28.Outubro.09

A amiga medrosa e (nada) “mala” da Malla

A Tata é uma amiga enrolada. Tão enrolada que me entregou anteontem o post que era pro aniversário do blog no início do mês - mas também, né, a Malla aqui, que também tem pós-graduação em auto-enrolação, não deu prazo para entrega dos posts. Porque o que realmente importa é o carinho, a honra que uma amiga me dá ao parar por uns minutos do dia para escrever algo aqui pro blog, e essas coisas não têm data de vencimento. E sendo a Tata, carioquíssima vencedora de tantos prêmios Esso (concorrendo de novo esse ano, by the way), tão ocupada com o jornalismo, os designs e as peraltices do filho Vitor, realmente, é para comemorar que ela tenha dedicado 1 segundo que seja a bem-traçar umas linhas contando as suas peripécias na primeira viagem ao exterior. É a cara da Tata - aquela que enfrentou a Chapada Diamantina sem perder o estilo, o batom nem a finesse. Obrigada pela palhinha, Tata!

Tata

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Ser amiga da Lucia é o mais próximo que já cheguei de ter uma vida de aventuras, trilhas exóticas, mergulhos submarinos e viagens ao redor do mundo. Minha querida amiga sempre me inspirou com suas histórias incríveis e corajosas. Graças a ela, alegrei meu filho ao mostrar uma foto sua ao lado de um tubarão de verdade.

Após anos convivendo, ainda que “virtualmente”, e em alguns encontros ao vivo e a cores que tivemos, sempre ficava reflexiva acerca da minha covardia em desbravar novas terras. Ela me inspirava, dentro dos limites possíveis para uma pessoa cheia de fobias de alturas, mares, insetos e outros bichos.

Esse ano, tive a oportunidade de ir a um congresso em Buenos Aires. “Logo ali, posso até treinar meu portunhol”, pensei. Soube que bastava um RG com menos de dez anos de expedição. Viva o Mercosul! Mas comigo nada é tão simples...

Meu RG baiano (sim, porque não me aventurei mundo afora, mas já residi em vários cantos do país) era de 1996 e precisaria tirar outro para poder viajar. Mas quer saber? Por que não tirar logo o passaporte? Quem sabe eu me animo?

E assim eu fiz. Marinheira de primeira viagem total procurei um lambe-lambe “moderno” na Praça da Sé e fiz umas fotos bacanas. Saí de lá toda feliz! Uau! Vou ficar bem na foto para as alfândegas mundo afora. Mas comigo nada é tão simples...

Chego no dia marcado para tirar o passaporte e, ainda na fila de espera, percebi: “É, entrei pelo cano” (aka Mifu). Nada de fotos prontas. Elas precisam ser feitas na hora com um flash desnecessário. Não preciso dizer que nesse dia eu cheguei lá de banho recém-tomado, cara de sono, cabelo despenteado e pálida... Nem batom, nem espelhinho... Poxa, o pessoal da Praça da Sé tem uma infra-estrutura mais bacana, mas paciência. Faltava uma semana pra minha viagem. Sim, eu sou daquelas que não faço hoje o que eu posso fazer amanhã (sem orgulho).

Na véspera da viagem fui lá buscar o passaporte na Receita Federal. Quando vi a foto impressa pensei: “nossa, eu estou pobre!” Não pensei que estava feia porque nos dias de hoje a beleza está diretamente ligada a sua conta bancária. Fato! A recepcionista percebeu o meu ar de decepção e sorriu. “Nossa, a foto ficou péssima! Mas você deve ouvir esse tipo de comentário todo dia, né? Ela sorriu novamente e até agora estou torcendo que seu silêncio tenha sido de concordância e não de “ah, coitada!”

Passaporte na mão, fui fazer as malas. Era uma fazendo as outras. O frustrante disso é que lembrei de um amigo relatando sua última viagem pra Buenos Aires: “Renata, voltei igual a uma muambeira. Tudo é muito barato!” Mas comigo nada é tão simples...

Viajei com uma verba do jornal para as despesas e sem verba pessoal para mimos ou contrabando (para uso próprio e/ou familiar, claro). Tentei me convencer que isso não seria tão doloroso, ledo engano.

Amei a cidade. Linda, linda mesmo... Lá estava a medrosa vagando por uma cidade desconhecida. Primeiro parei no hotel errado e dei de cara com o cemitério onde descansa Evita. Não fui visitá-la, preferi achar o hotel correto.

Alguns dias de congresso, muitos congressos paralelos em bares pela Ricoletta e muita, muita tremedeira pela abstinência do consumo. Entrar num shopping e ver bolsas lindas, perfumes incríveis, vinhos bacanas e argentinos lindos e não pode fazer nada me doeu a alma.

Gostoso mesmo foi assistir a palestras sobre design de jornal onde a maioria das pessoas só repetia: “os jornais estão acabando”. Animador! Além de falida, em alguns anos estarei desempregada.

Descobri que não se chama qualquer um de “Che” a não ser que haja intimidade pra isso (ou o Guevara, que já está morto e não vai poder reclamar), segundo a garçonete que ensaboou meu amigo, tradutor e guia simultâneo.

Um outro amigo descobriu coisas ótimas sobre as diferenças na língua. Entrou na farmácia e perguntou: “Tem crema de cacau? Para boquita, sabes?” Sei lá que língua ele achou que tava falando... Mas duro mesmo foi ele ter a revelação que pra comprar manteiga de cacau numa farmácia em Buenos Aires basta pedir por uma “manteiga de cacau”.

O mesmo amigo entrou em uma loja e fez mímicas para pedir um blazer... No final, ele desistiu e disse pra vendedora: “Como se llama blazer aca?” E ela respondeu: “Blazer”

Divertido mesmo foi andar feito uma louca pela cidade de salto em ruas de paralelepípedo (com um joelho bichado). Até hoje não me recuperei. Problemas sérios de DNA (data de nascimento avançada).

No quesito social, me emocionei com uma menina de rua que vendia rosas e quando disse que não ia comprar, tive que ouvir (já traduzindo ao pé da letra): “Por favor, eu tenho tantos sonhos” Juro que tentei não comparar, mas se fosse aqui no Brasil a tradução seria: “Tia, compra uma rosa aí... “ Sei lá, vai ver o argentino tem uma alma mais poética do que a nossa. Um personal tango-drama que aqui acabaria em samba.

Quatro dias se passaram e ao chegar ao aeroporto e pensei: “Ufa, sobrevivi!” Nova fila e documentos ok - apesar do rapaz antpático da Alfândega não ter rido sobre o meu comentário de “Ei, no repara na fotita” (será que ele não entendeu a piada ou meu portunhol tá tão ruim? Não respondam!

Mas o pior estava por vir. O famoso e adorado paraíso do consumo também conhecido como Duty Free Shop. Foi a visão do inferno, eu garanto. Fechei os olhos, tracei uma reta em direção a saída e só sucumbi ao ver um Menthos de Itu. Vitor iria adorar (e comer em 2 horas). Não pude deixar de comprar. Piada de mau gosto ter que obrigar as pessoas a passarem por aquele antro de perdição para chegarem no portão de embarque. Ainda estou pensando em mandar uma carta sugerindo a troca do nome do estabelecimento para Free é o C... ou No, I can´t, mas como sou uma moça fina não farei isso.

Volto ao Brasil com um carimbo no passaporte. Espero que isso seja motivo de uma ponta de orgulho para minha amiga Lucia e que essa seja a primeira de muitas viagens internacionais dessa mala medrosa que vos fala. É, acho que deu para os seus leitores entenderem aquilo que você já sabe: tudo comigo é enrolado.

Parabéns pelo aniversário do blog e que você continue inspirando os seus leitores com suas histórias fantásticas.

Um grande beijo e aloha!

PS: só pra deixar bem claro que não sou viajada, mas sou poliglota: fico muda em 20 idiomas. :)

tata_ba

25.Outubro.09

Inquietações de uma viajante inveterada

Em meu último post de desafio, deixei a foto de uma igrejinha para que as pessoas tentassem descobrir onde fica. Confesso que achei que seria um desafio facílimo, já que tal construção fica muito perto de São Paulo. Mas até agora, ninguém acertou - e eu finalmente deixei lá a resposta. O fato é que o desconhecimento de uma cidade tão pertinho de Sampa me levou a viajar supor que as pessoas talvez não conheçam os arredores de onde moram... aliás, nem a própria cidade, já que eu mesma, carioca da gema, levei 23 anos para subir enfim no Corcovado - e 32 para finalmente conhecer a simpaticíssima Vista Chinesa.

Isso revela um lado da nossa natureza humana em busca sempre da novidade. Queremos o novo, mas o novo não precisa ser só "novo": precisa ser "distante" da nossa realidade. As pessoas não encaram ir a cidade vizinha como uma "viagem". Viajar parece ser apenas o ato de ir a mais de (x + y) quilômetros (cada um escolhe seu limiar para resolver a equação), embora nada efetivamente defina isso num livro. Mas na nossa cabeça é assim. O que me leva a outra viagem na maionese, claro.

Viajar significa, na definição mais simples do Michaelis:

"viajar
vi.a.jar
(viagem+ar2) vti e vint 1 Fazer viagem; ir de um lugar para outro ou outros: Viajar para algum lugar. Viajar pelos sertões. Há muito já não viajo."

Ou seja, o mero andar de um ponto X a um ponto Y. Nessa definição mais que abrangente, ir na padaria da esquina pode ser uma "viagem". Eu gosto dessa definição, porque ela nos tira de um monte de amarras que temos com o ato de viajar. A principal delas é a financeira (que parece ser a maior amarra da maior parte das pessoas). Simplifica o ato.

Desde criança, meus pais me incentivaram a viajar. Ainda bebê, aliás, havia um instinto de querer conhecer outros mundos, "viajar" - e eu arrastava sacolas plásticas de supermercados com roupas dentro pela sala de casa, indicando às visitas que queria conhecer um pouco do mundo físico delas. Aparecia uma dessas "excursões" de escola e eu era talvez a única da minha classe que não precisava nem perguntar se podia ir: tinha certeza que meus pais me apoiavam nessa empreitada. Isso porque meu pai era (e é ainda) uma pessoa que curte muito cair na estrada.

Aí na adolescência e pré-vida adulta, quando estava na faculdade, eu me pegava sem dinheiro algum. Mas queria viajar, e ao primeiro sinal de 20 reais eu comprava uma passagem pra cidade vizinha e passava o dia lá, no estômago apenas um pão de queijo e um cafémas na cabeça a inquietação para conhecer outros mundos. Às vezes uma senhorinha bondosa, dessas que vão à igreja todo fim de tarde, me via olhando curiosamente pelas ruas de uma cidadezinha qualquer perdida de Minas e me oferecia um café em sua cadeira na varanda - e um tico de prosa deliciosa, trazendo lições universais de uma vida inteira entre dois pedaços de broa. E eu viajava ali, sentada numa calçada nova.

