04.Janeiro.09
Mônica e Cebolinha em coreano
Continuando a "minissérie" improvisada de curiosidades que vêm emergindo da mega arrumação que estamos fazendo em casa, eis que dentro de uma pasta que trouxemos da Coréia achei um recorte do jornal Daily Zoom [link em coreano] guardado por um motivo "saudosista" de expatriada na época: mostrava uma tirinha da Mônica e do Cebolinha em coreano - na seção "World Cartoon" do jornal.
Só não me peçam para traduzir os balõezinhos... 
Tudo de bom sempre.
30.Julho.08
Lost in translation: hangul, o alfabeto coreano

Fachada de um prédio comercial em Ansan, Coréia do Sul.
Eu sempre fui uma apaixonada por línguas. Filha de professora de francês, aprendi desde cedo a prestar muita atenção às diversidades sonoras dos idiomas. Minha mãe murmurava francês dentro de casa e mesmo eu não entendendo nada, adorava repetir algumas das frases feito papagaio. O som me encantava. Na adolescência, me empolguei e entrei na Aliança Francesa - já fazia curso de inglês desde os 9 anos.
Por isso, quando soube que iria morar na Alemanha, qual foi a primeira ação que tive (antes mesmo de olhar passagem e passaporte)? Matriculei-me num curso de "alemão de sobrevivência". Quando cheguei no Havaí anos depois, o que fiz? Assisti a aulas de havaiano por 1 ano. Eis então que em 2003 soube que iria me mudar para a Coréia do Sul e meu primeiro pensamento foi: preciso aprender coreano. Fucei e achei aulas de coreano básico na Universidade, e lá fui eu me aventurar pela nova língua.
Existe um abismo enorme entre aprender uma língua que usa os mesmos caracteres que os de sua língua nativa (no nosso caso, os caracteres romanos) e aprender um novo sistema completamente diferente. Você precisa ser alfabetizado novamente, e a percepção desse desafio é o que faz muita gente desanimar no início. Mas para mim, era mais empolgante ainda. Matriculei-me no "coreano de sobrevivência" e seja-o-que-silla-quiser.
Eis que então um universo novo começou a desabrochar na minha cabeça. O coreano é uma língua completamente peculiar e a única falada (e adotada oficialmente por um país) 100% inventada por uma pessoa, o rei Seojong, com uma data de surgimento precisa: em 09 de outubro de 1446. Seojong era um rei da dinastia Jeosong (ou Choson), cujo território engloba o que são hoje Coréias do Sul e do Norte. Muito interessado em cultura e artes em geral, durante seu reinado viu-se um florescimento de diversas invenções e tecnologias avançadas para a época. Além disso, Seojong também foi o responsável pela expansão do império coreano, e tinha preocupações militares que o inquietavam. Uma delas era a questão da comunicação.
Antes de inventar o alfabeto coreano, o povo daquela região falava uma língua que advinha do chinês, com modificações de estrutura gramatical e ordem das sentenças. Escrever, por outro lado, era privilégio dos mais nobres, que se utilizavam da complexa escrita chinesa, ou seja, dos caracteres chineses. Dessa forma, qualquer ordem estratégica militar escrita que caísse em mãos chinesas era facilmente decodificada pelo inimigo. Seojong então resolveu criar uma forma de escrever única, que apenas os habitantes do então reino de Jeosong pudesse entender. Inventou o hangul (ou hangeul), o alfabeto coreano.
O hangul foi imediatamente institucionalizado por Seojong, que obrigou todos os habitantes de seu reino a aprenderem a lê-lo e escrevê-lo, unificando assim a linguagem da península e facilitando a disseminação da informação para toda a população - o que de quebra fortaleceu estrategicamente a região, já que era um "código" único que só a península falava, desconhecido pelos invasores. Isso garantiu sua soberania política por mais de 100 anos na região. Os intelectuais da época foram contra a mudança (por que tanta honra aos trabalhadores braçais? Ler e escrever eram privilégios da elite, oras!). Tanto pressionaram que o hangul foi proibido no início do século XVI de ser utilizado em documentos. No entanto, já estava imortalizado entre as pessoas: era a língua do povo. Desde então, houve uma série de "proíbe-permite" do ensino do hangul nas escolas, até que depois da 2a Guerra, o hangul se estabeleceu definitivamente como o idioma da península coreana.
Um idioma de lógica muito simples, entenda-se. Composto por vogais e consoantes, como o nosso, e palavras formadas por sílabas, exatamente como as nossas. Embora a aparência pareça complicada (pelo menos nos olhos ocidentais), é das línguas mais lógicas do mundo. Seojong teve a preocupação de desenhar cada letra responsável por um som de acordo com o formato anatômico que a língua, a garganta, os dentes e a boca fazem ao pronunciarem aquele som. Ou seja, o hangul é um alfabeto totalmente baseado na fonética - suas letras (os jamos) são desenhadas pela fonética, usando tracinhos e bolinhas (essas últimas representam o som mudo, tipo "h" em "hotel"). Por exemplo, o som do "G" é representado pela letra "ㄱ", que é um diagrama básico da anatomia da língua em relação à garganta quando sai o som "gá".
O alfabeto tem 14 consoantes e 10 vogais e 11 ditongos (considerados como 1 letra), e as sílabas são sempre formadas por pelo menos uma consoante e uma vogal, desenhadas dentro de um quadrado imaginário que delimita a sílaba. Há também as "letras duplicadas", que seria mais ou menos como nossos "rr" ou "ss", mas com outros sons (em geral dando mais força à letra única que representam). Por exemplo, o "ㄱ" que falei acima tem sua dupla escrita "ㄲ" e fala-se com um pouco mais de força e ar expirado, soando quase como um "ká". Embora na Wikipedia comenta-se sobre a existência de 11 uniões consonantais, em 3 anos de Coréia eu não vi sequer uma palavra escrita com uma dessas letras. Portanto, em termos práticos do dia-a-dia, encontros consonantais são praticamente inexistentes.
Uma vez que você aprende as letras, você vira criança de 5 anos aprendendo a ler: para em frente a uma palavra e leva 30 segundos para falar uma sílaba, juntar letra a letra que acabou de memorizar com o som correto. Levei um bom tempo para conseguir ler um pouco mais rápido. Só a prática te permite isso e dado que o coreano é uma língua rara fora da Coréia (só nos bairros coreanos espalhados pelo mundo você tem contato com o hangul), meu conselho é que se você quer aprender coreano, vá passar um tempo por lá. Seul é legal e moderna, vale a pena.


No metrô de Seul, há placas e informações em 3 línguas: inglês, coreano e chinês. Com as Olimpíadas em 88, dentro dos carros do metrô também foi instaurada uma voz que anuncia em inglês a estação. Tradução da placa luminosa: "Próxima estação: Irwon. Saída pela direita."
Mas, uma vez que fui "alfabetizada", mais uma vez igual criança, queria ler tudo que via pela frente. Em termos gerais, se você sabe ler o coreano, já é o suficiente para se virar um pouco na Coréia (uns 30%, eu diria). Por uma razão simples: muitas das palavras utilizadas no dia-a-dia hoje vêm do inglês, e estão nas placas/avisos em inglês, apenas escritas com as letras coreanas. Veja o exemplo da placa abaixo:
"Snack Car" é a exata fonética do que está escrito em hangul. Ou seja, não há uma palavra em coreano para designar "snack" - então eles usam a palavra em inglês, apenas escrita com as letras coreanas. E isso se repete o tempo todo pela cidade, deixando mais fácil a vida pro estrangeiro que sabe ler o coreano. (By the way, esse é um ônibus-lanchonete, que estava estacionado perto do rio Han. Tinha um debaixo do viaduto perto da minha ex-casa que era "ônibus-restaurante", com aquário para peixes e lulas vivos, e de aparência mais dark que os filmes do Batman.)
Foi aprendendo coreano que percebi também outro abismo: aprender a ler e entender o vocabulário. Não me considero jamais uma falante de coreano. Sei ler, mas não sei o significado das palavras que leio, e nesse sentido, sou uma analfabeta funcional do idioma. O vocabulário da língua, exceto o que vem do inglês, é completamente diferente de tudo que se pode imaginar. Algumas palavras têm raízes chinesas, mas boa parte delas são únicas, criadas para e pelos coreanos. Isso para não falar da confusão dos números.
Há 2 sistemas numéricos em vigor na Coréia, o coreano e o chinês. Ambos são utilizados corriqueiramente, com regras que não parecem fazer sentido. Na dúvida, meu professor dizia para usar o chinês (?!?!). Por exemplo, para dizer as horas é assim: 8:40 você fala o "8" em coreano e o "40" em chinês. Telefones sempre use os números em chinês. Para contar coisas "palpáveis", use o sistema coreano. O preço das mercadorias é no sistema chinês que se fala. Durma com uma matemática dessas.
Apesar das dificuldades, o coreano é uma língua interessante, e a construção/criação do hangul é, a meu ver, simplesmente brilhante. O hangul pode até não se expandir mais militarescamente falando, mas veio pra ficar e para dar orgulho a uma nação unida pela ancestralidade e pela territorialidade.
Tudo de bom sempre.
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- A romanização das palavras coreanas ainda é motivo de muita discussão, acadêmica e popular. Por exemplo, a cidade de Busan também pode ser escrita como Pusan. Não há um consenso ainda na melhor romanização, e vai se fazendo do jeito que soa melhor.
- O hangul não tem fonemas para "V" nem "F" - esses sons não existem na língua. Portanto, toda vez que eles precisam traduzir pro coreano uma palavra com uma dessas letras, eles colocam "B" ou "P". Exemplo: "fork" vira "pork" e "video" vira "bideo".
- Vale lembrar mais uma vez: apesar de tudo parecer um monte de bolinha e pauzinho, o coreano usa letras, enquanto o japonês e o chinês escrevem por ideogramas. E pensa bem: não são as nossas letras também um monte de pauzinho e bolinha? ![]()
23.Fevereiro.08
Quick guide for a pleasant afternoon in Seoul
Seoul is a huge city that requires many days to enjoy thoroughly. I spent 3 years of my life living there, and couldn't see it all - go figure. So if time is an issue for your visit, I put together here a short guide for a pleasant and slow-paced afternoon in Seoul - with places I think are interesting for taking a look. It will give you a slight feeling of Seoul's soul, calmly.
Take the subway from anywhere you are in Seoul and get off at City Hall Station, line 1 or 2 (it's a downtown station, so it will not be difficult to find). Leaving the subway station, you'll face a big gray ugly building in a corner of a spacious plaza. That's the Seoul City Hall. In the plaza you can find numerous artists and bands performing traditional Korean music for tourists. Take some minutes to appreciate that, it's worth it as a first encounter with real Korean music.


The gray City Hall building, and Korean traditional music being played at the plaza.
In front of the plaza, there's a tall brick wall with a traditional gate in Korean architecture style: it's the entrance for the Deoksugung Palace, where they perform daily at 1 pm the ceremony for the change of the royal guard. Colorful uniforms in old Korean style are worn and a large decorated drum marks the rhythm of the ceremony, carried out according to the Joseon dynasty rules. Even the Korean residents stop by the sidewalk to watch. The palace grounds are a national historic site, with a complex of Korean style pavilions and one very westernized building, the Art Museum Deoksugung. It takes half an hour to enjoy the gallery there, if you're not very into modern art.




Change of the Guard Ceremony at Deoksugung Palace entrance gate.
Spend some time in the palace garden, its really worth the peaceful atmosphere in the heart of the downtown area. Walk around the traditional paths - imagine the royal family doing the same there centuries before. After leaving the park, walk towards the mountains (north) on the right side of the street, and you'll see a stream between a bunch of steel-and-glass buildings. That's the Cheonggyecheon, the stream recuperated recently in order to renovate Seoul's urban area. The stream was covered with cement during the 60's and now, reopened, made into a pleasant walking park, with small waterfalls, rest areas and a wall covered in tiles with Korean-style drawings telling the history of Korea from all dynasties to nowadays. It's really worth seeing.




Cheonggyeochong stream in the heart of Seoul downtown.
When you reach the end of the de-urbanized stream, take the stairway on your right side. You will find yourself in Myeong-dong, a neighborhood mixed with fancy stores and little alleys with nice Korean restaurants. You will smell kimchi everywhere you walk here - and if you enjoy extremely spicy food, try the most important Korean food item. Some streets in this neighborhood are only for pedestrians, and ask at the Information Stand where the Gelateria Gusttimo is located. Gusttimo has the best ice cream in Seoul (perhaps in Asia?), so forget about your diet for a while and enjoy a big cone there. They are made without sugar and you have the choice of more than 30 flavors.


Gelatteria Gusttimo in Myeong-dong, a neighborhood with small alleys and some traditional restaurants.
By the end of this walk, it's probably night already. Hopefully, you will have enjoyed the quick look around Seoul's downtown area and may plan another not-so-quick visit.
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- Welcome, dear readers of the Carnival of the Cities! My blog is written in Brazilian Portuguese. I'm a scientist, a diver and a traveler, so these are the basic themes of my posts. Feel free to browse around or see some of the pictures I publish here on this link. Comments are made on the link "X viajaram comigo" ("traveled with me" in Portuguese), by the end of the post. Once in a blue moon I write in English in order to interact a bit with the inspiring english-speaking blogsphere. Hopefully, this will become a good habit. Enjoy!
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- Esse post é a versão em inglês desse post aqui, escrito no ano passado. Traduzi-o para (tentar) participar do Carnival of the Cities dessa semana, que será hospedado num dos blogs de ciência que eu mais gosto, o Living the Scientific Life, comandado pela Grrl Scientist.
E preparando esse post me ocorreu a seguinte idéia: por que não fazemos um "blog carnival" sobre cidades em versão língua portuguesa? Comentei a idéia com o Bender, ele achou interessante e decidimos propor aqui a todos o seguinte convite para o dia 29/fevereiro, sexta agora: submetam o link para seus posts escritos durante o mês de fevereiro sobre uma cidade (vale qualquer assunto sobre qualquer cidade de pelo menos 50,000 habitantes) para o email do blog (mallablog ARROBA gmail PONTO com), que a gente os agrega em um post único no dia 29/fevereiro lá no Goitacá. Assim, você participa da primeira edição do "Mundo de cidades", o carnaval das cidades versão língua de Camões! Se der certo, poderemos fazer todo fim de mês. Que tal?
Conto com a participação de todos!!!
11.Fevereiro.08
Namdaemun em chamas
Ontem, o Namdaemun Gate (também chamado de Sungnyemun Gate), símbolo nacional número 1 da Coréia, pegou fogo. Completamente destruído. Ainda não se sabe ao certo se o incêndio foi criminoso ou acidental. Mas seja o que for, é triste, muito triste.
Triste porque faz parte da paisagem de Seul como o Pão-de-Açúcar faz parte do Rio. Você passa pelo downtown Seul, e o Naemdaemun está lá, te lembrando um pouco da arquitetura coreana das dinastias, do choque entre o velho e o novo - ao redor do portal, apenas arranha-céus, mas ele está lá, símbolo de um passado do qual todo coreano se orgulha. O Namdaemun Gate fica no meio de uma rotatória, na interseção de grandes avenidas que escoam o trânsito da cidade, um marco de uma cidade que não esquece seus antepassados. Ele já havia sido reconstruído em 1963, depois de destruído pelas inúmeras invasões que a cidade sofreu. Mas vê-lo como ficou agora... é de cortar o coração.
Passei por ele inúmeras vezes, a maioria delas com pressa, indo para algum compromisso. Mas de rabo de olho, sempre o admirava, imponente que estava em meio ao caos urbano.
Robert Koehler publicou fotos do antes e depois do fogo em seu blog. As fotos do Memorial que ele preparou são simplesmente lindas.
Tudo de melhor para os sul-coreanos que hoje perderam seu símbolo arquitetônico.
26.Janeiro.08
Rodando na Ciência: Coréia do Sul

Prédio onde trabalhávamos em Ansan, Coréia do Sul.
Um grande desafio. Foi assim que encarei a proposta de ir para a Coréia do Sul, quando fomos contratados, André e eu, por uma empresa de biotecnologia próxima a Seul. Eu pouco sabia da Ásia a não ser o básico da informação geográfica. A curiosidade falou mais alto: "vamos!". Matriculei-me na aula de "coreano de sobrevivência" e 6 meses depois encarei o desafio de morar na Coréia do Sul.
Ainda não me lembro direito do dia que cheguei em Seul - o jet lag me consumiu por boas semanas, e eu dormia e acordava fora do ar. Mas aos poucos fui acertando meu relógio biológico de modo a poder trabalhar efetivamente. Com tanta coisa nova de uma vez só e a enorme dificuldade para me comunicar com os coreanos, não foi raro eu chegar com dor de cabeça em casa no início da nossa temporada nas terras de Confúcio. Ainda lia coreano como uma criança de 6 anos aprendendo a ler sua própria língua, e me sentia patética levando 1 minuto para entender o nome de uma estação de metrô - para não falar dos erros de leitura que geravam pequenos micos, é claro.
Com o passar do tempo na Coréia, todas essas dificuldades de iniciantes foram se amenizando, e eu comecei a focar profundamente na nova linha de pesquisa que me levara ali. Estávamos numa empresa, a temática principal era "proteômica", e precisávamos bolar um projeto que envolvesse diabetes tipo 2. Nem eu sabia direito o que era proteômica, naquela altura do campeonato. Mas eu entendia um mínimo de fisiologia de diabetes, e partimos daí para bolar o projeto.
Nossa chefe era uma expert em espectrometria de massa e havia um químico colaborador da Universidade de Dankook que produzia requintadamente compostos derivados de vanádio e zinco para testes - é sabido desde o início do século XX que alguns derivados de metais pesados melhoram a resistência à insulina que acomete o diabético. A vantagem desses compostos é que eles poderiam se transformar num futuro longínquo em pílulas, ou seja, tratamentos orais. Montamos então um ensaio em grande escala (o chamado "high throughput") feito por um braço robótico (aprender a lidar com o "robô" foi uma novela à parte) para testar esses compostos modificados, usando como parâmetro a eficiência da inibição do PTP1B, enzima-chave do metabolismo de insulina em humanos. A cada nova ligação carbônica que o colaborador adicionava nos compostos de metal pesado, a inibição do PTP1B era registrada e, inúmeros ensaios depois, concluímos que o composto mais simples entre os vanádios era o de melhor eficiência.
Resolvemos então olhar para a inibição que esse composto acarretava em células de tecido adiposo (gordura) de camundongo, ou seja, num sistema vivo. Como bons fisiologistas endócrinos que somos, puxamos a sardinha pro nosso lado e incrementamos os experimentos analisando alguns hormônios e substâncias que o tecido adiposo libera normalmente - como esses hormônios se comportavam com tratamentos de vanádio. Indiretamente, medíamos a inibição da mesma enzima trocentos passos depois. Para o projeto, tive a ajuda fundamental de um estudante de graduação chamado Min-chol, que mal falava inglês - imagine a dificuldade de explicar ciência para ele, era como falar hebraico para um tuvalense. Min-chol me ajudava a fazer zilhões de Western Blots por dia, e graças à ajuda dele, conseguimos no final resultados bem legais das medições de hormônios secretados pelas células de gordura.
Entretanto, estávamos numa empresa pequena, onde o espaço para delírios viajantes científicos é restrito. De modo que por mais que o projeto de fisiologia fosse interessante, tivemos que começar a investir tempo numa aplicação que rendesse algo de volta à empresa. Talvez essa mentalidade da "ciência-business" tenha sido o maior aprendizado de ciência que tive na Coréia.
Entramos de cabeça em proteômica, de alta categoria. Começamos a desenvolver testes fisiológicos para comprovar a eficácia de placas de MALDI-TOF que a própria empresa desenvolvia, a preços beeeeem mais baratos que as do mercado. A tecnologia inovadora do produto foi patenteada.
Apesar do sucesso do produto, cada vez mais nós sentíamos que era chegado o momento de partir. 3 anos de Coréia se passaram e no final das contas, com todos os tropeços, micos e risadas, acho que eu passei no teste da Ásia. E de vez em quando me pego com saudades de dizer umas palavras, como...
Anyeong hasseyiô!
(Vocês sabem o que significam as palavras que acabam um post em terras mallas...)
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- Meu blog nasceu na Coréia, então muitos posts contam a vida por lá. Para lê-los, basta clicar na categoria Coreanices.
- A ascensão e queda do professor Hwang e sua clonagem humana falsificada aconteceu no período em que estávamos na Coréia. Pudemos acompanhar toda a comoção nacional que envolveu o caso. Educativo, pra dizer o mínimo.
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Os posts da mini-série Rodando na Ciência você pode ler nos links abaixo:
- Rodando na Ciência: Viçosa
- Rodando na Ciência: Potsdam - Sampa
- Rodando na Ciência: Boston
- Rodando na Ciência: Honolulu
- Rodando na Ciência: Coréia do Sul

















