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Dez 03
Da série "Crescimento do Mangá Global": Coréia
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Lancaster |
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Categorias: Do Crescimento do Mangá Global
O país que vem mais crescendo na produção dos seus próprios mangás, fora do Japão – há anos – é indubitavelmente a Coréia do Sul. Isto é indiscutível. O seu sucesso interno e posterior exportação de seus produtos é um caso óbvio e ululante daquilo que no mundo dos negócios é conhecido como benchmarking: olhe o que a concorrência faz para ser bem-sucedida e, dentro das possibilidades, faça o mesmo sem tirar nem pôr. Eles fizeram.
Antologias como a Wink, Young Champ e outras serializam os mangás locais – conhecidos pelo nome manhwa em seu país, que é utilizado como rótulo por seus entusiastas ao redor do globo – em um esquema de pré-publicação similar ao
japonês. Com isso, eles conseguiram estabelecer seu mercado, fazê-lo crescer e enfim, exportá-lo. Não há como negar que o que eles fazem é mangá, sem tirar nem pôr; o fato deles publicarem suas histórias da esquerda da direita, assim como os ocidentais, reflete apenas o fato de que o sentido de leitura coreano funciona nessa direção – nada mais, nada menos.
Informações sobre o que acontece na Coréia, entretanto, são muito mais difíceis de se obter – em parte porque a língua não tem o mesmo apelo comercial que um Japonês ou um Mandarim têm para o resto do mundo. Se eles conseguiram se espalhar, contaram com a ajuda do próprio governo local: lá, eles percebem a força comercial e cultural que os quadrinhos têm, e por isso estimulam sua produção e exportação. Há um departamento governamental para facilitar a difusão pelo mundo de manhwas e games (pelos quais eles são bem melhor conhecidos no exterior, como o conhecido Ragnarok Online – que não por acaso, é baseado em um quadrinho local de sucesso). Enquanto as editoras japonesas são cheias de exigências com seu material, fazendo algumas negociações chegarem ao extremo de levarem anos até serem concluídas, os coreanos tendem a ser mais diretos em seus pontos e acordos, o que ajuda às editoras ao redor do mundo
trazer tais materiais para seus países sem perda de tempo.
Infelizmente, até agora não surgiu um mangá coreano que fisgue o mundo de forma apaixonante, como aconteceu com Naruto. Mas como uma vez falou o Marcel Goto da finada coluna Speedlines do antigo site Herói: quando surgir o Osamu Tezuka dos manhwas, o sistema já estará todo lá à sua espera para que ele conquiste o mundo.
Em todo caso, minha intenção era dedicar a esse tópico uma matéria extensa, como eu fiz para os mangás produzidos em diferentes países ao longo da história desse blog. Entretanto, boa parte da informação reunida seria tirada de uma única e muito rica fonte – a matéria "Eu Leio Manhwas", publicada na edição nº27 da revista Neo Tokyo. Achei que seria imensamente injusto sugar esse trabalho, do tanto que eu teria que recorrer à ele; então achei melhor pedir permissão à autora, que assina sob o pseudônimo de Sett, para republicar o material aqui na Maximum Cosmo. As edições feitas em relação ao original foram feitas em nome da síntese e tiveram permissão da autora – o que a torna oficialmente a primeira convidada minha a escrever nesse blog – e ela não será a última, acreditem.
Divirtam-se.
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Quando lemos a definição do que é um manhwa, consta que é uma história em quadrinhos feita por coreanos. Alguns falam que manhwas tem bonitos traços e histórias fracas, outros que ainda não se desenvolveram tanto como o mangá. Mas antes de qualquer julgamento é importante saber como foram construídos os quadrinhos na Coréia – para entender o manhwa temos que conhecer um pouquinho da história do país, porque os dois estão intrinsecamente ligados.
Sobre a Coréia e seus Quadrinhos
Curiosamente, fazendo paralelos bem amplos, podemos dizer que nossa história politicamente tem muito em comum com a deles. A história da Coréia no século XX, quando aparecem os primeiros quadrinhos impressos nos jornais, é pontuada por grandes períodos de opressão política e repressão da impressa. Até 1945, por exemplo, eles estavam sob o jugo vergonhoso do imperialismo japonês, que controlava firmemente todo tipo de expressão, e em especial à que, dentro dos manhwas, tentou se opôr à ocupação nipônica. Depois do fim da Segunda Guerra o país foi dividido entre a órbita americana (República da Coréia – ou Coréia do Sul) e a influência soviética (República Popular Democrática da Coréia – ou Coréia do Norte). Esse foi o inicio da guerra entre as duas Coréias, e apesar de seus dirigentes terem recentemente se encontrado para negociações, a indignação pelas atrocidades do conflito ainda não foi esquecido em ambos os lados. Mas sigamos ao que interessa e vamos à Coréia do Sul. Veio a liberdade para a criação de revistas que publicam as séries de manhwa, e nos anos seguintes se iniciaria a sua própria autonomia para publicação de revistas especializadas. As tropas norte-coreanas invadiram em 1950 a Coréia do Sul. Neste período surge o
Sunjeong, manhwas para garotas, e o Ttakji, manhwa em que o enredo se passa no Ocidente. Os Ttakji falavam sobre aventuras de piratas e lugares fantásticos, trazendo aos coreanos a fantasia para fugir do difícil periodo que estavam passando. Mas nada era um mar de rosas. O presidente coreano Sygman Rhee marcou presença com seu autoritarismo e a censura não tardou a aparecer quando a propaganda de guerra se infiltrou nos quadrinhos. Com o país destruído, sua produção foi severamente afetada. Depois do armistício, os manhwas, lojas e livrarias voltaram a crescer. Foi nesse momento de dinheiro curto que surgiram as manhwabangs, aonde se locavam quadrinhos por hora a um preço baixo. Elas eram constituidas de pequenas editoras que forneciam as revistas de manhwa. Isso foi uma das estrategias mais importantes no mundo dos quadrinhos coreanos para dar acesso as pessoas a leitura dos quadrinhos e foi fundamental na formação das editoras que publicariam as grandes revistas do mercado.
Paralelamente à nossa história, em 1961 a Coréia do Sul sofre um golpe militar pelo general Park Chung-Hee, quando o governo toma o controle total sobre o país e passa a ter em suas mãos o monopólio das editoras. Qualquer atividade
política era proibida, porém vários artistas começaram a publicar histórias datadas no periodo medieval coreano para conseguirem críticar a atual situação politica no país. Nos anos 70, enquanto no Japão as grandes mangakás dão à luz shojos importantes e as mulheres tomam o gênero em suas mãos, na Coréia os Sunjeong são proibidos de serem publicados.
Somente na década de 80 a redemocratização chegaria à Coréia, e é justamente neste período que os manhwas começam novamente a ressurgir – tendo seu grande “boom” no fim dos anos 90. Os Sunjeong, por exemplo, reapareceram nos últimos anos da década de 80 e se tornaram o gênero mais popular de quadrinhos exportados pelos coreanos.
As maiores editoras da Coréia
Para vocês terem um breve panorama de onde se originaram os quadrinhos que vem ou virão para nossas bancas, vou falar um pouco sobre as quatro maiores empresas que publicam manhwas, conforme o número de licenciamento nos outros países:
DAIWON – A maior editora da Coréia no setor, tanto em licenciamento interno quanto externo. Além de dominar grande parte do mercado de manhwas em outros paises com seus títulos, edita no país os mangás japoneses de maior sucesso – como “Naruto” e “Nodame Cantabile”. A empresa aposta tanto em títulos para garotos quanto para meninas.
Revistas e Antologias – Naker, Newtype Korea, White, Comic Champ (publica material da Shonen Jump), Young Champ e Monthly Issue
Sucessos – Archlord, Priest, Ragnarök, Déjà-vu e Good Luck.
SEOUL MUNHWASA – somente perde para a toda poderosa Daiwon, mas é a editora que possui mais títulos que gosto. Os fãs dos manhwas conhecem muito bem os grandes sucessos desta companhia.
Revistas e Antologias – IQ Jump Comics , Jumps, Sugar e Wink.
Sucessos – Angry, The Bride of the Water God, Goong, You're So Cool e Let Dai.
SIGONGSA – A Sigongsa está no mercado desde 1989 e possui um razoável número de manhwas famosos. Contudo, sua atuação nas vendas de revistas diversas e participação em videogames parece ser maior do que a publicação de quadrinhos.
