24.Outubro.09

10 músicas que me fizeram ser

O Doni postou sobre as músicas que moldaram a personalidade dele. Ele escreveu:

"Este pequeno romance que escrevemos todos os dias e chamamos de vida sempre tem uma trilha sonora. Mas, mais do que "acompanhar a ação", as músicas podem ser as grandes responsáveis por determinados turning points que, no fim das contas, nos fazem ser quem nós somos."

Como eu concordo com a idéia, resolvi memeficar a idéia do Doni. Faz mais sentido ainda depois de uma semana pra lá de atribulada; cansada que estou, nada como um refresco musical que te leve a relembrar os caminhos da sua vida até agora. Eis aí abaixo as 10 músicas que me fizeram ser a malla que sou, de alguma forma (ou as 10 que me lembro agora). Incrivelmente, quase todas elas têm um quê de liberdade, de otimismo ou de mobilidade. Viagens musicais? Ei-las.

10) União da Ilha: "É hoje" [muitas madrugadas acordadas na infância assistindo aos desfiles das escolas de samba do Rio. É minha recordação número 1 de carnaval quando criança, a farra que se instaurava na sala de casa noite adentro, rindo. Lembrança que me ensinou a apreciar sempre com olhos de criança a alegria popular. O link leva a uma pedaço da transmissão da Globo daquela época.]

9) P.O.D.: "Alive" [Foi a trilha sonora de um grande turning point. Quando, há 7 anos, pulei de pára-quedas e percebi que precisava mudar tudo na minha vida, recomeçar do zero. Uma música que me dá uma sensação de liberdade enorme.]

8) The Beatles: "Eight Days a Week" [Ah, a pré-adolescência na beira da praia, nas rodinhas de violão, cheia de esperanças, curiosidades por um mundo a ser ainda descoberto...]

7) Chick Corea Akoustic Band: "Morning Sprite" [muitas madrugadas sentada na calçada do Recanto dos Vagabundos conversando e aprendendo com grandes amigos a ouvir com carinho, atenção e emoção o que as pessoas têm a dizer.]

6) Stockhausen: "Helicopter String Quartet" [Descobrindo São Paulo, sua vida über-urbana e tomando as lições que ela imprimiria em mim.]

5) Frank Zappa: "G-spot tornado" [Entendendo a importância da crítica. Momentos de explosão de pensamento, quando percebi que estar aberta às novidades, tentar entendê-las, era a melhor maneira de encontrar a minha realização.]

4) Jaco Pastorius: "Teen Town" [Acordando para o mundo aqui fora e amando cada detalhe que ele revela. E eu sei, essa música é do Weather Report, não só do Jaco. Mas foi a versão dele que me marcou. Aliás, todas as músicas dele, e essa só ilustra um momento definitivo de descobertas. Mas todas as outras poderiam entrar aqui; sendo interpretada pelo Jaco, não interessa qual, é tudo lindo.]

3) Jack Johnson: "Bubble toes" [Rodas de violão com 'ukulele, a descoberta de que momentos de tranquilidade da vida não têm preço. E que me fizeram almejar uma vida mais equilibrada, em harmonia com o ambiente ao redor.]

2) Hermeto Pascoal: Viajando pelo Brasil [Liberdade é tudo na vida. Foi o Hermeto quem me ensinou a apreciá-la, com toda a criatividade e liberdade que têm ao manejar as notas musicais. Esse clipe em particular me é muito querido porque foi gravado em Viçosa, 1988 e colocado na web pelo Jovino Santos Neto, que tocou muito tempo com o Hermeto...]

1) Pat Metheny: "First circle" [Eu sempre brincava que se o céu existisse mesmo, era essa música que tocavam na nossa "bendita" recepção. Uma música que me faz acreditar num mundo melhor, que me tira da tristeza toda vez que ela insiste em aparecer, que me dá uma esperança crescente na beleza da vida. É minha música predileta de todos os tempos, todos os momentos, todas as emoções.]

Tudo de música na vida de todos sempre.

11.Julho.09

10 anos da Sala São Paulo

Sala SP - concerto-2

A informação eu pesquei na caixa de comentários do Riq, dita pelo leitor Wander: a Sala São Paulo, uma das minhas salas de concerto prediletas do mundo, completou 10 anos de existência no último dia 09 de julho.

Lembro de quando a sala foi aberta ao público pela primeira vez. Inúmeras reportagens em jornais enaltecendo-a como "a melhor acústica do mundo". Confesso que duvidei no início desse título auspicioso, até o dia em que pus meu pé naquele monumento à música. Que deslumbre - e que acústica. Era um show de Nivaldo Ornelas, cheio de convidados maravilhosos como Robertinho Silva, Claudio Dauelsberg, Juarez Moreira. Yamandú Costa e mais um monte de super-nomes do instrumental brasileiro na platéia. Um desses shows que a gente nunca mais esquece na vida. Lançamento do disco "Reciclagem - Ao Vivo". Um clássico não-erudito que confirmou a versatilidade daquele espaço. Melhor sonoridade impossível para me convencer de que São Paulo agora possuía realmente uma das melhores salas de concerto do planeta. A madeira "mole", absorvendo as reverberações. O design clean, a distância ideal do palco. Tudo lindo, deslumbrante, sonoro. E Nivaldo comandando um êxtase musical sem igual, mostrou o que é para mim o hino mais bonito, o "da Bandeira" em uma versão de chorar de emoção. Me arrepio até hoje ao lembrar.

