07.Novembro.09

Sexo animal: golfinhos

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Praia de Kealakekua Bay.

...e já que ontem comecei, melhor terminar de contar a história com os golfinhos, né?

Chegamos cedo em Kealakekua Bay, e várias pessoas já estavam na água, muitas em caiaques. Os golfinhos rotadores (Stenella longirostris) também estavam lá, de vez em quando acenando com suas nadadeiras. Nós chegamos na praia de pedras pretas e fomos direto pra água.

Nada-se uns 100m até a área onde os golfinhos ficam nadando. É uma nadada simples, que fizemos na companhia de 3 meninas e um cachorro - o cão nadava animadíssimo mar adentro e as meninas levavam uma prancha de bodyboard, que depois descobri ser a área de descanso do cachorro no mar azul. :D

Na primeira visão dos golfinhos, o coração acelerou. Puxa, eu havia esquecido o quão bom é nadar com eles, sentir a tranquilidade que eles proporcionam ali, descansando na baía. Passados os primeiros 15 minutos de êxtase, entretanto, a gente começa a prestar atenção detalhada no comportamento do grupo. E é aí que começa a brincadeira de verdade.

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Devia ter pelo menos uns 50 golfinhos na baía no sábado passado. Alguns nadavam em grupo, outros solitários. Em geral, descansavam, que é o que se imagina que vão fazer ali - percebe-se que dormem pelo ritmo com que nadam, bem devagar, quase um balé, subindo vagarosamente à superfície para respirar. Os mais "acordadinhos" de vez em quando davam seus giros fora d'água. Havia um filhote bem pequenininho no grupo, provavelmente um recém-nascido, que não desgrudava da mamãe golfinha, porque ainda mamava com vontade. Um golfinhozinho fofo.

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Quanto mais eles nadam tranquilos, mais o coração desacelera e você relaxa. Houve momentos em que minha mente esquecia inclusive que estava na água - exceto pelo fato de quando eu mergulhava, precisava prender a respiração e era relembrada então pela fisiologia que aquele não é meu habitat natural, infelizmente. Um dos golfinhos não desgrudava de uma folha seca de castanheira, seu brinquedo improvisado: jogava pra lá e pra cá a tal folhinha. E o cachorro, apesar de não colocar a cabeça embaixo d'água, com certeza percebia os golfinhos, porque nadava atrás deles com nítida satisfação.

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E aí veio a cena: um casal de golfinhos iniciou um rápido ritual de corte. Algumas nadadeiradas e serelepadas depois, eis a consumação do ato:

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(Repare no 3º golfinho lá atrás, rondando.)

O mais interessante foi que havia 2 machos disputando a mesma fêmea. Em dado momento, quando o micro-pênis do golfinho que ganhava a disputa já estava inserido na fêmea, o outro macho encostou do outro lado da fêmea, que ficou sanduichada no meio, em típico "ménage à trois". Verdadeira suruba marinha. :D

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Aí quando o golfinho macho vencedor finalizou seus "trabalhos" sexuais, o outro que ficou rondando a cena se juntou à fêmea e começou a nadar com ela, numa nítida intenção de também conquistá-la/fertilizá-la. E a fêmea aceitou. Definitivamente, golfinhos não são monogâmicos - depois de aprender sobre isso na teoria, finalmente observei este comportamento promíscuo na prática entre eles, em menos de 15 minutos.

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Depois de algumas horas cercada pelos golfinhos, era hora de sair da água. Que dificuldade dizer tchau praquele grupo maravilhoso. Nadamos de volta, ouvindo ao fundo ainda alguns splashs. E com a certeza de que Kealakekua Bay é o melhor point de snorkel do Havaí.

Tudo de bom sempre.

06.Novembro.09

Sexta Sub: entre os golfinhos - de novo

Malla e golfinhos

Ah!... eu tinha esquecido como é bom nadar entre os golfinhos! Matei as saudades. :)

Sábado passado, voltamos à Kealakekua Bay na Big Island, na esperança de rever os golfinhos. Eles não decepcionaram: cedinho da manhã, apareceram lá nadando, descansando e fazendo das suas brincadeiras. Fiquei horas na água, nadando com eles, observando cada movimento. Mais relaxante, impossível.

Tudo de calma sempre. Bom fim de semana, amig@s!

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- Ontem também nasceu o filho de minha prima, para quem escrevi este post enorme em 2005. Dani é diabética tipo 1, sua gravidez foi de alto risco, com algumas internações, descompassos de glicose e muita tensão entre os que a circundam. Mas hoje, tudo se acalmou: ela e o novo menino da família passam bem. Felicidade é tudo que sinto no momento.

23.Outubro.09

Sexta Sub: ascídia

Ascidia

Parado no fundo do mar, preso a algum substrato, este animal mais parece um pedaço de caule ou fungo bem colorido. Nada mais errôneo. As ascídias são os vertebrados mais simples – isso mesmo, parentes longínquos de nós, humanos. Podem ser encontradas vivendo em colônias ou solitárias, dependendo da espécie – a da foto, Didemnum molle, é tipicamente solitária. Seu corpo é formado por um grande saco com duas aberturas, o sifão inalatório e o sifão exalador, por onde a água do mar passa e é filtrada. As partículas retidas passivamente servem de alimento para a ascídia e o que sobra é expelido, ajudando na reciclagem da matéria orgânica dos recifes de corais e dos mares do mundo. Curiosamente, as ascídias também são o único animal marinho conhecido que armazena em células especiais o vanádio, um metal pesado presente em quantidades ínfimas na água do mar – elas chegam a ter 100 milhões de vezes mais vanádio dentro delas que no ambiente ao redor. Um futuro promissor como bioindicador há pela frente… Entretanto, talvez esse animal pertença ao grupo menos estudado de vertebrados no mar. E embora atraiam pelo estranho formato de seu corpo, ainda são ilustres desconhecidas no ambiente marinho. Da próxima vez que encontrar uma dessas num mergulho, não menospreze nossas parentes sésseis: aproveite a chance para registrá-la com ao menos uma foto. Nem que seja para mostrar pros amigos depois o quão diferentes elas são…

