20.Novembro.09

Jardins Marinhos Tropicais / Tropical Marine Gardens

Jardins Marinhos Tropicais - André Seale - Ed. Metalivros

"Para mim, os recifes de coral representam os ecossistemas mais belos, diversos e complexos do mundo submarino. Por meio deste livro, tento aproximar, com a lente, o olhar humano aos seres marinhos, habitantes que parecem tão distantes do dia a dia, mas com quem dividimos tantas características durante a história evolutiva. Convido todos aqueles que apreciam as belezas e complexidades da natureza a compartilhar uma pequena amostra da diversidade da vida que as compõe e a navegar pelo lado estético, tão rico quanto a biodiversidade.

Mergulhem nesse jardim."

Este é um pedaço do prefácio do livro "Jardins Marinhos Tropicais", lançado esta semana pela Editora Metalivros, e que eu orgulhosamente apresento hoje no blog, com carinho mais que especial. São comentários de André Seale, autor principal da história do livro e meu companheiro de aventuras pela vida. Mais de uma década de fotografia sub, mais de 1000 mergulhos compilados na história fotográfica apresentada ali. Diferente dos livros convencionais, onde imagens ilustram um texto, este é um livro às avessas: é o texto que serve de ilustração para a história fotográfica que se conta a cada página. Este texto coadjuvante é de autoria compartilhada, minha e do André, e o livro é portanto, fruto desta parceria que vocês já conhecem de longa data aqui no blog. Mas não se deixem enganar: o artista é o André. ;)

Jardins Marinhos Tropicais por dentro

O livro tem 2 tiragens separadas, uma em português e outra em inglês ("Tropical Marine Gardens"). Possui 210 imagens em 242 páginas, retratando os recifes de corais de diferentes regiões do planeta. Convida a cada página a um mergulho instigante no mundo natural marinho. É um livro fotográfico intencionado à contemplação, carregado de otimismo nas imagens dos recifes de coral e seus habitantes. Nas palavras do patrocinador:

"(...) É um olhar, de ângulo privilegiado, da vida que pulsa submersa, longe dos nossos olhos. A beleza das imagens nos faz refletir, nos provoca, e por fim, nos estimula a zelar por esse patrimônio de inestimável valor."

A reflexão do livro, portanto, vem da percepção que as imagens nos trazem não dos problemas ambientais em si, mas do que estamos perdendo cada vez que um destes problemas envolve o ecossistema marinho.

Jardins Marinhos Tropicais, páginas internas

Nossa intenção, ao escrevê-lo, foi de aproximar todas as pessoas que o tiverem em mãos, da beleza infinita e tão desconhecida do mar. Como bem definiu nosso editor (e apoiador de toda hora) Ronaldo Graça Couto:

"(...) Esperamos encantar não somente os aficionados do mar e do mergulho submarino, mas também aqueles que nunca tiveram contato com o tema além do trivial. Que todos se permitam viajar por esse universo maravilhoso (...)."

Depois de tantos meses debruçados em cada aspecto da concepção do livro, eis que hoje nós recebemos a versão em inglês aqui em casa, em Honolulu. A sensação de satisfação é inexplicável. Somos só sorrisos.

Andre e Lucia Seale

O livro "Jardins Marinhos Tropicais" estará à venda nas principais livrarias do país, por R$80.00 (preço da editora). Nas próximas semanas, pode ser pedido diretamente à editora ou com a gente. Temos alguns exemplares conosco, portanto os interessados podem também nos contactar na caixa de comentários deste post. (Ou no twitter, facebook, email e demais points da internet onde a gente passeia...)

Agradeço a todos os familiares e amigos que sempre nos apóiam nas nossas viagens reais e na maionese... e que vibram a cada aventura pelos recifes da vida que a gente conta. Muito obrigada de coração.

Tudo de bom sempre aos recifes de coral do planeta.

Tin-tin! Porque o clima é de festa! :)

(Não é um ótimo presente de Natal? ;) )

Sexta Sub: olha a onda!

Turbulence

Tem uma onda gigante de afazeres, decisões e principalmente desafios passando pela minha vida nesta e na próxima semana, o que tem me impedido de escrever com calma (twitter não vale). Já-já sento e explico mais sobre uma ótima novidade que acabou de sair da água do mar.

Stay tuned.