Sala SP - hall de entrada

O tempo passou, outros concertos tomaram conta da Sala São Paulo, que se firmou como um espaço especial da Paulicéia. O prédio da estação Júlio Prestes não poderia ter sido melhor aproveitado. Da última vez que lá estive, em 2007, fui assistir à Orquestra Sinfônica de São Paulo, a residente da casa, tocar uma série de peças clássicas. Sentada na platéia, ouvindo o som inebriante de tantos violinos, naquela Sala maravilhosa, impossível não se sentir confortado. Há harmonia e plenitude. Há beleza para todos os sentidos. Há corações abertos para a música e para a arquitetura majestosa de estilo Luís XVI, mas ainda assim, cozy.

Sala SP - abobada

Uma preciosidade paulistana que completa 10 anos de atividade. Se você não conhece, não deixe de um dia visitar.

Tudo de bom sempre.

31.Março.09

Zappeando

O post de hoje foi escrito a 4 mãos, 2 teclados e milhares de quilômetros de distância. Mas ouvidos interconectados.

Não está aqui; está lá no impop. Minha viagem de fã de carteirinha do tubarão amarelo e as considerações de não-fão (portanto, bem mais ponderadas) de el Tiagón.

Sugestão: leia no volume máximo.

Tudo de Zappa sempre.

13.Setembro.08

5 momentos de fim de inverno na Paulicéia

Nas últimas semanas, fiz alguns passeios e baladas pela cidade que merecem ser mencionadas, apenas para meu registro pessoal. Eis os 5 "eventos" que marcaram meu fim de inverno na capital:

1) Show do Yamandu Costa - Leio na seção "Grátis" do caderninho de cultura do Jornal da Tarde (versão papel) que meu ídolo número 1 do violão iria tocar gratuitamente. O endereço era estranho, um teatro no Itaim. Mas como sou fã, liguei para saber como seria o esquema de distribuição de ingressos (já perdi as contas de quantos shows gratuitos excelentes perdi ultimamente por chegar atrasada) e fui anyway. Não podia ter sido melhor. Na realidade, o teatro Décio Almeida Prado, que fica dentro de uma escola municipal do Itaim, estava sendo reinaugurado com esse show do Yamandu. Tinha uma fita na entrada para ser cortada por uma autoridade (no caso, foi o Secretário da Cultura do Estado). Sobre o show, desnecessário muitos comentários: Yamandu é rei. E eu estava na 2ª fila para sentir cada acorde profundamente. Acabado de chegar do Canadá, estava ainda abalado com a morte recente de Dorival Caymmi. Para homenageá-lo, entrecortou todas as músicas do show com músicas do Caymmi. "Sampa" versão Yamandu com acordes de "Saudade da Bahia" é o mais próximo que meus ouvidos podem chegar do êxtase completo. Foram quase 2 horas de magia e simpatia - Yamandu conversava com o público como se estivesse numa roda de chimarrão. E na saída, a última surpresa que a cidade poderia dar: um coquetel de reabertura do teatro, com quitutes maravilhosos e champanhe à vontade. Eu me perguntei por que mais pessoas não estavam ali também, já que o evento fora anunciado em jornal comum (foi assim que eu achei, ué). Mistérios da Paulicéia.

Yamandu

2) Show do Arnaldo Antunes e Edgard Scandurra - No Studio SP, a convite do Gravataí. Presentes também Juju, Pat, Tuca e Ana. O show foi simplesmente sensacional. Arnaldo pertíssimo do público, cantou só músicas lado B da sua carreira, em arranjos diferentões. Destaque para "Judiaria" que eu adoro e ficou nota 10 com o efeito vocal do Scandurra, e para "O Buraco do Espelho", que sempre me assombra. Na saída do Studio SP, a decepção e raiva: quase fomos literalmente esmagados pela desorganização e falta de educação dos seguranças da casa. Local devidamente riscado das minhas atividades noturnas paulistanas.

3) Visita ao Embu - Já tem mais de 1 mês que fui de sopetão passar uma tarde de sábado na cidade do Doni. Eu não conhecia Embu das Artes e achei uma delícia só. A feirinha é interessante, cheia de quinquilharias deliciosas, e o clima todo da cidade no fim de tarde é agradável. As lojas de artesanato e decoração têm preços um pouco salgados, mas se eu estivesse atrás de objetos interessantes para pôr na minha casa, com certeza teria me fartado por lá. Fotograficamente, a cidade também oferece ótimos ângulos - que não consegui explorar direito, já que estava só com a minha snapshot.

