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Nov 12
Entrevista com Kaiji Kawaguchi
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Categorias: seinen
As eleições americanas, semana passada, acabaram por trazer mais atenção a uma obra em especial de Kaiji Kawaguchi: Eagle, sobre a ascensão do primeiro presidente nipo-americano à Casa Branca. Com o lançamento do material na Espanha, na esteira do XIV Salão de Mangá em Barcelona, Kawaguchi acabou sendo entrevistado pelos grandes jornais do país – esta entrevista foi dada ao jornal El Periodico no começo do mês (antes da eleição americana) – mas, com a recente eleição de Obama, vale a pena uma olhada. Se bem que duvido que o novo presidente dos Estados Unidos gostasse das comparações entre ele e o protagonista de Eagle...
"Quero fazer um mangá sobre Cristóvão Colombo"
Kawaguchi criou, há uma década, Eagle, um mangá cujo protagonista, Yamaoka, guarda grandes semelhanças com Obama.
Do que Eagle se trata?
É um mangá que conta uma história sobre as eleições americanas.
É difícil desenhar um mangá sobre os Estados Unidos com estética japonesa?
Sim, mas também foi um desafio. Fazê-lo foi divertido e interessante.
Porque não falar de eleições japonesas?
A política americana me interessava mais. As eleições americanas nada têm a ver com as eleições japonesas. Achei que minha história podia se desenrolar melhor nos Estados Unidos.
O que veio à sua mente quando soube da existência de Obama? Relacionou-o com seus personagens?
Sinceramente, quando eu soube não fiz relação. A história é muito distinta. Minha editora é que encontrou semelhanças com Eagle. Um ponto em comum é que ambos são senadores. Mas Yamaoka tem ascendência japonesa e Obama é negro, logo...
É difícil desenhar sobre política?
As Eleições Americanas são complicadas em geral. Ser claro foi um grande desafio, fazer que o leitor entendesse o que estava sendo explicado.
Por isso utilizou políticos reais?
Se eu pudesse, teria colocado personagens totalmente criados por mim, mas custaria mais ao leitor entrar na história. Com personagens como Clinton ou Gore, simplifiquei o processo (N. do T.: Eagle se passa durante a sucessão de Clinton, que ainda estava no governo quando a história foi produzida).
Você sempre produziu material para o público adulto. Por quê?
Minha idéia ao desenhar quadrinhos é fazer histórias que possam ser divertidas e interessantes, as que eu mesmo gostaria de ler como leitor. Meus leitores são da minha faixa de idade, então creio que é bom adequar minhas histórias a essa faixa de público, não para crianças.
A política japonesa não vive dias tranquilos...
Mas é um pouco cedo para se fazer previsões. Taro Aso acaba de ser nomeado primeiro-ministro, mas já falou que no ano que vem haverão eleições. Pode ser que hajam mudanças muito importantes em 2009, mas se Aso continuar primeiro-ministro, não fará muita diferença – ele é um político situacionista.
E nos Estados Unidos?
Vai dar Obama.
Encontrou algo interessante em Barcelona para um mangá?
Visitei a cidade há quinze anos atrás. Gosto muito da figura de Colombo. Sempre pensei em algum dia me animar a fazer um mangá sobre ele. Mas ainda não pude fazê-lo. Também visitei o porto de onde saiu a expedição que descobriu a América, mas me decepcionei porque esperava ver o mar, e tudo o que vi foi um aterro. Ano passado também fui a San Salvador, aonde Colombo chegou. Foi um sonho alcançado.
Se desenhar a história, vai ter problemas em explicar a nacionalidade de Colombo...
Não nasceu em Gênova? Em todo caso, é muito interessante – tanto ele quanto os personagens que o rodeiam. (Josep Maria Berengueras)
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