19.Outubro.09

Trânsito

Transito

Com o arco-íris sobre a cratera do vulcão na beira da estrada, achei ótimo estar lerdando no engarrafamento: a velocidade tartaruga permitiu que a gente apreciasse a vista com a calma que ela merecia. :)

Fim de tarde ontem, na rodovia H1 em Honolulu.

Bom início de semana a tod@s!

01.Outubro.09

Redondezas

Com-Tiagon

O convidado de hoje é uma das pessoas mais amáveis da blogosfera brasileira. Um moço de criatividade ímpar, que é sócio-fundador e síndico de um dos portais mais bacanas da net brasileira, o também 5-anista Verbeat. Que escreveu um manifesto pela liberdade da comunicação da rede ainda nos idos de 2004. Que faz (e compartilha) músicas com os amigos como um irmão antenado com a vanguarda do som. Que tive a felicidade de conhecer em uma passagem relâmpago por Porto Alegre, quando nos hospedou em seu chateau com todos os regalos e sorrisos possíveis. Que não cansa de ser um barato. Um grande barat(ei!)o -quase um bereteio. Ah, os bereteios...

Passeiem pelas ruas de infância com a crônica deliciosa do querido Tiagón.

******************

O lugar o e o não-lugar são polaridades fugidias: o primeiro nunca é completamente apagado e o segundo nunca se realiza totalmente -- palimpsestos em que se reinscreve, sem cessar, o jogo embaralhado da identidade e da relação. (...) Praticar o espaço, escreve Michel de Certeau, é "repetir a experiência jubilosa e silenciosa da infância: é, no lugar, ser outro e passar ao outro".

-- Marc Augé. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade.

Desde piá gostava de ter um livro nas mãos. Sem lá grande motivo aparente: apenas lembro mais de eu-pequeno entretido com um gibi ou "A Vaca Voadora" do que correndo pela rua ou quebrando a casa com uma bola de futebol. E não que não gostasse de fazer bagunça (até não gostava, mas não tem problema) -- o fato é que me lembro mais de folhear papel do que desfolhar as plantas da mãe. (Já não lembro se me dependurei mesmo naquela samambaia ou se contive a vontade.)

Mas o meu livro preferido não era quadrinho nem literatura infantil: era mesmo o Achei, aquele guia telefônico e de LOGRADOUROS, com seus mapas de segmentos de reta como ruas -- no meu caso, de Porto Alegre. (Logradouro que cresceu comigo para se tornar uma de minhas palavras preferidas.)

Me sentava com o livrão no colo, abria os mapas e saía conhecendo a cidade toda. Partia sempre do meu endereço, pegava uma avenida conhecida e localizava a casa de um avô. Depois, o supermercado onde eu e o pai fazíamos compras aos sábados de manhã. A outra vó, que mora bem pertinho do colégio. Redondezas -- procurava os nomes das ruas por onde já tinha passado e ficava feliz quando lembrava delas pelas placas (aquelas antigas, coladas nos cantos externos das casas de esquina). Também me dava pontos quando eu passava por uma rua inédita -- mas que reconhecia do mapa.

(Gostava dos nomes pomposos, como Baltazar de Oliveira Garcia. Detestava os que referiam datas. Nunca esqueci da rua Vacacaí.)

(Mas minha rua preferida, desde então e até hoje, em Porto Alegre, é a rua dos Andradas, eterna "rua da Praia", naquele trecho da Praça da Alfândega. Porque guarda tanta história, soube mais tarde; porque tem a Feira do Livro, que me encantava e ainda hoje admiro e aproveito; porque um dia caminhando por ali com meu padrinho ele apontou "Olha ali, lembra do Mario Quintana dos livros da biblioteca do colégio?" e foi lá abordar o poeta comigo e apertamos as mãos todos e aquele sorriso de vô legal que eu guardo com um carinho que naquele dia era futuro.)