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Escrevi o textinho acima no ano passado para a Revista Mergulho, sobre estes estranhos animais tunicados. Deixo o texto agora aqui na Sexta Sub, relembrada que fui ontem ao me deparar com uma foto de ascídia vencedora do WPY 2009 que tanto eu quanto o Carlos Hotta coincidentemente adoramos.

Tudo de ascídias sempre.

22.Outubro.09

Wildlife Photographer of the Year 2009 - minhas fotos prediletas

Há 3 anos consecutivos (ou desde que vencemos uma edição) venho mostrando aqui no blog as minhas fotos prediletas do Wildlife Photographer of the Year, competição anual de fotografia de vida selvagem organizada pelo Museu Britânico de História Natural. É o maior concurso de fotografia de natureza existente no mundo, e este ano contou com mais de 43,000 fotos concorrendo. Escolher entre essas 43,000 não é tarefa fácil, principalmente quando se chega lá pelas 1,000 melhores - porque serão todas excepcionais, pode apostar. De qualquer forma, o selecionadíssimo júri escolheu as melhrores - para ver todas, recomendo muito que visitem o site e se deliciem com as fotos.

Como reza a tradição já consagrada, eis as minhas fotos prediletas entre as vencedoras deste ano.

1)
WPY - Jaschinski

Minha foto favorita do ano, hands down. Pelo ar de "On the road" que Britta Jaschinski conseguiu dar ao leão. Ele parece um personagem beatnik selvagem de um livro do Kerouac, ou então saído de uma cena de "Na Natureza Selvagem" caso decidissem filmá-lo na África. A cabeleira, a textura, o branco & preto, a rebeldia do olhar, a postura "largada"... uma foto perfeita. Amei.

2)
WPY - Shpilenok

Igor Shpilenok trouxe direto da Península do Kamchatka essa bem-humorada cena em "Respeito". Seu gato e um lobo uma raposa, o encontro do selvagem com o domesticado, em meio a neve. Uma foto deliciosa pela história que traz consigo, pela perpetuação positiva do chavão fotográfico "um clique que vale mais que mil palavras". Que é o que interessa na maior parte das vezes...
Devo acrescentar também que diversas outras fotos vencedoras vieram da região do Kamchatka (ou do leste da Rússia). Nesta última semana o canal NatGeo passou um programa na TV, o "Wild Russia" sobre esta área inóspita do planeta. Que, se já estava na minha lista de top 10 destinos desejados a pelo menos uma década, agora está quase encostando na minha vontade enorme de conhecer a Namíbia... Acho que vou começar uma campanha aqui: "Mande a Malla pro fim do mundo: o Kamchatka". Vocês ajudam a espalhar? :P

3)
WPY - Alex Wu

Lawrence Alex Wu trouxe um olhar inovador e "refreshing" a um animal desprezado pela maioria do mundo sub: uma ascídia - que é um dos primeiros vertebrados que surgiram no planeta urocordado, de onde derivou a linhagem dos vertebrados (Valeu, Roberto!). Ao abusar da lente super-macro, criou uma onda verde deliciosa pras nossas vistas. Amei, principalmente porque desbanca uma recorrente reclamação nos fóruns de fotografia animal de que só animal fofo ou com apelo mercadológico vence concurso. É a prova de que o que vence é criatividade, independente do animal.

4)
WPY - Oszustowicz

Outro cenário "desprezado" pela maioria, mas que os olhos treinados de quem percebe a beleza nas pequenas coisas conseguiu captar com maestria. No caso, os olhos de Marlusz Oszustowicz. É a foto daquelas plantinhas espetadas que ficam na areia da praia, que ele transformou em pura magia abstrata. Uma foto-quase-pintura, em que eu (viajando na maionese) consigo ver referências ao mestre Duchamp.

5)
WPY - Larrey

Frédéric Larrey conseguiu fazer uma verdadeira pintura lisérgica dalínesca com essa imagem, ao fotografar por baixo um pescador coletando peixes de uma fazenda de criação dos mesmos. A foto foi "runner-up" na categoria "One Earth", que prestigia imagens com temática ambientalista. A presença humana esbarra no tema, mas o que sobressai acima de tudo é o psicodelismo, a idéia de sonho onde os peixes são o personagem principal. Muito fantástica - ou melhor, realidade fantástica.

É isso aí. E vocês, quais preferiram entre as vencedoras?

Tudo de foto sempre.

UPDATE: O Carlos Hotta também escolheu as 5 favoritas dele. Uma delas eu também amei... :D

UPDATE 2: A Miriam e a Maria também postaram as respectivas favoritas!

16.Outubro.09

Sexta Sub: leões marinhos do sul

Leoes-marinhos-do-sul

Esta trupe curiosíssima de filhotes de leões-marinhos-do-sul veio aqui desejar um bom fim de semana a todos! :)

Tudo de bom sempre.

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As aventuras de Lucia Malla pelos 5 cantos do planeta: um blog de viagens...

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