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Dez 23
Cinco Coisas Boas Neste Ano
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Lancaster |
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Categorias: 2008
Prosseguindo com minhas listas e retrospectivas desse ano (até porque com Natal e Ano-novo à vista, as notícias tendem a diminuir de ritmo), vamos recapitular algumas coisas boas que tivemos este ano. E simplesmente não é fácil.
Vimos a Conrad enfrentar problemas financeiros – droga, ela publicava Sanctuary e Nausicaa! Vimos a Focus desistir dos boxes e interromper a série Full Metal Alchemist porque não podiam competir com uma horda de piratas que diz alegremente "não tenho dinheiro" para justificar a apropriação indébita – convenhamos, enquanto os boxes estavam as vendas nas lojas, víamos estandes com versões piratas com dez episódios por disco em eventos de anime. Vimos a fabulosa série Seton naufragar, pelo menos aparentemente, nas bancas – até declaração da Panini em contrário: Eram só três volumes, ou seja, fica parecendo que, para isso não ter sido concluído, é porque o material deve ter vendido vergonhosamente mal, o que mostra o quanto o atual nicho de leitores é limitado. Vimos a Animax-Mariachi exibir clipes de rock hispano-americano, e pior, LOST!
Ou seja, não chegou a ser lá um bom ano.
Mas não se preocupem, alguma coisa de boa tem que ter acontecido. Vamos a elas:
5) One Piece e Naruto na tv aberta.
Pena que o ministério público, para a alegria da Rede Globo, ajudou a bagunçar o horário do nosso ninja favorito (já notaram que sempre que o ministério público age contra os demais canais, é extremamente conveniente para os interesses da Globo?) – mas aí os famigerados cortes de One Piece até que foram convenientes – e antes que todos os que me lêem pensem que eu perdi o juízo, eu explico: O ministério público NÃO TEM como escorraçar Luffy e companhia do seu horário – não do jeito que a série está. Bom dizer que o nefando e abominável Mulheres Apaixonadas, convenientemente, deve ter negociado muito bem sua presença, porque aquilo ali pelas regras vigentes deveria ser exibido lá pelas dez. Mas como é novela da Globo, a gente já sabe...
4) Comemorações.
50 anos de Shonen Magazine e Shonen Sunday, 40 anos de Golgo 13 e 80 anos do nascimento de Ozamu Tezuka. Bom ver que essas datas não estão passando em branco. Golgo em especial é quem tem ganhado um grande destaque, com direito a uma versão em anime – embora o formato episódico do material original, perfeito para mangá, não funcione lá tão bem em animação; fomos educados com outra estrutura para os animes nos dias de hoje, essa é a verdade. Além disso, Tezuka teve a versão original de Shin Takarajima, a obra que introduziu a linguagem narrativa dos mangás, finalmente relançada da forma em que foi originalmente publicada – e que caiu como um raio na cabeça de muitos futuros artistas da época.
3) Chegada do primeiro time do mangá não-japonês no Brasil.
Vampire Kisses sai em Janeiro, e embora nem de longe seja algo que eu particularmente goste em termos de conteúdo – cá entre nós, é um poço de melado; é esta a sua proposta e é bem executado dentro dela, mas ainda assim é um poço de melado – só que também é um exemplo cabal da excelência técnica que se pode se encontrar no mangá produzido fora do Japão.
Tem muita coisa boa ao redor do mundo que ainda pode dar as caras por aqui, e se ele vencer a resistência de nosso público, um mundo novo pode abrir as portas em nosso país. Inclusive para nós mesmos, bom dizer: o primeiro passo é aceitar a existência de um mangá global; o segundo é aceitar que mangá global não existe, e que ninguém é melhor do que ninguém. Em nenhum lugar do mundo.
2) Animes de personagens clássicos no Brasil.
Talvez a melhor coisa que aconteceu tenha sido em definitivo a iniciativa de se lançar longas-metragens com personagens que já deveriam ter posto seus pés aqui há muito tempo. Lupin III, cá entre nós, deveria dispensar apresentações (é indecente que nada do personagem tenha chegado realmente aqui até agora salvo a exibição da versão internacional, "Cliff Hanger", pela finada e saudosa Locomotion); mas continua como um ilustre desconhecido por muita gente; Space Adventure Cobra fez parte da geração "da virada" dos anos setenta, quando o título tomou o primeiro lugar de vendas da Shonen Magazine no Japão – e foi um dos títulos influenciados em primeira mão pelo Guerra nas Estrelas de George Lucas; Detective Conan é um título que já deveria ter sido lançado aqui há muito tempo. E agora os brasileiros tem a oportunidade de conhecer esses
personagens. Não acredito que o mangá de Cobra venha a ser lançado por aqui algum dia (o primeiro capítulo chegou a ser lançado por aqui pela Dealer em algum ponto dos anos oitenta e passou batido); é um produto extremamente cru e datado para ter chances comerciais por aqui. Mas Lupin e Conan se sustentam por suas próprias pernas até hoje. Lupin tem uma arte muito remanescente da Mad original dos anos sessenta, e o autor Monkey Punch em particular era fã do trabalho de Bill Elder e Mort Drucker nesse período. Vai causar estranheza em fãs de mangá mais acostumados ao padrão, mas como quadrinho, funciona até hoje. Já o Detective Conan de Gosho Aoyama, que não chega a ser "da antiga", é um desses personagens tradicionais da Shonen Sunday. A série não acabou até hoje e provavelmente só vai acabar quando o Aoyama ficar velho e se aposentar – eu não vejo mais essa série sendo concluída, ainda mais com uma estrutura tão episódica e elástica. Em todo caso, é a chance desses personagens chegarem a um público maior e de repente mostrar a que vieram. E diacho, Castelo de Cagliostro é sensacional e faz o dia de qualquer ser humano ao seu término.
1) Sim, o sucesso de Mônica Jovem.
Posso não gostar do material, mas 400.000 de tiragem alcançados para uma história em quadrinhos simplesmente altera os paradigmas da mídia por aqui. Não uma história de supers, até porque Marvel/DC vendem na faixa dos 15.000 exemplares no topo e 7.000 no chão; não um mangá tradicional, em sentido oriental, porque mesmo os mais bem-sucedidos não parecem ultrapassar os 60.000 exemplares até declaração em contrário – os editores disseram para o Maurício de Souza que o material venderia cerca de 50.000 exemplares. Isso é uma patada e só essa virada no mercado merece palmas. Mostra que simplesmente todos os paradigmas estão errados mas SIM, há saída. E se há saída, há um futuro. De quebra, mostra a força do formato mercadológico do mangá – porque ele tende a abrir espaços comercialmente por onde passa, e beneficiar os mercados quando chega. Agora é prosseguir.
Poderia ter sido um ano melhor em muitos aspectos, mas convenhamos que o saldo não é tão ruim quanto poderia ter sido. Amanhã a gente se fala mais.
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