08.Outubro.09

Beija-flor

O convidado de hoje é mais que especial. Afinal, ele quase nunca escreve, mas sempre me emociona profundamente. Aliás, me emociona todos os dias, desde que o conheci numa praia aqui no Havaí. Ele viu este blog nascer, numa noite de outono na Coréia; 5 anos depois, com seu festival de cliques, se tornou um colaborador fundamental para o entendimento das viagens que decido contar. Mais: é fonte de inspiração que não poupa críticas nem elogios. Com vocês, os comentários sobre o processo de escrever este blog daquele que é testemunha diária do ato: meu amor André. :)

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Beija-flor

Escrever um blog não é uma tarefa fácil, pelo menos para aqueles que não o fazem com espontaneidade. Ver a Lu escrever aqui em casa é como ver um beija-flor extraindo néctar: parece tão simples e corriqueiro... mas requer esforço e consistência. Para ela, entretanto, a força-motriz vem naturalmente. É a interpretação do mundo natural por meio das palavras que lhe fornece felicidade. Não tem prazo nem restrição, a Lu vai escrevendo do jeito que for, sem deixar de interagir com os que lêem e comentam, consolidando o seu estilo aventuresco e curioso com o aperfeiçoamento contínuo. Não por necessidade, ou para fazer uma imagem, mas pela paixão pelo desconhecido. Comunicar, de forma simples e clara as percepções que levam sua mente inquisitiva a um estado de satisfação. A Lu escreve com otimismo inato, essência da sua personalidade e soma de suas experiências acumuladas. Os quase mil posts inusitados, densos e criativos refletem a variedade de discussões e reflexões aqui em casa que vão para a “pauta” imaginária. Às vezes a inspiração vem de uma imagem, um mergulho, uma viagem, uma pesquisa... Mas sempre passa pelo que ela sente. Seja como for, a ótica que a Lu traz para os assuntos que aborda é reflexo do seu otimismo de ver e viver o mundo. Eu sou suspeito para falar, mas um mundo com mais Mallas seria um mundo mais feliz e colorido.

Tudo de Malla sempre.

escreve escreve

04.Outubro.09

Amigas virtuais se tornam reais

Continuando as comemorações de 5 anos de blog - e as participações especiais - trago o texto de uma convidada super-querida, que tive o prazer de conhecer no mundo virtual via minhas maluquices verdes e que se tornou real no ano passado, no Luluzinha Camp. A Denise Rangel compartilha comigo uma vontade enorme de tornar o mundo um lugar melhor, e se mostra sempre pronta a batalhar pelas coisas que possam tornar este sonho realidade. No caso dela, um mundo melhor para sua Princesinha, a criança fofa que um dia usufruirá do que a gente vem plantando hoje pelo planeta. A Denise traz muita informação ecobacana pra rede, e fico feliz toda vez que vejo seus posts dedicados, em diversos blogs. Um dia quero conseguir manter um blog assim... Obrigada, Dê, pelas palavras queridas e por ser a amiga que és nessa rede sem porteira.

(E pelamor, gente, se alguém acha que "cientista, então =inacessível", dica: leia o post citado e entenda por que acho super-errado esse estereótipo. E converse com um cientista para tirar a prova dos nove. ;) )

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Amigas virtuais tornam-se reais...

Como parte das comemorações mallucas de 5 anos do blog, Lucia Malla convidou alguns amigos queridos para escreverem um post no seu espaço encantado, Uma malla pelo mundo, sobre o tema que quisessem. Ela sugeriu que escrevessem sobre viagens, tema principal de seus posts, inclusive viagem na maionese (adoro quando ela fala isto).

Fiquei felicíssima e muito honrada, quando recebi um email dela:

" ...e quando é que a senhora vai escrever um texto de comemoração pro meu blog, hem? Hem hem? :D

Tb quero a sua participação mais que especial!!!
Bjs,

Lucia Malla

Nossa, que legal! Escrever um post no blog da Malla!!! Já estou viajando na maionese por aqui, hehehe. Sabe aquela pessoa que você conhecia virtualmente, através de seus artigos, mas que ainda não havia tido a honra de conhecer e de sequer falar com ela? Assim era a minha relação com Lucia.

