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Ranking da Taiyosha (JP) – 21/12/2008

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Categorias: rankings

Fairy Tail

Semana dominada, na lista shonen, pelos títulos da Shonen Magazine – a nº2 do mercado japonês e isso não é pouco. Primeiro porque ela foi a nº1 nos anos setenta e durante seu domínio, ela praticamente tornou o gênero shonen aquilo que ele é. Segundo porque mesmo com o arrancão que a Shonen Jump deu lá pelos idos de 1975, ela se tornou uma sombra nos calcanhares da atual primeirona – quando Dragon Ball Z acabou, as vendas da Jump despencaram para a metade – e falamos de uma antologia que tinha mais de seis milhões de exemplares vendidos por mês – fazendo que por algum tempo a Magazine voltasse ao topo. Ou seja, se a Jump bobear um dia...

Shonen/Para garotos

01. Fairy Tail 13 (Kodansha)
02. Ahiru no Sora 22(Kodansha)
03. Bloody Monday 9 (Kodansha)
04. Hajime no Ippo 86 (Kodansha)
05. Zettai Karen Children 15 (Shogakukan)
06. Kaiouki 38 (Kodansha)
07. Full Metal Alchemist 21 (Square Enix)
08. One Piece 52 (Shueisha)
09. Moonlight Act 3 (Shogakukan)
10. Major 70 (Shogakukan)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Air Gear 23 (Kodansha)
02. Saint Sinner in Blue (Ichijinsha)
03. Aki Sora 1 (Akita Shoten)
04. Rozen Maiden 1 (Shueisha)
05. Zetman 11 (Shueisha)
06. Angel Heart 28 (Shinchosha)
07. Usogui 10 (Shueisha)
08. Mama ha Doukyuusei 1 (Akita Shoten)
09. Super Robot Wars OG – Record of the Divine Wars (Kadokawa)
10. Rozen Maiden 1 – especial (Shueisha)

