23.Outubro.09

Sexta Sub: ascídia

Ascidia

Parado no fundo do mar, preso a algum substrato, este animal mais parece um pedaço de caule ou fungo bem colorido. Nada mais errôneo. As ascídias são os vertebrados mais simples – isso mesmo, parentes longínquos de nós, humanos. Podem ser encontradas vivendo em colônias ou solitárias, dependendo da espécie – a da foto, Didemnum molle, é tipicamente solitária. Seu corpo é formado por um grande saco com duas aberturas, o sifão inalatório e o sifão exalador, por onde a água do mar passa e é filtrada. As partículas retidas passivamente servem de alimento para a ascídia e o que sobra é expelido, ajudando na reciclagem da matéria orgânica dos recifes de corais e dos mares do mundo. Curiosamente, as ascídias também são o único animal marinho conhecido que armazena em células especiais o vanádio, um metal pesado presente em quantidades ínfimas na água do mar – elas chegam a ter 100 milhões de vezes mais vanádio dentro delas que no ambiente ao redor. Um futuro promissor como bioindicador há pela frente… Entretanto, talvez esse animal pertença ao grupo menos estudado de vertebrados no mar. E embora atraiam pelo estranho formato de seu corpo, ainda são ilustres desconhecidas no ambiente marinho. Da próxima vez que encontrar uma dessas num mergulho, não menospreze nossas parentes sésseis: aproveite a chance para registrá-la com ao menos uma foto. Nem que seja para mostrar pros amigos depois o quão diferentes elas são…

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Escrevi o textinho acima no ano passado para a Revista Mergulho, sobre estes estranhos animais tunicados. Deixo o texto agora aqui na Sexta Sub, relembrada que fui ontem ao me deparar com uma foto de ascídia vencedora do WPY 2009 que tanto eu quanto o Carlos Hotta coincidentemente adoramos.

Tudo de ascídias sempre.

14.Setembro.09

Minhas viagens prediletas - ano 2: Lucy in the lake with jellyfishes*

Meu post predileto do 2º ano deste blog (e meu post predileto de todos os tempos até agora) é uma viagem surreal para Palau, ilha-paraíso do Pacífico, melhor point de mergulho do mundo. Publicado em 18 de janeiro de 2006, relembrou meu passeio pelo Jellyfish Lake, um dos pontos mais bizarros (senão "o" mais) que já visitei neste planetinha azul. Na época da mudança pro Interney, também, quando precisava de uma imagem que contasse sobre mim pro banner, pensei em usar a foto abaixo. Cheguei a incluir o nome do blog nela, mas só não passou no meu crivo pessoal porque requereria um blog em tons de verde, e pra mim, não tem jeito: o azul comanda. Esta é a primeira vez mostro aqui o banner 2º lugar:

O banner que não foi
O que vocês acham?

De qualquer forma, escrever esse post foi uma viagem psicodélica, e ao (re)lerem, vocês entenderão por quê. ;)

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Jellyfish Lake 2

"Picture yourself in a boat on a lake with tangerine trees and marmelade skies..."

Surrealismo existe.

Um recanto onde todo o lisergismo da mãe-natureza floresce sob a forma fantástica de lago. O Lago de Água-Viva - ou Jellyfish Lake, em inglês.

"Somebody calls you, you answer quiet slowly: a girl with kaleidoscope eyes!"

A história do surgimento do lago é muito interessante. Um pedaço do mar, que com a movimentação de placas tectônicas, erosão e fenômenos geológicos adjacentes por alguns milhões de anos, ficou isolado no interior de uma das ilhas no que hoje chamamos de República de Palau. Um lago de água salgada, alimentado por infiltração da água do mar através das rochas. Com um paredão de rochas como barreira, nenhum animal grande conseguiu chegar no lago, apenas os microscópicos e as larvas vinham com a infiltração. Inalcançável aos grandes, alegria dos pequenos. Algum plâncton entrou - e as larvas de Mastigias, uma espécie de água-viva. Os demais invertebrados "curiosos" aos poucos foram desaparecendo, por causa da pobreza nutricional do lago. Começou então o reinado das águas-vivas.

Jellyfish Lake 5
"Jellyfish flowers of yellow and pink..."

