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Out 25
Da série "Crescimento do Mangá Global": Estados Unidos [2] – Mangaka America
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Categorias: Do Crescimento do Mangá Global
Aproveitando o nosso recente passeio introdutório dentro do mundo dos mangás norte-americanos: No começo de novembro, será lançado um material muito especial dentro desse cenário de expansão do mangá produzido nos Estados Unidos: Mangaka America, um misto de artbook e tutorial criado por autores não-japoneses que trabalham para o mercado local. Onze artistas que trabalham na estética dentro da indústria estão envolvidos: Tania del Rio (Sabrina the Teenage Witch), Lindsay Cibos and Jared Hodges (Peach Fuzz), Svetlana Chmakova (Dramacon), Amy Kim Ganter (Sorcerers & Secretaries), MsShatia Hamilton (Fungus Grotto), M. Alice Legrow (Bizenghast), Christy Lijewski (RE: Play), Rivkah Greulich (Steady Beat), Felipe Smith (MBQ), e os criadores de Sharknife and Peng, Corey “Rey” Lewis, Jesse Philips, and Will Staehle.
De modo geral, o livro é recheado de ilustrações e pin-ups, mas haverá bastante material inédito – pontuado por uma série de tutoriais sobre várias técnicas de pintura digital, expressões faciais, character designs e outros elementos importantes, além de uma introdução de Adam Warren, mais entrevistas e textos
que procuram pontuar o cenário do mangá americano como um movimento (eu diria que ele é parte desse movimento cultural maior que se espalha pelo mundo e que marca terreno na França, Espanha, Alemanha e em outros países). Assim, o site americano Newsarama publicou uma entrevista (e estamos traduzindo-a aqui) com uma das idealizadoras do projeto, Tania del Rio, que procura apontar as suas esperanças e aspirações para o futuro do mangá americano, que deveriam ser levadas em conta por aqueles que se interessam pelo futuro do mangá brasileiro também. Apesar dos pesares – e eles são muitos – não podemos negar que os americanos tem orgulho próprio, estão decididos a colocar sua marca no mundo e se valorizam uns aos outros. E isso é algo que deveríamos aprender a fazer também.
Como surgiu o conceito do livro Mangaka America?
Tania del Rio: Meu marido Will [Staehle] e eu percebemos que há muitos artbooks e livros de qualidade com artistas de mangá japoneses mas não havia nada do mesmo calibre para uma audiência ocidental, com artistas ocidentais (Nota minha: Aqui no Brasil, estamos na frente, com o artbook "A Arte de Holy Avenger", que merece uma nova e mais caprichada edição, convenhamos). Claro, há inúmeros livros do tipo "como desenhar mangá" pipocando aqui e ali – podemos vê-los nas seções de promoção da (cadeia de livrarias) Barnes e Noble. Mas o triste é que muitos desses livros só parecem existir para faturar um troco rápido dentro do mercado de produção de mangá. Poucos deles são realmente úteis e enfatizam o aspecto artístico da coisa. Percebendo isso, Will e eu começamos a discutir sobre a produção de um livro-tutorial e de arte, mostrando artistas profissionais do mercado ocidental que estivessem realmente trabalhando na área, como Lindsay Cibos, Jared Hodges, Amy Kim Ganter e M. Alice LeGrow entre outros.
Como o projeto acabou sendo publicado pela Harper Collins (N. do T.: Uma das mais importantes editoras americanas)? Bem, por um lado seu marido, Will Staehle, é diretor de arte nessa editora, então...
Sim, isso defintivamente foi importante para o processo! Will foi capaz de falar diretamente às pessoas certas na Collins Design, um dos selos internos da Harper Collins, sobre nossa idéia. A Collins Design havia publicado de forma bem-sucedida os livros Japanese Comikers 1 e 2, assim como o Comic Artists Asia para uma audiência ocidental. Usando-os como exemplo, perguntamos a eles: porque não fazemos algo como isso, mas com criadores americanos? Eles foram muito entusiásticos com a idéia desde o começo.
Feito isso, então chegou o momento de escolher quais criadores seriam incluídos em Mangaka America, certo?