15.Novembro.09

No Mauna Kea, a maior montanha do mundo

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Não, eu não sou uma alpinista. Embora seja viciada em notícias everestianas, equipamentos de montanhismo e quetais, minha sanidade mental ainda vence: sei que, com a asma e a falta de preparo físico que tenho, nunca poderei chegar a cume algum da maneira vitoriosa como os heróis-atletas que o fazem chegam, na base do muque e respirando em pulmões de aço o ar rarefeito. Não, eu pereceria nas encostas.

De modo que o cume do Mauna Kea, a maior montanha do mundo da base nas profundezas do Pacífico ao topo (10.000m), difere muito dos cumes restritos aos bravos que o mundo do alpinismo está acostumado: o Mauna Kea é acessível de carro. Mas ainda está a 4,205m do nível do mar - ou seja, o ar rarefeito ali ainda é um grande desafio aos pulmões, principalmente se no dia anterior você os gastou com gases de sulfa.

Mesmo sabendo do ar rarefeito, sempre sonhei em subir o Mauna Kea. É o único point no Havaí onde neva - e há histórias hilárias de malucos gente que transforma prancha de surfe e caiaque em snowboard e desce as encostas como se estivesse numa mega onda branca de Pipeline. Mesmo no verão, faz bastante frio lá em cima, venta muito, e é fundamental que se leve casacos. O passeio mais bizarro (e inesperado) que há no Havaí é sem dúvida subir o Mauna Kea de manhã, sentir muito frio (ou até neve) e depois descer e ir direto curtir a praia em frente, Kohala. A idéia era sentir os 2 extremos em menos de 3 horas.

A aventura começa saindo do litoral de Kona, quando enfim entramos na Saddle Road, uma rodovia cheia de curvas - prepare o dramin. A estrada está num estado de conservação precário, e no dia que fomos, vários tanques militares estavam transportando material pro litoral - tem uma base de treinamento de tiros na base da montanha, num lugar cuja paisagem deve lembrar a aridez do Afeganistão. A fila de tanques felizmente estava no sentido contrário ao nosso, então não atrapalhou nosso trajeto tanto.

A estrada corta o vale entre os 2 gigantes da Big Island: Mauna Kea e Mauna Loa. Ambos vulcões são considerados ativos, e embora estejam dormindo por agora, nada garante que não acordem em algum momento futuro. Da estrada, já temos noção do por quê o Mauna Kea é a maior montanha do mundo. A superfície que ocupa é enorme, uma montanha toda espalhada, com encostas estilo rampão, bem diferente do que se vê no Himalaia, por exemplo, onde há picos. O Mauna Kea definitivamente não é um pico.

Chegamos na entrada do parque, e somos avisados que a estrada aqui começa a ficar complicada. Os guias sugerem que você fique meia hora ali no centro de informações, para aclimatar seus pulmões ao ar rarefeito. Aproveitei a parada para ir ao banheiro e ver a fatídica lojinha de souvenirs, cujo atendente parecia um viajante do tempo. Milhares de badulaques se referindo a 2009 - Ano Internacional da Astronomia. Não comprei nada. Uma planta estranha floresce por toda a encosta, e não existe nas altitudes mais baixas. Nunca tinha visto essa bizarra espécie, que lembra um pouco o silversword do Haleakala. Não faço idéia de que família ou gênero seja, só sei que na estrada vemos muitas delas pelo campo.

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"Planta estranha em paisagem esquisita/ eu já tô legal, não aguento mais visita..." (Eduardo e Mônica sobem o Mauna Kea)

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Continuamos então a subida. Após um trecho de asfalto, começa o ripio*. As encostas sem proteção e as pedrinhas soltas são o indicativo de que, se tivesse nevado, nosso passeio terminava por ali. É impraticável subir sem tração nas 4 rodas com neve ou chuva - felizmente nada disso ocorrera naquele dia, então nosso carrinho simples conseguiu subir. Haja primeira marcha. Entretanto, a paisagem já começa a se lunarizar. Não há vegetação, exceto pelas silverswords. O solo estratificado limpo, com nuances de vermelho e verde, forma pequenos cones. Há ali um lago cuja água não vem da chuva, nem da neve derretida, nem de rio (que naquela altitude não há) ou fontes; um lago glacial, alimentado pelo permafrost (!!!). Pois é, no Havaí também tem glaciar. O lago é raso, mas os antigos havaianos acreditavam que o lago não tinha fim.

