16.Setembro.09

Minhas viagens prediletas - ano 4: Rio Sucuri impressionista

Diferente dos meus demais posts prediletos, onde em geral eu estava tranquila no aconchego do meu lar escrevendo, o do Rio Sucuri foi escrito na estrada, enquanto eu viajava pelo centro-oeste e sul do país. Mesmo estando na estrada (confesso que essa não é a forma que mais gosto de escrever, durante uma viagem), estava eu tão hipnotizada por esse local que terminei me empolgando e escrevendo, tudoaomesmotempoagora, e, ainda emocionada por ter visto tal beleza, publiquei no dia 25 de setembro de 2008. Enjoy this impressionist ride.

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Em nosso segundo dia em Bonito, depois de rapelar pelo Anhumas, fomos relaxar à tarde fazendo uma flutuação pelo rio Sucuri, outra atração imperdível de Bonito.

É interessante quando a gente comenta sobre Bonito e fala das flutuações. Uma parte das pessoas acha que fazer somente uma flutuação na região é suficiente, pois todo o resto será "a mesma coisa". Nada pode ser mais longe da realidade, pelo menos para os minimamente interessados em paisagens submersas. Se no rio da Prata, há um cenário dramático com rochas, troncos, algas, areia e eventos inusitados como o Vulcão, no passeio pelo rio Sucuri vemos um domínio do verde intenso das plantas aquáticas por todo o percurso e da mata nas bordas. É claro, há troncos e rochas no fundo, mas a sensação de estar passando por um jardim submerso é muito mais intensa. O rio Sucuri me lembra o tempo todo uma grande tela natural de Monet em dezenas de experimentações de verde.

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O passeio começa numa trilha de mata ciliar dentro da fazenda São Geraldo em área que foi transformada em RPPN. Depois de uma pequena caminhada sossegada, chegamos na nascente principal do rio Sucuri. A nascente parece um lago de lírios, tamanho o pontilismo dos tons de verde que vemos da plataforma de observação. Ali é proibido cair na água, verdadeira tortura, pois a visibilidade da água e a beleza do local convidam imensamente.

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Nascente do rio Sucuri.

Depois da nascente, chegamos ao ponto onde a flutuação em si começa. Como era um dia calmo no Sucuri, tínhamos um guia dedicado para nós, o Kiko Canindé, um estudante de biologia bastante animado com o curso, que nos explicou com clareza diversos aspectos ecológicos e zoológicos do local. Caímos então na água - Canindé ficou no barco. No rio Sucuri, a flutuação é o tempo todo obrigatoriamente acompanhada por um barquinho de apoio (no rio da Prata isso só não acontece por causa de uma corredeira intensa num trecho do rio).

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No rio, o cenário sub tem todos os tons de verde imagináveis, verdadeira aquarela de pintura. Há uma diversidade botânica considerável. Eu estava muito cansada do rapel no Anhumas de manhã, então usei o Sucuri como meu "spa" natural e flutuei como a voar por cima de um mar verde. Em diversos momentos inclusive abri os braços, para me sentir passarinha da água.

Mas o rio não era só relaxamento. Há trechos mais fundos e de correnteza um pouco mais forte, onde tive que gastar suada energia em braçadas na contra-corrente, aguardando o André, que fotografava o máximo possível e vinha atrás de mim no ritmo de fotografia. Mas mesmo tal "exercício" não comprometia meu estado psicológico geral de leveza e felicidade.

Mais ou menos na metade do passeio, o guia nos pediu para tirarmos a cabeça da água para ver um pássaro enorme. Logo depois, foi a vez de uma mamãe-lontra aparecer com 2 filhotinhos na beira da água. O sol estava delicioso iluminando a cena como no famoso quadro de Monet, e as lontras tomavam sol. Mergulharam então na água em velocidade de vapt-vupt, levantando uma poeira considerável do fundo. Mas nossa tarde já estava sorridente com esse encontro-surpresa.

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Fomos flutuando em nossa velocidade. O fato de estarmos sozinhos na água colaborou para vermos mais detalhes do rio, que próximo ao final ficara mais cheio de partículas em suspensão, provavelmente devido à seca. Depois do passeio terminado e já em terra, meus olhos ainda estavam enxergando as tonalidades esverdeadas que vira embaixo d'água. Não é todo dia que voamos sob um tapete verde molhado e gosto de pensar que se Monet tivesse conhecido o rio Sucuri, sua série de quadros de flores aquáticas teria incluso visões submersas fenomenais.

