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Out 29

Saiu o Billy Bat de Naoki Urasawa…

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Lancaster | PERMALINK | 0

Categorias: Billy Bat

E não é nada do que se esperava.
O primeiro capítulo mereceu capa na antologia Morning – diacho, é a estréia da nova obra de Naoki Urasawa – e apresentou uma faceta de Urasawa que jamais imaginaríamos: um desenhista que se sai bem no traço cartunizado, limpo e econômico, que se mostra à altura da missão e desenha animais antropormizados com uma mão nas costas. Reunindo duas tradições americanas distintas – o quadrinho infantil da época e personagens como o Gato Félix ou o Pato Donald, com o quadrinho das tiras policiais de aventura de gente como Chester Gould ("Dick Tracy") e Alex Raymond (em "Agente X-9" e "Rip Kirby"/"Nick Holmes").
O primeiro capítulo é a cores, mas diferente das tradicionais páginas coloridas, impressas em um papel mais próximo ao LVW90, ele é impresso em um papel que lembra muito os comic books americanos antes dos anos noventa (ou seja, muito ruim, mas aqui isso é deliberado).
Só que a medida em que olhamos o material, nos damos conta: Billy Bat é uma variação "de raiz" de Blacksad, o quadrinho europeu que reune detetives em estilo noir e animais antropomorfizados, mas em um traço menos cartunesco e uma abordagem mais barra-pesada do que as velhas tiras de jornal permitiriam. Aqui, não: Billy Bat é muito canônico em seu tom...
... até a leitura do segundo capítulo.
Billy Bat é na verdade uma história dentro da história, sobre um quadrinhista nipo-americano chamado Kevin Yamagata. Aqui, faltou um pouco de pesquisa a Urasawa: nos meados da década de quarenta, não seria impossível encontrar um quadrinhista descendente de japoneses (lembrem que um dos maiores animadores americanos do pós-guerra foi Iwao Takamoto, que começou sua carreira nos estúdios Disney em 1947 e nos anos sessenta e setenta se celebrizaria como uma das mentes criativas mais importantes da Hanna-Barbera – foi ele o criador do Scooby-Doo, por exemplo), mas se artistas judeus e mulheres tinham que mudar seus nomes para não assustar seus leitores wasp (ou seja, brancos, anglo-saxônicos e protestantes), imaginem um japonês, em meio ao sentimento anti-germânico e anti-nipônico que vigorava nos Estados Unidos da época (por outro lado boa parte dos autores não assinavam hos – logo não fazia diferença. Dêem uma olhada nos comentários aqui embaixo).
Em todo caso, Yamagata vive uma situação desconfortável: nos anos iniciais da Guerra Fria, há uma insistência em colocar o seu pequeno detetive-morcego enfrentando espiões russos, quando a idéia seria a de um detetive tentando limpar uma cidade corrupta. Mas como é Urasawa, há também uma linha para uma possível trama de mistério envolvendo uma pessoa da vizinhança sendo investigada por suposto envolvimento com os russos.
De qualquer forma, a história mal começou e não se espera pouco dela, com o nome de Urasawa envolvido. É mais um material que, como eu disse em um post anterior, não irá aportar por essas bandas enquanto Monster, publicado pela Conrad, não desencalhar e for concluído de uma vez. E essa espera, convenhamos, é um absurdo.


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