Sucessos – Demon Diary, Kiss me princess e Tarot Café (até o 4º volume).
HAKSAN – Empresa que publicava o “falecido” manhwa Chonchu. Seus grandes sucessos são manhwas de fantasia no estilo “guerreiros” ou “capa e espada”, apesar de ter obras sobre o cotidiano como “I.N.V.U”.
Antologia – Booking Comics.
Sucessos – Banya, Dangu, ChonChu, I.N.V.U. e The Queen's Knight.
Fazendo um parêntesis, abro um espaço aqui para falar da revista Wink, porque ela é uma das revistas coreanas que mais licenciam manhwas para outros países. Com a periodicidade quinzenal, suas histórias são compiladas em volumes pela Seoul Munhwasa e são somente sunjeong. Ela possui uma gama muito variada de enredos e de artistas. Nela podemos encontrar histórias sobre a vida comum dos estudantes ou sobre fantasia mitológica (ou no deserto do Saara), além de alguns enredos fofinhos ou até material homoafetivo. No entanto, a qualidade dos traços e roteiros é variável, alternando desenhos bizarros de tão feios com histórias cheias de detalhes magníficos.
Classificações e curiosidades
Manhwaga: É aquele(a) que desenha e/ou escreve manhwas.
Sonyung: Quadrinhos coreanos que, de forma análoga à classificação japonesa shonen, ou seja, são aqueles feitos para meninos e adolescentes do sexo masculino.
Sunjeong: Tem o mesmo significado que shojo, quadrinhos para garotas. Contudo, os coreanos parecem não diferenciar as vertentes dos quadrinhos femininos, abrangendo todos os subgêneros do material feito para mulheres com este rótulo.
Tchungnyun: Equivale ao termo japonês seinen (quadrinhos para jovens homens adultos).
Da esquerda para direita: ao contrário dos mangás, os manhwas tem seu sentido de leitura igual a nossos gibis ocidentais.
Manhwabang: Bibliotecas e salas de leitura privadas na Coréia do Sul, aonde se pode alugar manhwas para ler. Esses estabelecimentos geralmente estão abertos por 24 horas. Afinal, toda hora é hora de ler.
É muito difícil achar rankings ou números de vendagens e, mais ainda, informações sobre os manhwas. Por isso quando descobri o ranking da Daiwon foi realmente um achado. A editora Daiwon traz no seu website, todos os meses, uma lista dos trinta quadrinhos mais vendidos, lançados pelas mais importantes editoras da Coréia. Curiosamente, nesse Top 30, não somente constam os manhwas como também os mangás, que muitas vezes tomam importantes posições dos quadrinhos nacionais. Como o Japão aparentemente não tem nenhum ranking relevante sobre a presença de quadrinhos estrangeiros no país, ainda não tenho elementos para medir o nível de contato dos japoneses com o manhwa. Talvez o indicio de ter seriados coreanos como “Goong" e “Full House” licenciados no Japão seja um pequeno ponto positivo.
Por outro lado, o mangá “Nodame cantabile” é uma boa amostra do gosto dos coreanos pelos mangás. Ele sempre está sempre bem posicionado, tendo seu volume 17 no primeiro lugar do Top 30, quando o ranking das vendas para os mangás do site Amazon Japan no primeiro semestre de 2007 deu também a mesma colocação para o mangá. E recentemente o j-drama (novela japonesa) de “Nodame Cantabile” inclusive concorreu em
várias categorias ao Seoul Drama Awards 2007, um prêmio para produções televisivas na Coréia. E conseguiu ganhar como melhor minissérie.
Manhwas não têm fim?
Quando qualquer discussão sobre manhwas começa, inevitavelmente o argumento “os manhwas não tem fim” surge. Esse preconceito veio depois que os primeiros quadrinhos do estilo a chegar no Brasil, “Ragnarök” e “Chonchu” (ambos lançados pela editora Conrad, que na época viu grande potencial comercial no material coreano, que se espalhava pelo mundo), foram paralisados na Coréia.
O autor de “Ragnarök” desde 2002 não lança mais capítulos, estando ocupado com o MMORPG inspirado em seu manhwa. Apesar de tudo, os fãs mais otimistas pensam que um dia ele retornará à série. É sentar e esperar a boa vontade do rapaz.