E então pegava um ônibus imaginário e fazia trajetos pelas páginas e páginas de mapas onde ruas amarelas eram imensamente largas e os retângulos verdes eram grupos gigantes de árvores a contornar. Becos sem saída representavam interrogações. Por que não tem saída? O que tem no fim da rua? Pode dar ré pelo menos? Grandes áreas, de poucas avenidas (um morro, por exemplo), geravam certa aflição porque pareciam ir terminando o mundo, um certo sem-fim remoto (o que depois se confirmaria). Cruzar pontes era sempre um bônus porque morar perto de ponte era algo exótico e bacana e por isso mais caro. Toda a orla do Guaíba tinha praia - mas era uma faixa de areia bem curta, onde não cabia quiosque como na praia de verdade.

Ruas que ficavam "sem solução" no mapa (limites da cidade, zonas mortas) eram os lugares que eu mais queria conhecer. Muitas delas levavam (levam) o nome de 'estrada' e isso lhes dava o charme selvagem de toda e qualquer grande viagem. (Ir a Cachoeirinha ou Alvorada -- ao lado de Porto Alegre -- era aventura.)

Enquanto criava meu mapa mental, sempre pensava nas pessoas que moravam naqueles espaços. Quantos prédios cabiam naquele centímetro entre uma quadra e outra, e naqueles onde havia casas também, e as quadras só de casas. Sempre colocava vários supermercados no caminho, pra ficar mais prático. Colégios nunca ficavam perto de zonas com crianças (pra que a mãe precisasse levar e buscar de carro). As pessoas se divertiam mais nos bairros com quadras pequenas e ruas bem próximas umas das outras, porque era mais fácil fazer amigos. E as pessoas de bairros diferentes se conheciam em feiras que aconteciam nos lugares irrepetíveis da cidade, como os estádios de futebol e os cemitérios. (De que outra forma se encontrariam, se elas tinham tudo que precisavam perto de suas casas? (Menos as escolas?))

Não é que eu estivesse construindo uma sociedade harmônica e equilibrada; eu estava apenas viajando. (Ri do trocadilho, vai.) Imaginauta: descobria espaços e queria dar significado a eles. Curiosidade de saber como é morar numa quadra tão grande. E longe da minha casa (e do meu colégio). Os espaços em branco do meu conhecimento diante daquele mapa corriqueiro eram um convite apenas por estarem ali;

da mesma forma como hoje, como tantos outros, alimento um desejo (como que) secreto de fazer a mochila ir pro aeroporto e escolher um avião (de olhos fechados) só pra ver o que tem no fim da linha dele.

Porque se eu olho pra um mapa -- do que for: mapa-mundi, ruas de terra em Cacimbinha de Fora -- ele exerce o mesmo fascínio que tinha há vinte anos atrás: são lugares que precisam ser descobertos porque descortinam mundos por detrás deles, remotos lugares que sejam; e estão ali à espera, na continuação de uma estrada que não veio mapeada naquele livrão no meu colo.

Contando assim, é de se espantar que hoje eu tenha um senso de direção tão absolutamente péssimo. Só guardo os caminhos repetidos todo dia e certamente já fui muito xingado por me meter a dar informação. Se me perguntam "onde fica rua X?" eu vou responder sempre solícito -- entendo, nada pior que estar perdido, digo, nada pior que ter de pedir informações a um estranho -- desce aqui, segunda à direita, primeira à esquerda. Na maior certeza. Sorrindo. Pra alguns minutos depois me dar conta de que dei um caminho que não só não leva a lugar nenhum como não faz qualquer sentido. (Desculpem. Não faço por mal. Nada pior que admitir diante de um estranho que se é incapaz de guardar os meandros do seu bairro (Freud poderia ter dito, talvez).)

Ou talvez minha bússola tenha se acostumado a criar seus próprios caminhos, mesmo.

