14.Novembro.09

Vivendo a diabetes

Hoje, 14 de novembro, é o dia mundial de conscientização sobre a diabetes. É mais uma dessas datas criadas para em um só esforço gerar discussão, fazer as pessoas lembrarem de tal problema e tentarem se mobilizar para fazer algo sobre ele. Claro, não é só no dia 14 de novembro que devemos pensar na diabetes; mas a data serve para reforçar a sua importância, pôr na pauta de legisladores, pacientes, familiares etc. a demonstração do quanto perdemos anualmente se deixarmos os diabéticos ao deusdará, de quão fundamentais são os cuidados com a patologia.

Como todo ano, a intenção da campanha é trazer a diabetes para a pauta do dia e para simbolizá-la luzes azuis serão acendidas nas principais cidades do planeta. São muitos assuntos no mundo que precisam entrar na pauta do dia, e a diabetes é apenas mais um deles. Mas nem por isso deve ser menosprezada: só nos EUA são 23 milhões de diabético e 50 milhões de pessoas em estado de pré-diabetes, num total de mais de 20% da população afetada de alguma forma pela doença. Não pensem que o Brasil está muito atrás na estatística: a estimativa é que haja quase 11 milhões de diabéticos brasileiros (baseado nos dados populacionais de 2007), sem contar os pré-diabéticos. No mundo todo, são 283 milhões de diabéticos - and counting.

Minha proximidade com o problema vem de 2 frentes diferentes. Primeiro, trabalhei por 3 anos com pesquisa de diabetes na Coréia. Nesse período, estudei a patologia do ponto de vista científico, esbarrei com a "pergunta de 1 bilhão de dólares" que toda grande empresa farmacêutica quer responder: uma cura. A outra frente é a minha prima e a prima do André, ambas diabéticas tipo 1, ambas descobriram ainda (pré-)adolescentes. Ao ver uma pessoa próxima ser diagnosticada diabética, a questão até então científica moveu-se de certa forma para o lado pessoal. Ou pelo menos passou a tocar mais fundo, e, humana que sou, fez a motivação ser mais intensa, para estudar e aprender mais.

Minha prima, coincidentemente, está num hospital do Rio neste momento, aguardando alta. Acabou de ter um bebê, que nasceu prematuro por causa das complicações de sua diabetes durante a gravidez. Ela passa bem, mas o bebê precisará crescer mais antes de ter alta. Apesar do senso comum da família e dos médicos que aconselhavam que ela não tivesse filhos nunca (por causa da diabetes, blablabla), ela não se intimidou: preferiu arriscar pelo sonho de ser mãe. E hoje ela é. Tenho certeza que, seu bebê passando este período complicado em incubadora, ela será uma ótima mãe, com seus defeitos e qualidades particulares, como quase todas mães são.

Já a prima do André também leva uma vida normal. Ano passado se casou, numa cerimônia linda. Como ela trabalha com moda, arrisco dizer que seu vestido de noiva foi um dos mais inovadores que vi na vida, bem a cara de seu jeito despojado de ser. Na festa de casamento, regada a muita alegria e descontração, nem lembrávamos que ali estava uma pessoa que não produz insulina. Porque na realidade uma pessoa é muito mais que isso. Esta mensagem estava estampada no rosto dela através de um sorriso que teimava em lembrar uma realidade fundamental da humanidade: somos todos farinha do mesmo saco, só mudam os defeitos de cada um. Na lua-de-mel, foi ao show do U2 em Amsterdam, fez uma viagem gastronômica pela Europa e vai levando sua vida, entre uma picada e outra, sem nunca esquecer de sorrir. E de Viver.

São esses 2 exemplos, de como pode-se viver com diabetes sem medo caso se foque no seu controle bem-feito (que não é fácil, mas também não é impossível), que me fazem hoje simbolicamente acender uma luz azul neste blog que já é azul por outros motivos. Pelas minhas primas, pelos amigos da Diabetes Brasil (minha comunidade predileta do orkut), pelos pesquisadores que não desgrudam do assunto querendo sempre trazer uma melhoria a mais para os milhões de pessoas que dependem de insulina para terem uma vida normal.

Tudo de azul sempre a eles.

Luz-azul

30.Julho.09

Deu no New Tork Times

Ontem o New York Times trouxe dois artigos pequenos que muito me interessaram - de forma mais "próxima", digamos assim. Explico abaixo o por quê. Não sei se ambos são abertos à leitura gratuita. Caso não sejam, avisem-me que faço um adendo com o texto original. O artigo do NYTimes do item 20 está ao fim.

1) Um editorial sobre a dizimação dos tubarões para a famigerada sopa de barbatana. É o artigo mais sucinto, claro e direto ao ponto que já li sobre o assunto. A concisão com que os fatos são expostos, a razão para a matança, as medidas que precisam ser tomadas... está tudo ali, em 5 parágrafos curtos. Não há voltas nem "mallices" exageradas, aquela prolixidade tão comum por essas bandas. Esse é o tipo de artigo que facilita o entendimento do público sobre temas polêmicos, em minha opinião. Muito bom.

2) O segundo artigo merece uma pausa para historinha.

Semana passada, houve a visita do imperador japonês Akihito aqui no Havaí. Em uma das muitas cerimônias que houveram para homenagear a ilustre visita, o imperador encontrou-se com estudantes de um tipo de bolsa financiada pelo governo japonês. Um amigo do André, chamado Shingo, japonês cujos pais emigraram pro Havaí há décadas, foi um dos contemplados, e teve a honra de saudar o imperador pessoalmente.

Shingo mora em Boston e foi colega de laboratório do André aqui em Honolulu. Então, claro, passando por Honolulu, ligou pro André para encontrar com ele e pôr o papo em dia. Eu não o conhecia, fui apresentada a ele aqui em casa, numa pequena petiscada que fizemos para celebrar. Depois dos mini-quitutes, fomos a um restaurante italiano, onde tive o prazer de conversar mais com ele, pessoa super-simpática e desprovido completamente da arrogância comum em muitos cientistas.

Papo vai, papo vem, jantar delicioso, etc. Shingo nos conta que seu artigo havia sido aceito para publicação na Nature desta semana - o que por si só já foi motivo de vários tintins com vinho italiano Chianti. O artigo é realmente um breakthrough: Shingo descobriu que um complexo de proteínas (PRDM16 e C/EBPbeta) estão simplesmente na base para a geração de tecido adiposo marrom (BAT, na sigla em inglês) a partir de qualquer linhagem celular disponível. Shingo mostrou que qualquer célula, seja ela de músculo ou de pele, tratada com as substâncias adequadas incluindo este complexo de proteínas, pode se diferenciar em BAT - e funcionar perfeitamente como tal.

Shingo-BAT-Nature
Na figura, que está no artigo da Nature e foi gentilmente enviada pelo Shingo, podemos ver nos primeiro quadro a foto em microscópio da área transplantada com expressão dos fatores PRDM16 e C/EBP-beta, que se transformou em BAT (controle BAT no último quadro da 1a linha; no meio, o tecido adiposo branco, nossa "gordurinha"). No painel de baixo, a confirmação de que era exatamente BAT: verifica-se a expressão da UCP1, proteína característica somente das células do BAT. Como podemos ver, ela está presente no 1º quadro da linha de baixo (são os pontos mais escuros), um emonstrativo de que as células de tecido branco transplantadas estão virando BAT. Ou seja, bastou estes fatores para o tecido até então branco se transformar em marrom.

Para quem não sabe, o BAT está na linha de frente das pesquisas sobre obesidade, já que, diferente do tecido adiposo branco (a fatídica gordura que acumulamos no corpo), este tecido consome energia, produz calor e pode ser um alvo precioso para futuros medicamentos de emagrecimento eficazes e cientificamente sólidos. Ou seja, esta descoberta abre caminhos inacreditáveis no campo da obesidade - e por consequência indireta, da diabetes.