Jellyfish Lake 6
towering over your head..."

Inicialmente, as água-vivas ali existentes eram como as que encontramos pelos mares afora, com tentáculos cheios de nematocistos - as células que liberam as toxinas que irritam a nossa pele - para queimar e afastar qualquer bicho fariseu que quisesse se "aprochegar" mais. Entretanto, o tempo, esse inevitável parceiro do processo evolutivo, foi passando, e a água-viva, retida naquele lago isolado de água salgada com quase nenhum outro animal, já não contava com predadores naturais. Não precisava se defender. Nematocistos não eram mais "necessários", um gasto energético, e sem pressão seletiva suficiente para se manter, com o tempo foram desaparecendo da população. Evolução. Isso mesmo: as águas-vivas deixaram de queimar ao simples toque. Precisavam concentrar energias na luta perante novos desafios, como... alimentar-se.

"Look for the girl with the sun in her eyes and she's gone..."

Mas de que vivem as versáteis águas-vivas do Jellyfish Lake? Na falta de alimento propício, as águas-vivas associaram-se a algas zooxantelas - o mesmo tipo que estão associadas a corais. As zooxantelas fazem fotossíntese, produzem seu próprio alimento, e a água-viva, fornecedora da "carona" em direção ao sol para as algas, passou a produzir uma enzima que permitia aproveitar o alimento que a alga fotossintetizava. Uma relação mutualística que deu certo. Hoje, as águas-vivas passam o dia próximas à superfície, fornecendo sol para suas algas internas, e durante a noite, descem às profundezas do lago, onde o ambiente anaeróbico rico em nitrogênio fornece os nutrientes básicos para a fotossíntese das algas que alimentará as águas-vivas - as duas saem lucrando no final.

"Lucy in the lake with jellyfishes!"

O Jellyfish Lake de Palau é uma das atrações marinhas mais bizarras do planeta. E das mais psicodélicas também. Para chegar no lago, isolado do mar, sobe-se um pequeno monte, trilha desenhada para turistas. E se desce. E se vai ao encontro da água salgada do mar distante, ali concentrada.

"Follow her down to a hill by a boarder where japanese people eat marshmellow pies..."

Quando entrei no Jellyfish Lake, confesso que não acreditei que algo de "anormal" existisse. Ali, na beirinha do lago, não havia nenhuma novidade, a não ser o fato de ser salgado e lotado de turistas flutuando. Bastou dar meia dúzia de braçadas para começar a perceber o delírio viajante do local. À medida que chegávamos mais pro centro do lago, um número incontável de águas-vivas aparecia. E elas não tinham pudor algum em encostar em você - e de repente, tudo que eu sentia em volta de mim era aquela pasta gelatinosa vinda de todas as direções. Comecei a ficar com receio de quebrar alguma com uma braçada ou pernada, e passei a ser mais delicada com os movimentos. Mas eram muitas! Milhares e milhares de águas-vivas me engolindo.

Jellyfish Lake 3
"Everyone smiles as you drift past the jellyfishes...

Jellyfish Lake 4
...that grow so incredibly high..."

Comecei a achar que estava dentro de um filme do Buñuel ou de uma tela de Dalí. A água não era tão clara, e sim verde escura, com aqueles múltiplos "pontos" esbranquiçados, de todos os tamanhos, movimentando-se, pulsando em direção à superfície, como numa real viagem na maionese. Lucia no lago com as águas-vivas. Apesar de evitá-las por princícios biológicos, não dava para deixar de encostar nelas. Desencanei por completo, e comecei a pegá-las intencionalmente na mão, perceber aquela textura de gelatina. Mexer nos tentáculos, até então um movimento proibido com qualquer água-viva que se encontre pelo mundo. Minha curiosidade aguçou, e ali, dentro do lago, comecei a analisar as águas-vivas mais e mais - entretanto, o surrealismo era muito constante para permitir qualquer raciocínio lógico.

"Suddenly someone is there at the turnstyle: the girl with kaleidoscope eyes!"

