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Nov 20
Em Homenagem ao dia da Consciência Negra…
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Categorias: Dia da Consciência Negra
Em primeiro lugar: apesar de eu ser contra excessos como cotas étnicas e similares, eu tenho que concordar que os negros (não gosto do termo "afro-brasileiro", "afro-americano" ou "afro-qualquer nacionalidade de sua escolha"; ou se tem uma nacionalidade ou não se tem) são muito mal representados nos animes. Não digo necessariamente em termos de presença. Lembrem, os animes são feitos essencialmente para os japoneses e o Japão não é exatamente um país multi-racial. Logo, eles não tem realmente muita obrigação de apresentar negros em nome não do politicamente correto, mas do bom-senso: você não os vê andando pela rua facilmente em Tóquio, logo os japoneses apenas retratam sua realidade. Se retratarmos uma escola do Rio de Janeiro e não tiver um negro na sala... bom, aí é miopia mesmo.
Mas o fato é que volta e meia, quando aparece um negro, ou é aquele mero capanga de bandido ou pior, o vergonhoso Sr. Popo de Dragonball Z. Só que há momentos em que eles são decentemente representados. Então eu decidi fazer um pequeno apanhado de personagens negros que são apresentados, pelo menos, com dignidade nos animes e mangás. Excluí daí personagens etnicamente indistintos que podem ser negros ou não (como a Nadia de Secret of Blue Water, que pode ser indígena, hindu ou negra de acordo com a conveniência do roteiro – mas que rendeu uma das melhores cenas da série, logo no segundo capítulo, quando ela encontrou a tia do co-protagonista Jean). Também exclui os "falsos negros", como o bom e velho Gori do quadrinho de basquete Slam Dunk (que ilustra o topo deste post: Ele é japonês, irmão de uma mocinha tipicamente japonesa, mas desenhado com traços negróides para compensar a ausência do típico arquétipo do negão jogador de basquete), ou a Yoruichi de Bleach, que independentemente de ser um colírio para os olhos é uma figura um tantinho absurda...
por fim, excluí algumas figuras mais polêmicas, como a mulata Michiko de Michiko e Hatchin. Afinal de contas, mesmo sendo uma personagem simpática, ela AINDA é uma criminosa que fugiu da cadeia.
Então vamos a lista dos Top 5 – e não, Afro Samurai, apesar de ser legal, NÃO está nele (na verdade ficou com um honroso sexto lugar; ele é bacana, mas os demais conseguiram mais pontos em aspectos diferentes). Pyunma, o Cyborg 008 de Shotaro Ishinomori, poderia ter galgado mais pontos (na verdade poderia ser muito bem o terceiro lugar, deixando o cuca-fresca Tapp Ocean fora dessa lista) se dependesse exclusivamente do último desenho animado de Cyborg 009. O problema é que na versão original dos anos sessenta ele não era o guerrilheiro experiente de quem aprendemos a gostar no desenho atual – na verdade ele nunca foi um banana, mas era bem mais estereotípico do que parece.
5) Tapp Ocean (Metal Armor Dragonar)
Essencialmente Dragonar é um Gundam genérico virado do avesso. Ao invés de um herói dramático como o Amuro Rei, teríamos três heróis em grupo – e Tapp era um deles. Claro, apesar do background de aventura, a trinca de protagonistas era sem-noção e Tapp entra alegremente na farra. Mas temos que levar em conta que essa série era mais infanto-juvenil e numa comédia, você só tem dois papéis básicos, o de comediante e o de escada; o resto é detalhe, e também não custa lembrar que apesar do tom "relax" com que ele era retratado, ele nunca foi mais imbecil do que os demais personagens – nem o foi quando não tinha que ser. E da trinca, era o mais capacitado do bando, já chegando como graduado na academia astronáutica antes de ser transferido.
4) Claudia LaSalle (Macross; rebatizada como Claudia Grant na versão Robotech)
Segunda-Tenente e melhor amiga da principal figura feminina da série Misa Hayase (Lisa Hayes em Robotech). Além de ser a única mulher na ponte de comando além de Misa que não parecia ter medo de barata (alguém lembra dos escândalos que as outras meninas faziam na ponte?), ela vivia um relacionamento estável (com o piloto Roy Fokker) e parecia ser a única pessoa emocionalmente no lugar em toda a série: quando Misa estava totalmente desnorteada com seu não-relacionamento com o piloto Hikaru (Rick Hunter em Robotech), foi ela a voz da experiência a contar pontos. Talvez tenha sido, via Robotech, o primeiro relacionamento abertamente interracial exibido em desenhos animados na televisão americana – o que é totalmente coerente com a premissa de "união entre os povos" presente na primeira série Macross, que tem um dos elencos mais multiculturais da história dos animes. Personagens como Ray Millard mantiveram sua presença na franquia posteriormente...
3) Vince Grant (Robotech)
... mas o mais graduado deles está em Robotech! Enquanto o irmão de Claudia em Macross, Edgar LaSalle, é um mero operador de radar e um personagem de segunda, o irmão de Claudia no universo independente de Robotech é um oficial graduado e principal figura de comando no longa Shadow Chronicles – que faz o favor de conseguir dar uma aparência coesa a um universo que nasceu frankensteinianamente de uma costura total. Vince é o comandante da nave Icarus, e uma referência de estabilidade – é casado com a oficial médica da nave, Jean, e pai de Bowie, que apareceu na segunda série de Robotech (correspondente à série original Southern Cross, mas cá entre nós: Bowie jamais entraria nessa lista porque tem nas costas o crime de ser um desertor – e, muito pior, o personagem mais insuportavelmente chato da franquia).
2) Bob Makihara (Tenjou Tenge)
Sim, o pessoal vai chiar de eu ter limado a Michiko e ter colocado no segundo lugar logo o Bob Makihara, de um anime sobre adolescentes arruaceiros que arrancam o couro uns dos outros. Mas reparem que ele é a figura que mais inspira solidez do lado dos, aham, mocinhos. E dentro do contexto da série, pensem bem – quem vocês acham uma figura mais apresentável: o Bob, que inspira respeito até nos inimigos, que se pudessem o cooptariam para seu lado; que vive de forma praticamente marital com uma das mulheres mais bonitas da série (e olha que a disputa é difícil), e que mais e mais se torna uma figura forte, ou o imenso mané que é o protagonista Souichiro, que além de só se danar o tempo todo (é mais fácil ele perder um olho do que vencer uma luta contra um oponente de verdade), ainda por cima foge de uma menina voluptuosa como se ela tivesse uma doença de pele ou coisa assim?
1) Victor Freeman (Blaster Knuckle)
Ele tinha que entrar no topo por um motivo simples: ele é dono da própria série e está totalmente inserido no seu contexto.
Blaster Knuckle é um seinen desenhado por Shizuya Wazarai e que tem três volumes. A história tem um traço que remete muito ao Berserk de Kentaro Miura, se passa na década de 1880 e mostra os negros americanos ameaçados pela Ku Klux Klan no sul dos Estados Unidos, sujeitos à abusos, estupros e execuções feitas sob a complacência da lei... mas agora eles tem um defensor: Victor Freeman, que como um Chuck Norris ambulante de seu tempo, espalha as vísceras dessa gente por todos os cantos. É um western sobrenatural – os membros da Klan na verdade não são muito humanos, mas não quero fazer spoilers. Só que vale por mostrar negros desenhados como se deve, e por apesar de tudo, não ser tão panfletário como parece: É quadrinho de entretenimento brucutu assumido (sejamos honestos, alguém leva os velhos e divertidos filmes blaxploitation como Shaft e Cleopatra Jones a sério? Sim, porque é isso o que Blaster Knuckle é: um Blaxploitation em forma de mangá, sem culpa). E não precisa mais do que isso para dar seu recado como se deve.
Enfim, aproveitem o feriadão. Feriados são para todos, não importa raça, cor ou credo. ;)
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