(Ou ainda: Como Minha Imaginação Hiperativa Me Fez Tirar Péssimas Notas em Geometria)

~.~

Já era nos idos do fim da faculdade. Cheguei de uma festa com manhã firme lá fora. Deitei e liguei o rádio, baixinho -- pra ter um barulho no ouvido até apagar. Passava um programete-cultura que contava as histórias dos nomes das ruas da cidade. Ao terminar, surgiu para o fecho um locutor clássico, voz de ressoar em tronco de árvore, recitando um poema. Lembro que me doeu no peito como um abraço da existência. Porque viajar, pra mim, foi sempre misturar imaginação com a poesia dos lugares. Que são mundos. À espera diante da minha curiosidade.

E fazer o quê, se nem os caminhos do bairro eu consigo decorar?

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

-- Mario Quintana. O Mapa.

Mapa

19.Setembro.09

Nosso lugar no mundo

Na lista de discussão do luluzinhacamp, a Ana Cláudia começou um papo sobre vacinação, que virou uma discussão sobre a indústria farmacêutica e que eu, no mais tradicional estilo "viagem na maionese" que me caracteriza, consegui desviar para "o nosso lugar no mundo". Explico.

Vacinas, remédios, construir escolas, colocar ou não um semáforo na esquina da padaria, ter tal alimento na merenda escolar... tudo isso são decisões que passam, direta ou indiretamente, em última análise, pelas decisões de um governo. Pela forma como um governo decide... governar. Pelas tendências políticas que o caracterizam. Vem daí termos como conservadores, liberais, anarquistas, etc. Mas, independente da tendência que o governo tenha, ele existe tecnicamente para satisfazer, organizar e trazer melhorias para a população geral. Acontece que essa população geral não é homogênea, há diversidade biológica, de pensamento, de escolhas, e o governo, essa entidade abstrata, precisa então tomar decisões e atender a média da população (média aqui no sentido estatístico, não no sentido classe média, que essa eu deixo pra outro blog pintar melhor).

Mas o que é a média da população? Logo no início deste blog em 2004, eu fiz um post sobre o coreano médio, onde escrevi o seguinte:

"Existe o que eu chamaria de “brasileiro médio”, uma pessoa existente nos gráficos do IBGE, mas que na vida real é dificil de encontrar por completo. Quase um ente abstrato. (Ninguém se adequa a 100% dos quesitos do “brasileiro médio” do IBGE.)"

O "brasileiro" (e o coreano, o africano, o vegetariano, o biólogo... insira aqui a sua categoria de escolha) médio é revelado pelo conjunto de características que boa parte daquela população tem ou carrega consigo. Mas não significa que todos têm as mesmas características. As decisões do governo levam em consideração geralmente essa "média" geral, porque, por mais que seja bonito na utopia, o governo não consegue governar para indivíduos separados. Dada a diversidade inerente às pessoas, isso provavelmente geraria mais conflitos que parcimônia. Ele precisa governar para a média, e entra aí desde o miserável até o milionário.

Mas é claro, somos acima de tudo indivíduos. Então, óbvio, é nossa experiência pessoal que termina por falar mais alto nas nossas decisões. O que acontece, daí, é que a gente tem a tendência de achar que do jeito que a gente faz e/ou pensa é o "modo certo", e tenta incutir isso nas decisões macroscópicas do governo, muitas vezes sem olhar pro vizinho que não pensa bem assim - ou que não pode, dadas as circunstâncias, pensar ou agir assim. É muito fácil (e totalmente compreensível), por exemplo, exigir menos carros nas ruas quando você, asmático de tanto escapamento poluente, não mora naquele lado da cidade que não tem transporte público direito. Tendemos a valorizar e lutar pela nossa "verdade" sem se colocar na posição do outro. E é exatamente para harmonizar tantas "verdades", tentar achar o caminho do meio que satisfaça ambos os casos, que um governo decente existe (decente porque na prática, sabemos que os governos podem também assumir verdades que não estão na média, o que gera problemas. Vide muitas guerras.).