Bom, em primeiro lugar, estávamos mais focados em obter uma ampla gama de estilos. O mangá ocidental é muito diverso (Nota pessoal minha.: Na verdade o mangá original japonês também é e basta pôr desenhistas diversos lado a lado para se perceber isso; Não há como confundir um Kentaro Miura de Berserk com uma Naoko Takeuchi de Sailor Moon por exemplo. Porque raios haveria de ser diferente em outros países?) e procuramos evidenciar isso através de nossa seleção de artistas. Reunimos imagens de artistas promissores e mostramos seus trabalhos à Collins Design. Foi difícil chegar à uma lista final mas finalmente
formamos uma lista de pessoas que convidamos a fazer parte neste primeiro volume da Mangaka America. Era importante para nós não mostrar apenas os artistas mais conhecidos. Claro, temos alguns favoritos dos fãs como Svetlana Chmakova (Dramacon), Corey Lewis (Sharknife) e Christy Lijewski (Next Exit). Mas procuramos colocar os holofotes sobre artistas cujo trabalho não tem sido amplamente publicado e mostrar o que eles podem fazer, como Ms,Shatia Hamilton que tem um belíssimo estilo de pintura digital (e fez nossa capa).
Para alguém que venceu o concurso Rising Stars da Tokyopop e que atualmente produz material original influenciado pelo mangá (alguns o chamam OEL, outros o rotulam como mangá global, mangá mundial ou simplesmente mangá americano), qual é sua visão sobre o mangá e o fenômeno cultural que foi criado tanto nos Estados Unidos quanto ao redor do mundo?
Eu estou pessoalmente muito excitada com o fenômeno do mangá global. Eu sinto que os infinitos argumentos a respeito de como chamá-lo – ou sobre mangá não ser realmente mangá se não for realmente japonês – são uma coisa idiota e só servem para ficar no caminho daquilo que está se tornando um excitante e impressionante universo de artes e narrativa. Eu sinto que o mangá ocidental tem luz própria, à parte dos quadrinhos mainstream e da mídia, e que merece seu próprio critério de avaliação, seja qual for. Nesse ponto, percebemos que há algumas críticas sobre a escolha de entitular nosso livro como "Mangaka" America. Alguns irão dizer que americanos automaticamente não podem ser considerados mangaka porque não são japoneses. Entretanto, nós discordamos. O título por si só pretende expressar a fusão de leste e oeste em um novo estilo. Nós estamos tratando isso como uma palavra que ganhou novo significado em nossa própria cultura. E também é interessante notar que os livros originais que nos inspiraram, Japanese Comikers 1 & 2, se valem de um termo da língua inglesa, "comics", para descrever seus artistas japoneses. É uma via de mão dupla!
Dito isto, quais seus pensamentos a respeito dos trabalhos feitos por autores não-japoneses como você mesma e os criadores cujo trabalho está sendo apresentado neste Mangaka America?
Will e eu produzimos junto esse livro para dar apoio ao mangá ocidental e mostrar que não se trata apenas de americanos tentando copiar artistas japoneses. Todos os artistas são influenciados pelo mangá japonês, sim, mas cada um tem seu próprio estilo e voz. E é isso que queremos realmente encorajar. Acho que o mangá ocidental irá desenvolver sua própria voz, e ela se tornará mais forte ao longo dos anos. Irá ainda preservar a essência do estilo japonês, mas se tornará mais e mais confiante sobre seus próprios pés à medida em que vá chegar à sua própria identidade.
Aliás, numa nota a parte, em nosso livro perguntamos a cada um de nossos artistas as suas próprias opiniões sobre o crescimento do mangá ocidental e é muito interessante ver como as respostas todas são variadas entre si – não há um certo ou errado para essas questões!
Porque este é o momento certo para se lançar esse livro?
