enfeitadas com estátuas de seus personagens – habitantes de um universo de Yokais (pequenos diabretes que amolam a vida dos seres humanos), além de um museu dedicado à sua obra. Poucas vezes no mundo se mostrou uma influência tão grande de uma obra específica na sociedade quanto com esta série. O que por si só, é um grande feito.
Fonte: Anime News Network
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