Na-calçada

Eu adoro relatos de viagens. Meus, dos amigos, de desconhecidos... é das minhas leituras prediletas em qualquer momento da vida. Não à toa, adoro todos os blogs de viagem que conheço que contam verdadeiras histórias em seus posts, principalmente os recheados de fotografias e emoções (a Luisa e a Emília são minhas mestras nessa vertente). Os relatos me fazem viajar com eles, entender perspectivas diferentes. E gosto de perceber a perspectiva que as outras pessoas têm de uma mesma situação, o quão diferente é essa percepção de um mesmo destino e o quão isso muda de acordo com quem o experimentou. Por exemplo, recentemente, a blogosfera brazuca foi inundada por posts de viagem a um mesmo destino, "culpa" de um evento propagandístico-marketeiro. Mais que análises midiáticas (que disso eu não entendo mesmo), eu, viciada declarada em relatos de viagens, adorei a "experimentação" quase científica: o fato de ouvir as histórias de tantas pessoas em curto espaço de tempo sobre o mesmo ponto - porque, muito mais que meras descrições das atrações legais de um lugar bonito (isso qualquer guia de viagens já faz), elas também trazem o olhar de cada um e realçam a realidade pungente de que viajar é, muitas vezes, se incomodar. Em minha opinião, faz bem esse incômodo que um lugar novo oferece: é ele que nos faz pensar, refletir; é a inquietação da experiência nova, distante da nossa realidade, seja ela na padaria da esquina, na calçada de uma cidadezinha, em Pernambuco ou em Bangkoc que nos leva a aprender algo, que embaralha nossa perspectiva acomodada de vida e que torna o ato de ir e vir muito mais complexo do que a mera definição, que nos permite entender porque esse é um direito humano fundamental. O mundo seria mais bacana se mais pessoas viajasssem - porque viajar enriquece a nossa aventura de viver. Viajemos e nos inquietemos sempre, para quem sabe, perceber com outros olhos a nossa própria realidade rotineira.

Estrada

Tudo de bom sempre.

24.Outubro.09

10 músicas que me fizeram ser

O Doni postou sobre as músicas que moldaram a personalidade dele. Ele escreveu:

"Este pequeno romance que escrevemos todos os dias e chamamos de vida sempre tem uma trilha sonora. Mas, mais do que "acompanhar a ação", as músicas podem ser as grandes responsáveis por determinados turning points que, no fim das contas, nos fazem ser quem nós somos."

Como eu concordo com a idéia, resolvi memeficar a idéia do Doni. Faz mais sentido ainda depois de uma semana pra lá de atribulada; cansada que estou, nada como um refresco musical que te leve a relembrar os caminhos da sua vida até agora. Eis aí abaixo as 10 músicas que me fizeram ser a malla que sou, de alguma forma (ou as 10 que me lembro agora). Incrivelmente, quase todas elas têm um quê de liberdade, de otimismo ou de mobilidade. Viagens musicais? Ei-las.

10) União da Ilha: "É hoje" [muitas madrugadas acordadas na infância assistindo aos desfiles das escolas de samba do Rio. É minha recordação número 1 de carnaval quando criança, a farra que se instaurava na sala de casa noite adentro, rindo. Lembrança que me ensinou a apreciar sempre com olhos de criança a alegria popular. O link leva a uma pedaço da transmissão da Globo daquela época.]

9) P.O.D.: "Alive" [Foi a trilha sonora de um grande turning point. Quando, há 7 anos, pulei de pára-quedas e percebi que precisava mudar tudo na minha vida, recomeçar do zero. Uma música que me dá uma sensação de liberdade enorme.]

8) The Beatles: "Eight Days a Week" [Ah, a pré-adolescência na beira da praia, nas rodinhas de violão, cheia de esperanças, curiosidades por um mundo a ser ainda descoberto...]

7) Chick Corea Akoustic Band: "Morning Sprite" [muitas madrugadas sentada na calçada do Recanto dos Vagabundos conversando e aprendendo com grandes amigos a ouvir com carinho, atenção e emoção o que as pessoas têm a dizer.]

6) Stockhausen: "Helicopter String Quartet" [Descobrindo São Paulo, sua vida über-urbana e tomando as lições que ela imprimiria em mim.]

5) Frank Zappa: "G-spot tornado" [Entendendo a importância da crítica. Momentos de explosão de pensamento, quando percebi que estar aberta às novidades, tentar entendê-las, era a melhor maneira de encontrar a minha realização.]

4) Jaco Pastorius: "Teen Town" [Acordando para o mundo aqui fora e amando cada detalhe que ele revela. E eu sei, essa música é do Weather Report, não só do Jaco. Mas foi a versão dele que me marcou. Aliás, todas as músicas dele, e essa só ilustra um momento definitivo de descobertas. Mas todas as outras poderiam entrar aqui; sendo interpretada pelo Jaco, não interessa qual, é tudo lindo.]

3) Jack Johnson: "Bubble toes" [Rodas de violão com 'ukulele, a descoberta de que momentos de tranquilidade da vida não têm preço. E que me fizeram almejar uma vida mais equilibrada, em harmonia com o ambiente ao redor.]

2) Hermeto Pascoal: Viajando pelo Brasil [Liberdade é tudo na vida. Foi o Hermeto quem me ensinou a apreciá-la, com toda a criatividade e liberdade que têm ao manejar as notas musicais. Esse clipe em particular me é muito querido porque foi gravado em Viçosa, 1988 e colocado na web pelo Jovino Santos Neto, que tocou muito tempo com o Hermeto...]

1) Pat Metheny: "First circle" [Eu sempre brincava que se o céu existisse mesmo, era essa música que tocavam na nossa "bendita" recepção. Uma música que me faz acreditar num mundo melhor, que me tira da tristeza toda vez que ela insiste em aparecer, que me dá uma esperança crescente na beleza da vida. É minha música predileta de todos os tempos, todos os momentos, todas as emoções.]

Tudo de música na vida de todos sempre.

09.Outubro.09

5 anos viajando com uma Malla pelo mundo

Em Malapascua
Ilha de Malapascua, Filipinas: onde os relatos de viagens (e a festa!) começaram...

Eis que 5 anos se passaram e parece que foi ontem que eu comecei a contar as minhas memórias de viagens neste bloquinho virtual. Mal sabia eu naquele 09 de outubro de 2004, perdida na frente de uma tela branca em Ansan, Coréia do Sul, que, ao publicar minhas aventuras de recém-chegada da ilha filipina de Malapascua, começava uma jornada que renderia surpresas ótimas, interações, amigos, enfim momentos nota 10, e mais um tanto de aventuras que compartilhei com sorrisos. E que hoje, 5 anos depois, muitas milhas a mais, sentada na minha escrivaninha no Havaí, me emociona: 5 anos de muita satisfação nesta caminhada virtual, posso dizer.

Esta satisfação vem muito também da "regra" mais simples que uso: o blog é um espaço para eu me distrair escrevendo. Proponho-me a escrever apenas o que me cativa, pensamentos que de alguma forma considero interessantes, assuntos em que gosto de pitacar ou que simplesmente queira compartilhar. Proponho-me à diversão, e a dividir momentos e curiosidades com os amigos que me lêem. Não há uma linha editorial, muito menos uma pauta formal; há a necessidade profunda pessoal de se expressar, pura e simplesmente. Sou uma otimista inata, cientista de profissão, fotógrafa de plantão, apaixonada pelo mar, curiosa com as idiossincrasias da vida, preocupada com os rumos que damos ao nosso planeta e que adora MUITO viajar. Além de outras nuances, que aos poucos aparecem aqui. Neste nanofeudo virtual, está nas linhas e entrelinhas um pouco da minha pessoa em suas mais diversas facetas - e tenho dificuldades em separar os pedaços de mim. O feedback em geral positivo que tenho me diz que faz sentido continuar neste caminho, sem encaixotá-lo num tema, adapatando-me às mudanças sem esquecer a ternura.

A vida é muito curta para definições. Pra mim já está de bom tamanho aceitar o caos nosso de cada dia e sorrir marotamente em cada passo da vida. Hoje tranquila sei que tudo que importa é que este espaço me divirta, me faça aprender, e que seja uma porta aberta para conversar com os companheiros de viagens (e quem mais quiser participar) sobre as mais diferentes experiências da vida e do mundo, quiçá até me revoltando de vez em quando com o status quo - tudo ao meu jeito malla de ser. A conversa não precisa nem ser relevante; basta ser interessante e já cumpre meu objetivo com o blog.

