Busca
Set 29
Veritas Kiss, por Tabby Kink
Compartilhe:
Lancaster |
PERMALINK |
1
Categorias: mangá global
Enquanto nosso mercado não cresce como deveria, muitos artistas, subestimados pelo mercado local, acabam trabalhando no exterior, aonde há mais chances. Recentemente o nome de Tabby Kink veio à tona pelo seu trabalho para a Tokyopop: após fazer uma pequena história curta online, um shoujo (quadrinho feito para meninas) chamado Chocowitch, ela foi escolhida pela empresa para publicar um piloto online de uma série nova, Veritas Kiss. As séries com melhor desempenho de público serão escolhidas para publicação física pela editora, dentro de sua linha de mangás para consumo local. Não é o primeiro brasileiro a trabalhar para o mercado americano – nem a primeira a publicar em estilo mangá: recentemente, Roberta Pares Massenssini – que trabalhou em projetos como o finado Fighter Dolls – sob o nome artístico de Lince, vem trabalhando na mesma Tokyopop, em um projeto conjunto com a editora americana Harper Collins na também para meninas Bad Kitty. Mas vem chamando atenção na Internet – e representa um movimento de artistas que começa a ganhar projeção lá fora... enquanto nosso mercado come mosca. Sendo assim, este que vos fala trocou algumas palavrinhas com Tabby pela internet – e o resultado da conversa está aqui. Ah, sim, a maior
parte das imagens dessa matéria é de Chocowitch – que afinal de contas foi quem chamou a atenção dos americanos para seu trabalho.
Bom, primeiro o seu nome verdadeiro. Você não se chama Tabby Kink, certo?
Não, me chamo Roberta. Tabby foi um nome escolhido há muito tempo, bem antes de fazer meu primeiro fanzine. Agora todo mundo só me conhece por Tabby, se me chamarem de Roberta na rua, nem me viro mais pra olhar... XD
Okay. Primeiro vamos falar de como você começou a se interessar por mangá.
Quando mais nova, meu pai alugava animês e meus irmãos e eu adorávamos. No entanto, só com os Cavaleiros do Zodíaco na Manchete que eu me interessei de verdade. Daí por diante foi ladeira abaixo, coprava revistinhas informativas, comecei a querer desenhar e não parei mais. Hoje eu me pergunto o que estaria fazendo se o Shiryu não tivesse aparecido na minha vida. O que é o poder de um bishounen, não?
E então, vieram os seus primeiros fanzines... uma coisa que salta aos olhos neles é o fato de que eles eram bem diferentes do que você faz atualmente...
Na época do meu primeiro fanzine, as coisas ainda eram pouco divulgadas, não tínhamos internet e embora o shoujo mangá me parecesse tão interessante, não sabia quase nada sobre esse mundo cor-de-rosa. Minha maior influência na época era Rumiko Takahashi. A comédia enlouquecida foi e ainda é muito forte nos meus trabalhos.
E depois?
No intervalo do Mr.Jinx 2 pro Mr. Jinx 3, eu adoeci muito, tranquei a faculdade e parei de desenhar por um tempo. Me restou a internet pra continuar ligada ao mangá e foi quando conheci o mangá Mars. Curiosamente, eu já o adorava, desde que uma amiga de infância me trouxe uma Betsufure de Japão, com o Mars na capa. Durante meu tratamento, comecei a pesquisar mais sobre shoujo mangá e acabei descobrindo que era isso que sempre desejei fazer. Pode parecer estranho pra quem está de fora, mas acho
que no fundo, se vocês olharem meus trabalhos antigos, há alguma coisas de shoujo neles. A essência da gente não muda, mas leva tempo descobri-la.
Bom, vamos direto ao ponto: como você chegou a Tokyopop?
Ouvi falar da editora por causa do Mars. Sabia que eles publicavam e era minha única chance de ler, já que não sei falar japonês e nem tinha como baixar o mangá na época. Comecei a visitar o site, fazer alguns amigos e postar desenhos e mangás. Tinha conhecimento que eles publicavam material próprio, com boa aceitação, o que me levou a sonhar com essa possibilidade.