Fairy Tail de Hiro Mashima é definitivamente um mega-hit, e não custa lembrar que o autor tem emplacado sucessos constantemente. Rave Master foi bem-sucedido e sua nova série, Monster Hunter Orage (publicada na Shonen Rival da mesma editora), emplacou presença na lista dos mais vendidos quando o primeiro volume da série foi lançado. De resto, normal: Ahiru no Sora é um quadrinho de basquete, e sabemos como os mangás de esporte são um segmento popular no Japão – tanto que Major desce à rabeira, mas com um grande desempenho nas costas até agora. One Piece, representante da Shonen Jump na lista de hoje, resiste, mas também vai sair de cabeça erguida quando chegar sua vez. De Full Metal Alchemist, já falamos no post anterior: na última edição foi oficializada a reta final da série. De resto, alguns materiais da Shonen Sunday como Moonlight Act e o próprio Major, que tem sido o grande hit da antologia nos últimos anos. A Shogakukan tem tido problemas com aquela que, das três grandes antologias de shonen no Japão, virou uma espécie de "primo doente", que depende mais e mais dos autores bem-sucedidos no passado (e que não vão deixar de vender) para continuar de pé.
A lista seinen já começa com um erro: Air Gear.
A série de Oh Great, como toda obra do autor, é estilo puro. Mas ela é outro hit da Shonen Magazine e não há como negar que ela é voltada a um público mais jovem do que o seu outro sucesso, Tenjou Tenge, que sai pela Shueisha. No momento, ela está jogando pela janela boa parte da simpatia que era parte do seu charme como história – deixou de ser um material simples e divertido sobre gangues de patinadores e virou uma daquelas tramas escalafobéticas aonde algo muito maior está sendo tramado, com viradas que comprometem a visão que temos de alguns personagens. Mas continua com estilo e imagens impressionantes, e é isso o que chama a atenção na obra, não há como negar.
Em todo caso, ela deveria estar na lista shonen. Provavelmente isso vai ser corrigido na semana que vem.
De resto, os destaques da lista são a volta do primeiro volume de Rozen Maiden às paradas de sucesso – com direito à presença dupla, graças a uma edição especial – e o volume novo de Zetman, de Masakazu Katsura. Primeiro Rozen Maiden: a série é focada em um hikikomori (é complicado explicar em poucas palavras, por isso vou dizer logo que é simplesmente um tipo de ermitão urbano que se tornou um problema social no Japão na última década) que acaba se tornando o guardião de uma boneca superpoderosa vestida no estilo Gothic Lolita. Porque isso é considerado "adulto", não faço idéia. Mas sinceramente acho que o retorno do primeiro volume a essa altura do campeonato se deve às notícias relativas aos autores, a dupla que assina Peach Pit. Simplesmente eles estão produzindo TRÊS séries simultaneamente (esta, o seinen Zombie Loan e o quadrinho para meninas Shugo Chara) e um dos membros da equipe acabou tendo que ser internado por problemas de saúde na última semana. Isso pode ter chamado atenção para a série por quem ainda não a conhecia.
Quanto a Zetman, merece uma atenção especial.
O personagem foi criado por Masakazu Katsura em 2002 como uma desopilação de fígado óbvia e ululante para quem conhece a carreira do autor. Katsura é melhor conhecido pela insuportável série Video Girl Ai, que se tornou um grande hit no Japão, ganhando o status de clássico, e que chegou a ser lançada no Brasil – o que talvez explique muito bem o porquê de nenhuma outra obra do autor ter sido publicada por aqui até agora (eu pelo menos, fosse um desavisado, não compraria de novo). Para o japonês pode ter funcionado, mas em termos culturais, é provável que haja aqui um lapso imenso: não dá para não sentir desprezo pelo protagonista. Não vou dar detalhes: procure apenas pelo nome "Nobuko" no google e tente ler um flashback sobre escorregadores em um parquinho. Depois a gente conversa.
Em todo caso, o mangá de um volume – sobre um homem dividido entre a namoradinha e a sua obsessão em ser um super-herói – na prática era uma metáfora para o fato da carreira do autor estar aprisionada em um gênero só – o de romance hormonal mas meloso para adolescentes, tanto que ele fez diferentes tentativas em outro tipo de materiais para a Shonen Jump (como com o simpaticíssimo Shadow Lady) e quebrou a cara continuamente. Precisou voltar ao romance velho de guerra no enrolativo I's para voltar a fazer sucesso. Só assim o final da história faz sentido e fica até mais claro o porquê dele ter usado um super-herói para pôr sua frustração para fora: seu primeiro sucesso foi uma série do gênero chamado Wingman.
Em todo caso, Katsura acabou saindo das garras dos romances adolescentes com uma solução simples: mudou de revista e foi para a antologia seinen Young Jump. Por uma questão de faixa etária dos seus leitores, ele atingiria não aqueles que leram Video Girl Ai na adolescência, mas os que leram Wingman na pré-adolescência e que hoje lêem mangás para adultos. E recriou Zetman como uma saga densa, violenta e sombria, porque esses leitores não se contentariam mais com um Wingman infanto-juvenil a essa altura de suas vidas.
Deu certo.
Katsura, indiscutivelmente, é um desenhista de capacidade impressionante e que tende a se reinventar a cada nova obra. Isso não pode ser negado. Como artista, o Katsura de Wingman foi eclipsado pelo Katsura de Video Girl Ai, o Katsura de Video Girl Ai foi eclipsado pelo Katsura de Shadow Lady, o Katsura de Shadow Lady foi eclipsado pelo Katsura de I's e o Katsura de Zetman põe o Katsura de I's no chinelo. São poucos os artistas de quem podemos falar isso. Em roteiro, ele está irreconhecível: sombrio, dramático, violento, contando uma saga de super-heróis que remete muito às tendências mais maduras que o gênero alcançou nos Estados Unidos durante os anos oitenta. É definitivamente o melhor trabalho do autor e o mais interessante da lista seinen em uma semana aonde n ão há oponentes de tanto brilho de um modo geral.
Vamos esperar a próxima semana.


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