Boa parte das pessoas que passam por aqui também me fazem refletir muito. Cada comentário, cada link deixado, é uma viagem em si, onde eu aprendo e cresço. A Lucia Malla de 2004 é muito diferente da de 2009 - e no fundo, no cerne, é quase a mesma. Gosto muito da frase do Dalí, que uso no meu perfil:

"Everything alters me, nothing changes me."

Porque a gente é muito alterado pelo ambiente ao redor e graças às pessoas que tiram uns minutinhos para escrever aqui, me mandar email, falar comigo no twitter, eu vou aprendendo mais e mais. E não dá para não curtir esta interação, por mais virtual que seja. Porque ela nos mostra um pouco da diversidade da vida, das pessoas, das culturas, dos obstáculos, das vivências - perceber essa gama enorme de possibilidades é apaixonante e eu não me canso de me mesmerizar com isso. Mas no fundo, somos a mesma pessoa, porque há características da nossa personalidade que não mudam nem mesmo quando enfrentamos grandes obstáculos na nossa vida - a minha paciência de Jó que herdei da minha mãe é um exemplo de característica assim. Essa dualidade entre o que somos e o que nos tornamos é fascinante.

Mas é claro, estou viajando na maionese neste momento, como venho fazendo aqui, aliás, há 5 anos. Então vou parar com as divagações e começar o que interessa: a escolha do megalonarcisístico prêmio Malla Bloggel 2009 - edição especial de aniversário de 5 anos. Com vocês, a auto-linkania desvairada que celebra mais um ano de escrevinhações mallas pela blogosfera!

1) Economia

Para um tema do qual eu entendo quase nada, até que escrevi bastante neste ano sobre economia: 13 posts ao total. Declaro vencedor do Malla Bloggel o que comenta sobre o efeito econômico das mudanças climáticas, pela importância do tema pro nosso futuro em meio a crises e confusões sócio-políticas.

2) Ciência e medicina

Óbvio: um tópico recheado de indicações. Confesso que tenho dúvidas em estabelecer um vencedor; foram muitos posts que adorei de ter escrito. Mas há 5 que, pela proximidade com que me tocam ao coração, se destacam: 1) meus comentários sobre as dificuldades científicas que as mulheres passam; 2) um triste problema colateral que surge no trabalho de campo no Brasil; 3) a contaminação dos peixes que comemos por mercúrio; 4) a alegria de ver um amigo publicar um artigo na Nature e ser citado pelo NYTimes; e principalmente 5) minha molécula preferida. Deixo a vocês escolherem qual seria o vencedor da categoria.

3) Literatura

Este foi um ano de poucas resenhas. Apesar dos amigos lançando livros supimpas, não os resenhei - shame on me. Mas em compensação, foi o ano em que nos dedicamos (e nos divertimos) a fazer uma série de livros fotográficos, os "Over/Under", cada um realçando um recanto da terra Brasilis: Fernando de Noronha, Bonito e Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Como os 3 foram igualmente brotados, fica o empate técnico. :D

4) Política

Apesar de entender que somos todos seres políticos, mergulhados que estamos numa sociedade organizada, eu não gosto de escrever sobre política. Ela é extremamente necessária, mas não é minha praia de pitacos. Entretanto, é inevitável que de vez em quando escape uma ou outra opinião, dado que esbarro pelo mundo em diversas manifestações de caráter político que me levam a pensar e/ou indagar questões - e que termino trazendo para cá. Vocês decidem aí o que mais lhes apetece.

5) Popularidade Google

Qualquer lista que eu me empolgo a fazer (ou discutir) termina sendo boa de audiência no Google. Dentre as que se destacaram neste ano, a que mais curti foi a das praias do Havaí. Embora, preciso dizer, o post mais visitado é um obscuro e antigo que não tem absolutamente nada a ver com os assuntos que abordo aqui; graças à Gloria Perez, o "Casamento na Índia" bateu recordes de audiência este ano. E eu fico totalmente perdida, porque escrevi o post em 2006, tentando narrar uma curiosidade do meu dia-a-dia na época, e parece que os comentaristas não captaram a mensagem...