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Acima da linha das nuvens, no céu.

Depois das 6 milhas de ripio ascendente, novamente um trecho de asfalto - e logo ultrapassamos a linha das nuvens e chegamos ao céu cume. Ali, nada de celulares - eles interferem com os telescópios.

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A paisagem do topo do Mauna Kea é dominada por 13 telescópios pertencentes ao Departamento de Astronomia da Universidade do Havaí em colaboração com a NASA, além de outras universidades espalhadas pelo mundo.

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O local foi escolhido para tais telescópios por ser o lugar com menor turbulência atmosférica (o que não é a mesma coisa que vento, entenda-se) para se ver estrelas no planeta. Além disso, o isolamento do Mauna Kea gera pouquíssima iluminação artificial de cidades próximas, que atrapalham em geral a visão nos telescópios. Também há pouca precipitação anual. O ar ali em cima é considerado dos mais limpos do planeta.

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E dá pra sentir essa "limpeza". Primeiro, pela clareza de tudo ao redor, a paisagem sem vestígio algum de smog, um céu azul profundo que acho nunca ter visto na vida. Segundo, pelo efeito rarefeito: respirar dói. Em poucos minutos ali em cima, comecei a sentir pontadas no pulmão (fruto da rápida aclimatação), que é a sensação que todo alpinista do Himalaia relata. Uma senhora andava entre os telescópios com máscaras de oxigênio. A paisagem é lunar, vazia. À distância, vemos de um lado o cume do Mauna Loa; do outro, o cume do Hale'akala, que está na ilha de Maui.

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Grandes descobertas científicas saíram das lentes ali plantadas, e há um tour, feito durante o pôr-do-sol, em que você pode observar o céu com um dos telescópios. Outro dos telescópios pode "enxergar" estrelas e galáxias a 12 bilhões de anos-luz, através de nuvens cósmicas. Confesso que não sou lá grande fã de astronomia, mas a grandeza daqueles telescópios em meio à paisagem lunar da cratera do Mauna Kea deve fazer brilhar o olho de qualquer pessoa interessada em conhecimento científico. É muito bacana.

Os telescópios estão em 2 grupos, conectados por uma estrada asfaltada. Fomos em ambas as áreas, apreciar a vista. O frio castigava. Depois de meia hora de um lado pro outro, meu pulmão definitivamente pediu pra descer - e começamos a trajetória de volta. Não sem antes parar para uma foto do Mauna Loa, num raríssimo momento sem nuvens.

Mauna-Loa

Como já diz o ditado: "prá baixo todo santo ajuda". A descida é bem mais fácil, mesmo no rípio. Menos de 2 horas depois, estávamos na beira da praia, de volta ao aconchego de 1 atm de pressão atmosférica. Respirar fundo nunca fez tanto sentido. Ainda mais quando estão na praia nos esperando 6 tartarugas marinhas, que descansam na areia seus pulmões muito melhor adaptados a diferenças de pressões que o nosso. Tartarugar é preciso, afinal.

Tartarugas

Tudo de ar sempre.

************************

*ripio é como chamamos as estradas de pedrinha solta na Patagônia.

- Perdemos a neve por pouco: o tempo virou no Havaí durante esta semana e a paisagem que estava seca quando estivemos lá há 2 semanas, hoje está como é mais normalmente conhecida, coberta de neve.

- Uma live webcam mostra a paisagem lá de cima.

14.Novembro.09

Vivendo a diabetes

Hoje, 14 de novembro, é o dia mundial de conscientização sobre a diabetes. É mais uma dessas datas criadas para em um só esforço gerar discussão, fazer as pessoas lembrarem de tal problema e tentarem se mobilizar para fazer algo sobre ele. Claro, não é só no dia 14 de novembro que devemos pensar na diabetes; mas a data serve para reforçar a sua importância, pôr na pauta de legisladores, pacientes, familiares etc. a demonstração do quanto perdemos anualmente se deixarmos os diabéticos ao deusdará, de quão fundamentais são os cuidados com a patologia.

