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Set 05

Michiko e Hatchin (ou "comemos mosca mais uma vez")

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Categorias: michiko e hatchin

Michiko Hatchin

Muitas vezes, eu falava em ambientar um mangá aqui no Brasil e ouvia uma baboseira do tipo "O que, falar sobre índio ou favela?" – o que sempre foi absurdo. Olhe para as novelas de tv, para as ruas e para a sua própria vida. A favela existe, os índios pelados no meio do mato existem, mas o Brasil não é feito disso – diacho, eu não moro nem em favela, nem ando nu, pintado na selva. Entretanto, sempre ouvi esse tipo de frase por aqui e sempre considerei uma incapacidade crônica de ver o que temos de bom e o que temos a oferecer.
Mas hoje, eu tive de rir muito.

Deu na Henshin: a mesma Manglobe dos espetaculares Cowboy Bebop e Samurai Champloo está apresentando um novo anime, Michiko e Hatchin, que se passa em um "país cheio de luz e cores fortes que tem uma perigosa zona onde a lei não chega." Familiar, não?
Agora... quero ver um monte de fãs que antes diziam "ah, eu não vou falar de favela" tecendo loas para esse novo anime. E fazendo seus próprios "mangás de favela" depois disso, já que o pessoal do Manglobe o fez. Não levem a mal, mas depois de ouvir essa frase mil vezes, eu tenho que rir muito disso. Desprezamos o que está sob nossos olhos e eles chegaram na frente. Merecemos.
Acredito que temos muito mais a oferecer do que favelas para o mundo, mas os inúmeros filmes que exportam essa imagem acabam por construir essa visão. Não seria a hora de que nós mesmos tenhamos a iniciativa própria de exportar outro tipo de coisa que exista por aqui, para que não fiquemos marcados por isso?
Se esse golpe servir de lição, já vai ter sido uma grande coisa.
P.S.1: a protagonista pode ter nome japonês, como todo mundo nessa série até agora parece ter, mas eu bato o olho e vejo: Ela é mulata. E das mais bonitas, diga-se de passagem; independente dela ter uma certa vulgaridade (temos que admitir isso também), Michiko já entrou no meu rol pessoal de personagens mais bonitas dos mangás e animes. Outra coisa para se pensar: quantas vezes pensamos em personagens negros ou mulatos para nossos mangás? ;)
P.S.2: Repararam que o nome da série no logo não está Michiko to Hatchin, em japonês, ou Michiko & Hatchin, que é neutro? Dêem uma olhada e vocês vão pegar o ponto. ;)
P.S.3: Esse eu deixei escapar quando me deram o toque – valeu, Florisvaldo! A trilha desse anime está sendo tocada pelos brasileiros do projeto eletrônico carioca +2 e os da Orquestra Imperial. O produtor Kassin, ex-guitarrista do Acabou la Tequila (quem conheceu a cena alternativa do Rio nos anos noventa se lembra deles), é figura em comum nos dois grupos, e está sendo o compositor principal da trilha sonora. Um gostinho a mais da trilha aqui.


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