Conheci seu blog, acho que em 2005, por causa de um post em que a Denise Arcoverde, do blog Síndrome de Estolcomo, falava sobre Lucia Malla e suas viagens pelo mundo. Lia seu blog e ficava imaginando como seria aquela menina no caiaque (é caiaque, né Lucia?), na foto do cabeçalho do blog , na época, no Blogspot.

Eu aprendia muito naqueles posts enormes, que a gente não cansa de ler. Um misto de informação da cientista competente , e vida, muita vida e alegria da pessoa maravilhosa que eu descobriria mais tarde que ele é. Ficava caladinha, nem comentava, pois julgava que Lucia Malla era, segundo palavras dela, alguém "muito inteligente, beirando a genialidade". E era: uma cientista super importante e inacessível.

Mais tarde, em 2007, a gente se conheceu virtualmente, através do blog Faça a sua parte, junto com um grupo de amigos especiais Malla decidiu adotar o planeta. Em nossas discussões do grupo, quando os ânimos se exaltavam, Lucia mandava a expressão apaziguadora: "sem stress". E eu ia desenhando em minha mente a figura serena que Malla era.

No ano passado tive o prazer de conhecê-la pessoalmente no LuluzinhaCamp 2008, em São Paulo. E foi ela quem me viu primeiro. Aquela cientista inacessível aproximou-se, chamou-me pelo nome e, deu-se a mágica: o virtual tornou-se real! A gentileza, a inteligência, o carisma, a humildade e a humanidade de Lucia são coisas marcantes para quem tem a feliz oportunidade de conversar com ela.

Lucia Malla
Lucia Malla e sua paixão: os tubarões

Eu gosto de tudo que Malla escreve, pois a natureza, o mar, os peixes, as plantas, os organismos ganham uma cor diferente nas descrições de Lucia. Admiro sua coragem e determinação na luta pela causa ambiental. E fico agoniada ao vê-la no meio dos tubarões, sua paixão. Aliás, gosto principalmente dos posts em que ela está mergulhando. É adrenalina pura!

Lucia, parabéns pelo aniversário de 5 anos do blog! Muita sorte, mais amor e grandes sucessos em seus projetos, minha malla preferida, hehe.

01.Outubro.09

Redondezas

Com-Tiagon

O convidado de hoje é uma das pessoas mais amáveis da blogosfera brasileira. Um moço de criatividade ímpar, que é sócio-fundador e síndico de um dos portais mais bacanas da net brasileira, o também 5-anista Verbeat. Que escreveu um manifesto pela liberdade da comunicação da rede ainda nos idos de 2004. Que faz (e compartilha) músicas com os amigos como um irmão antenado com a vanguarda do som. Que tive a felicidade de conhecer em uma passagem relâmpago por Porto Alegre, quando nos hospedou em seu chateau com todos os regalos e sorrisos possíveis. Que não cansa de ser um barato. Um grande barat(ei!)o -quase um bereteio. Ah, os bereteios...

Passeiem pelas ruas de infância com a crônica deliciosa do querido Tiagón.

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O lugar o e o não-lugar são polaridades fugidias: o primeiro nunca é completamente apagado e o segundo nunca se realiza totalmente -- palimpsestos em que se reinscreve, sem cessar, o jogo embaralhado da identidade e da relação. (...) Praticar o espaço, escreve Michel de Certeau, é "repetir a experiência jubilosa e silenciosa da infância: é, no lugar, ser outro e passar ao outro".

-- Marc Augé. Não-lugares: introdução a uma antropologia da supermodernidade.

Desde piá gostava de ter um livro nas mãos. Sem lá grande motivo aparente: apenas lembro mais de eu-pequeno entretido com um gibi ou "A Vaca Voadora" do que correndo pela rua ou quebrando a casa com uma bola de futebol. E não que não gostasse de fazer bagunça (até não gostava, mas não tem problema) -- o fato é que me lembro mais de folhear papel do que desfolhar as plantas da mãe. (Já não lembro se me dependurei mesmo naquela samambaia ou se contive a vontade.)

Mas o meu livro preferido não era quadrinho nem literatura infantil: era mesmo o Achei, aquele guia telefônico e de LOGRADOUROS, com seus mapas de segmentos de reta como ruas -- no meu caso, de Porto Alegre. (Logradouro que cresceu comigo para se tornar uma de minhas palavras preferidas.)

Me sentava com o livrão no colo, abria os mapas e saía conhecendo a cidade toda. Partia sempre do meu endereço, pegava uma avenida conhecida e localizava a casa de um avô. Depois, o supermercado onde eu e o pai fazíamos compras aos sábados de manhã. A outra vó, que mora bem pertinho do colégio. Redondezas -- procurava os nomes das ruas por onde já tinha passado e ficava feliz quando lembrava delas pelas placas (aquelas antigas, coladas nos cantos externos das casas de esquina). Também me dava pontos quando eu passava por uma rua inédita -- mas que reconhecia do mapa.

(Gostava dos nomes pomposos, como Baltazar de Oliveira Garcia. Detestava os que referiam datas. Nunca esqueci da rua Vacacaí.)

(Mas minha rua preferida, desde então e até hoje, em Porto Alegre, é a rua dos Andradas, eterna "rua da Praia", naquele trecho da Praça da Alfândega. Porque guarda tanta história, soube mais tarde; porque tem a Feira do Livro, que me encantava e ainda hoje admiro e aproveito; porque um dia caminhando por ali com meu padrinho ele apontou "Olha ali, lembra do Mario Quintana dos livros da biblioteca do colégio?" e foi lá abordar o poeta comigo e apertamos as mãos todos e aquele sorriso de vô legal que eu guardo com um carinho que naquele dia era futuro.)

E então pegava um ônibus imaginário e fazia trajetos pelas páginas e páginas de mapas onde ruas amarelas eram imensamente largas e os retângulos verdes eram grupos gigantes de árvores a contornar. Becos sem saída representavam interrogações. Por que não tem saída? O que tem no fim da rua? Pode dar ré pelo menos? Grandes áreas, de poucas avenidas (um morro, por exemplo), geravam certa aflição porque pareciam ir terminando o mundo, um certo sem-fim remoto (o que depois se confirmaria). Cruzar pontes era sempre um bônus porque morar perto de ponte era algo exótico e bacana e por isso mais caro. Toda a orla do Guaíba tinha praia - mas era uma faixa de areia bem curta, onde não cabia quiosque como na praia de verdade.

Ruas que ficavam "sem solução" no mapa (limites da cidade, zonas mortas) eram os lugares que eu mais queria conhecer. Muitas delas levavam (levam) o nome de 'estrada' e isso lhes dava o charme selvagem de toda e qualquer grande viagem. (Ir a Cachoeirinha ou Alvorada -- ao lado de Porto Alegre -- era aventura.)

Enquanto criava meu mapa mental, sempre pensava nas pessoas que moravam naqueles espaços. Quantos prédios cabiam naquele centímetro entre uma quadra e outra, e naqueles onde havia casas também, e as quadras só de casas. Sempre colocava vários supermercados no caminho, pra ficar mais prático. Colégios nunca ficavam perto de zonas com crianças (pra que a mãe precisasse levar e buscar de carro). As pessoas se divertiam mais nos bairros com quadras pequenas e ruas bem próximas umas das outras, porque era mais fácil fazer amigos. E as pessoas de bairros diferentes se conheciam em feiras que aconteciam nos lugares irrepetíveis da cidade, como os estádios de futebol e os cemitérios. (De que outra forma se encontrariam, se elas tinham tudo que precisavam perto de suas casas? (Menos as escolas?))

Não é que eu estivesse construindo uma sociedade harmônica e equilibrada; eu estava apenas viajando. (Ri do trocadilho, vai.) Imaginauta: descobria espaços e queria dar significado a eles. Curiosidade de saber como é morar numa quadra tão grande. E longe da minha casa (e do meu colégio). Os espaços em branco do meu conhecimento diante daquele mapa corriqueiro eram um convite apenas por estarem ali;

da mesma forma como hoje, como tantos outros, alimento um desejo (como que) secreto de fazer a mochila ir pro aeroporto e escolher um avião (de olhos fechados) só pra ver o que tem no fim da linha dele.

Porque se eu olho pra um mapa -- do que for: mapa-mundi, ruas de terra em Cacimbinha de Fora -- ele exerce o mesmo fascínio que tinha há vinte anos atrás: são lugares que precisam ser descobertos porque descortinam mundos por detrás deles, remotos lugares que sejam; e estão ali à espera, na continuação de uma estrada que não veio mapeada naquele livrão no meu colo.

Contando assim, é de se espantar que hoje eu tenha um senso de direção tão absolutamente péssimo. Só guardo os caminhos repetidos todo dia e certamente já fui muito xingado por me meter a dar informação. Se me perguntam "onde fica rua X?" eu vou responder sempre solícito -- entendo, nada pior que estar perdido, digo, nada pior que ter de pedir informações a um estranho -- desce aqui, segunda à direita, primeira à esquerda. Na maior certeza. Sorrindo. Pra alguns minutos depois me dar conta de que dei um caminho que não só não leva a lugar nenhum como não faz qualquer sentido. (Desculpem. Não faço por mal. Nada pior que admitir diante de um estranho que se é incapaz de guardar os meandros do seu bairro (Freud poderia ter dito, talvez).)

Ou talvez minha bússola tenha se acostumado a criar seus próprios caminhos, mesmo.

(Ou ainda: Como Minha Imaginação Hiperativa Me Fez Tirar Péssimas Notas em Geometria)

~.~

Já era nos idos do fim da faculdade. Cheguei de uma festa com manhã firme lá fora. Deitei e liguei o rádio, baixinho -- pra ter um barulho no ouvido até apagar. Passava um programete-cultura que contava as histórias dos nomes das ruas da cidade. Ao terminar, surgiu para o fecho um locutor clássico, voz de ressoar em tronco de árvore, recitando um poema. Lembro que me doeu no peito como um abraço da existência. Porque viajar, pra mim, foi sempre misturar imaginação com a poesia dos lugares. Que são mundos. À espera diante da minha curiosidade.

E fazer o quê, se nem os caminhos do bairro eu consigo decorar?

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo...
(É nem que fosse meu corpo!)
Sinto uma dor esquisita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei...
Há tanta esquina esquisita
Tanta nuança de paredes
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei...)
Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso
Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar
Suave mistério amoroso
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)
E talvez de meu repouso...

-- Mario Quintana. O Mapa.

Mapa

29.Setembro.09

A book like this

Com Xará e Denise

A energia que a convidada de hoje emana não tem limites. Sua agitação contagia, e quando você está ao seu lado na vida real, percebe o quanto gás essa moça tem para fazer de tudo um pouco por um mundo melhor, mais livre e mais bacana. Desde seus emails rápidos-correndo às reflexões que traz ao Faça e a toda a rede, sobre os mais diversos assuntos. Ela é dessas que viaja bastante, mas com um pé no chão danado. E por isso me cativa, porque tem sempre um olho na nossa realidade cotidiana, sem perder a capacidade de sonhar por um mundo melhor. Xará, eu te admiro muito, por toda essa energia e pelo carinho que dedica às causas que lhe são estimadas. You rock!

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Foi um enorme prazer ser convidada a escrever no blog da Xará Malla para comemorar o aniversário de seu blog (o do Ladybug, mais novinho, é no final de outubro). E, para mim, um blog é também o blogueiro. Afinal, estas páginas são recheadas com nossas crenças, fazeres e viveres. Não esperem grandes citações. A memória da Xará Freitas anda igualzinha à de um peixinho dourado.

Eu acho que encontrei a Lucia no final de 2006. Neste tempo volátil da rede, que passa num piscar de olhos e a gente perde um tanto da noção dos “quandos”, para mim já faz muito tempo. Foi na lista blogosfera, disso eu lembro. Um dia, ela abriu um convite, para um blog coletivo sobre ecologia, o Faça a Sua Parte. Topei na hora – eu adoro o tema. De quebra, ganhei uma turminha “do barulho” que sabe tudo de meio ambiente.

Confesso, não era leitora do “Uma Malla pelo Mundo”. Passava aqui (outro aqui) de vez em quando, assim como quem não quer nada. Adorava as fotos, as viagens, flutuava de barriga para cima em seus textos, como se mergulhasse num mar quentinho. Pela primeira vez gostei de verdade (sem conhecer ao vivo) alguém que leva pelo mundo o mesmo nome que eu.

Tornar-me leitora assídua me ensinou sobre muitas paisagens que ainda não vi, mergulhos que não fiz, a paixão pelo mar e pelos tubarões dos quais eu tinha medo quando menina. Enquanto isso, a gente ia escrevendo a muitas mãos o Faça. E eu descobri uma mulher cheia de conhecimento, que se move entre os continentes com a fluidez das águas, que não tem medo de texto longo e os recheia com as lindas imagens do companheiro André e dela mesma.

Foi ela quem me ensinou a escolher os peixes que vêm para a minha mesa. Foi a partir da idéia (genial) da Lucia Xará que entramos de cabeça no Idéia 38 para comemorar o Dia da Terra – e descobri que as sacolinhas plásticas são mais que supérfluas. Quantas vezes a gente postou a mesma coisa em nossos blogs? E quando eu descobri o DotSub e resolvi traduzir os nossos achados em vídeo do Inglês pro português? E as blogagens coletivas? E ela se lembrar do meu post sobre eventos verdes e sugerir a gente usar canecas no LuluzinhaCamp?

Ao longo dos anos, no ritmo da vida, Xará afundou no coração da Joaninha. O que mais gosto na minha Xará é sua delicadeza, a capacidade de compartilhar seu gigantesco conhecimento sem arrogância nenhuma, em língua corrente, sem complicações. Como alguém com este nome pode ser tão bacana, nem Freud explica.

P.S. Escrevi ao som de A book like this, de Angus & Julia Stone. Melodias doces como o vai-e-vem das marés e que, de alguma forma, evocam nossas pequenas conquistas juntas, ao longo destes anos. Parabéns Xará, pelos cinco anos. Tudo de bom, sempre.

(Ouça aqui.)

28.Setembro.09

Viagem na viagem

Com Flavio em Veneza

O convidado especial de hoje é das pessoas mais fantásticas que conheci via este blog - fantásticas no sentido de realismo fantástico também, já que ele constantemente surrealiza discussões de forma única. Nem lembro mais quando esbarrei com o Flávio Prada pela 1a vez na blogosfera, mas fato é que em algum momento isso aconteceu, nossos papos começaram e lá se vão alguns anos de muitas risadas e discussões via email e/ou skype, discussões estas que nunca são infrutíferas. Afinal, o Flávio, assim como eu, viaja na maionese com uma certa frequência, então a gente se encontra num universo paralelo quase sempre. Em abril, tivemos o prazer de visitar Veneza com sua assessoria arquitetônica mais que especial - além de nos apresentar uma das maiores loucuras gastronômicas que já vi, a feira de queijos de Trento (merece um post, aguardem). O preço disso foi que ele "teve" que nos hospedar por um dia em sua casa, onde ele, italiano de sangue e enólogo por consequência, foi apresentado ao... vinho de abacaxi, uma das "delícias" havaianas. :D

Aí é claro que eu pedi pro Flavio viajar aqui nessa celebração de 5 anos. Olha só onde ele foi parar...

