15.Outubro.09

Blog Action Day 2009: Era uma vez Tuvalu

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Para quem não conhece, o Blog Action Day é uma mega-super-über-blogagem coletiva mundial, em que blogs do mundo inteiro são convidados a escrever sobre um mesmo tema de importância geral ao planeta. Em 2007, o tema foi Meio Ambiente - e eu participei comentando sobre o gelo do Ártico. Em 2008, o tema foi Pobreza, e não participei porque estava literalmente na estrada. Este ano, o Blog Action Day resolveu discutir sobre Mudanças Climáticas, um tema muito caro por mim.

Na página de abertura do site do Blog Action Day em português, tem lá umas sugestões de temas para blogs de diferentes segmentos. Para blogs de viagens, a sugestão é:

"(...) escrever sobre os lugares que você quer ver agora, antes das alterações climáticas os tornarem de difícil acesso, ou até, sob o mar."

Coincidência das coincidências, eu já estava acumulando links e afins para um texto sobre Tuvalu, um dos primeiros países que desaparecerá no evento de elevação do nível dos mares, por um motivo nada aleatório: estamos muito tentados a fazer uma viagem de mergulho para lá num futuro breve - ou antes do mar invadir por completo. Então a oportunidade juntou-se com a vontade e apertou o botão do play da escrita bloguística.

Tuvalu é um atol-arquipélago do Pacífico Sul, próximo a Fiji, e a meio caminho entre Havaí e Austrália. No Google Earth, dá pra ter uma noção melhor do quão esse pedacinho do mundo de 26 km2 é no meio do azul: é esse ponto amarelo (um pin) no meio do azul.

Tuvalu
(Do Google Earth)

Para complicar a situação, a altura máxima do país é 4.5 metros. Ou seja, no provável evento de uma elevação dos níveis dos mares, o país inunda (entenda-se desaparece). Em 2002 e 2005, os habitantes locais puderam ter uma idéia do que isso significa, quando um aumento do nível das marés deixou todos embaixo d'água - e querem transformar isso em atração turística, pelo menos por enquanto. Enquanto cientistas debatem sobre quanto será essa elevação, o governo local [link excelente em pdf], junto a ONU, vem tomando providências para garantir a sua população um refúgio para quando suas casas afundarem, já que provavelmente serão evacuados todos para Austrália e/ou Nova Zelândia. Além de abraçar a energia solar, que é o mínimo que se espera do governo de um país muito vulnerável pode fazer. Vale ressaltar que um medo do governo, entretanto, é que o povo de Tuvalu perca a sua identidade cultural ao se mudar para outro país. Ou seja, medo de que bizarramente virem "arqueologia" ou "fósseis vivos", longe de seu habitat natural - seu país afundado.

Aproveitando a era digital, e pensando nessa perspectiva do problema (entre outras...), um grupo do Japão decidiu montar o 10000 Tuvaluans, projeto de levantamento das histórias pessoais dos tuvaluanos, e que agrupou recentmente o Tuvalu Visualization Project. Um projeto muito bacana que de certa forma humaniza o problema do aquecimento global, ao mostrar o rosto dos habitantes de cada uma das casas de Tuvalu, um verdadeiro mapa humano do país.

Via site do projeto, dá pra fazer o download de um aplicativo pro Google Earth (minha webparada favorita, by the way) que te permite surfar pelas casas de cada um, pelos recantos do atol, ouvir depoimentos, mandar mensagens, etc.

10.000 tuvaluans
(Tirado daqui)

Ao permitir a comunicação, abre oportunidade para trazer o problema das mudanças climáticas para mais perto da gente, e isso a meu ver é muito valioso. Porque um dos problemas que eu vejo sempre nessas coisas da conscientização de massa é a falta de humanização do problema, falta de proximidade com nossa realidade, nosso dia-a-dia. No sentido de que sempre lidamos com "entidades" abstratas na hora de reclamar e conclamar soluções: governo, população, refugiados etc. Mas essas "abstrações" são formadas por indivíduos - e embora essa afirmação pareça um tanto óbvia, quando a gente lida com os problemas no âmbito macro tem uma tendência forte a desumanizar, transformar em número. O Projeto 10,000 Tuvaluans chacoalha um pouco essa noção e nos relembra de que, atrás de cada número, há uma história, cheia de experiências e emoções. E onde há emoções, há aproximação, o primeiro passo para a real conscientização de qualquer problema, inclusive das mudanças climáticas. Como bem disse Heidegger:

"Só entendemos quando fazemos parte do que nos é dito."