Teoricamente, cabe ao governo (composto por cidadãos eleitos pela população geral, lembremos) ao se deparar com um problema X, olhar para o coletivo de indivíduos, ouvir o que eles tiem a dizer sobre o problema X, achar o que é a média naquele caso e buscar uma solução que abarque e felicite, na melhor medida possível, o maior número de pessoas. Pensemos na curva chavão de distribuição normal (o nome já diz tudo, né?) de uma população qualquer:

normal distribution
(Imagem da Wikipedia)

O governo deve concentrar esforços para aquele meio da curva em azul escuro, onde a maior parte da população está, porque assim ele estará beneficiando o maior número possível de indivíduos dentro da sociedade que o escolheu pra governar. A curva pode mudar? Claro que pode; aliás deve, porque a gente felizmente não vive num mundo estático e as mudanças são contínuas. Se, por exemplo, hoje a maior parte da população não tem saneamento básico (e dado que este é o fator gerador de uma série de doenças que minam a saúde da sociedade), o governo precisa transformar essa "média" em extremo da curva, e trabalhar, juntar esforços, ter como objetivo que a média passe a ser "ter saneamento básico", e não o contrário, como vemos agora. E isso vale para quase tudo em nossa vida. porque no final das contas, o objetivo geral é ter uma sociedade harmoniosa, com menos desigualdade social, mais qualidade de vida - e esse é um conceito que também difere, lembremos, mas que deixo aqui como food for thought.

Como comentei na lista de discussão, toda vez que me deparo com uma situação/problema costumo fazer um exercício mental de me inserir nesse quadro: quando sou média? quando sou extremo? Para cada problema/situação que a vida social e a biologia me trazem, tento perceber em que área da curva normal estou. Preciso mudar de área? Dá pra melhorar? Quantos conheço em situação similar? É estatisticamente significativo? Como o governo age neste caso? Quais são os outros lados desse problema? Educar um indivíduo, em minha opinião, passa por esse entendimento. Porque acho que assim, entendendo o seu lugar ao mesmo tempo que o insere num contexto maior, a gente passa também a entender melhor o outro, e a convivência em harmonia fica menos utópica, mais pragmática. E este "lugar" é dinâmico: somos pilar de um ponto mas massa amorfa em outro, constantemente, e isso é saudável. É inevitável que sejamos média e extremo, dependendo do que está sendo medido/discutido/avaliado/pensado e, contanto que não nos acomodemos perante as mudanças do mundo, participar desse equilíbrio entre todas as partes da curva é a existência ideal de uma sociedade. Para mim pelo menos, identificar e tentar entender nosso lugar dentro da sociedade e no mundo, esse lugar que está circundado por nossas escolhas, birras, conhecimentos e desconhecimentos, abre mais facilmente as portas da tolerância, que é o que a gente mais precisa para viver em harmonia na sociedade - e para melhorar a sociedade em que vivemos. :)

Tudo de bom sempre.

***********

P.S.: Espero não ter sido confusa demais... Porque um colateral dessa história toda também é a situação das minorias esmagadas de maneira criminosa. Pela saúde social, o governo precisa agir, garantindo em diversos casos que o extremo possa existir, entendendo que isso é parte da diversidade e que é com diversidade que a gente cresce e melhora nosso futuro. Nós também como sociedade, temos que agir, entender a diversidade. Porque o lugar de ninguém é fora desta curva.

26.Agosto.09

O Rio da Vista Chinesa

Vista chinesa1

Dia desses, a Chris Nóvoa publicou em seu blog uma de suas poesias concretas que eu adoro (e complementada com fotos arquibelas do Guga!) sobre um lugar pelo qual me apaixonei à primeira vista: a Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca. Ao ler o poeminha, toda a delícia daquele dia de novembro me veio à memória. Foi a primeira vez em que fui à Vista Chinesa.

E como muitos cariocas da gema, já era uma adulta quando tal fato aconteceu - uma vergonha, já que é um dos locais mais tranquilos e apaixonantes do Rio de Janeiro. A vista da cidade maravilhosa dali de cima é estupenda e num dia de sol como o que eu fui, tudo parecia mais perfeito ainda. O Rio é uma cidade azul, sem dúvida.