Como todo ano, a intenção da campanha é trazer a diabetes para a pauta do dia e para simbolizá-la luzes azuis serão acendidas nas principais cidades do planeta. São muitos assuntos no mundo que precisam entrar na pauta do dia, e a diabetes é apenas mais um deles. Mas nem por isso deve ser menosprezada: só nos EUA são 23 milhões de diabético e 50 milhões de pessoas em estado de pré-diabetes, num total de mais de 20% da população afetada de alguma forma pela doença. Não pensem que o Brasil está muito atrás na estatística: a estimativa é que haja quase 11 milhões de diabéticos brasileiros (baseado nos dados populacionais de 2007), sem contar os pré-diabéticos. No mundo todo, são 283 milhões de diabéticos - and counting.

Minha proximidade com o problema vem de 2 frentes diferentes. Primeiro, trabalhei por 3 anos com pesquisa de diabetes na Coréia. Nesse período, estudei a patologia do ponto de vista científico, esbarrei com a "pergunta de 1 bilhão de dólares" que toda grande empresa farmacêutica quer responder: uma cura. A outra frente é a minha prima e a prima do André, ambas diabéticas tipo 1, ambas descobriram ainda (pré-)adolescentes. Ao ver uma pessoa próxima ser diagnosticada diabética, a questão até então científica moveu-se de certa forma para o lado pessoal. Ou pelo menos passou a tocar mais fundo, e, humana que sou, fez a motivação ser mais intensa, para estudar e aprender mais.

Minha prima, coincidentemente, está num hospital do Rio neste momento, aguardando alta. Acabou de ter um bebê, que nasceu prematuro por causa das complicações de sua diabetes durante a gravidez. Ela passa bem, mas o bebê precisará crescer mais antes de ter alta. Apesar do senso comum da família e dos médicos que aconselhavam que ela não tivesse filhos nunca (por causa da diabetes, blablabla), ela não se intimidou: preferiu arriscar pelo sonho de ser mãe. E hoje ela é. Tenho certeza que, seu bebê passando este período complicado em incubadora, ela será uma ótima mãe, com seus defeitos e qualidades particulares, como quase todas mães são.

Já a prima do André também leva uma vida normal. Ano passado se casou, numa cerimônia linda. Como ela trabalha com moda, arrisco dizer que seu vestido de noiva foi um dos mais inovadores que vi na vida, bem a cara de seu jeito despojado de ser. Na festa de casamento, regada a muita alegria e descontração, nem lembrávamos que ali estava uma pessoa que não produz insulina. Porque na realidade uma pessoa é muito mais que isso. Esta mensagem estava estampada no rosto dela através de um sorriso que teimava em lembrar uma realidade fundamental da humanidade: somos todos farinha do mesmo saco, só mudam os defeitos de cada um. Na lua-de-mel, foi ao show do U2 em Amsterdam, fez uma viagem gastronômica pela Europa e vai levando sua vida, entre uma picada e outra, sem nunca esquecer de sorrir. E de Viver.

São esses 2 exemplos, de como pode-se viver com diabetes sem medo caso se foque no seu controle bem-feito (que não é fácil, mas também não é impossível), que me fazem hoje simbolicamente acender uma luz azul neste blog que já é azul por outros motivos. Pelas minhas primas, pelos amigos da Diabetes Brasil (minha comunidade predileta do orkut), pelos pesquisadores que não desgrudam do assunto querendo sempre trazer uma melhoria a mais para os milhões de pessoas que dependem de insulina para terem uma vida normal.

Tudo de azul sempre a eles.

Luz-azul

13.Novembro.09

Sexta Sub: Baía de Keauhou

Keauhou Bay

Em trânsito de um lado pro outro pela Big Island do Havaí, passamos rapidamente pela Baía de Keauhou, próxima à Kona. Não há nada de mais ali, é apenas uma baía pequena com um píer, onde numa ponta fica o Sheraton e onde tartarugas e arraias podem de vez em quando aparecer. Mas a paisagem é bonita no geral. Então deixo aqui na Sexta Sub o que a gente vê logo na saída do píer: um ouriço-lápis-vermelho, a centímetros de profundidade.

E uma foto do filhote do ouriço-lápis, que estava encrustrado numa pedra próximo à linha de maré.

Ourico-lapis filhote

Abaixo, outras imagens da baía de Keauhou de presente especial pro Gabriel, grande amigo de longa data e muitos Zappas que hoje completa primaveras e que, com certeza, ia viajar por aqui ao som do mar.

Keauhou1

Keauhou2

Keauhou3

Tudo de bom sempre para você, Gabilly.

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