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Nov 11
40 anos de Golgo 13 na Big Comic
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Categorias: Golgo 13
Golgo 13 é um clássico ainda em publicação, que já ganhou o cinema e a animação. Publicado na antologia adulta Big Comic, a edição 22 (a última edição, ainda à venda nesse momento no Japão) marca uma data muito especial: os 40 anos da série que estabeleceu o tom e público básico do quadrinho japonês adulto – com o mais macho dos personagens da história dos mangás, Duke Togo. Sem brincadeira.
Togo foi criado nos anos sessenta por Takao Saito (o velhinho sorridente aí do lado). O autor foi um dos cabeças do movimento Gekiga, que surgiu com a intenção de estabelecer um novo tom para os quadrinhos japoneses, algo realista e adulto, diferente do mangá de autores como Osamu Tezuka e Shotaro Ishinomori. O que eles mesmos não imaginariam é que a competição entre títulos adultos e juvenis acabou por fazer que elementos adultos de estilo se misturassem aos títulos juvenis e os elementos juvenis, aos adultos. Como resultado, ambos os estilos acabaram por se fundir – dando origem ao molde básico do mangá moderno. O Gekiga se tornou apenas mais uma subestética dentro do enorme cabide de estilos que é o mangá.
Mas Golgo surgiu como um acidente de percurso. Takao Saito trabalhou nas versões mangá das aventuras de James Bond – e como a Gildrose Publications LTD. (a empresa detentora dos direitos sobre o personagem) não gostou das liberdades tomadas por Saito no material, puxou o plugue do licenciamento. Como o resultado em termos de público leitor havia sido bom, só restou a Saito criar um personagem para tapar o buraco deixado por nosso bom e velho 007. E assim foi criado o assassino nº 1 do Japão, Duke Togo – um homem sem passado. Ele não precisa.
Já cheguei a ler a seguinte comparação: se Lupin III, de Monkey Punch, fosse o James Bond dos filmes, frívolo, de personalidade extrovertida, em aventuras exageradas, Golgo seria o James Bond dos livros, seco, frio e mortal. Faz sentido – mas eu iria mais longe. Golgo é um fruto do fim dos anos sessenta e principalmente dos anos setenta, aonde o personagem viria a tomar sua forma definitiva: ganhou em termos de realismo e
secura, algo que só estamos vendo no James Bond agora, com a leva de filmes que partiu de Casino Royale. E mesmo assim, ele nunca iria dar a moleza que Bond deu no caso de Vesper Lynd. Golgo é totalmente amoral (não confundir com imoral). Não se importa com ninguém. Transa preferencialmente com prostitutas – transou, acabou. Mata quem lhe pagarem para matar, sem o menor dó. É frio, seco e lacônico. Não foi feito para que o leitor tente entender quem ele é por baixo de todo o granito – ele foi feito para viver aventuras secas, violentas e bem-amarradas escritas com um olho no noticiário internacional – e um dos seus maiores fãs é nada mais, nada menos do que o próprio atual primeiro-ministro do Japão, Taro Aso (não custa repetir a sua própria frase: que o que ele aprendeu sobre política internacional, aprendeu lendo Golgo 13. Conseguem imaginar um presidente brasileiro dizendo algo similar de alguma revista em quadrinhos?).
Além dos tradicionais concursos com brindes para os leitores, a revista Big Comic comemora colocando o próprio autor, Takao Saito, na capa. Ele também é estrela dessa vez e faz parte da própria história dos mangás. Palmas para ele. E sem Martini, que isso é coisa de James Bond. Golgo tem sua própria cara há muito.
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