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Ranking da Taiyosha (JP) – 23/11/2008

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Categorias: rankings

Negima

Semana dominada pela Kodansha: Metade da lista shonen (impulsionada por títulos na maioria extraídos da Shonen Magazine) e com sete títulos emplacados na lista seinen. Mas essa é uma das listas mais interessantes das últimas semanas, aonde mesmo as outras editoras emplacaram opções dignas de destaque – bem melhor do que o festival de menininhas com poses infantis mas sensuais para o deleite de marmanjos babões que invadiam as listas na rebarba dos rearranjos de posição (embora o campeão, Negima, esteja infestado delas).

Shonen/Para garotos

01. Negima 24 (Kodansha)
02. Tsubasa 25 (Kodansha)
03. Bloody Monday 8 (Kodansha)
04. Strongest Disciple Kenichi 31 (Shogakukan)
05. Ace of Diamond 13 (Kodansha)
06. Major 69 (Shogakukan)
07. Ryuurouden: Chuugen Ryouranhen (Kodansha)
08. Mirai Nikki 7 (Kadokawa)
09. Ocha Nigosu 6 (Shogakukan)
10. Area no Kishi 13 (Shueisha)

Seinen/Para Jovens Adultos

01. Mushishi 10 (Kodansha)
02. Capeta 10 (Kodansha)
03. Yesterday wo Utatte 6 (Shueisha)
04. 81 Diver (Shueisha)
05. Adamas 2 (Kodansha)
06. Linebarrels of Iron 11 (Akita Shoten)
07. What Did You Eat Yesterday? 2 (Kodansha)
08. Tobaku Haouden Zero 6 (Kodansha)
09. Countach 14 (Kodansha)
10. Giant Killing 8 (Kodansha)

Ken Akamatsu, autor de Love Hina, é antes de mais nada um otaku (fã hardcore que no Japão tem status de subcultura) que por acaso tem olho comercial e sabe farejar tendências de sucesso – conseguindo assim sair das garras do seu nicho nanico, alcançar sucesso popular e mesmo assim continuar agradando-o. Love Hina era o exemplo mais perfeito disso: de um lado, fetiches, fetiches e fetiches – mas do outro, uma trama simples que explorava um rito de passagem típico do japonês médio, o vestibular (e acredito que esse gancho de identificação contou profundamente para a grande aceitação do título aqui no Brasil, aonde passamos pela mesma situação), em uma combinação de humor sexual e comédia romântica que remete muito às pornochanchadas, à sua própria maneira. Em Negima, esse gancho de identificação inexiste – e provavelmente por isso os resultados do título aqui no Brasil são bem tímidos, em comparação com a obra de Akamatsu que o precedeu. Negima é sobre um garoto britânico, Negi Springfield, que inexplicavelmente tem que se tornar professor de um colégio de meninas – que no mínimo devem estar subindo pelas paredes sem a presença de outros rapazes no colégio, já que em média elas estão na faixa dos quatorze anos e ele é um moleque de dez, que se torna regularmente assediado por elas. Mas ele não é um garoto britânico comum – é um mago, como o Harry Potter. Para o otaku, fetiches, fetiches e fetiches – que revertem em produtos, produtos e produtos. Para o cidadão comum, fica o humor infame surfando em um tema da moda e um andamento mais tradicional – até mais próximo (estruturalmente) do shonen tradicional de pancadaria em certos momentos.
A Clamp fica em segundo lugar na lista, com o seu Reservoir Chronicle Tsubasa, publicada no Brasil pela JBC. Tsubasa tem sido o trabalho mais bem sucedido da equipe nos últimos anos, reunindo referências de trabalhos mais antigos recombinados em um cenário completamente diferente. Aqui não tem segredo: De um lado, segue uma trama shonen padrão que não vai assustar o público da Shonen Magazine; acrescenta um elemento romântico na natureza da trama para atrair meninas; e por fim cria eu elenco com novas versões de personagens consagrados em outras séries (o casal principal nada mais é do que Li Shaoran e Sakura, respectivamente interesse romântico e protagonista da série para meninas Sakura Card Captors; aqui, ele é o herói e ela o interesse romântico, em um mundo fantástico aonde ela não é a menina comum da série original, mas uma princesa), servindo assim de chamariz para seus leitores mais antigos. Do terceiro lugar, o technothriller Bloody Monday, que já esteve presente na lista dos mais vendidos e parece seguir uma carreira sólida. Mas o quarto é mais interessante...

Strongest Disciple Kenichi é uma comédia de pancadaria que tem a desculpa de ser hilariante. Essencialmente, Kenichi é um garoto comum cujo caminho leva a uma bela garota e, por vias tortas, à "família" dela – composta por mestres de diferentes artes marciais, que decidem transformá-lo em uma espécie de rato de laboratório, fazendo de um mané um super-homem da nobre arte do penakara – em seis estilos diferentes. O detalhe é que o autor conduz sua trama de forma inteligente e evita que o crescimento do lado porradeiro da força eclipse o humor, como é tão comum de acontecer no gênero. E ela tem se mantido bem longeva, conseguindo a proeza de não deixar a peteca cair mesmo no 31º volume. Há também uma boa medida no uso dos referenciais, o que sempre é um perigo mas aqui é bem usado – conhecer coisas como Street Fighter (convenhamos, a mocinha não parece familiar não?) e Hokuto no Ken ajudam ao leitor a pegar melhor uma piada, mas isso nunca é obrigatório – o leitor vai rir assim mesmo, sem achar nada hermético ou ficar com sensação de ser deixado de fora da festa.
De resto, os esportes parecem ter invadido a lista shonen – o que é normal no Japão. Ace of Diamond e o hit Major são os típicos quadrinhos de beisebol que pipocam às pencas por lá. Para nós, mais interessante é Area no Kishi – quadrinho de futebol que tem como eixo um não-triângulo amoroso (explicar isso seria spoiler demais): O protagonista é um jovem cuja suposta ambição é ser técnico de futebol, crescendo à sombra de seu irmão – um jogador que na cena de abertura chega a marcar um gol pela seleção japonesa contra o Brasil (mangá é ficção, okay, gente?). Mas quando uma paixonite de infância retorna à sua vida, seu destino volta a convergir para o campo – o lugar de onde ele jamais deveria ter fugido, assustado pelo peso do talento e capacidade do próprio irmão, por quem a moça já teve interesse. De quebra, ele tem um problema em uma das pernas. Aqui, não há lugar para o futebol-arte marcial de Super Campeões – e visualmente a série tem belas cenas de ação em campo, além do lado novelão bem visível... Ei, futebol e novela, junto? Porque isso não está ganhando atenção aqui no Brasil?
Os esportes também marcam presença na lista Seinen, mas aparentemente é um erro da Taiyosha: Capeta, o segundo da lista, é shonen até a medula (sai na Shonen Magazine mensal), com protagonista fedelho (embora ele cresça ao longo da série), envolvendo o universo do automobilismo. Na verdade, o que mais se destaca na lista seinen nesse terreno são os jogos de azar: 81 Diver é sobre uma espécie de xadrez chamado shogi, somado aos fetiches tipicamente japoneses sobre mulheres vestidas como empregadinhas pseudo-vitorianas. Já Tobaku Haouden Zero tem outro gabarito. É passado no mesmo universo da espetacular e obrigatória série Kaiji, aonde o Japão faliu e em meio a uma devastadora recessão, pessoas comuns acabam participando de torneios letais para a diversão de pessoas ricas sem o menor caráter. Desta vez a série tem um elenco mais jovem de protagonistas, e tem tido mais volumes.
Mas o topo pertence à excelente série Mushishi, que está sendo exibida pelo canal animax e cujo longa com atores foi dirigido pelo próprio Katsuhiro Otomo de Akira. Publicada na antologia Afternoon, é um daqueles produtos cuja niponicidade não os torna locais demais para o resto do mundo (como no caso das séries baseadas na exploração de fetiches e modismos), mas pelo contrário – é sua natureza local que a torna universal. No universo de Mushishi (Caçador de Insetos), acompanhamos os passos de um nômade de cabelos brancos chamado Ginko. Os Mushi são a essência da vida em estado puro, e a maioria dos seres humanos não pode sentir sua presença. Eventualmente eles causam problemas às pessoas, e Ginko em suas andanças tenta sanar os danos que os Mushi causam à elas. É material reflexivo, de andamento minimalista, e que garantiu ao mangá o prêmio de excelência do Japan Media Arts Festival em 2003 – além do prêmio da Kodansha em 2006. Merece esse reconhecimento.
Não chega a ser digno de destaque nesse caso em especial, mas tem uma série de robô gigante na sexta posição, publicada na mesma antologia da Akita Shoten aonde saem os trabalhos de Masami Kurumada com os Cavaleiros do Zodíaco, a Champion Red. A série é Linebarrels of Iron, de Eiichi Shimizu and Tomohiro Shimoguchi. Eu confesso que sentia falta de um robozão nessa lista há muito tempo.


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