O caso de “Chonchu” parece ser mais complicado: O manhwa tem dois autores – Kim Byung Jin, desenhista, e Kim Sung Jae, escritor. O desenhista desistiu de continuar o trabalho e nos anos seguintes iniciou “Final Fantasy XI : The Out of Orders” que também não finalizou. Atualmente, Kim Byung Jin está trabalhando no Japão, em
um seinen recentemente concluído chamado “Jackals”, pela editora Square Enix.
Talvez por isso algumas editoras tenham o cuidado de trazer no momento títulos curtos e já concluídos. Mas com exceção desses dois trabalhos e de “Priest”, em que o autor continua trabalhando, não existe nenhum fundamento na afirmação de que os manhwas não tem fim. Basta dar uma olhada no número de manhwas que com poucos ou muitos volumes já foram licenciados ao redor do mundo, e já tiveram seu fim na Coréia.
No mundo
Acompanhando sempre que possível o crescimento e o licenciamento dos manhwas em outros países, me alegro em dizer que nos últimos dois anos houve tanto um aumento dos títulos quanto o surgimento de editoras que estão se especializando somente em manhwas. Realisticamente o número de vendas ou o reconhecimento não é igual ao dos mangás, mas é indubitável que os fãs das obras coreanas são um bom e crescente mercado – mesmo a pequenos passos.
Segundo o site Hankyoreh, o percentual de publicação de manhwas atualmente se divide em 40% para a Europa, 30% para Ásia e mais 30% para EUA. Sou otimista com o
potencial de crescimento de qualidade e número dos manhwas, e vejo que em cada país tem diferentes graus de aceitação. Há um certo tempo, por exemplo, houve o cancelamento de toda a linha de manhwas da editora francesa Soleil, alegando pouco retorno de vendas; o que poderia não ter acontecido se houvesse por parte da editora uma criteriosa escolha de títulos e opções para diferentes públicos. Enquanto isso, a Panini na Espanha já manifestou sua satisfação com os manhwas e disse pretender olhar com mais carinho a sua linha de quadrinhos coreanos.
Espanha e Argentina – A editora Ivrea, que publica quadrinhos nos dois países e há alguns meses chegou a colocar um anúncio em seu site procurando um tradutor de coreano, mostrou que seu interesse não era em vão. Apenas no ano de 2007, a editora lançou 11 títulos de manhwas. Entre as editoras da Espanha que publicam títulos de manhwas estão a Medea, Norma, Panini, Planeta e Glenat.
Itália – A Itália tem mais de 22 licenciamentos de manhwas até o momento e pelo menos cinco sunjeongs para 2008. As editoras italianas foram bem rápidas para conseguir os títulos, não se
importando se ele eles são recentes e não têm um fim próximo. Se tiver potencial, é licenciado – principalmente pelas editoras Jpop, Planet Manga e Flashbook.
França – A França é um dos paises que tem uma enorme leva de mangás e agora de manhwas. Pelo menos nove editoras francesas publicam os manhwas, entre elas a Tokebi, a Saphira, a Kana e a Soleil. A Tokebi é a maior licenciadora no país; A Saphira trabalha apenas com manhwas para garotas.
Estados Unidos – Mais de 100 títulos diferentes de manhwas já foram licenciados pelas editoras Net Comics, Ice Kunion, Infinity Studios, DramaQueen, a Tokyopop e outras. Destas, as três primeiras trabalham somente com manhwas, sendo a Net Comics a precursora deste tipo de quadrinho no país.
Mangá x Manhwa?
Os mangás têm todo um complexo mecanismo de produção que os fazem inigualáveis no ramo dos quadrinhos, superando em variedade e qualidade a produção de muitos paises. Vejo no manhwa um grande acerto dos coreanos, que conseguiram com sucesso estabelecer seu mercado de quadrinhos – cada um tem sua qualidade conforme a história coletiva ou pessoal , podendo oferecer um tipo de trabalho que agradará a diferentes tipos de gostos.