Aí que ontem eis que André abre o site do New York Times e lá está, na parte de ciência, um artigo sobre o trabalho excelente do Shingo. Ficamos super-empolgados. Porque quando a ciência que você faz aparece (e é elogiada) num artigo geral do New York Times, jornal mais lido do planeta, a conclusão só pode ser uma: é muito provável que você esteja no caminho certo da pesquisa. Ou pelo menos, que está fazendo a sua parte nesse quebra-cabeças chamado mundo. Imediatamente André escreveu pro Shingo parabenizando-o. É uma enorme alegria ver um conhecido (e amigo do André) ter seu trabalho científico de qualidade reconhecido dessa forma.

Parabéns, Shingo! Tudo de bom sempre pra você.

*********

P.S.: 1) Prometo em breve explicações melhores sobre o BAT. Por hoje, basta a comemoração. :>>

2) Estive numa palestra do Spiegelman, líder do grupo da Harvard em que Shingo está, enquanto morava na Coréia. Que mente brilhante, darwin-do-céu. Impressionante sua competência como cientista.

(Depois da quebra, o artigo do NYTimes sobre o trabalho do Shingo para os que não assinam.)

=> Continua ...

26.Maio.09

Indústria farmacêutica parte 1: modo de usar

Há tempos (na verdade, desde um comentário do Gui neste post de 2005 dos tempos de blogspot) venho matutando para tentar expressar num post minhas visões sobre a dualidade da indústria farmacêutica, uma das maiores e mais lucrativas do planeta. Dualidade esta que se resume no fato de que ela possui inúmeros defeitos dentro de nosso sistema econômico capitalista, mas sem ela estaríamos definitivamente muito pior em questões de saúde. E por isso uma certa relutância de minha parte em abranger o tópico: o equilíbrio na análise é deveras complicado.

Mas acho desde sempre um tema necessário. Então decidi fazer esta mini-série de posts (2 apenas): um explicando como a pesquisa de remédios funciona (e como a indústria se insere nela) e outro com minhas divagações/questões sobre os meandros do processo e os rumos éticos, econômicos etc. de tudo. Indústria, para fins dos posts, não serão as fábricas pequenas nem de fundo de quintal; são as chamadas big pharmas, que dominam o mercado dos remédios. Aguentem-me, pois: os posts serão longos.

**************

Para começar, acho fundamental entender como funciona o processo de desenvolvimento de uma droga - de aspirina a quimioterápicos, todos passam por um processo relativamente similar; as diferenças são poucas, e quando elas existem, variam de acordo com o país, com a letalidade da doença pesquisada ou com o interesse para o público geral. Vale ressaltar que se a doença tiver um índice de morte elevado, todo o processo é agilizado, para que novos tratamentos cheguem logo ao "mercado" - que é basicamente o grupo de indivíduos que está doente. Quem regulamenta esse processo todo nos EUA é o Food and Drug Administration (FDA), um órgão federal. Como boa parte das farmacêuticas se concentram nos EUA, o mercado americano é mais "quente" para drogas e o FDA tem uma reputação razoável, as decisões do FDA terminam funcionando como base para as avaliações de todos os órgãos regulatórios de saúde no mundo. Para fins de post e generalizações facilitatórias ao entendimento, me deterei às regras do FDA e levarei em consideração que o sistema de análise do FDA é "perfeito" - o que sabemos que não é.

A história em geral começa com um conhecimento "popular" - e aqui incluo desde tradição oral até o que já está no mercado e funcionando. Digamos por exemplo que um chá qualquer seja usado na China para tratar diabetes. O que as farmacêuticas fazem? Ao saberem de tal uso, instruem seus pesquisadores a investigar os componentes do tal chá, ver qual o composto ativo que efetivamente está exercendo influência sobre a glicose humana. O chá é praticamente "dissecado" nos laboratórios e cada fração testada em modelos in vitro (linhagens celulares) ou in vivo (animais, geralmente roedores).

Depois de testes realizados, descobrem que o responsável pela queda da glicose é o composto X. Inicia-se então o processo de síntese dele em laboratório (mais pesquisa envolvida aqui), e uma vez que essa etapa se concretize, começam os estudos mais profundos e detalhados, chamados estudos pré-clínicos. Através da realização de experimentos mais complexos, que "mimetizam" o que acontece em humanos, os cientistas vão analisar uma longa lista de parâmetros. No exemplo acima, por exemplo, teriam que analisar como o composto é excretado, se é excretado, qual o tempo em que ele fica ativo no organismo, se interfere em alguma outra via metabólica importante, qual a dose mínima e máxima que pode ser usada sem causar danos ao organismo, por onde a droga é melhor assimilada (via oral? intravenosa? dérmica?), se gera efeitos colaterais e o quão estes efeitos são toleráveis, entre muitos outros. Esta etapa é feita em animais de laboratório e nenhuma droga vai pro mercado sem passar por isso - salvo raríssimas exceções (como no caso de doenças que matam em 100% dos casos e de forma rápida), o FDA não aprova uma droga se não houve um estudo detalhado em pelo menos um modelo animal, sendo que 2 modelos animais é o mais recomendado (em geral um roedor e outro que pode ser porco, macaco ou coelho). Afinal, se a droga em questão mata os ratos em uma dose mínima, é óbvio que ela não pode ser testada em humanos. A etapa de testes em animais é uma questão de segurança para nós, basicamente.

Digamos que o composto anti-diabético X tenha, após os estudos pré-clínicos, se mostrado promissor em animais para diminuir a glicose do sangue. O responsável pela "idéia" neste momento inicia o processo de patente de seu composto - e aqui entram basicamente várias das disputas que vemos pelos tribunais entre farmacêuticas e pesquisadores. Parte-se então para os estudos clínicos. Chama-se clínico porque agora envolverá seres humanos, só por isso - e este "só" é irônico, porque ao ultrapassar a barreira de espécie, uma série de leis e regras éticas passam a ser necessárias para minimizar os danos à pessoa. Na 1a fase, com grupos pequenos (em geral, voluntários saudáveis), testa-se a dose mínima e máxima, o ritmo de excreção (se é o mesmo que nos animais testados), os efeitos colaterais - ou seja, basicamente, se tenta confirmar e/ou adequar o composto X ao organismo humano. Há casos de drogas que funcionam maravilhas em modelos animais e quando são levadas a humanos geram problemas sérios. É incomum, mas acontece.

Se o composto X teve uma boa performance nesse pequeno grupo de voluntários, passa-se então para a 2a fase de testes clínicos. Nesta fase, pessoas voluntárias em diferentes estágios da doença a ser combatida pela droga (no meu exemplo, a diabetes) passam a utilizar a droga na dose que a 1ª fase de testes indicou ser a mais segura. Esta fase em geral tem um maior número de pessoas envolvidas. Os resultados são comparados com o grupo "controle" (pessoas saudáveis que tomaram a droga na 1a fase) e agora o responsável pela pesquisa pode finalmente descobrir a eficácia do tratamento usando o composto X para a diabetes. Caso nesta fase os pacientes que se sujeitaram ao tratamento tenham uma melhora significativa, o composto X pode passar então para a 3ª fase de testes clínicos.

Na 3ª fase, ocorre basicamente um aumento do número de pessoas. Pensando-se estatisticamente, saímos da análise amostral e (tentamos) ter uma visão mais populacional dos resultados. Porque quando você passa a analisar milhares de pessoas com a mesma patologia, em diferentes áreas geográficas, de diferentes backgrounds genéticos, a probabilidade de aflorar um problema que os testes mais controlados e reduzidos da 1ª e 2ª fase deixaram escapar é maior. (Exemplo aqui.) É à caça desses "problemas" (efeitos colaterais, dificuldade de excreção, ineficácia, etc.), dessa variabilidade, que estão os pesquisadores na 3ª fase de testes clínicos.

