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Nov 29
Obra de Sampei Shirato sai na Itália
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Categorias: gekiga
Enquanto temos menos e menos espaço para os clássicos, os Italianos se fartam nesse sentido. A Hazard Edizioni lançou recentemente uma obra fechada de um dos patriarcas dos quadrinhos adultos no Japão, Sampei Shirato – o mesmo autor do gaiden (história derivada) de A Lenda de Kamui, que chegamos a ler, via Editora Abril, no final dos anos oitenta.
A obra se chama Akame: Red Eyes e conta a história de um levante camponês contra um senhor feudal autoritário e violento. É considerado um trabalho menor do autor: Sampei Shirato era esquerdista e interessado em sociologia. Suas obras, que refletem a politização dos anos sessenta, refletem muito o discurso tipicamente marxista de luta de classes e dialética. Aqui, o discurso panfletário não tem o mesmo equilíbrio narrativo que o torna tão interessante até mesmo para quem não comunga de suas crenças (como o fundamental Kamui original e Ninja Bugeichô, que lida com o mesmo tema de revolta camponesa, mas com mais desenvolvimento em termos de roteiro). É mais esquemático: Os senhores feudais ainda são maus, maus e maus, enquanto o povo é bom e quer justiça, justiça, justiça. Em Kamui, há mais equilíbrio e ele torna a todos
representações de papéis sociais – portanto, esvaziando-os de responsabilidade como indivíduos, já que eles cumprem apenas sua parte na roda etc....
Aqui cabe uma observação minha e me desculpem, eu tenho que falar: Nada é mais distante do que eu realmente acredito do que aquilo que eu descrevi ali atrás: não somos seres amorfos e eu acredito realmente, firmemente e fortemente na importância do indivíduo e na sua iniciativa como agente transformador do mundo. Só que também não vou negar que essas idéias, aplicadas à estrutura narrativa no trabalho de Shirato, acabaram por gerar resultados muito interessantes. Seria uma tremenda cabeça-dura da minha parte se eu o fizesse. Não é como o superestimado, poluído e confuso Che de Oesterheld e dos Breccia, que só tem eleitorado porque mataram seu autor em algum buraco da ditadura argentina. Mas se eu falo mal daquela porcaria, vira questão ideológica. Se os argentinos tivessem deixado Oesterheld viver, essa obra poderia ser vista como ela realmente é.
Em todo caso, é uma obra de Sampei Shirato e tem que ser lida – mesmo que como uma introdução para obras onde esses temas sejam melhor desenvolvidos, como no Lenda de Kamui original – que cá entre nós, deveria ter sido publicada aqui no Brasil logo após o Lobo Solitário de Koike e Kojima.
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