Vista chinesa3

A Vista Chinesa está ali desde 1903. Naquela área, no século XIX, chineses de Macau foram trazidos para auxiliar nas plantações de arroz - sim, a floresta de hoje no passado era... fazendas. O arroz não vingou, mas os chineses ficaram por ali, no que era chamado "Casa dos China". Os chineses se foram, mas a cidade ganhou aquele ponto curioso, nomeado Vista Chinesa em "homenagem" aos habitantes prévios. (A história deste local em mais detalhes pode ser lida neste site, onde o autor também levanta uma interessante questão: por que não se vê no mercado carioca cartões postais com vistas da cidade deste mirante tão especial? O Rio é tão bonito dali... Será a Vista Chinesa um desses "segredos" mirabolantes de viagem que os cariocas não querem revelar para o mundo?)

Fato é que hoje, em uma das muitas curvas da estrada que corta a Floresta da Tijuca, de repente você se surpreende com essa pagoda amarela, que traz a sensação de Ásia em meio ao cheiro do mato verde sul-americano. É uma parada quase obrigatória para quem deseja descansar um pouco do ritmo da cidade.

Vista chinesa4

Num dia de sol, é na Vista Chinesa que você pausa o mundo e aperta o play das divagações, entre os dragões instigantes que ornam a pagoda e a cidade maravilhosa que, espremida entre lagoa, montanha e mar, sorri pra você e te abraça.

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Tudo de bom sempre.

03.Agosto.09

Lost in translation: havaianando na 'okina

Como já contei aqui antes, fiz um curso de um ano de língua havaiana assim que me mudei pra cá em 2002. Não falo havaiano, mas pelo menos consigo entender uma coisa aqui outra ali, mesmo tendo apenas 1 ano de estudo.

Isto é possível porque a língua havaiana é super-simples e resumida - é o menor alfabeto do mundo, com apenas 13 letras. Mas mesmo sendo curta e simplificada, ainda gera confusão. Talvez, aliás, exatamente por ser tão condensada. Usam-se todas as vogais e elas muitas vezes se repetem em sílabas, formando ditongos, tritongos e até tetratongos (existe isso?), como na palavra Aiea (nome de um bairro da ilha). Contando ainda com a existência da 'okina, letra presente na palavra Hawai'i e representada em geral no teclado de um computador por um apóstrofe - mas jamais diga isso a um havaiano roots, como você pode ver na história abaixo.

okina
(Representação tirada da Wikipedia.)

Para celebrar os 50 anos do estado do Hawai'i, o correio americano resolveu fazer um selo especial que será vendido no país inteiro. Lançado no final de julho, no selo comemorativo está escrito o nome do estado - com a letra errada, de acordo com os especialistas em havaiano. Ao invés de uma 'okina, escrito com um apóstrofe. E está criado o mal-estar e a confusão. [Diferença entre os dois aqui.]

Em outro caso curioso da língua havaiana, nesta semana no jornal local o apresentador, após dar uma notícia sobre despejo de lixo urbano num córrego do lado oeste da ilha, levantou a questão sobre como se escrevia corretamente o nome do tal córrego. O dito chama-se Mailiilii. Eles mostraram duas possibilidades, baseadas em onde já havia sido visto escrito, mas as possibilidades reais são várias:

- Maili'ili
- Mailiili
- Maili'ilii
- Mailiilii
- Ma'ili'ili
- Ma'ili'ilii
- Ma'ili'ili'i

De dar nó no dente falando tanto "i". Criou-se então uma polemiquinha durante o jornal [link com vídeo, hilário], porque o nome consta nos documentos estaduais e no Environmental Protection Agency de um jeito e os mapas mostram de outro. Uma telespectadora mandou uma foto da placa no local mostrando o jeito "certo" de escrever (para quem ainda acredita piamente em placas...), mas a reportagem online depois corrige: a forma correta é Ma'ili'ili, já que 'ili'ili significa pedras de hula (?) em havaiano.

Haja 'okina... :>>

Tudo de curiosidades sempre.

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As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

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