Se depois de analisada na população geral, a droga se mostrou segura e eficaz, com efeitos colaterais moderados (e isso varia de caso para caso, principalmente de acordo com a letalidade da doença), o processo todo é compilado no FDA para a decisão final - já houve diversos relatórios em cada etapa, mas agora é a chamada "revisão final". Se a droga for aprovada, o responsável pela idéia pode distribuí-la nas farmácias e hospitais do planeta. Caso haja dúvidas, o FDA fornece mais um tempo para que o problema seja resolvido, e se o responsável pela idéia não as respondê-las, o processo pode ser arquivado. (Há inúmeras instâncias para recorrer, mas a grosso modo é isso).

********************

Esse caminho longo entre o chá na China e a prateleira da farmácia leva, em média, 8 anos e meio. E, uma vez concedida a patente (em geral, isto é feito ao fim dos testes pré-clínicos), a pessoa pode "explorá-la" no mercado pelas leis americanas, por 20 anos. Quando o tratamento se torna popular, como foi o caso do Viagra por exemplo, é certeza de lucros biliardários para a indústria - no caso, a Pfizer, que agora se desespera porque a patente vai expirar em breve e seu pipeline de descobertas está "seco", para usar o jargão da indústria. O que pode desestabilizar a empresa completamente, já que uma vez expirada, qualquer pessoa/empresa pode produzir e marketear a droga a seu belprazer.

E aí entra o componente mais complexo da equação toda: dinheiro. A pesquisa para o desenvolvimento de drogas é extremamente cara. Envolve profissionais especializados, laboratórios e hospitais capacitados, voluntários que por lei americana precisam ser pagos (e em tempos de crise, tem sido uma forma de muitos levarem o pão para casa), processos e relatórios para o FDA, além de um monte de outros detalhes. Pior: é muito arriscada. A probabilidade de que um composto "promissor" falhe em uma das etapas é grande - por conta de interações com outras substâncias e células do organismo, principalmente. Qualquer entidade que se mete a pesquisar e desenvolver drogas sabe disso. Idealmente, o governo acamparia todo o processo para si, arcando com as despesas integrais, em nome da saúde pública - já o faz em boa parte do processo, através da própria existência e manutenção do FDA, além de verbas para financiamento de pesquisas em universidades e institutos públicos, investimento em hospitais, etc. Mas não é suficiente, e se o governo fosse 100% responsável pela execução e regulamentação de todas as etapas do processo de todas as drogas do mercado, facilmente iria à falência - ou outras áreas importantes da estrutura social, como educação, segurança pública, etc ficariam seriamente comprometidas. (Ou seríamos super-taxados para pagar o processo, o que geraria mais mal-estar econômico e social ainda). Daí entram as farmacêuticas.

A elas, é concedido o direito de exploração comercial de uma droga bem-sucedida como parte de uma "retribuição" por terem investido tempo e dinheiro na pesquisa (e resolução) de um problema de saúde pública. Funciona como um acordo entre governo/sociedade e a indústria. Para que a indústria se sinta sempre incentivada a buscar novos tratamentos, há a estipulação de um prazo de validade para a exploração comercial da droga.

Num mundo ideal cor-de-rosa, o sistema acima funcionaria perfeitamente. No post de amanhã, vou tentar divagar porque estamos muito longe do mundo ideal no que tange o desenvolvimento de drogas pela indústria farmacêutica.

Tudo de bom sempre.

************

- Um excelente resumo esquemático de todo o processo de desenvolvimento de uma nova droga pode ser visto no esquema abaixo. Tirado desta página, recomendo a visita, pois cada palavra é um link que leva a uma explicação sucinta.