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A Lucia Malla tem a capacidade de me fazer refletir sobre os movimentos, as idas e vindas. Pensar no que efetivamente é o viajar. Isso se faz, a reflexão, obrigatoriamente sossegado, parado, em casa. O que já nos dá uma das dimensões do problema: para ser um viajante é necessário ter um seu porto seguro. Porque aquele que não tem casa é o nômade e esse se encontra em uma outra categoria de ser móvel. Para ele o mundo inteiro é como se fosse sua casa, onde basta mover as pernas e o planeta escorre sob os seus pés. O nômade não viaja, é o mundo que gira debaixo dele.

Outro que se exposta muito é o andarilho, mas ao contrário do nômade, em geral não o faz como fruto de uma escolha de liberdade. Na verdade ele tem um mundo que carrega nas costas e o caminho é um condição obrigatória, um mover-se condicionado e necessário à sua busca de fuga de si mesmo.

Mesmo dentro da categoria dos viajantes existem muitas sub-categorias. Em quase todas ao menos uma vez na vida nos deslocamos, mesmo que tenhamos nossas preferências e modos de fazer. Falo por mim, mas sei que todo mundo por exemplo já viajou de carona, entregue ao desconhecido em um processo de reforço da auto-confiança que só faz bem. Ou então a viagem em grupo, com bandos de desconhecidos ou com grandes amigos, todos juntos em um ônibus ou avião, o que permite o aflorar do animal selvagem que temos dentro, aquele gregário que se sente mais forte em manadas organizadas e é capaz de ações únicas, ou seja, faz coisas que não faria em uma viajem solitária nem se estivesse bêbado como um porco. O que dizer pois das curtas viagens sem destino com a beleza da surpresa e o prazer da descoberta? Sair de carro, moto ou mesmo a pé ou bicicleta e se deixar levar pela paisagem, o tempo e o destino. Vale por inúmeras sessões de psicoterapia. Outro belo modo de viajar é aquele bem organizado, planejado e definido. Em certos momentos da vida faz bem seguir um roteiro e saber o que vem pela frente.

No fundo as maneiras de viajar dependem mesmo disso: do nosso momento de vida, daquilo que faz nossa cabeça naquele momento.

Talvez pensando nisso é que nos últimos tempos tenho feito minhas viagens na quarta dimensão, coisa que nossa tecnologia nos permite em modo muito interessante. Viagens no tempo são já possíveis e tenho me dedicado a isso. Até porque na minha última viagem em família, a quebra do carro a 400 quilômetros de casa em um domingo à noite não foi propriamente uma tragédia visto que rimos à lembrança, mas nos quebrou o orçamento em tal maneira que nos sobrou somente o belo exercício de desafiar a linearidade da cronologia.

Um exercício agradável e dramático ao mesmo tempo. Porque no mínimo um sabor de estranhamento nos chega quando nos fixamos nos olhos, olhando nossa foto de vinte ou mais anos atrás. Aqueles olhos são os mesmos que os vêem em um espelho que se dilata no espaço-tempo, ou seja, um espelho que aparentemente é fixo, mas na verdade viaja. Gravar vídeos para si mesmo para ser visto daqui algum anos tem sido estimulante. Talvez seria um bela componente adicional expedir esses vídeos para diversos amigos pelo mundo e programar a revisão com os mesmos, lá na casa deles, idade e budget permitindo. Viagem na viagem. Ou muita viadagem, ainda não sei.

Em todo caso, volto a encaixotar minhas coisas, estou me mudando, vou viver em outro apartamento. Uma viagem sempre épica, visceral, radical. Mas que renova, sempre, como qualquer tipo de viagem. Por isso rapazes, não fiquem parados.

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As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

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Uêba - Os Melhores Links

As fotos deste blog são de uso exclusivo de Lucia Malla e André Seale. Caso queira utilizar as imagens contidas aqui para fins diversos, por favor contacte a Lucia: mallablog ARROBA gmail PONTO com. A gente precisa saber pra que "viagem" ela vai antes de liberar...

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