Busca
Set 28
Aso é Primeiro-Ministro. O que muda para os fãs?
Compartilhe:
Lancaster |
PERMALINK |
0
Categorias: Taro Aso
O jornal da Malásia The Star publicou um artigo interessante sobre o que vem por aí para o meio dos animes e mangás, com a recente ascensão de Aso ao cargo de primeiro-ministro, para os fãs mais radicais – aqueles a quem manteremos o uso do termo "Otaku" para os fins desse texto, já que Otaku no Japão tem uma conotação toda própria que extrapola o simples fã de anime e mangá como é conhecido no ocidente. E que ninguém pense que ele vá ter tolerância pelos excessos que eventualmente possam ser cometidos por seus fãs – principalmente quando desenhos que flertam com a pornografia infantil, como Kodomo no Jikan (gerador de uma polêmica feia, que valeu uma matéria minha na Neo Tokyo 25), conseguem presença no mainstream e chegam a ganhar uma segunda temporada. Afinal, os mangás e animes daqui para frente serão de forma mais oficial do que nunca os embaixadores culturais do Japão – e Aso com certeza zelará por sua imagem para o restante do mundo com unhas e dentes.
OTAKUS PRECISAM ESFRIAR A CABEÇA
Por Makoto Fukuda
O novo primeiro-ministro japonês, Taro Aso, admitidamente um fã de mangás, aparenta ser popular entre os otakus, também.
Aso, nessa última segunda-feira, teve sucesso em sua quarta tentativa de ser eleito presidente do partido da situação, o Partido Liberal Democrático, derrotando quatro outros desafiantes: o antigo chairman do Conselho de Pesquisa Política do partido, Nobuteru Ishihara; os ex-ministros da defesa Yuriko Koike e Shigeru Ishiba; e Kaoru Yosano, ministro de estado encarregado da economia e política fiscal. Aso, aos 68 anos, foi confirmado como primeiro-ministro nesta última quarta-feira. A popularidade de Aso talvez tenha tido parcialmente sua ignição graças ao discurso que ele proferiu em Akihabara,
Tóquio, conhecida como o paraíso dos otakus, enquanto ele concorria pela presidência do partido em Setembro de 2006. Seu discurso começou com uma convocação: "Vocês, que chamam a si mesmo de otakus, aqui em Akihabara!" Ele teve muitos aplausos como resposta e se tornou amplamente conhecido como "Senhor Aso, popular entre os otakus".
Sua leitura favorita aparentemente é o mangá Golgo 13, uma série clássica sobre as aventuras de um assassino profissional. Ele estabeleceu o International Manga Award quando era ministro do exterior. Por causa de rumores de que ele estava lendo Rozen Maiden, um mangá aonde muitas belas meninas em trajes de boneca aparecem, ele chegou a ser apelidado “Rozen Aso” ou “Rozen Kakka (Sr. Rozen)”. Logo antes da última eleição do partido, uma loja em Akihabara chegou ao ponto de vender itens com imagens de Aso, fazendo dele algo como um político pro-otaku universalmente reconhecido. Mas isso não quer dizer que Aso faça vista grossa para todo tipo de mangá. Quando legisladores estabeleceram um forum em fevereiro de 1991 para discutir "medidas contra pornografia e outros quadrinhos perigosos para crianças, por exemplo, foi o Sr. Rozen Aso que encabeçou o grupo.
Regras contra pornografia infantil, é claro, precisam ser seriamente debatidas, mas a posição de Aso torna fácil de se entender um fato: não se pode assumir por completo que as pessoas que amam animação e quadrinhos estão sempre contra as restrições feitas contra alguns modos de expressão – ou que aqueles que os odeiam irão sempre dar apoio a tais movimentações.
Mas o meio otaku parece ser composto do tipo de pessoa que facilmente se vale dessas definições simplistas.
Eu também estou ciente que o ponto de vista da mídia está sempre contra o otaku. Não posso negar que algumas imagens na mídia criam estereótipos jocosos sobre otakus reunidos em Akihabara ou no Comic Market – o evento gigante que acontece duas vezes por ano aonde fanzines auto-publicados são exibidos e vendidos. A mídia também reage de forma exagerada à notícias ocasionais de que um mangá ou jogo com aspectos violentos foi encontrado na casa de um jovem suspeito de crime hediondo (nota minha: isso não lembra a campanha difamatória contra os RPGs feita no Brasil?). Há registros demais desse tipo de atitude de parte da mídia, mais do que eu possa resumir aqui, então sinta-se a vontade em
verificar por si mesmo. Mas também não se pode negar que há cobertura de mídia favorável aos otakus. Há repórteres em cada companhia jornalística, incluindo eu mesma, que admitem serem fãs de animes e mangás, e apresentam matérias que refletem seus gostos otakus em seus jornais.
Que os artigos sejam positivos para o meio ou não, depende das personalidades individuais trabalhando na mídia, e posso dizer que há muita ilusão conspiratória (entre os fãs) mantendo a idéia de que a mídia de massa tem uma postura organizada para difamar os otakus como inimigos públicos.
Em qualquer caso, acho que é importante para os fãs enxergarem a si mesmo com objetividade e frieza para proteger seu direito de ser otaku – e proteger o mundo de seus gostos. A esse respeito, a consideração feita pelo antigo Primeiro-Ministro Yasuo Fukuda durante seu anúncio de renúncia – de que ele, objetivamente, podia enxergar a si mesmo – é, ironicamente, algo que os otakus deveriam emular em um sentido literal. (originalmente do The Daily Yomiuri / Asia News Network)
Posts similares:
Taro Aso QUASE Primeiro-Ministro
Chefes de Estado se Reúnem para discutir Produção Conjunta de anime
Taro Aso: Mangá e Anime Fazem Parte da Recuperação Japonesa
Post anterior: First Squad – Anime Russo-JaponêsPróximo post: O Fiat de Lupin III



Comentários:
Sem Comentários para esse post ainda...
Deixe seu comentário: