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Dez 07

Lanfeust Quest, por Arleston, Tarquin e Lullabi

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Lancaster | PERMALINK | 0

Categorias: Lanfeust Quest

Lanfeust de Troy é uma das franquias mais bem-sucedidas do atual quadrinho francês. Criada pelo escritor Scotch Arleston e pelo artista Didier Tarquin, a história que deu origem à série se passa no mundo fantástico de Troy – um mundo pseudo-medieval como manda o imaginário do gênero fantasia pós-rpg, mas essa sensação de "mais do mesmo" só vale na aparência. Na verdade, Troy é um dos cenários mais criativos do gênero: não há anões, elfos ou similares. As principais raças sencientes são basicamente duas: os Trolls – que vivem no meio do mato, são antropófagos, canibais (na verdade minha impressão é que eles praticamente comem qualquer vertebrado que se mova) e tem um senso de humor nigérrimo – e os humanos... bom, que são tudo menos o seu humano comum de rpg. Em Troy, todos os humanos podem fazer magia. Só que só podem fazer UMA em especial e mais nenhuma – ou melhor dizendo, o poder mágico funciona como um superpoder, como os da Marvel e DC. Só que bem mais limitado: não dá para se voar e ser superforte como o velho Clark Kent – ou você voa, ou é superforte. Aliás, o escritor Arleston deve com certeza gostar de quadrinhos de supers; o vilão se chama Thanos (quem lê quadrinhos da Marvel vai entender).
Como cereja do bolo: a aventura é misturada à comédia rasgada. O grupo acaba trazendo um troll a tiracolo por força das circunstâncias – e para que se tenha uma idéia dos trocadalhos do carilho que pipocam na série, o nome do troll é Hebus, ou seja, "Troll Hebus", o que remete a "trolebus", o ônibus elétrico que cruza as ruas francesas (e pelo amor de Deus, não peçam para que eu traduza aqui o que quer dizer realmente "petauro", como foi batizado o estranho mamute que só anda movido a música no único volume da saga original mal lançado por aqui pela Devir e largado de mão logo em seguida).
Com tudo isso, a série ganhou uma continuação, "Lanfeust des Étoiles", aonde nossos heróis vivem novas aventuras para além do mundo de Troy; "Trolls de Troy", uma versão distorcida de Asterix no universo da série – e muito melhor escrita, se considerarmos como o velho gaulês foi arremessado ao esterco após a morte de seu criador Goscinny e sua posse pelo dublê de roteirista Uderzo – protagonizada por trolls cujas aventuras sempre terminam com um banquete... com humanos no papel tradicionalmente reservado ao javali (não custa lembrar que "Trolls" ganhou o prêmio de melhor quadrinho para crianças de 9 a 12 anos no festival de Angoulême de 2002... escolhidos pelas próprias crianças, claro! Ou vocês acham que os pais franceses votariam nisso para seus adorados filhinhos lerem?); Gnomes de Troy, tocando na infância dos personagens da série clássica de Lanfeust; Conquerants de Troy, que se passa séculos antes da saga principal e fala do povoamento desse mundo. Com tudo isso, nem precisamos falar da popularidade da marca Lanfeust.
E chegamos a Lanfeust Quest, a verdadeira razão de ser desse post – que na verdade é uma resposta da franquia ao crescimento do mangá na França.
Lanfeust Quest a bem da verdade é uma nova versão da saga original de Lanfeust de Troy, readaptada para 0 formato gráfico e a estética do mangá (com alguns exageros desnecessários, como a adoção do sentido oriental de leitura), com os personagens visualmente bem alterados. A história é simples: nesse mundo aonde todos podem fazer magia, o jovem Lanfeust tem um poder aparente limitado – moldar metais sob seu toque – o que só o capacita para um papel na vida, o de ferreiro da aldeia. Mas ao moldar uma espada feita com um material muito especial – o marfim de um animal mágico, o Magohamoth, que de alguma forma não é muito diferente de um metal e pode ser moldado por ele – o jovem Lanfeust ganha a capacidade única (caso ele – e apenas ele – use a espada, claro), de manifestar qualquer poder existente além do seu. Nisso, ele tem três grandes problemas: o primeiro, o fato de que a espada não é sua, e sim de um nobre arrogante e não muito esperto. O segundo, que ele pode estar no meio do potencial fogo cruzado entre a seríssima moça a quem ele é prometido, Cian, que tem poderes de cura, e a desinibida, espevitada, desbocada, debochada e muito, mas muito sacana Cissi (Cixi no original), capaz de alterar a temperatura da água e que tem muito interesse em Lanfeust, sendo ele noivo prometido de sua irmã ou não. O terceiro se chama Thanos – o persistente vilão da série.
A série, com arte de Ludo Lullabi (que simultaneamente desenhou o Warcraft com roteiro de Walt Simonson para o mercado americano), é um dos quinze mangás mais vendidos na França, superando em vendagens materiais bem sucedidos como Air Gear, Yu-Gi-Oh, Berserk e XXXHolic. No fim, independentemente de qualquer coisa, é um material que tem seu público – seja como parte de uma franquia existente, seja como o mais bem-sucedido mangá de origem francesa, na frente de materiais de boa vendagem como Dofus (baseado no MMORPG do mesmo nome) e a linha Shogun da Humanoides. E isso já é razão de ser o suficiente.

Lanfeust Quest

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