6) Fotografia

Foi um ano de prêmios e livros. Por consequência de um prêmio, tivemos o prazer de ir a Itália, rever amigos e esticar até a Croácia. Onde tiramos mais fotos... Entretanto, destaco que a Sexta Sub se consolidou. Tem se tornado meu momento predileto da semana, escolher uma foto pra publicar na Sexta e, dentre as deste ano, a foto que mais gostei foi a do vaso de cerâmica, mas o post em si que mais me animei a escrever para a Sexta Sub foram na realidade 2: sobre os tubarões de Palau e sobre diabetes (até isso eu levei pra debaixo d'água...). Cada doido com sua mania.

7) Filosofia do mundo

Sou uma otimista de carteirinha, que tende a procurar por festa em todos os aspectos da vida. Levo esta tendência para onde vou. É claro, entendo as diversas complexidades e riscos que o mundo requer, que muitas vezes nos deixam bem desanimadas (como as maracutaias e afins da indústria farmacêutica, por exemplo). Mas não deixo de tentar entender também nosso lugar nem perco as esperanças de que um mundo melhor é possível, basta que abracemos de coração esta época de fazer nossa parte. Acho que o cerne de uma solução eficiente passa por aí.

8) Visita ilustre

Na realidade, foram milhares de visitas aqui, todas vindo de uma das pessoas mais ilustres do meu rol de amizades blogosféricas: o Idelber. Que escreveu um post que me surpreendeu e emocionou profundamente pelo tanto de carinho. Não me canso de falar: obrigada, querido! Você recebe este "prêmio" de visita super-ilustre sempre. :)

9) Pior título de post

Quando eu me ponho a fazer "gracinhas" cinematográficas ou usar neologismos lastimáveis... sempre viram excelentes candidatos a pior título de post do ano. Não tem jeito. O post pode até ser legal, mas o título... afe.

10) Melhor viagem real relativamente longa

Foram dois périplos relativamente longos que disputam este prêmio: o rolê pelo sul do Brasil em outubro do ano passado, e que, óbvio dos óbvios, ainda não terminei de blogar; e a viagem a Itália-Croácia com passagem -relâmpago pela Bósnia-Herzegovina e Eslovênia, em abril deste ano, que também ainda falta contar muita história. Ambas foram maravilhosas. Ambas foram as melhores. :D

11) Melhor viagem real relativamente curta

Nem tem discussão: ter saído daqui do Hawaii para passar um fim de semana animado com uma galera blogueira nota 10 a mais de 10,000 quilômetros: em Cancún. É a viagem vencedora desta categoria sem pensar nem meio segundo.

12) Viagem na maionese

... foi parar no USA Today (olha o nível do mico...), e foi mais uma dessas viagens na maionese totais que surgem como resultado da equação blogueiros + muitas garrafas de cerveja: o twitter offline numa noite de muita risada no bar Devassa do Rio de Janeiro.

(Ou então essa bola de peixe de 7 quilômetros. Que viagem...)

13) Onde fica?

A ilha de Lost, lógico! :D

(Leia o post linkado para entender a piada... senão... você pode ficar atolado em Mostardas! :D )

14) Tudo de bom sempre

Serei franca: cada dia mais sonho em poder desejar o melhor sempre às tartarugas marinhas, tubarões, golfinhos, arraias e outros seres do mar, que andam tão ameaçados. Não me canso de lembrar deles, que sem voz para discutir com os "animais racionais" que somos, não podem reclamar das lambanças que a gente anda fazendo por aí na casa deles. Aos seres que vivem no mar, tudo de bom sempre, sempre.