Obviamente, o mangá é mais popular agora do que nunca. Mas um fator-chave para isso é que finalmente ele vem conseguindo o respeito que merece. Por um longo tempo, muitos mangás produzidos localmente foram destratados e rejeitados por fãs hardcore e puristas do anime e do mangá. Mas agora há tantos trabalhos de qualidade sendo publicados por artistas talentosos e cheios de paixão que as pessoas estão começando a notar que essa é uma forma válida e respeitável de arte – e que você não precisa ser um japonês para criar um mangá que seja um grande entretenimento.
Adam Warren é um dos pioneiros do Movimento Mangá na América do Norte. Junto com Fred Perry, Ben Dunn, ele foi um dos primeiros a trazer a influência à tona por aqui, em trabalhos como Dirty Pair, Gold Digger e Ninja High School, respectivamente. Acho que não foi preciso ir muito longe para pensar em convidá-lo para escrever o prefácio. Mas o que fez Warren dizer "sim" ao convite? Como você conseguiu fazê-lo participar do projeto?
Adam Warren estava definitivamente no topo de nossa lista de candidatos óbvios para escrever o prefácio. Will e eu somos grandes fãs de seu trabalho e ele é uma
inspiração respeitável para incontáveis outros artistas como nós. Admito que eu estava um tanto nervosa sobre convidá-lo, não estava certo se ele gostaria da idéia ou se de alguma forma ficaria ofendido. Mas para nosso imenso prazer, ele ficou bastante interessado e deu muito apoio a nós desde o começo. Foi ótimo trabalhar com ele – Warren tem um grande senso de humor, é claro, e isso é bem visível em sua introdução!
O que você espera alcançar com Mangaka America?
Esperamos mostrar às pessoas que o mangá ocidental é uma forma respeitável de arte por si só, e que esses artistas são realmente gente talentosa criando trabalhos de qualidade. Pedimos aos artistas para criar artes novas e jamais
vistas para que o livro pudesse estar repleto de material inédito – e é um desafio ver o que eles podem nos trazer. Procuramos também apresentar tutoriais que vão além do "desenhe três esferas, adicione grandes olhos e asas, e você tem uma fada em estilo mangá!" A maior parte dos artistas criaram tutoriais baseados em alguma técnica particularmente dominada por eles. Rivkah, o criador do mangá Steady Beat, fez um detalhado trabalho a respeito de arte-final digital. Felipe Smith (MBQ) fez um divertido tutorial sobre expressões faciais. Temos também um incrível guia para o desenho de robôs gigantes produzido por Jesse Philips, um dos nossos artistas menos conhecidos. Temos também detalhados tutotiais sobre colorização digital, reticulagem, character design, e muito mais.
Há planos para novos volumes de Mangaka America no futuro?
Não posso anunciar nada formalmente ainda. Mas estamos pensando realmente na possibilidade de futuros volumes.
Algo mais a adicionar?
Gostaríamos de agradecer à Tokyopop e Jeremy Ross por seu suporte neste livro. Alguns artistas no projeto estão atualmente trabalhando em projetos para a Tokyopop, que é a
editora líder do segmento (N. do T.: Verdade, mas isso só vale para os Estados Unidos. A Coréia e a França estão na sua frente). A Tokyopop foi grande ao liberar a nós o uso de grandes trabalhos que esses artistas criaram para suas próprias séries de mangá. Foi por causa deles que o mangá global começou a se tornar reconhecido e respeitado ao redor do mundo (N. do T.: Menos, menos. Os Estados Unidos tem materiais bons mas não são a última bolacha do pacote mangático autóctone, outros países estão muito mais avançados nesse sentido – e de modo geral, o mangá global eclode por influência direta do material japonês ao redor do planeta, não por causa deles. Holy Avenger e Ethora aqui no Brasil são nomes que marcaram mais do que qualquer produto americano até agora).
Além disso, estaremos lançando o website oficial de Mangaka America com o release oficial do livro em 1º de Novembro, então podem colocar o endereço www.mangakaonline.com nos favoritos. Temos algum conteúdo extra que não pudemos aproveitar no livro por restrições de espaço, então iremos pôr algum material adicional no website, como entrevistas mais profundas com os artistas.
Will e eu temos também um website corporativo aonde você pode obter mais informações sobre o livro, assim como sobre nossos outros projetos.
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