Meu namorado tirava fotos sem parar. Eu delirava de emoção, me sentia numa nave espacial cheia de alienígenas. Ambos em êxtase. E não podíamos nos mexer muito, para não machucar os animais. Estaríamos numa realidade paralela? Aquele lugar parecia não existir. Não, Lucia Malla, é verdade. O Jellyfish Lake existe, e é uma das preciosidades de Palau, relíquia biológica do mundo, prova cabal da evolução, estudo ecológico de mutualismo, inspiração ideal para Magritte. Pequena amostra de que muitas vezes os delírios nossos de cada dia podem ser tão naturais como estar com milhares de águas-vivas sem nematocistos nadando num lago de água salgada no meio do Pacífico.

"Lucy in the lake with jellyfishes."

Jellyfish Lake 1

Tudo de surreal sempre.

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*Adaptação mallística livre e abusada da psicodélica música "Lucy in the sky with diamonds", dos Beatles.

**Na nossa realidade: Existem outros 2 lagos em Palau com águas-vivas. Um deles, entretanto, sofreu mais duramente o fenômeno El Niño em 1998, e suas águas-vivas quase todas morreram em decorrência do aumento da temperatura da água. O lago ainda está em processo de recuperação.

***Para mais fotos de Palau e do Lago das Águas-Vivas, visite a galeria da ArteSub.

12.Fevereiro.09

Darwinfest

[Acompanhamento musical do post: "Charles Robert Darwin" (letra aqui), do disco "26 Scientists" do Artichoke. :D]

É hoje a comemoração mundial do aniversário de 200 anos do nascimento de Charles Darwin, o pai da teoria da Evolução e um dos maiores nomes da ciência de todos os tempos.

No mundo offline, vale a pena dar uma olhada, nem que seja de leve, em um dos 658 eventos (and counting...) agendados para hoje em 44 países do mundo. Pode ter algum bem legal perto da sua casa.

Para os mais virtuais, há opções diversas, e deixo aqui o link para algumas delas: você pode assistir a um dos vídeos deliciosos da série "Morphe" que a National Geographic, com aquela qualidade que lhes cabe, produziu sobre evolução para este ano. Também no Nat Geo, o biólogo-celebridade Richard Dawkins fala da importância de Darwin para o conhecimento humano.

Ou você pode ler o especial maravilhoso que a Nature publicou há alguns meses para comemorar, com uma lista em pdf das 15 jóias evolutivas da história da vida. E que hoje merece ser relido, refletido, reapreciado.

Já os mais animados podem celebrar em casa com as crianças o aniversário de 200 anos de Darwin por uma semana (!!!), com idéias para menus divertidíssimos de acordo com a história da vida, como bolado pela Agnostic Mom em 2007... dá trabalho mas, além de educativo, deve ser um barato!

E se a animação continuar, aproveite e leia (ou releia) o livro mais fundamental da biologia: "A Origem das Espécies". Um clássico total. :D

Não importa como você faça: o que realmente importa é que lembremos de alguma forma hoje do homem e historiador natural Charles Darwin, suas idéias, sua vida, suas descobertas, sua importância e principalmente, seu legado. Aprendamos todos com Darwin a cada dia, a cada momento, a cada segundo da nossa existência na Terra.

Feliz dia de Darwin a todos!

Tudo de bom sempre.

25.Outubro.08

Dawkins em Pirenópolis

Guardem essa informação com carinho: Richard Dawkins será o Palestrante Convidado de Honra do 46º Encontro Anual da Sociedade de Comportamento Animal, que se realizará de 22 a 26 de junho de 2009 em Pirenópolis, GO.

Eu não sei se isso foi proposital, mas colocar Dawkins naquela que é considerada uma das cidades mais esotéricas do Brasil... vai gerar muito pano pra manga pra imprensa. Aguardemos.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Nunca estive em Pirenópolis, mas sei que é uma cidade histórica, que vale ser visitada por sua arquitetura - eu pelo menos quero visitar um dia. Já o comportamento animal dos primatas que lá habitam... melhor deixar pra Richard Dawkins mesmo. ;)

06.Agosto.08

Abelhudos

Durante minha vida acadêmica, tive a honra de conhecer, interagir e/ou trabalhar com diversos cientistas. A maioria memoráveis, alguns reconhecidos internacionalmente, outros bem low-profile e não menos competentes por causa disso. (Os ruins a gente esquece até o nome.)