O Chocowitch, que você publicou como fanzine online na página da Tokyopop, impulsionou sua carreira entre o público, não foi?
Acredito que sim. Chocowitch fez o seu barulhinho lá no site e muitas pessoas me cobram o capítulo 2. Acho uma história sincera, gosto muito dela.
E então, o que veio depois?
Uma empresa que agencia desenhistas gostou do meu portifólio e consegui fazer alguns testes. O teste para o Veritas apareceu e felizmente fui aceita.
Mas gostaria de dizer que isso não foi sorte, nem ser bem enturmado. Isso é o resultado de intenso treino e esforço. Não foram meses de dedicação, mas anos. Ser desenhista, assim como para qualquer outro artista, é preciso estudar muito. Mas para ser profissional, não basta ser bom, mas saber trabalhar muito, cumprir prazos e ter muita força de vontade. Não fui eu que disse isso, foram palavras de uma artista que respeito muito e que sempre me ajudou, a Denise Akemi. O que quero dizer é que não é fácil. Eu ainda não sou ninguém perto
de outros artistas que estão no mercado hoje. Ainda tenho muito o que trabalhar pra me considerar uma profissional. Aos que almejam essa vida, saibam que não é hobby, não é brincadeira, não é fácil e não é pra quem é orgulhoso. Por melhor que você pense que é a sua arte, você vai ouvir muitos “nãos”, assim como eu ouvi e ainda vou ouvir muito. Portanto, se você quer mandar seu portifólio para alguma agência ou editora, pense muito bem se é isso mesmo que você quer fazer da vida. :)
Como funciona o seu trabalho com a roteirista Kari Ellison?
Meu contato com Kari foi mínimo. Ela me mandou as informações para o teste e dicas, principalmente em relação ao Aki – o gato falante.Recebi o roteiro e trabalhei nele somente. Por sorte, as alterações no que eu tinha desenhado foram poucas, por incrível que pareça, o storyboard foi 90% totalmente aprovado. Acho que fizemos um bom trabalho. A história de Kari tem muitas piadas visuais e diferente de alguns roteiristas, ela não enche as páginas com muitos balões, o que deixa o desenho fluir melhor. Isso, na minha opinião, faz toda
a diferença.
Okay, esse é um piloto. Qual a perspectiva de retorno após esse trabalho?
Estou torcendo para o sucesso do Veritas Kiss no site, podendo virar série em seguida. Acredito que este piloto poderá me ajudar a conseguir mais trabalhos interessantes no futuro. Mas o mais importante foi o que aprendi com ele. Percebi que dou conta de prazos apertados e que não tenho medo de volume de trabalho. Cada novo desafio a gente aprende alguma coisa. Experiência é mesmo algo que não tem preço.
Você chegou a ler o Bad Kitty desenhado pela Roberta Pares Massenssini para a Tokyopop, ou o piloto feito pela Eliza Kwon para editora, nos moldes que você fez?
Eu vi alguma coisa de Bad Kitty e achei o trabalho da Roberta Pares muito bom, como sempre, sou fã da minha xará! O piloto da Elisa eu gostei bastante. As duas são muito talentosas. O Brasil está cheio de talentosos artistas, mas quando se trata de mangá, as meninas estão dominando! ^_^
Okay, Agora mande uma mensagem para os leitores desse blog. :)
Obrigada pela atenção de todos, espero que vocês tenham gostado do Veritas Kiss. É muito complicado ser artista no Brasil, mas como disse uma professora minha, se você fizer sua arte de coração, sempre terá um público pra te prestigiar. Então, para quem gosta de mangá, continuem apoiando os artistas nacionais! Um abraço e espero que a gente se reencontre no futuro! ^_~

Posts similares:
Entrevista com Elisa Kwon, Nova Desenhista de Vampire Kisses
Entrevista com Junko Kawakami na Shoujo Café
Curta Mangá
Post anterior: Da série "Crescimento do Mangá Global": Alemanha [1]Próximo post: Ranking da Taiyosha (JP) – 28/09/2008



Comentários:
Deixe seu comentário: