08.Agosto.09
A energia que vem de dentro
Há algum tempo, o João me perguntou em um email sobre a existência de usinas de energia geotérmica aqui no Havaí. A pergunta faz todo sentido: com um vulcão como o Kilauea, ativo há mais de 20 anos e sem previsão certa para cessar sua atividade, utilizar de forma inteligente a energia que esse furor todo produz não pode ser uma idéia deixada de lado. Principalmente nos tempos de hoje, em que clamamos por um modo de gerar energia que seja menos poluente e com menor impacto negativo ao planeta.
A energia geotérmica é basicamente aquela que vem das profundezas da Terra. Nosso planeta possui em seu interior, no chamado core central, materiais originados do processo inicial de formação do planeta. Esses minerais estão concentrados em uma temperatura de quase 5,000 graus Celsius, há mais de 6000 quilômetros abaixo da superfície onde moramos. Como todos aprendemos nas aulas da 5a série, calor é uma forma de energia - então imaginem o que há de energia concentrada potencialmente utilizável num ambiente enorme que está a 5000 graus.
Só há um pequeno "probleminha" logístico para usar essa energia que está no interior da terra: como captá-la. Perfurar 6000 quilômetros ainda não é viável. Então fazemos o que nos é possível com a tecnologia que desenvolvemos: captar a energia geotérmica em pontos da crosta terrestre onde esse calor se aproxima mais da superfície. Esses locais são em geral vulcões, fontes hidrotermais e pontos no fundo do solo onde pedras se fundem sob ação da temperatura (mas que não chegam à superfície). Quando não utilizamos o calor dessas áreas, ele é simplesmente perdido para a atmosfera.
E aí que entra o Havaí.
O arquipélago havaiano está "sentado" em cima de um hotspot, uma área onde a atividade geotérmica se aproxima bastante da superfície. As ilhas se formaram pelo escorrer de resquícios minerais aflorados onde estão hoje os vulcões. À medida que a plataforma continental foi se movendo na direção nororeste (rumo ao Kamchatcka!), a lava que escorria foi se endurecendo, formou o solo das ilhas e o que vemos hoje no mapa.
Mas o hotspot permanece no mesmo ponto. Pela existência dele, o Kilauea está em atividade desde 1983, e a lava não para de escorrer um dia sequer desde então - ainda causa estragos. E causa também formação de terra nova, crescimento diário da ilha em alguns centímetros, e expõe sua capacidade geotérmica gigantesca.
Uma capacidade ainda mal-aproveitada no Havaí, convenhamos. Com todo o potencial disponível, há apenas uma usina geotérmica nas ilhas, a Puna Geothermal Venture, na região de Puna, ao sul de Hilo, bem próxima ao Kilauea. Puna é uma pequena empreitada de caráter privado que retira energia a partir do vapor e da água quente da lava vulcânica. A usina de Puna tem capacidade de geração de 30 megawatts (Itaipu gera 92,000 gigawatts, a título de comparação). Isso corresponde a 31% da geração de energia renovável do estado e a 20% da energia consumida na Big Island, onde está instalada. A maior vantagem de Puna é sua contribuição nas emissões de carbono: praticamente zero. Além disso, 100% dos gases e fluidos geotérmicos que restam do processo são reinjetados na crosta, minimizando o resíduo final da geração de energia.

As fontes geotérmicas que afloram no parque Whakarewarewa, em Rotorua, Nova Zelândia.
Há melhor aproveitamento da energia geotérmica em outros lugares do mundo, como na Islândia, Itália, Filipinas e Nova Zelândia. Afinal, esta é uma opção potencialmente limpa, mesmo que ainda não tão eficiente - ela é renovável. Acho que um investimento mais encorpado nesse tipo de geração de energia trará mais benefícios que estragos ao nosso já tão maltratado planeta. Pondo na balança, é uma opção literalmente quente pro futuro.
Tudo de bom sempre.
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- Viajando mais na energia geotérmica...
1) Semana passada houve uma entrevista interessante sobre energia geotérmica no Havaí na Rádio Pública. O entrevistado foi o gerente da usina de Puna. Nesta reportagem, uma geral sobre a usina no seu aniversário de 15 anos.
2) Vale ressaltar que nem todas as usinas geotérmicas são não-poluentes como a havaiana. A retirada de fluidos e gases do centro da Terra pode descarregar na atmosfera quantidades aviltantes de resíduos tóxicos naturais. Portanto, investimento em usina geotérmica também prescreve investimento em tratamento adequado dos resíduos da extração e da pós-produção de energia, para minimizar a poluição e emissão de gases na atmosfera. Mas a usina não utiliza nenhum combustível fóssil para funcionar, e é aí que mora sua grande vantagem no sistema atual: independência do petróleo e da política que vem atachada a ele.
3) Um texto mais técnico sobre a renovabilidade e a sustentabilidade da produção de energia geotérmica. [Link em pdf]
4) Valeu, João, por instigar o post! ![]()
*Postado também no Faça a sua parte.
13.Maio.09
Here comes the sun
Ainda continuando a conversa do post de ontem sobre conscientização ambiental (que a Aline comentou maravilhosamente em seu blog), me lembrei de um exemplo interessante da equação indivíduo + instituições + economia na solução de um problema ambiental - ou melhor dizendo, na minimização de um problema. O que me fez lembrar disso foi um pedaço do comentário do Dr. Cláudio:
"Mas como provocar uma resposta mais efetiva? Além de fazer doer no bolso dos resistentes, poderia também se criar um meio de 'prêmio", "bônus" para quem fizer a 'coisa certa'."
Então vamos ao exemplo: energia solar. Aqui no Havaí há um incentivo fiscal considerável para utilização de painéis solares como fonte de energia nas casas e lojas. Ao ponto de existirem conjuntos habitacionais populares com painéis no telhado - vi um outro dia perto de Chinatown. A população vem abraçando a energia solar com animação, e apesar do custo ainda elevado (vem caindo, de acordo com os , os incentivos fiscais (redução de imposto na forma de tax credits de até 35% e corte de taxas, basicamente) funcionam e as pessoas entendem o benefício geral a longo-prazo. Ou seja, o governo fez algo que, ao afetar de forma positiva o bol$o dos contribuintes, tornou a ação individual mais fácil de ser exercida. É um exemplo claro de como uma instituição pode ajudar na rotina do "faça a sua parte" ambiental de cada um. Mas vale também lembrar que houve neste caso pressão popular e econômica para tal mudança: o abusivo preço da energia elétrica no estado, o mais alto de todos nos EUA, gerado pelo aumento do preço do barril de petróleo. Money talks, people walk -ahead, sometimes.
A partir deste ano, também uma lei entrou em vigor obrigando as novas casas construídas no Havaí a instalarem painéis solares para aquecimento de água. Dessa forma, chegará um momento no futuro em que as residências serão auto-suficientes para o aquecimento da água - ou pelo menos, boa parte delas. (Acho ainda recente para ter dados sobre a economia energética do estado por conta dessa medida, mas não duvido que fará uma diferença considerável para a ilha.) E o dinheiro gasto com conta de luz poderá ser relocado para resolver outros problemas - e para a economia do próprio estado. Que com essa crise, anda mesmo precisando.
Dado que o estado tem sol praticamente o ano inteiro (como boa parte do Brasil, aliás), faz muito sentido adotar essas medidas para melhorar a eficiência energética (pelo menos individual), vocês não acham? Acho um exemplo bacana de como unir governo e ação individual por um benefício comum - ao bolso e ao ambiente. Pode servir de exemplo para outros lugares do mundo, principalmente os mais ensolarados.
Tudo de sol sempre.
27.Março.09
Sexta Sub: Twhale*
Na semana que o twitter baleiou horrores (pelo menos pra mim foi assim), nada mais apropriado: uma jubarte mergulhando pras profundezas do mar sem fim.
E levando em conta que baleias passearam aqui pelo blog durante a semana também... ![]()
Tudo de sub sempre.
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*O neologismo é ridículo, eu sei. Aceito sugestões mais apropriadas. 
(E este post, é dedicado a @lilaise e @maffalda, que me inspiraram com o alto astral twíttico.
)
09.Março.09
Meme da localização no mundo
Foi o Afonso quem começou com a brincadeira, lá nos bastidores do Faça a sua parte. Ele coletou as coordenadas GPS de cada um dos membros do Faça, e fez uma página de fotos aéreas do Google Earth "adentrando" na casa de cada um. Eu, que adoro o Google Earth, achei a ideia uma delícia e estendo a brincadeira, publicando aqui no blog as fotos da minha localização no planeta. Dá pra informalmente memeficar...
O quadrado é onde está meu cantinho de sossego no planeta. ![]()
Quem quiser fazer o mesmo em seu(s) blog(s), fique à vontade. Avise aqui depois que eu vou compilando a lista dos que resolveram participar da brincadeira.
Tudo de bom sempre.
UPDATE: O Hélio entrou na brincadeira e pôs a foto da "casa" dele. Flutuante, diga-se de passagem. Ótimo! ![]()
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- Obrigada, Paula e as Monalisas de Pijamas por me darem a honra de constar nessa lista supimpa. A pergunta que me encasquetou entretanto foi... onde foi tirada a minha foto que está lá? 
13.Dezembro.08
Twitter offline
Esta semana tive o imenso prazer de visitar minha cidade natal maravilhosa e recomprovar que ela continua linda. Aproveitei também para encontrar alguns amigos blogueiros (or not!) no bar Devassa do Flamengo.
Todos twitteiros. Ou quase todos.
(Parênteses: se você não tem twitter, ou não sabe o que é o twitter, parabéns. Você é normal.)
Depois de alguns copos de Devassa loira e/ou ruiva, um copo quebrado (minha mão com um pequeno corte...) e muitos suburbia tales [referência ao engraçadíssimo blog de assuntos suburbanos que fechou as portas em 2007], eu e a cálega vizinha de condomínio Lilaise tivemos uma "brilhante" (cof, cof, cof) idéia: iniciar no #botecamp Rio um twitter offline.
Usando o guardanapo do bar.
Mal começamos, e mais gente chegou. No arrasta-junta de mesas, um prato de porção de calabresa caiu no chão e se espatifou. A galera, claro, twittou offlinemente o acontecido. (Fotos dos 2 acidentes aqui.)
O papo no twitter offline que circulava pela mesa continuou. Assim como o papo em direct messages - o famoso olho no olho, sem guardanapo.
A caneta começou a falhar - donde se conclui que até o twitter offline baleia.
Aí chegou a hora de ir embora. Devidamente twittada, claro.
Conclusão geral da experiência: o mais difícil do twitter offline é desenhar o seu avatar. ![]()
(E caderno de caligrafia pra todo mundo de presente de Natal...
)
Tudo de bagunça e risadas com os amigos sempre.
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Presentes no #botecamp Rio: @lilaise, @viva_, @s1mone, @clarinhagomes, @priscilafreitas, @mentel, @maffalda, @lebravo, @caruso, @vitDantas, @nataliah, @cooljohnny, @kamiquase, @dj_spark, @tokash, @rayane, @lien, @paulocoimbra, André, Sérgio & Dani (minha prima). Lista de presença by Simone. Mais fotos aqui, do lebravo.
*Post dedicado à querida Gabi Zago, que fala seriamente sobre twitter e talvez consiga dar um nome menos fanfarrônico a essa bizarrice tecnomoderna que a gente bagunçou. ![]()