Tudo de melhor ao povo de Tuvalu.

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Outras contribuições ao Blog Action Day 2009 na blogosfera brazuca:

- RNAm - Mudanças climáticas: perigosas para o planeta... e para a saúde global
- O Divã de Einstein - "O que está de errado com a vida cotidiana?"
- Gene repórter - Aquecimento global
- Blog do Planalto - A ousadia brasileira contra as mudanças climáticas vai a Copenhague
- A Janela Laranja - Exija ciclovia!
- Faça a sua parte - Pensar localmente, agir globalmente (E viva o aquecimento global?!)
- Ecodesenvolvimento - Mudanças Climáticas - Blog Action Day
- Teorias impossíveis - São Paulo da garoa
- O futuro do presente - "Pode ser insuportável"
- Carbono Zero - Blog Action Day - Mudanças climáticas
- Do mar à praia... na Noruega - Blog Action Day 2009 - O que eu posso fazer?
- Projeto Bioeducação - Como o aquecimento global vai afetar o Brasil?
- Sublime Biologia - Mudanças climáticas
- Colorida vida - 50 maneiras de ajudar o planeta
- Geófagos - Mudanças climáticas, produção agrícola e qualidade de hortaliças
- O Chato - Blog Action Day 2009
- About headlines - Blog Action Day 2009 - Mudanças climáticas
- Ladybug Brazil - Mudar já para viver sempre
- Miriam Salles - Blog Action Day: Mudanças climáticas
- Sem destino - Visite antes que seja tarde demais
- Dia de folga - Blog Action Day 2009 - Mudanças climáticas
- Contatos Imediatos - Quinta do caos: Blog Action Day
- Café com ciência - Como medir o aquecimento global?
- Ppplease - Uma dia e muitas emoções...
- Rastro de carbono - Blog Action Day 2009 - Multipost
- Xis-xis - Sabia que os corais fazem barulho?
- Scrapzone - Efeito estufa
- Bonito BirdWatching - Blog Action Day 2009

16.Julho.09

Uma carta sobre a acidificação dos oceanos

Hoje a blogosfera marinha gringa foi especialmente convidada a publicar uma carta escrita por Sally-Christine Rodgers e Randy Repass sobre o alarmante processo de acidificação dos oceanos. O convite veio (via Rick) de Sheril Kirshenbaum, do blog Intersection, que está coordenando a blogagem. A carta é um depoimento e um alerta. Em inglês, contém detalhes práticos de como as pessoas residentes nos EUA podem agir em prol da causa, demonstrando ao seu representante político a importância de se conter a diminuição do pH dos mares, o quanto esse processo pode modificar drasticamente o ecossistema marinho, levando-o a um caminho deveras imprevisível. De certa forma, esse conselho deveria valer para nós brasileiros também; afinal, pentelhar o seu representante político é uma das formas de alertá-lo que aquela é uma questão que importa pra você, que o elegeu. Entretanto, o desinteresse pelo povo do poder legislativo brasileiro é assunto deveras complexo e desestimulante. Por isso, a intenção do conselho ainda é vealida, mas requer mais persistência nossa na terra tupiniquim. Enfim.

Para os amigos que lêem meu blog, fiz uma tradução livre em português, retirando as especificações que não competem aos brasileiros - caso você more nos EUA e se interesse pela causa, pode ler em inglês e contactar seu senador e falar exatamente do projeto de lei a que tudo isso se refere. Há algumas considerações que poderiam ser mais discutidas sobre o tema, mas como a idéia hoje é espalhar pela web as palavras dos dois que já lutam pelo tema, deixo essas considerações para um post futuro. Agora, é hora de ouvir a mensagem de quem está na linha de frente pelos mares do mundo.

Eis a mensagem de Randy & Sally-Christine sobre a acidificação dos oceanos. Logo abaixo da quebra de post, a original em inglês.

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"Nós somos velejadores desde sempre. O que a gente vem aprendendo navegando pelo Pacífico nos últimos 6 anos, e especialmente dos cientistas focados na conservação marinha, é espantoso. Independente se você passa seu tempo na água ou não, a acidificação dos oceanos afeta a todos nós e é algo que acreditamos você vai querer saber mais.

O que você faria se soubesse que muitas espécies de peixes e animais que vivem nos oceanos desaparecerão em 30 anos caso os níveis de CO2 continuem aumentando na taxa atual? Nós acreditamos que você pode agir de forma a evitar este processo de acontecer, porque pessoas informadas fazem escolhas conscientes. Esta carta é sobre o que podemos e devemos fazer juntos agora para ajudar a resolver este problema tão sério e tão desconhecido, a acidificação dos oceanos.

A acidificação dos oceanos é primariamente causada pela queima de combustíveis fósseis. Quando o dióxido de carbono da atmosfera chega aos oceanos, modifica o pH deste ambiente, tornando o mar acídico e mais hostil à vida. Com o tempo, o CO2 reduz o carbonato de cálcio, o que dificulta a formação de conchas de alguns invertebrados e a formação dos recifes de corais. Na realidade, as conchas existentes podem começar a dissolver com o pH ácido. Ostras e mexilhões não terão mais a capacidade de construir suas conchas. Caranguejos e lagostas? Seus bisnetos podem ter que apenas imaginar qual era o sabor real deles.

O dióxido de carbono concentrado nos oceanos está tornando a água do mar mais acídica. Boa parte do zooplâncton, animais microscópicos na base da cadeia alimentar, têm esqueletos que não se formarão em condições acídicas, fazendo a vida nos níveis superiores da cadeia - peixes, mamíferos e aves marinhas que dependem do zooplâncton para comer - também perecerão. Sem comida não há vida. Um bilhão de pessoas dependem de peixe e frutos do mar como sua fonte primária de proteína. Muitos relatórios científicos documentam que no mundo inteiro os humanos já estão consumindo mais comida que o que vem sendo produzido. As implicações são óbvias.

A questão da acidificação dos oceanos está causando perda irreversível de espécies e habitats, e a tendência à acidificação está acontecendo até 10 vezes mais rápido que o projetado anteriormente. Nós queremos que você saiba o que isso significa, como afeta a nossa vida, e o que podemos fazer sobre.

Hoje, a concentração de CO2 na atmosfera é de cerca de 387 partes por milhão (ppm) e aumenta cerca de 2 ppm por ano. Se continuarmos com essa tendência, em 2040 a projeção é de que a atmosfera terá mais de 450 ppm, e os cientistas marinhos acreditam que o colapso da maior parte do ecossistema marinho será irreversível. Outros efeitos fisiológicos da acidificação sobre a vida marinha incluem mudanças reprodutivas, nas taxas de crescimento e até na respiração dos peixes.

Corais tropicais e de água fria estão entre as criaturas maiores e mais antigas que vivem na Terra; formam o ecossistema mais rico em termos de biodiversidade, fornecem áreas para reprodução, berçário e alimentação para 1/4 de todas as espécies do mar. Os recifes de coral estão sob risco. À medida que a concentração de CO2 aumenta, corais, crustáceos e outras espécies que produzem conchas não serão capazes de construir seus esqueletos e muito provavelmente se extinguirão.

A boa notícia é que nós podemos "consertar" este problema. Mas, como você pode imaginar, será difícil. A acidificação dos oceanos é causada pelo aumento do CO2 na atmosfera. Resolver um problema pode resolver o outro.

"O IPCC concluiu que, para estabilizar o CO2 na atmosfera a 350 ppm até 2050, as emissões de CO2 globais precisams er cortadas em 85% do nível de 2000." É bastante! Da forma como nosso sistema político funciona (ou não funciona) torna tudo mais complicado. Cabe a nós dar um passo a frente, se comprometer e arcar com a responsabilidade de permitir que isso aconteça na prática.

A acidificação dos oceanos é uma questão em que podemos fazer algo sobre. Precisamos de uma leva de cidadãos informados que sejam capazes de mobilizar o Congresso para ter coragem de se mobilizar contra os interesses arraigados da indústria de carvão, petróleo e gás que não se comprometem com a redução do CO2. Também precisamos de verdadeiros líderes que criem agressivamente empregos usando tecnologias sustentáveis. A escolha é nossa. Nós podemos resolver este problema. O que a gente sabe é que o futuro de nossos filhos, netos e de fato, de toda a humanidade, depende da nossa decisão.

Por favor, compartilhe esta carta com outros. Nós agradecemos que você tire seu tempo e contacte a sua representação política; é fácil de fazer e efetivo.

Obrigada pelo seu apoio.

Randy Repass
Presidente
West Marine

Sally-Christine Rodgers
Diretora
Oceana

(Um relatório mais completo sobre o tema você encontra aqui.)

"

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08.Junho.09

Navegando num mar de histórias

Dia dos Oceanos 2009

Hoje, 08 de junho, é o Dia Mundial dos Oceanos, uma data criada durante a Eco-92 no Rio e que finalmente este ano foi oficializada no calendário da ONU.