Esquema de desenvolvimento de novas drogas

30.Novembro.08

Novidades no campo da diabetes

Quando a gente abre o jornal ou uma publicação científica e vê uma novidade sobre "diabetes", em geral refere-se à diabetes tipo 2. Faz sentido: mais de 90% dos casos de diabetes são desse tipo. Para os diabéticos tipo 1, obrigados a injeções diárias de insulina desde pequenos, poucas das soluções que as pesquisas trazem servem para seu problema auto-imune.

Então foi com uma pitada de alegria que abri o The Biotech Weblog esses dias e achei duas novidades animadoras para os diabéticos. Embora não tenha sido dito em um dos casos, achei a abordagem das duas pesquisas promissoras exatamente pros tipo 1.

1) Uma droga que foi desenvolvida para tratar leucemia mostrou ser capaz de atrasar (ou evitar, em 71% dos casos) o aparecimento da diabetes em camundongos geneticamente modificados para desenvolver diabetes tipo 1. A droga chama-se Imatinib e trata basicamente a inflamação do pâncreas, que é o prelúdio da diabetes tipo 1 no organismo. Mais: a droga não só evitou o aparecimento puntualmente, mas evitou o desenvolvimento da doença a longo-prazo. Lindo.

2) Usando células-tronco embrionárias, um grupo da Universidade Nacional de Cingapura conseguiu gerar células produtoras de insulina (ou seja, células beta do pâncreas). Os pesquisadores transplantaram estas células em camundongos diabéticos, e conseguiram normalizar a glicemia dos animais. Além disso, estas células transplantadas não levaram ao desenvolvimento de teratoma (tumor geralmente associado a tratamentos com células-tronco embrionárias) e continuaram produzindo insulina ao longo do tempo do experimento. Pesquisa supimpamente animadora.

Tudo de bom sempre.

14.Novembro.08

Sexta Sub: você tem medo de quê?

Com o tuba nos braços

Estou aí na foto passando a mão sobre a cabeça de um tubarão. Muitas pessoas acham que isso é uma atividade "radical", cheia de adrenalina, onde seu medo é testado. Lamento desapontá-los: não é. A maior parte das espécies de tubarão tem medo de você e foge ao menor sinal da sua presença embaixo d'água. Poucas espécies atacam e no mundo inteiro em 2007 foram registrados 471 ataques fatais (geralmente acidentais) - o que corresponde a 0.00000785% da população mundial. Desses ataques, 63.7% vieram de 3 espécies apenas: o tubarão-branco (Carcharodon carcharias), o tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e o tubarão-touro ou cabeça-chata (Carcharhinus leucas).

No entanto, em outubro passado, o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA publicou uma pesquisa onde simplesmente perguntavam às pessoas do que mais elas tinham medo. O resultado foi impressionante.

As pessoas têm mais medo de serem atacadas por tubarões (mesmo que visitem o mar poucas vezes no ano), de acidentes de avião, de picadas de insetos e aranhas, do que de desenvolverem diabetes (menos até que câncer). É inacreditável (e inadmissível a meu ver) que tubarões metam mais medo que uma patologia que causa gastos econômicos e fatalidades em números alarmantes no mundo. Lamento mais uma vez desapontar, mas as pessoas definitivamente estão com o medo "errado".

Estima-se que 180 milhões de pessoas no mundo tenham diabetes, e que só até 2015 na China, a doença custará à economia 558 bilhões de dólares. Nos EUA, apenas os custos diretos em 2007 da doença chegaram a 157 bilhões de dólares - foram mais 57 bilhões de dólares de custos indiretos estimados. No Brasil, estima-se que 7.6% da população seja diabética. É um número muito elevado, epidemiologicamente falando. Isso, sem considerar o que o endocrinologista Dr. Fadlo, da Associação de Diabetes Juvenil, falou nessa semana no programa do Jô: 80% dos brasileiros estão fora da meta de hemoglobina glicosilada*. Traduzindo: 80% estão em risco iminente de terem diabetes, já são considerados pré-diabéticos. É um número de dar medo de verdade.

