17.Outubro.09
Política afundada: Maldivas oficialmente debaixo d'água
Enquanto o resto do mundo se prepara para a grande discussão que ocorrerá em Copenhague em dezembro, hoje o primeiro escalão do governo federal das Maldivas anunciou o início de sua campanha engajatória "350", cujo objetivo principal é ter como meta uma atmosfera com menos de 350 ppm de CO2 emitidos (já estamos em 384.72 ppm - and counting).

Gráfico das emissões de CO2 per capita no mundo feito pela ONU (e retirado do site deles). Embora o Brasil esteja "clarinho", isso é apenas reflexo de como esses dados foram gerados: não levam em conta emissão de CO2 fruto de queima de biomassa, principal contribuição de CO2 para a atmosfera que o Brasil faz; apenas consideram emissões derivadas de indústrias, produção de energia e transporte. Portanto, não temos motivo para comemorar.
Para atingir tal meta, o documento pede a colaboração de todos os países do mundo para que determinem um limite de menos de 350ppm de emissões. O detalhe mais bacana e criativo é que a reunião para assinar a campanha e torná-la oficial foi feita debaixo d'água, simbolizando o que pode vir a acontecer num futuro próximo ao país.

(Foto da AFP - Getty, tirada do NYTimes.)
Durante a semana, os políticos maldivenses treinaram mergulhos com dive masters do arquipélago e hoje puderam finalmente descer ao fundo da laguna e ter seu dia oficial sub sem maiores problemas. O Presidente Nasheed mais a cúpula ministerial, todos debaixo d'água. Sem dúvida, é um dia histórico para as Maldivas, e (deveria ser...) alarmante para nós, população humana que compartilha o mesmo planeta com eles. Afinal, serão alguns centímetros de elevação que poderão fazer o país desaparecer, e há previsões que indicam que isso acontecerá em menos de 100 anos.

Ministros e presidente, antes da reunião oficial sub.

O gabinete sub. Olha lá os peixinhos presenciando esse momento histórico!

Presidente maldivense assinando o documento oficial da campanha "350". (As 3 fotos acima foram retiradas do press release da campanha, encontrado aqui para download gratuito.)
Das palavras do Presidente Nasheed:
"'What we are trying to make people realize is that the Maldives is a frontline state. This is not merely an issue for the Maldives but for the world.''
Ou seu discurso em setembro passado na ONU:
As Maldivas há tempos vêm lutando mundialmente por uma postura mais rígida de emissão de CO2. Mostrando preocupação pungente, criaram em novembro passado um fundo monetário para comprar terras em outros países para seus refugiados climáticos. Isso porque o país será dos primeiros, junto com Tuvalu, a ser inundado pelo aumento do nível dos oceanos (causado pelo derretimento das calotas polares).
Por mais que eu adore mergulho, ver o gabinete todo embaixo d'água é uma cena que me surpreende, pelo tanto que ela significa. E pelo tanto que eu gostaria que a gente acordasse para não deixar isso acontecer. Porque acontecendo, significa que não só as Maldivas foram pro fundo do mar: nossa capacidade de contornar um problema grave também foi jogada aos tubarões - se até lá eles ainda existirem... Triste.
Tudo de bom sempre.
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- Essas fotos do presidente das Maldivas embaixo d'água me lembraram um fato. Quando fui a Noronha em 2003, na operadora Águas Claras tinha uma foto pendurada na parede do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso embaixo d'água. Entretanto, ele estava ali de férias presidenciais, não em reunião oficial como o presidente maldivense. Quer dizer, a não ser que seu gabinete tivesse se transformado em tartarugas... ![]()
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25.Abril.09
Sharkwater na China

Barbatanas de tubarão secando em embarcação brasileira.
Rob Stewart, o autor-diretor-produtor-faztudo de "Sharkwater", documentário-denúncia sobre as causas, complexidades e consequências do comércio de barbatanas de tubarão no planeta, divulgou semana passada em seu blog uma campanha para tentar levantar fundos e levar seu filme para os cinemas na China.
Pode parecer um "nada", mas é na verdade uma atitude preciosa quando falamos de comércio de barbatanas de tubarão. Veja bem, a China é o maior mercado consumidor de barbatanas do planeta. Estima-se que 80% das barbatanas coletadas no mundo vão parar no porto de Hong Kong, de onde são distribuídas para o resto do país (e vizinhos da Ásia) e servidas em bufês de casamento, jantares de negócios e outras situações de status dentro da sociedade chinesa. Mas o mais gritante - e que o post de Stewart cita - é que na China, a tradução de "sopa de barbatana de tubarão" é "sopa de asa de peixe". Ou seja, o chinês médio pode não saber que está depletando um animal topo de cadeia alimentar do ecossistema. Junte-se a isso a história que ouvi de um divemaster nas Filipinas: os chineses que iam mergulhar diziam que "não tinha problema retirar a barbatana do tubarão, porque ela regenera" (!!!!). O que, obviamente, não é verdade: uma vez retirada a barbatana, o animal não consegue mais nadar e morre de fome (não consegue caçar) e afogado (a maioria dos tubarões atuais precisa nadar para "ventilar" a brânquia e respirar). Mas aparentemente, é essa lenda que é passada pelos chineses aos mais jovens.
No documentário "Sharkwater", Rob Stewart tenta explicar porque o hábito de comer sopa de barbatana está dizimando todo um grupo de animais do planeta - veja bem, não é uma espécie, é um grupo. Além disso, mostra o quão intricada é a rede de intrigas que envolve esse comércio - e no documentário rola até um certo drama, como se só a história do massacre aos tubarões já não fosse drama suficiente. Então mostrar essa realidade crua aos chineses, que são a maioria populacional que consome a tal sopa, é um passo muito significativo para a conscientização. Se considerarmos que menos de 10% das pessoas que virem o filme serão impactadas por ele, ainda assim, na super-populosa China, isso pode ser um número significativo de pessoas. Pode fazer a diferença. Eu espero imensamente que faça. Fingers crossed.
Rob Stewart e a ONG Save The Blue se uniram então nesse levantamento de fundos para tentar levar o filme à China. Se você acha que pode doar, doe; se não pode, ajude a divulgar. Os tubarões agradecem a preocupação. ![]()

Barbatanas à venda em loja de Hong Kong, na Des Voeux street.
Tudo de bom sempre.
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- Se intencionamos parar com a matança desenfreada de tubarões, é preciso haver melhores estratégias de educação/informação do consumidor, principalmente mais direcionadas ao público-alvo que mais consome (no caso, os países asiáticos). Por isso, meu post. Nessa semana, o DPG postou uma propaganda contra o consumo de sopa de barbatana de tubarão. O vídeo "Not on our menu" encontra-se aqui e no DivePhotoGuide o Jason Heller pincela mais detalhes. É um passo, uma atitude; tomara que inspire outras mais.
- Publicado também no Faça a sua parte.
07.Agosto.08
Amanhã...
... a overdose quadrienial vai começar. Nas próximas 2 semanas, a mídia vai passar por esse portal e voltará todos seus esforços para uma cidade proibida - e cheia de proibições. O ar por lá estará pesado, não só por causa do SO2 ou dos outros poluentes: há a tensão da superação humana constante, inerente à atividade competitiva. Será que dessa vez o sentimento da velha Olímpia consegue vencer o xadrez político que o COI escolheu jogar em 2001?
Aguardemos para ver quem grita o primeiro xeque. (Ou o primeiro protesto in loco.)
Tudo de bom sempre.
30.Julho.08
Lost in translation: hangul, o alfabeto coreano

Fachada de um prédio comercial em Ansan, Coréia do Sul.
Eu sempre fui uma apaixonada por línguas. Filha de professora de francês, aprendi desde cedo a prestar muita atenção às diversidades sonoras dos idiomas. Minha mãe murmurava francês dentro de casa e mesmo eu não entendendo nada, adorava repetir algumas das frases feito papagaio. O som me encantava. Na adolescência, me empolguei e entrei na Aliança Francesa - já fazia curso de inglês desde os 9 anos.
Por isso, quando soube que iria morar na Alemanha, qual foi a primeira ação que tive (antes mesmo de olhar passagem e passaporte)? Matriculei-me num curso de "alemão de sobrevivência". Quando cheguei no Havaí anos depois, o que fiz? Assisti a aulas de havaiano por 1 ano. Eis então que em 2003 soube que iria me mudar para a Coréia do Sul e meu primeiro pensamento foi: preciso aprender coreano. Fucei e achei aulas de coreano básico na Universidade, e lá fui eu me aventurar pela nova língua.
Existe um abismo enorme entre aprender uma língua que usa os mesmos caracteres que os de sua língua nativa (no nosso caso, os caracteres romanos) e aprender um novo sistema completamente diferente. Você precisa ser alfabetizado novamente, e a percepção desse desafio é o que faz muita gente desanimar no início. Mas para mim, era mais empolgante ainda. Matriculei-me no "coreano de sobrevivência" e seja-o-que-silla-quiser.
Eis que então um universo novo começou a desabrochar na minha cabeça. O coreano é uma língua completamente peculiar e a única falada (e adotada oficialmente por um país) 100% inventada por uma pessoa, o rei Seojong, com uma data de surgimento precisa: em 09 de outubro de 1446. Seojong era um rei da dinastia Jeosong (ou Choson), cujo território engloba o que são hoje Coréias do Sul e do Norte. Muito interessado em cultura e artes em geral, durante seu reinado viu-se um florescimento de diversas invenções e tecnologias avançadas para a época. Além disso, Seojong também foi o responsável pela expansão do império coreano, e tinha preocupações militares que o inquietavam. Uma delas era a questão da comunicação.
Antes de inventar o alfabeto coreano, o povo daquela região falava uma língua que advinha do chinês, com modificações de estrutura gramatical e ordem das sentenças. Escrever, por outro lado, era privilégio dos mais nobres, que se utilizavam da complexa escrita chinesa, ou seja, dos caracteres chineses. Dessa forma, qualquer ordem estratégica militar escrita que caísse em mãos chinesas era facilmente decodificada pelo inimigo. Seojong então resolveu criar uma forma de escrever única, que apenas os habitantes do então reino de Jeosong pudesse entender. Inventou o hangul (ou hangeul), o alfabeto coreano.
O hangul foi imediatamente institucionalizado por Seojong, que obrigou todos os habitantes de seu reino a aprenderem a lê-lo e escrevê-lo, unificando assim a linguagem da península e facilitando a disseminação da informação para toda a população - o que de quebra fortaleceu estrategicamente a região, já que era um "código" único que só a península falava, desconhecido pelos invasores. Isso garantiu sua soberania política por mais de 100 anos na região. Os intelectuais da época foram contra a mudança (por que tanta honra aos trabalhadores braçais? Ler e escrever eram privilégios da elite, oras!). Tanto pressionaram que o hangul foi proibido no início do século XVI de ser utilizado em documentos. No entanto, já estava imortalizado entre as pessoas: era a língua do povo. Desde então, houve uma série de "proíbe-permite" do ensino do hangul nas escolas, até que depois da 2a Guerra, o hangul se estabeleceu definitivamente como o idioma da península coreana.
Um idioma de lógica muito simples, entenda-se. Composto por vogais e consoantes, como o nosso, e palavras formadas por sílabas, exatamente como as nossas. Embora a aparência pareça complicada (pelo menos nos olhos ocidentais), é das línguas mais lógicas do mundo. Seojong teve a preocupação de desenhar cada letra responsável por um som de acordo com o formato anatômico que a língua, a garganta, os dentes e a boca fazem ao pronunciarem aquele som. Ou seja, o hangul é um alfabeto totalmente baseado na fonética - suas letras (os jamos) são desenhadas pela fonética, usando tracinhos e bolinhas (essas últimas representam o som mudo, tipo "h" em "hotel"). Por exemplo, o som do "G" é representado pela letra "ㄱ", que é um diagrama básico da anatomia da língua em relação à garganta quando sai o som "gá".
O alfabeto tem 14 consoantes e 10 vogais e 11 ditongos (considerados como 1 letra), e as sílabas são sempre formadas por pelo menos uma consoante e uma vogal, desenhadas dentro de um quadrado imaginário que delimita a sílaba. Há também as "letras duplicadas", que seria mais ou menos como nossos "rr" ou "ss", mas com outros sons (em geral dando mais força à letra única que representam). Por exemplo, o "ㄱ" que falei acima tem sua dupla escrita "ㄲ" e fala-se com um pouco mais de força e ar expirado, soando quase como um "ká". Embora na Wikipedia comenta-se sobre a existência de 11 uniões consonantais, em 3 anos de Coréia eu não vi sequer uma palavra escrita com uma dessas letras. Portanto, em termos práticos do dia-a-dia, encontros consonantais são praticamente inexistentes.
Uma vez que você aprende as letras, você vira criança de 5 anos aprendendo a ler: para em frente a uma palavra e leva 30 segundos para falar uma sílaba, juntar letra a letra que acabou de memorizar com o som correto. Levei um bom tempo para conseguir ler um pouco mais rápido. Só a prática te permite isso e dado que o coreano é uma língua rara fora da Coréia (só nos bairros coreanos espalhados pelo mundo você tem contato com o hangul), meu conselho é que se você quer aprender coreano, vá passar um tempo por lá. Seul é legal e moderna, vale a pena.


No metrô de Seul, há placas e informações em 3 línguas: inglês, coreano e chinês. Com as Olimpíadas em 88, dentro dos carros do metrô também foi instaurada uma voz que anuncia em inglês a estação. Tradução da placa luminosa: "Próxima estação: Irwon. Saída pela direita."
Mas, uma vez que fui "alfabetizada", mais uma vez igual criança, queria ler tudo que via pela frente. Em termos gerais, se você sabe ler o coreano, já é o suficiente para se virar um pouco na Coréia (uns 30%, eu diria). Por uma razão simples: muitas das palavras utilizadas no dia-a-dia hoje vêm do inglês, e estão nas placas/avisos em inglês, apenas escritas com as letras coreanas. Veja o exemplo da placa abaixo:
"Snack Car" é a exata fonética do que está escrito em hangul. Ou seja, não há uma palavra em coreano para designar "snack" - então eles usam a palavra em inglês, apenas escrita com as letras coreanas. E isso se repete o tempo todo pela cidade, deixando mais fácil a vida pro estrangeiro que sabe ler o coreano. (By the way, esse é um ônibus-lanchonete, que estava estacionado perto do rio Han. Tinha um debaixo do viaduto perto da minha ex-casa que era "ônibus-restaurante", com aquário para peixes e lulas vivos, e de aparência mais dark que os filmes do Batman.)
Foi aprendendo coreano que percebi também outro abismo: aprender a ler e entender o vocabulário. Não me considero jamais uma falante de coreano. Sei ler, mas não sei o significado das palavras que leio, e nesse sentido, sou uma analfabeta funcional do idioma. O vocabulário da língua, exceto o que vem do inglês, é completamente diferente de tudo que se pode imaginar. Algumas palavras têm raízes chinesas, mas boa parte delas são únicas, criadas para e pelos coreanos. Isso para não falar da confusão dos números.
Há 2 sistemas numéricos em vigor na Coréia, o coreano e o chinês. Ambos são utilizados corriqueiramente, com regras que não parecem fazer sentido. Na dúvida, meu professor dizia para usar o chinês (?!?!). Por exemplo, para dizer as horas é assim: 8:40 você fala o "8" em coreano e o "40" em chinês. Telefones sempre use os números em chinês. Para contar coisas "palpáveis", use o sistema coreano. O preço das mercadorias é no sistema chinês que se fala. Durma com uma matemática dessas.
Apesar das dificuldades, o coreano é uma língua interessante, e a construção/criação do hangul é, a meu ver, simplesmente brilhante. O hangul pode até não se expandir mais militarescamente falando, mas veio pra ficar e para dar orgulho a uma nação unida pela ancestralidade e pela territorialidade.
Tudo de bom sempre.
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- A romanização das palavras coreanas ainda é motivo de muita discussão, acadêmica e popular. Por exemplo, a cidade de Busan também pode ser escrita como Pusan. Não há um consenso ainda na melhor romanização, e vai se fazendo do jeito que soa melhor.
- O hangul não tem fonemas para "V" nem "F" - esses sons não existem na língua. Portanto, toda vez que eles precisam traduzir pro coreano uma palavra com uma dessas letras, eles colocam "B" ou "P". Exemplo: "fork" vira "pork" e "video" vira "bideo".
- Vale lembrar mais uma vez: apesar de tudo parecer um monte de bolinha e pauzinho, o coreano usa letras, enquanto o japonês e o chinês escrevem por ideogramas. E pensa bem: não são as nossas letras também um monte de pauzinho e bolinha? ![]()
17.Maio.08
Resposta do desafio malla: o torii
Eis que o torii do post-desafio fica na beira do rio Ribeira do Iguape, na cidade de Registro (SP), à beira da mal-asfaltada Régis Bittencourt, no sul de São Paulo a caminho do Paraná. Do torii, dá pra dar tchauzinho pros caminhões passando pela estrada...
Enfim, apesar da estrada, vale registrar aqui que estive em Registro em novembro de 2007, no III Seminário de Pesquisa do Vale do Ribeira, numa tarde de brisa branda e numa manhã de sol lindo, e que achei a cidade pra lá de simpática, nas menos de 24 horas que por lá passeei.


A foto foi tirada do mesmo ponto. De um lado, a ponte da Régis Bittencourt sobre o rio Ribeira do Iguape, na entrada de Registro; do outro lado, uma cerejeira, árvore-símbolo do Japão, enfeitando o calçadão da beira-rio.
O torii é, para mim, a marca arquitetônica da cidade. Registro tem uma população de 33% de descendentes de japoneses, e é considerada o marco da imigração japonesa no Brasil - foi o primeiro local do país a receber interessados japoneses que queriam montar seus próprios negócios e emigrar efetivamente para o Brasil. A mediação desse arranjo colonizacional foi feita pelo Sindicato Tóquio. Em 1913, eles chegaram a Colônia do Iguape; em 1917, já estavam em Registro, sob a gestão da KKKK, companhia que coordenava os avanços da imigração e desenvolvimento na região do Ribeira.
Conta a tradição oral que os japoneses da região acreditavam tanto na supremacia japonesa durante a 2a Guerra que muitos não acreditaram quando a notícia de que eles haviam perdido chegou no Brasil. Porque não houve uma cerimônia que supostamente o imperador deve fazer nessas situações, os japoneses de Registro achavam que a derrota era "invenção" dos demais. Viveram em estado de negação por muito tempo. Mas felizes, alavancando a agricultura da região principalmente com plantações de arroz e chá preto.


Lembrando o Japão a todo vapor: no quarto do hotel, uma daquelas "gavetinhas" para receber o café da manhã tão comuns pela Ásia. Quando eu vi, aliás, deu uma certa saudade das nossas viagens de última hora pelo interior da Coréia... Ao lado, o Casarão do Porto, um dos prédios que compõem o Centro Cultural KKKK na beira do rio.
Hoje, a empresa KKKK, responsável pela organização inicial da comunidade japonesa no Vale do Ribeira, virou nome do principal centro cultural da cidade. Construído na beira do rio onde antes funcionavam galpões portuários, tem uma vista bucólica para várias cerejeiras, e de manhã cedo, com a bruma da madrugada sobre o rio, a sensação é de que estamos num "Japão Tropical". Além das cerejeiras, há também bonsais bem cuidados e as placas de pedra tão comuns na Ásia, aqui com dizeres em japonês. Um calçadão torna o passeio agradável, e na praça principal uma escultura de Tomie Ohtake, doada em 2002, festeja e relembra o visitante da importância que os japoneses tiveram e têm para o desenvolvimento de Registro.


A escultura que Tomie Ohtake doou à cidade e que está exposta no Parque Beira-Rio. Ao lado, uma dessas pedras tão comuns na Ásia, que registram ditos japoneses e afins ao mesmo tempo que enfeitam a cidade.
Assim como todos os nomes de rua em japonês e a tradicional festa do Sushi que acontece em junho e que parece ser a festa mais importante da cidade. O torii de Registro é, portanto, a marca mais óbvia de que um pedaço importante da história japonesa mora no sul do estado de São Paulo, numa cidadezinha simpática de olhos puxados, nomes cheios de Ks, e repleta de histórias samuraicas para contar.
Tudo de bom sempre.


