15) Mallice da Malla

A maior mallice do ano foi a overdose de posts do Havaí. A categoria, que até então tinha um número modesto de posts, agora cresce exponencialmente - and counting. Aí para "piorar" o caso, decidi desencanar de vez e celebrar os 50 anos do estado publicando por um mês inteiroposts falando de curiosidades havaianas. Foi sem dúvida a maior demonstração de que eu sou literalmente uma malla: quando encasqueto com um tema, sai de baixo. :D

16) Malla Bloggel da Paz

Para todos vocês que tiram segundos do seu dia atribulado para lerem o que escrevo, refletirem, darem risadas e/ou viajarem comigo a cada post, cabe o merecimento de um prêmio da Paz. Porque este blog me trouxe tantas coisas bacanas, mas o que de melhor trouxe foram amigos e amigas, espalhados pelos 5 cantos do mundo. Graças a essa interação, aprendi um pouco mais sobre um monte de coisa, o que cada um me acrescentou com sua experiência de vida. Cada um que passa deixa seu rastro por aqui, me altera (como bem disse o Dalí ali em cima) e eu adoro esse compartilhamento, essa troca. Muita paz, para todos, sempre.

E como hoje é dia de Sexta Sub (aêêêê!!), resolvi comemorar os 5 anos da forma mais condizente ao meu jeito de ser: embaixo d'água, claro! :D

Me

Tin-tin azul a todos, glub-glub-glub!!!

Tudo de bom sempre, há 5 anos. E que venham mais!

UPDATE IMPRESCINDÍVEL: E que surpresa! Celebrar também neste dia o Nobel da Paz de Barack Obama! Bem que ele merece, hem? Emocionante! \o/

08.Outubro.09

Beija-flor

O convidado de hoje é mais que especial. Afinal, ele quase nunca escreve, mas sempre me emociona profundamente. Aliás, me emociona todos os dias, desde que o conheci numa praia aqui no Havaí. Ele viu este blog nascer, numa noite de outono na Coréia; 5 anos depois, com seu festival de cliques, se tornou um colaborador fundamental para o entendimento das viagens que decido contar. Mais: é fonte de inspiração que não poupa críticas nem elogios. Com vocês, os comentários sobre o processo de escrever este blog daquele que é testemunha diária do ato: meu amor André. :)

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Beija-flor

Escrever um blog não é uma tarefa fácil, pelo menos para aqueles que não o fazem com espontaneidade. Ver a Lu escrever aqui em casa é como ver um beija-flor extraindo néctar: parece tão simples e corriqueiro... mas requer esforço e consistência. Para ela, entretanto, a força-motriz vem naturalmente. É a interpretação do mundo natural por meio das palavras que lhe fornece felicidade. Não tem prazo nem restrição, a Lu vai escrevendo do jeito que for, sem deixar de interagir com os que lêem e comentam, consolidando o seu estilo aventuresco e curioso com o aperfeiçoamento contínuo. Não por necessidade, ou para fazer uma imagem, mas pela paixão pelo desconhecido. Comunicar, de forma simples e clara as percepções que levam sua mente inquisitiva a um estado de satisfação. A Lu escreve com otimismo inato, essência da sua personalidade e soma de suas experiências acumuladas. Os quase mil posts inusitados, densos e criativos refletem a variedade de discussões e reflexões aqui em casa que vão para a “pauta” imaginária. Às vezes a inspiração vem de uma imagem, um mergulho, uma viagem, uma pesquisa... Mas sempre passa pelo que ela sente. Seja como for, a ótica que a Lu traz para os assuntos que aborda é reflexo do seu otimismo de ver e viver o mundo. Eu sou suspeito para falar, mas um mundo com mais Mallas seria um mundo mais feliz e colorido.

Tudo de Malla sempre.

escreve escreve

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As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

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Uêba - Os Melhores Links

As fotos deste blog são de uso exclusivo de Lucia Malla e André Seale. Caso queira utilizar as imagens contidas aqui para fins diversos, por favor contacte a Lucia: mallablog ARROBA gmail PONTO com. A gente precisa saber pra que "viagem" ela vai antes de liberar...

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