Mas de todos, sem dúvida, o que me traz as melhores recordações é o professor Lucio, que já foi tema de um post por aqui antes. A última vez que estive com ele, em 2007, teve momentos no mínimo engraçadinhos que merecem ser relatados.

O Lucio é um "abelhudo", ou seja, ele é um pesquisador de abelhas. Entende tudo sobre as espécies brasileiras, seu comportamento, sua citogenética esdrúxula e fascinante, sua evolução. É um dos responsáveis pelo Apiário da Universidade Federal de Viçosa, e muito dedicado àquelas colônias todas. Consagrado internacionalmente - e um grande amigo meu.

E eu não sou muito fã de insetos. Entendo a importância dos insetos para o ecossistema, para as pesquisas, sua arrebatadora maioria numérica no mundo atual. Mas não me apetecem como objeto de estudo. Abelhas são até bonitinhas, mas bom mesmo é "elas lá, eu cá". Durante a graduação, tive que ir inúmeras vezes no Apiário atrás do Lucio para assinar papelada ou para conversar com alguém que trabalhava por lá. Sempre que ia, ficava na parte interna, nos escritórios, evitando andar pelo quintal onde as abelhas reinavam em suas colônias de caixas de madeira. Entretanto, adorava a cera e a geléia real que algum funcionário sempre oferecia para comer. (Só uma vez visitei as caixas e me mantive numa distância razoável saudável para meu receio insetal.)

E no ano passado, em abril de 2007, eu e André fomos convidados a dar uma palestra para a Semana de Biologia da UFV. E claro, o Lucio que além de professor é meu amigo, orquestrou uma visita VIP ao Apiário, para mostrar o mundo fabuloso dos himenópteros de estimação dele. (Parênteses: a ordem himenóptera é a mais numerosa ordem de insetos e agrega vespas, abelhas, formigas e marimbondos. Mas lá em Viçosa há o prédio do Insetário, onde as formigas ficam. O Apiário ficou dedicado aos himenópteros não-formiga: abelhas, vespas e marimbondos. Fecha parênteses.) E numa manhã cinzenta de abril, nós aportamos no Apiário, um lugar que eu recomendo a visita a qualquer curioso por abelhas que vá a Viçosa.

O Apiário da UFV tem um design super-interessante. O prédio é no formato de uma colméia, com salas e laboratórios hexagonais, e a gente se sente um inseto a colonizar cada ambiente. Você psicologicamente se transforma numa abelha, Ou no mínimo, num abelhudo. Numa das salas, fica a coleção entomológica, guardada com temperatura controlada em gavetas ordenadas por grupo taxonômico até subespécie, em alguns casos até tribo. As gavetas têm cheiro da naftalina usada para evitar que outros seres vivos parasitas se apropriem da coleção e a destruam. Em cada gaveta, uma surpresa mais interessante que a outra. As cores que os himenópteros adquirem são simplesmente maravilhosas, principalmente das espécies da Amazônia. Lucio deu uma de professor-cicerone e explicou vários detalhes da biologia daqueles espécimes.

Lucio nas gavetas do ApiárioLucio abrindo uma colméia
Lucio nos explicando sobre a coleção de abelhas do Apiário, e ao lado, abrindo uma colméia.

No quintal, além de uma plantação de girassóis muito bonita, há diferentes micro-ambientes para as diferentes espécies de abelhas que ali estão. Há abelhas solitárias e coloniais, colméias feitas em caixas de madeira e colméias cavadas na terra. Abelhas que fazem mel delicioso e abelhas que não fazem mel. Abelhas sem ferrão e outras que não é aconselhável nem chegar perto, porque podem atacar sem piedade. Enfim, muitas abelhas de espécies diferentes - com uma leve tendência a agregar as abelhas da Mata Atlântica brasileira.

Eu já estava meio ansiosa quando cheguei no quintal. Mas o Lucio, com sua simpatia, começou a abrir e mexer nas colméias - André se mostrara particularmente interessado em fotografar a arquitetura das colônias. A cada caixa, uma nova surpresa. A caixa da abelha jataí (Tetragonisca angustula) foi particularmente bem-vinda, porque seu mel era uma delícia, dos mais gostosos que já provei, e a organização dos seus favos era incrível.