(Já merece atenção o fato de que levou tanto tempo para essa oficialização da ONU, quando datas relacionadas a ecossistemas terrestres me parecem em geral mais rapidamente agilizadas. Mas divago.)

O tema deste ano para a ONU é "Nossos oceanos, nossa responsabilidade". O intuito é óbvio: trazer à tona o nosso real quinhão de responsabilidade perante a situação do mar. E responsabilidade, em geral, é melhor sentida quando a gente se importa. Por isso, convidei a todos na semana passada para compartilharem histórias pessoais em que o mar era cenário ou personagem, ou seja, onde sentimos o mar como parte de nossas vidas. O nosso intuito com isso é também óbvio: trazer para a esfera pessoal, da nossa vida diária, os oceanos. Mostrar o quanto eles estão próximos da gente. A sobrevivência saudável dos mares do mundo depende do quanto a gente se importa com eles hoje - e para se importar, precisamos estar conectados de alguma forma.

Algumas pessoas abraçaram essa aventura de compartilhar sua conexão com o mar - o pessoal do Faça agradecemos de coração pela disponibilidade e torcemos para que outras pessoas valorizem também esta conexão. Percebam em cada texto o quanto o mar se faz presente em nossas trajetórias de vida. A lista dos que participam dessa viagem pelos oceanos está lá para quem quiser se aprochegar à beira da imensidão azul.

Tudo de oceanos sempre.

O mar em mim

Já relatei por aqui, num dos primeiros posts deste blog, que fui criada na beira da praia e que houve um evento em particular, o encalhe de uma jubarte, que gerou a faísca que em última instância me fez abraçar a carreira de bióloga. Ou seja, minha relação com o mar é desde sempre muito profunda, quase existencial. Não consigo me ver sem a perspectiva do azul. Para mim, o mar é parte do que sou, não apenas cenário. Dependo do sal, do cheiro, do barulho e das ondas como dependo do ar para viver.

Mas não foi assim em todos os momentos.

Quando me mudei para Viçosa (MG), passei os primeiros meses sem dormir direito, numa sensação quase claustrofóbica. Achava que era a descoberta do novo, o desafio de morar sozinha pela primeira vez, de ter uma casa para cuidar, o excesso de responsablidade que de repente se avolumara nas minhas costas. O mundo em minhas mãos, eu querendo ter energia para aquilo tudo - mas não conseguia. Porque não dormia.

No primeiro feriado que houve, fui a Vila Velha ver meus pais. Qual não é minha surpresa quando na primeira noite dormi feito pedra? Finalmente descansei depois de um mês e meio. E descobri a razão da insônia: o barulho das ondas. Em Viçosa, eu não ouvia esse barulho que funcionara durante toda a minha infância e adolescência como meu nana-neném natural.

Diagnosticado o problema, tive que encarar a realidade e me forçar a dormir sem o som das ondas. Apelei para música clássica, que me relaxava, e aos poucos encontrei o tom certo; a sensação de "prisão" e "culpa" pelo afastamento do mar foi se esvaindo. Consegui dormir.

Mas ainda assim, era o sono dos inquietos - talvez a fogueira hormonal da juventude também refletisse minha inquietação. Fato é que, de protagonista na minha vida, o mar passou a participação especial por uma década. Era aquele feriadão ou aquela viagem da faculdade que me colocava de novo frente a ele. Mas a distância me consumia, mesmo sem eu senti-la.

Nas lembranças de infância e aborrescência na "minha" praia, fiz piscininhas e brinquei de baldinho, aprendi a nadar, esperava os botos passarem em dezembro, refrescava a cabeça depois de uma manhã de aulas no colégio, tocávamos violão em rodinhas inocentes de amigos, cheias de esperança num futuro melhor. O mar era a minha própria esperança. Nos lugares distantes do mar em que morei/visitei, vivi experiências inacreditáveis, fantásticas. Não as menosprezo nem minimizo, pelo contrário. Mas em todas elas havia (e ainda há) uma sensação de confinamento lá no fundo do meu eu.

Eis o por quê: mar e liberdade são sinônimos indissociáveis na minha cabeça de devaneios tão fatigados.

Talvez isso explique porque ele se tornou um personagem na minha vida, não apenas cenário. É o cheiro do sal que me dá ânimo e vitalidade para mudanças e novas experiências. É o vai-e-vem da maré que equilibra. É a paz em meio a obsessão de eficiência do dia-a-dia. É a liberdade que só a imensidão azul fornece que me fortalece para encarar todas as tristezas, problemas e complicações que a vida joga na cara a todo momento.