Embu das ArtesSamba no Embu
Rua do Embu das Artes e um sambinha animado num bar da pracinha central.

4) Adventure Fair 2008 - A feira da Aventura, evento gigante lá no Centro de Exposições da Imigrantes que aconteceu semana passada, que fiquei sabendo pela Lyanne lá no BlogCamp. Reuniu os grandes nomes do ecoturismo e turismo de aventura do país. Fui um dia apenas e fiquei impressionada com a preocupação em reciclar/reutilizar do evento inteiro - embora ainda ache extremamente contraditório ver stands de carros do tipo SUV como opção de turismo consciente. Havia um stand da Secretaria de Turismo de São Paulo onde um livrinho tipo "Passaporte de Trilhas" estava sendo vendido: basicamente um guia completo das trilhas de todos os parques do estado, com fotos e descrições várias. Excelente compilação. Tinha também um tanque de mergulho e números stands dos diversos estados brasileiros, propagandeando seus destinos de aventura. Percorri todos os stands de destinos - e fiquei com vontade especial de entrar na "geleira" (imitação das condições do Perito Moreno) que o stand da Argentina montou. Fomos muito bem recebidos e informados nos stands de Mato Grosso do Sul e Paraná, e fiquei envergonhada pela falta de tato com o público do stand do meu estado querido, o Espírito Santo. O Greenpeace montou uma grande "onda" e na parte interna, a gente passeava pelos principais "problemas" que os mares do mundo enfrentam hoje. Achei interessantíssimo. No final, conheci a Leandra Gonçalves, com quem já havia trocado alguns emails - ela é a responsável pela campanha dos oceanos do Greenpeace Brasil "Entre nessa onda" e comentou alguns dados tristes sobre a situação dos mares no Brasil. O casal supimpa do Vida de Viajante tem mais detalhes sobre a Adventure Fair, aos mais interessados.

Cafezinho reciclávelEspaço infantil
Área do café, com balcão feito de garrafas PET recicláveis. Ao lado, o espaço infantil.

Trilhas de São PauloHorta no apartamento
Guia das trilhas de São Paulo e o stand-projeto de mini-hortas de apartamento. Muito interessante.

5) Casamento da Prima - Tive a chance de conhecer o Mosteiro de São Bento por dentro, no casamento da prima do André (que é minha prima de tabela). Nunca tinha ido a essa igreja, e embora bastante eclética em seu estilo, gostei da conservação primorosa. E vai pro céu de Darwin (conhecido também como Ilhas Galápagos) quem inventou essa moda tão brasileira de distribuir chinelos havaianas no final das festas de casamento. Para descansar do martírio de horas com saltos altos, nada melhor que isso.

Mosteiro de São BentoChinelos
Dentro do Mosteiro de São Bento e o garçom da festa com uma bandeja de chinelos.

Tudo de bom sempre.

************

- Sábado passado, fui encontrar com a Eva em meu habitat natural, o aeroporto. Ela a caminho da Irlanda. Conheci a Vanessa e foram algumas horas de papos engraçados sobre viagens e afins. Os relatos da Eva por email sobre sua jornada em Dublin estão uma delícia! Se tudo virar post, será garantia de boa leitura a todos.

24.Julho.08

"Tão Longe.../So far away..."

"Tão Longe" - Júlio Caliman

Eis que meu amigo e irmão camarada Dindinho vai hoje pré-lançar seu primeiro CD solo, chamado "Tão Longe.../So far away...".

O estilo é fusão-jazz-instrumental brasileiro, e Dindinho (ou melhor, Júlio Caliman pros que não cresceram na Praia da Costa...) é um guitarrista de primeiríssima qualidade. Formado em Música Popular e Mestre pela Unicamp, sua principal influência adolescente foram os Beatles - sua versão de "Blackbird" é uma das que mais me emociona - e na vida adulta foram Pat Metheny e Toninho Horta, basta ouvir para sacar. No MySpace dele tem 6 músicas do disco que podem ser ouvidas e apreciadas.

(Parênteses: Lançar CD parece uma coisa exótica nesse mundo alucinado de downloads e músicas picadas, mas eu acho que ainda funciona como um excelente cartão de visitas para a maior parte dos músicos. E principalmente pro meu amigo querido, que é talentoso à beça e merece demarcar seu espaço de alguma forma. Fim do parênteses.)

O show de pré-lançamento do "Tão Longe" será hoje às 19h no bar Ao Vivo, na rua Inhambu, 229, em Moema, São Paulo. Eu pretendo estar lá, ouvindo e tietando, puro sorriso de felicidade pelo dream-come-true que sei que Dindinho realizou. E convido a todos para também prestigiarem o som maravilhoso que sai das cordas da guitarra e do violão do Julio. Vocês não se arrependerão.

(Ah, e a foto da capa do CD, adivinha de quem é? :D )

É uma honra tê-lo como amigo de tantas jornadas, risadas e jazzadas.

Tudo de sucesso sempre, sempre pra você, Dindinho. Porque você merece.

"Tão Longe" - contracapa

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