Hoje, 14 de novembro, é o dia mundial da Diabetes, uma data que a Organização Mundial de Saúde dedica à conscientização e orientação das pessoas sobre a patologia que é uma das maiores epidemias de nosso tempo. Vários monumentos ao redor do mundo se iluminarão de azul (97 no Brasil) como forma de demonstrar a preocupação real das pessoas (e que elas se conscientizem mais) sobre a doença e seus números assustadores.

Vista azul hoje e entre no círculo azul da diabetes. Informe-se sobre a patologia. Faça check-ups regulares. Só assim a gente pode enfrentar esse medo de frente - e ter mais chances de vencê-lo.

Tudo de azul-da-cor-do-mar sempre.

*****************

- Para ler mais sobre diabetes:

*A hemoglobina glicosilada (ou glicada) é o exame que mais precisamente mede a sua variação de glicose no sangue. Isto porque o resultado reflete os últimos 3 meses de glicemia, já que a medida reflete o turnover das hemácias no nosso corpo. É indicada então a porcentagem de hemoglobina que está ligada a uma molécula de glicose. A meta geral é de que as pessoas tenham no máximo 7% hemoglobina glicosilada - os diabéticos não controlados em geral estão acima desse valor. Os melhores endocrinologistas que conheço, entretanto, estabelecem a meta em 6%. Better safe than sorry.

**De hoje a domingo, um grupo de 500 profissionais de saúde estará mobilizado em diversos locais de São Paulo fazendo uma campanha de detecção da diabetes, com testes de glicemia, cálculo de gordura corpórea etc. Passe num destes locais e faça seu exame. Prevenir é melhor que remediar, sempre.

***Obesidade e diabetes andam de mãos dadas. Nesta semana, um estudo preliminar apresentado na conferência da Associação Americana do Coração mostrou que as artérias de uma criança obesa se comparam as de um adulto de 45 anos. isso sim dá medo. A obesidade infantil é, afinal, um peso que se leva para toda a vida. Cuidemos das crianças.

****E voltando aos tubarões, em agosto dois britânicos nadaram com tubarões para levantar fundos para uma ONG de diabetes. Fun, fun, fun!!! :)

*****Off-topic: As luluzinhas responderam às sandices sobre blogosfera (e sobre travel blogs...) que a prof. Luiza Lobo disse em uma entrevista à rádio CBN. Cynthia Semíramis conta a história em mais detalhes, enquanto Daniel Becher dá sua opinião sobre o tema. Fundamentais esclarecimentos.

******Off-topic 2: Hoje tem flashmob às 18h na Paulista e na Cinelândia contra o projeto de lei do "Sr. Azedo", que é de uma lunaticidade incomparável, afetando nossas liberdades individuais internéticas com uma punhalada. Participem e divulguem!

:: Próxima página >>

As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

Perfil da Malla

As fotos postadas neste blog também podem ser vistas nos sites abaixo:

Stock photography by Andre+Seale at Alamyartesub button

Interney Blogs

Feeds

Passeios virtuais

Na mala da Malla

Tubarão não é sopa

SHARKWATER

Friend of The Right Blue

Coral Reefs Forever - coral.org

Faça a sua parte

DECALOGO.jpg

Verbeat Blogs

BonitoWeb

I am a hard bloggin' scientist. Read the Manifesto.

Creative Commons License
Copyrighted by
Creative Commons License.

Add to Technorati Favorites

TwitterCounter for @luciamalla

Uêba - Os Melhores Links

As fotos deste blog são de uso exclusivo de Lucia Malla e André Seale. Caso queira utilizar as imagens contidas aqui para fins diversos, por favor contacte a Lucia: mallablog ARROBA gmail PONTO com. A gente precisa saber pra que "viagem" ela vai antes de liberar...

Sign by Danasoft - Images for Myspace Layouts


[ La Brute - Jogo Online em Flash Grátis ]