Este blog não tem tonalidades azuis por acaso. Para me sentir em casa e com liberdade para escrever aqui, o azul teve que ser cor obrigatória - nenhuma outra passou pela minha cabeça, acreditem. É alegórico, simbólico, mas revelador de quem eu sou, ou da importância que o oceano tem na minha própria existência humana. E me revelando um pouco nesse mar de palavras em tons azuis, conecto melhor com as pessoas. E com a vida em si. É como me defino.

O mar em mim sempre.

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- Este post faz parte da viagem "Um mar de histórias", que foi uma maneira mais subjetiva que sugeri para celebrar o dia dos Oceanos. Os outros participantes estão listados lá no Faça a sua parte.

07.Junho.09

Shark finning in Brazil

We probably all know that sharks everywhere in the world are doomed. The reality in Brazil is not different: numbers are falling dramatically and most elasmobranch species are facing the risk of extinction. As in most parts of the world, they're being fished for their fins to feed the lucrative asian market. However, there's a spin-off happening in Brazil that is quite unique in the world.

A reasonable number of Brazilians eat shark meat as part of their diet. Long before the shark fin industry thrived, even before shark populations were in such extinction path, people were eating shark meat on certain occasions. With their meat, some traditional Brazilian recipes are made, mainly "moqueca" in coastal towns. Sharks are called "cação" at supermarkets* and nowadays it's one of the cheapest kind of seafood available. Last year, in a street market in São Paulo close to where I used to live, 1kg of shark meat was on average 5 dollars - can be even cheaper in coastal areas.

Finning is prohibited [pdf link in Portuguese] by Brazilian law - if we consider the definition of "finning" as taking the fins out and throwing the shark carcass back into the ocean (although, even prohibited, it still happens). The law has an interesting twist though: it does not allow any boat to land more than 5% of fin net weight compared to the number of carcasses. In reality what this specific sentence means is that fishermen can fish sharks and take their fins as long as they disembark the carcasses with them. Since the population eats the shark meat here anyway (so the shark itself is also a reasonable source of revenue), even if all sharks are finned, if all fins are sent to the target market (Asia in general), this 5% value is never reached. In conclusion, finning as defined above and understood by the law does not exist, but it happens disguised by a loophole in the law that ends up accommodating the "culture" of eating shark meat.

Shark finning

However, eating shark meat was somehow a sustainable situation before the shark fin industry arrived. Sharks were then one amongst other fishes caught in artisan nets. After the fin market flourished, supermarkets were overloaded with shark meat. The meat turned into a byproduct of the fin industry, a left-over they had to get rid off in order to comply with legislation to keep doing their finning business. (Brazilian coast is also depleted of most commercial fishes by extensive exploitation, as elsewhere in the world, which does not help to discourage the fin business). The loophole in the law helped dropping the price of shark meat. In fact, shark meat is now sadly part of school meal menu in most cities: since funding for school meal is very limited, the pressure for choosing the cheapest source of protein is high.

All this to explain that to stop shark fisheries in Brazil is quite a unique challenge. Even though cultural issues can be overcome by raising awareness of shark's sharp population drop through public campaigns and education, the fact remains that shark meat is the most economically convenient choice for the low-income population (the majority in Brazil, I must say) as a protein source in their diets. It turns the issue almost in a lost battle. In addition, the absence of a law that really bans shark finning, fishing and trading jeopardizes shark survival. Without a change in the law (and subsequent law enforcement) it will be hard to avoid extinction for most species that swim around our huge coastline.

****************

*"Cação" in general refers to the shark meat, very small sharks or shark pups. The adult animal itself is called "tubarão". Most people, though, mistakenly think that the "cação" on the supermarket shelf is not a shark, believing they are buying a different kind of fish. That alone is an incredible barrier to be dealt with.

- There's a Brazilian NGO dedicated to protect and raise awareness of shark issues called Instituto Aqualung. One of their projects at this moment involves surveying markets around the country to find out public perspective of sharks, prices and most common shark species sold and how often they are on people's meal.

- Aos meus amigos leitores: este post está em inglês porque foi submetido ao Carnival of the Blue do dia dos Oceanos, organizado pela blogosfera gringa e hospedado nesta edição no blog Blogfish. Mas a maior parte do texto é baseado neste post antigo que vocês já leram aqui no bat-blog. :)

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As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

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