Não foram apenas as vendas de mangás no exterior que capacitaram ao trabalho dos coreanos ter chance comercial. O que impulsionou nesses últimos anos o crescimento da audiência de novos leitores de manhwas foi sem duvida o acesso a Internet, e a disponibilidade de alguns fãs que se reunem para traduzi-los de modo amador para os que antes somente conheciam os quadrinhos japoneses. Apesar de algumas editoras fazerem críticas no que tange ao direito autoral, elas não podem negar que a propaganda feita de seus produtos abriram um espaço comercial em diversos países. Seguindo esta linha de pensamento, o site coreano Dong-A Ilbo trouxe um interessante artigo sobre o comércio dos manhwas na Coréia. Nele, onde consta que o sucesso dos manhwas e seu crescimento se deve a exportação para os outros países. Porque dentro da Coréia, o mercado de quadrinhos é esmagadoramente tomado pelos mangás. E de acordo com dados que valorizam o crescimento dos manhwas, citados pela Manhwa Industry Survey, o numero de manhwas expostados em 1999 atingiam a cifra de 240 mil dolares, subiriam em 2004 para 1,9 milhões e cresceriam novamente em 2005 para 3,6 milhões. Por esbarrar no desconhecimento do material e sua semelhança com os
mangás japoneses, poucas editoras no mundo têm um selo especifico para os mangás coreanos – fazendo os fãs mais ortodoxos do mangá nem mesmo pensarem em experimentar a leitura do que vem da Coréia, como se tal ato fosse algum tipo de sacrilégio. Mas, mesmo sabendo que a maioria é da opinião de que a qualidade da história é mais importante que a origem, sei que ainda há muito terreno para ser percorrido tanto aqui como em outros paises para que o preconceito e o desconhecimento sobre os manhwas sejam superados.
Os sucessos e o Brasil
Será que quem lê mangá japonês leria manhwa, vocês poderiam me perguntar? Eles têm histórias interessantes e fariam sucesso aqui? Primeiro, os leitores que leram manhwas como Chonchu ou Priest podem ser um bom referencial – a resposta às duas perguntas é um definitivo sim: Os traços e as histórias são elogiadas, e agradam em cheio tanto os que gostam de histórias de guerreiros quanto os que vêem uma grande pedida em faroestes sobrenaturais. Para quem quiser comprovar a variedade de traço entre manhwagas basta ler as histórias fechadas que existem no manhwa “Déjà-Vu” e compreender que esse universo de quadrinhos pode surpreender, e muito.
Em relação aos manhwas com potencial, por serem sempre lembrados quando há alguma enquete na
Internet, noto uma boa receptividade dos leitores brasileiros nas comunidades de mangás que freqüento – em especial os que lêem sunjeong ou os que assistem os episódios de k-dramas (novelas coreanas) como “Full House”, legendados por sites aqui no Brasil.
Não basta somente a vontade dos fãs para que um quadrinho venha para o Brasil, por mais cruel que isso possa parecer. É necessário que exista para a editora um nicho que dê lucro para seu trabalho e não sirva somente à vontade de alguns. Por isso, a necessidade de lançar alguns títulos curtos (como “Déjà-Vu”, “Angry” e “Warcraft”) por editoras como Panini e Conrad para experimentar o mercado, ou mesmo ariscar lançamentos um pouco mais longos mas que foram bem recebidos em outros países como “Priest” e “Tarot café”, respectivamente lançadas pela Lumus e pela NewPop. A Panini já lançou o selo “Planet Manhwa” no volume 2 de Kil-Dong, mostrando assim o interesse da empresa no nicho dos quadrinhos coreanos. E eu tenho certeza que a vinda de alguns títulos de manhwas serão bem sucedidos, desde que as editoras brasileiras observem o que seus leitores estão consumindo e o que eles querem nas bancas. Por fim, em 2006 somente tivemos três mangás da Coréia – em 2007 tivemos um pouco mais que isso – todos com estilos e propostas diferentes. Então vocês podem esperar e nos acompanhar, pois com certeza futuramente teremos mais dos bons quadrinhos coreanos, para todos os gostos, nas bancas.
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E Lancaster, que fim teve aquele seu manga parecido com o Steamboy? Só li o primeiro capítulo no Animepro e não vi mais continuação...
Alexandre: Houve problemas nos bastidores que envolvem muita coisa que é preferível não dizer aqui. Só vou dizer que o projeto não parou e voltou a ser desenvolvido do zero. Quanto a um artigo desses sobre mangás nacionais... é possível. Mas há pelo menos mais um país/conjunto de países na frente em termos de pesquisa. A série de artigos sobre mangá global não parou.
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