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Porque o quadro que a gente vê embaixo d'água ali no Sucuri é tão lindo e iluminado que deve ser guardado no recanto íntimo das artes da gente, junto com as ninféias de Monet, onde as grandes belezas do mundo se tornam inesquecíveis.

Tudo de Bonito sempre.

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15.Setembro.09

Minhas viagens prediletas - ano 3: Você já ouviu um muriqui na mata?

Minha 3a viagem predileta de escrever está profundamente relacionada com a biologia - e, ironia das ironias, não é um animal marinho, pelo contrário. Mergulhado em fragmentos minúsculos de Mata Atlântica, está uma das maiores preciosidades faunísticas do Brasil e do mundo, o muriqui. Nossa breve visita a Caratinga, relatada em 27 de abril de 2007, foi ao mesmo tempo emocionante e triste. Escrever este post foi também assim, emocionante a cada linha, alegre de ver o quanto o animal é dócil, o quanto podemos aprender com ele; e triste, por saber que tão poucos restam e que o esforço de conservação para sua sobreviviencia precisa ser tão complexo que praticamente inviabiliza-o. Escrevi por necessidade de criar o alerta, com vontade de gritar pro mundo o quanto este animal é precioso, mas ao final do post escrito, sentada na cadeira em nosso apê, imersa em artigos sobre o muriqui, chorei.

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Fim de semana passado eu estava no meio da remanescente floresta Atlântica da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala - mais conhecida entre os biólogos como Estação Biológica de Caratinga. O que me levou até lá foi o interesse por um animal lindo, infelizmente a um pequeno passo de desaparecer da Terra (está na categoria "criticamente ameaçado de extinção" da lista vermelha do IUCN): o muriqui, ou macaco monocarvoeiro.

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Entrada da RPPN Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga (na realidade, em Piedade de Caratinga, cidade vizinha).

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O famoso e raro habitante daquela área.

O muriqui é o maior primata das Américas e é encontrado apenas no Brasil. Há duas espécies desse macaco: o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) que vive em MG e ES e tem a cara rosada, e o muriqui-do-sul (Brachyteles aracnoides), presente em SP, RJ e PR, com a cara preta. É o muriqui-do-norte que está mais ameaçado: são pouco mais de 500 indivíduos ao total no mundo. Desses poucos, cerca de 250 deles vivem na reserva de Caratinga, que tem apenas 1000 hectares - um fragmento de mata atlântica em meio a pastos e fazendas de café. O muriqui é essencialmente arborícola: nasce, cresce, vive, alimenta-se e reproduz-se em cima das árvores. Além de movimentar-se muito nelas, é claro. Portanto, é a destruição da mata para pastagens e plantações a maior ameaça a sua sobrevivência, já que sem árvores grandes em cobertura contínua ele padece. E sinceramente, é muito triste pensar que um animal como o muriqui perecerá. A razão pelo qual isso é triste eu deixo pro Luciano Candisani, autor do livro "Muriqui" (2004), dizer:

"Os muriquis, em especial, têm surpreendido os primatologistas pelo comportamento peculiar, se comparado ao das outras espécies de macaco. Maiores mamíferos endêmicos do Brasil (tanto a fêmea quanto o macho chegam a medir 1.5m e pesar 15 kg na fase adulta), não brigam nem pelo domínio de um grupo, nem pela comida, nem pelo acasalamento. Ao contrário organizam-se com base na fraternidade, trocam abraços a todo momento e mantém-se unidos conforme uma espécie de hierarquia que é regida pelo afeto - coisa inusitada entre os briguentos primatas. Ademais, são as fêmeas adolescentes que tomam a iniciativa de largar seus bandos para ingressar em outros grupos."

Esses macacos são os primatas mais pacíficos conhecidos pela ciência. Vivem numa sociedade em completa harmonia - e durante o período em que estivemos com eles na mata, pudemos ver isso claramente: a todo momento eles se abraçam, brincam, fazem cafuné no vizinho, preocupam-se uns com os outros. Não há competição: há cooperação intensa entre os muriquis. Um verdadeiro exemplo de convivência social aos primatas humanóides.

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Entrando no fragmento de Mata Atlântica da RPPN de Caratinga.

Passamos um dia inteiro na mata seguindo os animais. Eles se movimentam bastante, usando o rabo como um quinto membro para se pendurar nos galhos, e nós o avistamos primeiro - com a ajuda do super-guia Jairo, é claro - no topo de um morro (haja perna para subir aqueles barrancos escorregadios...). Alimentavam-se da Mabea fistulifera, uma flor que produz um néctar que eles adoram e cuja densidade florestal é gigantesca no topo de um dos morros da reserva. A Mabea só floresce nessa época do ano, então nesse período, os muriquis visitam as árvores dela constantemente para o banquete efêmero da comida predileta. Local certo de vê-los.

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As Mabeas, alimento preferido pelos muriquis, na árvore.

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Detalhe da inflorescência (conjunto de flores), que contém o néctar açucarado que o animal tanto gosta.

Ficamos por horas com um grupo de 25 muriquis (10% de todos os indivíduos da reserva!) bem pertinho, observando seu comportamento, fotografando, dando risadas com suas brincadeiras, "xingando" alegremente toda vez que eles por brincadeira faziam xixi nas nossas cabeças, e em delírio completo por avistarmos tão amigável e pacato primata. Havia filhotes no bando, e esses são mais desengonçados, usam muitas vezes a mãe como ponte para passar de um galho para outro. Depois de alimentados, os muriquis se deslocaram para áreas mais baixas do morro, para uma sesta básica, e se encolheram em seus galhos. O mais interessante, no entanto, é que o trabalho científico em Caratinga foi/é tão intenso, que os pesquisadores e guias conhecem os muriquis pelo nome (os animais não são marcados ou anilhados): Guga, Fernanda, Nilo, Darlene... foram alguns dos que vimos. Essa nomenclatura veio da cabeça de Karen Strier, pesquisadora americana da Universidade de Wisconsin que dedicou 20 anos de sua vida aos muriquis, vivendo com eles e estudando-os ali, em Caratinga. Estudou tanto que passou a reconhecê-los individualmente, o que facilitou a análise das relações sociais e comportamento dentro dos grupos - Karen mapeou os laços de amizade de maneira precisa. Além de tê-los acostumados à presença humana: nenhum deles fugiu ao nos avistar por entre folhas. Os esforços de Karen, aliados ao dos primatologistas Célio Valle, Russel Mittermeier e Álvaro Aguirre, permitiram que os muriquis não fossem completamente extintos. Batalharam por anos para a criação da reserva - mesmo quando a pressão dos fazendeiros vizinhos para comercializar a madeira que ali restava era enorme. Hoje, alguns pesquisadores ainda se debruçam em questões básicas de comportamento e estratégias de preservação da espécie ali mesmo em Caratinga e em alguns outros lugares do Brasil, onde felizmente a espécie já foi avistada. A estação de Caratinga, pela sua população bem estudada e de maior número, recebe cientistas do mundo inteiro e a agência Conservação Internacional (filial brasileira da Conservation International) está envolvida diretamente na luta pela manutenção do muriqui. No período em que lá estivemos, conhecemos Fernanda, Luísa e Carla, pesquisadoras de doutorado que estão fazendo parte de sua coleta de dados ali. Convivem diariamente com o muriqui, sabem seus hábitos e personalidades, e apesar do trabalho árduo e do isolamento (a estação não tem telefone nem internet, e elas deslocam-se à vizinha cidade de Ipanema para comunicar-se com o mundo exterior), parecem amar estar na RPPN, em contato com animais tão raros e tão dóceis.

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Mas os esforços da Karen teriam sido em vão se, primeiramente, a fazenda não tivesse sido desde sempre mantida intacta. Feliciano Abdala, antigo dono das terras, também possuía outros alqueires na região, que transformou em áreas de plantação. Mas por uma visão ecoambiental privilegiada (e promessa no ato da compra), manteve uma área de mata generosa em suas terras, cerca de 80% da fazenda. Nessa área, hoje, vive o muriqui. Se Seu Feliciano tivesse desmatado tudo naquela época (como o fizeram seus vizinhos), provavelmente o muriqui estaria extinto. Seu Feliciano faleceu em 2000, e hoje a fazenda é cuidada por Ramiro, seu filho. Mas são ainda as palavras de seu Feliciano, lidas no livro do Candisani que citei acima, que ecoaram na minha cabeça por todo o tempo em que interagi com os macacos:

"Eu não tinha a menor idéia do valor e da utilidade científica que essa mata teria no futuro. Durante toda a minha infância, ouvia do meu pai que era preciso cuidar das matas porque o fim delas traria algo de muito trágico. Isso ficou gravado na minha memória. Uma coisa é certa: não podemos retirar da natureza aquilo que jamais poderemos devolver."

Seu Feliciano sabia no fundo que o relincho de um muriqui na mata é um valor que a gente realmente não devolve à natureza, muito menos esquece ou deixa fenecer.

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Tudo de muriqui sempre.

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Para viajar mais com a macacada...

- Há populações de muriquis ainda não completamente aferidas na Serra do Caparaó, na Serra do Brigadeiro e em Santa Maria de Jetibá (ES). A idéia da CI era fazer um corredor de mata atlântica, para que os diferentes grupos desse macaco pudessem se encontrar e misturar seu material genético. O corredor seria uma extensão floresteira que conectaria 4 grandes áreas já protegidas: o Parque Nacional do Rio Doce, a Serra do Caparaó, a Serra do Brigadeiro e a reserva de Caratinga. Em todas essas áreas, há relatos de visualizações de muriquis - em baixíssima quantidade, mas há. Para que isso ocorra, muito mais que logística científica, é necessário boa-vontade política, principalmente entre os fazendeiros da região - e é aí que o muriqui torce o rabo.

- Perguntei a uma das pesquisadoras sobre níveis de endogamia, e ela me respondeu de forma evasiva. Aparentemente, ainda não é alto para ameaçar a espécie (as fêmeas ainda acasalam bastante com machos de grupos diferentes), mas é difícil imaginar que um grupo tão pequeno consiga se manter geneticamente "intacto" numa área fragmentada.

- O governo federal, no ano retrasado, dedicou 1 milhão de reais para retirar o muriqui da lista mundial de animais ameaçados de extinção. Achei interessante essa informação, apesar de ingênua da parte do governo - como se apenas a boa vontade científica dos pesquisadores com suas bolsas fosse suficiente para que o muriqui se reproduzisse mais (e não mais áreas e recursos naturais para ele viver). Não é bom para a imagem internacional do Brasil que o muriqui se extinga, mas muito mais que dinheiro para pesquisa (que também é necessário), o governo faria melhor pela preservação da espécie se convencesse os fazendeiros ao redor da necessidade de reflorestamento. Ou talvez até se comprasse as terras adjacentes e reflorestasse. A esperança é a última que morre...

- A idéia da ONG Preserve Muriqui é transformar o animal num símbolo da preservação brasileira (uma "espécie-bandeira"), como o panda é para a China. Mantida pelos membros da família Abdala, conta com a colaboração de primatólogos e interessados na salvação do animal.

- Além de muriquis, a reserva de Caratinga possui também macacos bugios, macacos-prego e sagüis-da-cara-amarela. Vimos apenas o bugio e o sagüi - os pregos são de difícil interação, contou-nos o mateiro.

UPDATE: O IUCN retirou o muriqui-do-norte da lista dos 25 primatas mais ameaçados do mundo em 26 de outubro de 2007, ou seja, ele melhorou um pouquinho seu status - mas continua criticamente ameaçado de extinção.

26.Agosto.09

O Rio da Vista Chinesa

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Dia desses, a Chris Nóvoa publicou em seu blog uma de suas poesias concretas que eu adoro (e complementada com fotos arquibelas do Guga!) sobre um lugar pelo qual me apaixonei à primeira vista: a Vista Chinesa, na Floresta da Tijuca. Ao ler o poeminha, toda a delícia daquele dia de novembro me veio à memória. Foi a primeira vez em que fui à Vista Chinesa.

E como muitos cariocas da gema, já era uma adulta quando tal fato aconteceu - uma vergonha, já que é um dos locais mais tranquilos e apaixonantes do Rio de Janeiro. A vista da cidade maravilhosa dali de cima é estupenda e num dia de sol como o que eu fui, tudo parecia mais perfeito ainda. O Rio é uma cidade azul, sem dúvida.

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A Vista Chinesa está ali desde 1903. Naquela área, no século XIX, chineses de Macau foram trazidos para auxiliar nas plantações de arroz - sim, a floresta de hoje no passado era... fazendas. O arroz não vingou, mas os chineses ficaram por ali, no que era chamado "Casa dos China". Os chineses se foram, mas a cidade ganhou aquele ponto curioso, nomeado Vista Chinesa em "homenagem" aos habitantes prévios. (A história deste local em mais detalhes pode ser lida neste site, onde o autor também levanta uma interessante questão: por que não se vê no mercado carioca cartões postais com vistas da cidade deste mirante tão especial? O Rio é tão bonito dali... Será a Vista Chinesa um desses "segredos" mirabolantes de viagem que os cariocas não querem revelar para o mundo?)

Fato é que hoje, em uma das muitas curvas da estrada que corta a Floresta da Tijuca, de repente você se surpreende com essa pagoda amarela, que traz a sensação de Ásia em meio ao cheiro do mato verde sul-americano. É uma parada quase obrigatória para quem deseja descansar um pouco do ritmo da cidade.

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Num dia de sol, é na Vista Chinesa que você pausa o mundo e aperta o play das divagações, entre os dragões instigantes que ornam a pagoda e a cidade maravilhosa que, espremida entre lagoa, montanha e mar, sorri pra você e te abraça.

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Tudo de bom sempre.

28.Julho.09

Um sábado no Embu das Artes

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No final do ano passado, quando ainda estávamos morando em São Paulo, fomos visitar o amigo Doni em sua casa. Na verdade, levá-lo uma vitrola, objeto sem utilidade para a gente e que estava empoeirando na nossa casa - e que ele se mostrou bastante interessado em cuidar. Na ocasião da visita, conheci seus pais. Além de sua cadela pulante Buffy e seu cão grandão Lex Luthor, todos uns amores.

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Daí que decidimos que, já que dirigimos até o Embu, melhor aproveitar o dia por lá. Fizemos um pequeno "tour" pelas ruas e cantinhos cheios de arte que o local oferece.

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O Doni, morador desde sempre do Embu, foi o guia perfeito, contando algumas histórias interessantes sobre o local. Empolgado que estava com sua vitrola nova, comprou uns discos de vinil numa barraquinha perto da igreja. Passeamos pela feirinha, conversando, dando risadas e observando os produtos à venda. Muitas antiguidades e coisinhas para decoração da casa interessantes - pena que eu já sabia que estava de mudança...

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Há também muitas barraquinhas com objetos de arte, dos artesãos locais. Alguns de qualidade duvidosa, mas alguns muito interessantes. Goste-se ou não das artes de cada um, pelo menos ali há um espaço e uma opção para a exposição e comercialização das obras, o que é, no final das contas, muito bom para o artista. Além de trazer os turistas da capital, que movimentam o local e trazem a animação da novidade a ser vista.

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E, claro, não podíamos deixar de nos deliciar com um monte de guloseimas que vendiam pelas ruas. Paramos num desses bares com mesinhas na rua e decidimos comer uns tira-gostos, escolhidos pelo Doni (que conhecia cada recanto da gastronomia de rua local). Conversamos um tanto de coisas interessantes, sobre psicologia, filosofias, comportamento humano, política e... a vida em geral. Por mais que o local tenha se tornado pop e fique lotado nos fins de semana com os visitantes da capital que agora não é mais tão longe dali, há um clima interiorano no Embu que ainda insiste em prevalecer e ritmar quem se aventura por suas ruelas cheias de arte e bucolismo. O resultado de nosso passeio: arte de rua, papo agradável, risadas, numa tarde de sol ameno e sendo anfitriada por um amigo querido.

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Precisa de mais?

Com o pensamento bem leve, foi chegada a hora de pegar a Raposo e voltar pra casa em Sampa.

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Obrigada pela companhia, Doni. (Eu demoro a escrever, atraso com meus relatos, mas não esqueço.)

Tudo de bom sempre.

24.Julho.09

Sexta Sub: Pedras Secas

Pedras Secas

Há duas coisas que me impressionam nessa foto. Primeiro, o colorido desse paredão super diverso de corais e esponjas; segundo, a proporção entre o mergulhador e o paredão, que traz a exata dimensão do quão enorme é essa formação rochosa. De quebra, ainda funciona como bom exemplo do por quê é necessário usar flash embaixo d'água: repare como tudo ao fundo está mais "cianado/azulado" que o que aparece na área mais próxima do fotógrafo, onde a luz do flash chega.

Uma foto mil-e-uma "utilidades". Onde? No melhor point de mergulho do Brasil: Pedras Secas, Fernando de Noronha.

Tudo de sub sempre.

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