Colméia de MelliponaColônia de Plebea lucii
Favos de melMellipona quadrifasciata
A colméia de Plebea, e ao lado a de Melipona. Ambas extremamente organizadas, com os favos de mel lotados - e deliciosos. A última foto é de uma Melipona quadrifasciata.

Mas, percebendo já um quê de tensão da minha parte com aquele monte de abelhas, Lucio, que acima de tudo é com os amigos um brincalhão de marca maior, resolveu abrir uma colônia de Partamona, uma abelha nativa e que não tem ferrão. O fato dela não ter ferrão é compensado pela sua "mallice": ela enrosca no cabelo e nos pêlos do seu corpo da forma mais chata que você pode imaginar. E claro, quem tem mais cabelos na cabeça (como eu), ganha mais abelhas.

Tentei me conter, juntando toda a paciência possível e imaginável para não pagar um mico diante de tal sumidade abelhóloga, mas aqueles insetos não paravam de zunir no meu ouvido e começou uma coceira irremediável, das andanças delas pela minha pele. Não aguentei: saí correndo em direção aos girassóis, para ver se elas voavam ou se soltavam do meu cabelo à medida que eu corria - mas elas não desgrudavam. A cena toda era um pastelão só, e Lucio começou a rir da minha reação, e logo todos que estavam pelo Apiário (tinha uma aula prática sendo ministrada não muito longe da gente) me olhavam com cara de tsc-tsc. Até que depois da colônia fechada, aos poucos as abelhas foram desaparecendo. Mas o mico já estava pago. O resto da visita às demais colônias foi então abortado, dado meu desconforto visível - e muitas colônias eram de Apis mellifera, a abelha produtora de mel, que tem ferrão e que requer usar aquelas roupas protetoras para abrir a colônia. Mas, diga-se de passagem, o mel de algumas das espécies que ele mostrou era delicioso e valeu muito a visita.

Passamos então para a área onde estão as abelhas solitárias. Não vimos nenhuma (deviam estar coletando pólen em algum lugar), mas vimos seus elaborados ninhos nos troncos de árvores e na encosta do barranco. A visita terminou por ali, muitas fotos e papos depois. Já era hora do almoço. E depois do almoço, seguimos viagem para outras pairagens. O passeio ao Apiário vale a pena, principalmente se você não se incomoda com abelhas - mas vá preparado psicologicamente para quem sabe algumas picadas-que-não-dóem-mas-incomodam.

Fato é que depois dessa visita, não mais vi o Lucio e morro de saudades dos papos com ele, apesar dos meus micos e risadas. Aliás, por causa dos micos, caras, caretas e risadas, que dão um sabor doce (e melado, para aproveitar a deixa do trocadilho) à experiência vivida. Saudade das viagens na maionese que a gente discute sempre que se encontra. Da completa sanidade que ele traz com seus comentários sarcásticos e antenados com a realidade do mundo biológico. Dos comportamentos evolutivos e humanos que só ele sabe contar. Porque ele foi um dos professores mais influentes no meu modo de pensar a ciência e o mundo e dos melhores amigos dentro da biologia que eu poderia ter. Eu gostaria muito se pudesse encontrá-lo em breve de novo para um papo abelhudo.

Mas de preferência bem longe das abelhas. :D

Comendo um favo de mel
Comendo um favo de mel.

Tudo de bom sempre.

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Sobre abelhas, links variados:

- As abelhas que fogem deixam prejuízo de 15 bilhões na indústria de alimentos.

- As abelhas ensinam algo para nós, sobre dispersão viral.

- Para quem não sabe, as abelhas no mundo inteiro estão passando por maus momentos, morrendo em quantidades absurdas por conta da "desordem de colapso da colônia" (CCD, em inglês). O The Daily Green tem um blog, o "The Bee Keeper", só dedicado às abelhas e os problemas que elas vêm enfrentando no mundo, principalmente o CCD. Aos interessados nesses insetos, vale a visita.

- No Der Spiegel, uma reportagem sobre o problema do CCD das abelhas na Alemanha.

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As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

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