09.Novembro.09

Em um luau havaiano

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Mal chegamos no aeroporto de Kona numa sexta à tarde e tomamos logo a direção do Kona Village Resort, ao norte da ilha. É lá que acontece, às 4as e 6as um suposto luau tipicamente havaiano. Claro, é um show fachada para turistas - já fui em um assim em Oahu, no Paradise Cove, por conta de uma conferência que incluía tal diversão. Normalmente, o show mostra os estereótipos do Havaí e dos povos polinésios, o que sinceramente não acho tão ruim, já que termina ensinando umas coisas bem bacanas sobre essas culturas, que a maioria pouco sabe sobre. É um learning experience. Como tínhamos que ir por conta do assignment, e eu curto aprender sobre ilhéus em geral, fui sem stress.

Na entrada, uma fila pequena, onde encontramos um casal de brasileiros de Chicago. Enquanto André fotografava, fiquei conversando com eles. A senhora estava adorando as flores do Havaí, que são realmente uma das minhas paixões aqui. Há uma diversidade incrível de cores e cheiros de flores, lindas todas, adornam as ruas sem pudor. No luau em que estávamos, os leis eram feitos de orquídeas rosas, e eram estranhamente haku leis, para se colocar na cabeça - provável resultado da crise econômica, já que se economizam algumas orquídeas fazendo haku leis ao invés de leis (colares).

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Maitais em copo plástico, claro.

Uma vez dentro da vilinha onde o luau ocorre, há grandes mesas espalhadas entre um palco grande, um riacho e um palquinho menor, e as mesas onde a comida será servida. Antes do show começar, maitais para todos, que ninguém é de ferro. O primeiro show é de um havaiano, ensinando a abrir um côco com um pedaço de madeira - um truque que todo luau que se preze tem. De lá, todos são convidados ao Imu, para aprender sobre a cerimônia do porco, o kalua pig.

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O Imu é onde os havaianos cozinhavam no passado suas comidas: um forno enterrado na areia. Kalua significa "coberto por folhas de ti", uma espécie de liliácea comum nas ilhas do Pacífico. Basicamente, o porco inteiro é enrolado nestas folhas junto a pedras de lava. As pedras de lava em geral são mais porosas, com buracos microscópicos que mantém as gotículas de água encapsuladas; com o calor da fogueira, viram vapor e cozinham a carne do porco em poucas horas. Os maoris tinham tecnologia similar para cozimento.

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Depois da cerimônia, voltamos todos para as nossas mesas e o show de hula começou. Primeiro, com os moços; depois as moças, que dançaram coreografias de Fiji, do Taiti e da Nova Zelândia. É simplesmente impressionante a capacidade das dançarinas de mexer o quadril freneticamente sem mexer quase nada do tórax. A dança é muito bonita de se assistir. A hula é mais calma que a danca do Taiti, mas ambas são inspiradoras.

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Enquanto os shows acontecem, o jantar é servido. O porco que foi cozido no imu mais um banquete enorme, recheado de comidas havaianas como o poi (que eu não gosto porque é feito com inhame) e o salmão lomi lomi. Para manter a "tradição", os pratos eram feitos de madeira koa (Acacia koa), uma árvore endêmica do Havaí que era a predominante na paisagem antes da chegada dos europeus.

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A sobremesa já está na mesa quando começa o highlight do show: a danca com fogo. Ritual perpetuado pelos samoanos, é claramente uma demonstração de destreza manual, já que ambas as pontas do bastão estão iluminadas pelas labaredas. Me impressiono pela beleza plástica que o fogo traz ao palco: é bonito de se ver.

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Para o grand finale, todos os dançarinos voltam ao palco. O show impressiona também pela cronometragem perfeita: tudo termina quando você terminou sua sobremesa. Achei, sinceramente, o show curto; no Paradise Cove foi bem mais longo, mais divertido, com mais interação com o público. No Kona Village, o show era mais sério, embora mais exuberante. Acho que o Riq condenaria veementemente as cadeiras de plástico, que eu também achei que tiraram um pouco do brilho da ambientação, em que tudo era feito de palhinha, madeira e afins.

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Momento maori.

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Grand finale.

Mas confesso que gostei, apesar de tudo ser tão "teatral" - é claro que um verdadeiro luau havaiano não tem tanta coordenação, é muito mais fluido. Mas gostei também porque a lua estava quase cheia, linda no céu. Com o som dos 'ukuleles, o balanço calmo da hula, o brilho da noite refletindo no riacho e as flores ao redor... quem precisa de um luau 100% verdadeiro? :P

Tudo de bom sempre.

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Comentários, Trackbacks:

Comentário de: luluzita
e que tal uma receita desses maitais??
segundona braba, eu começando meu "expediente" e lendo issooo... re energizou,mas no fim de semana quero um desses!!
bjocas noceis=)
PermalinkPermalink 09.11.09 @ 08:06


Comentário de: Alline
que delicia, Lú, tu e André só me matando de inveja, né?
Aqui chove, querida, tudo cinza, e eu não vejo uma praia desde março...whatever!
Eu fui a um espetáculo parecido na Ilha de Páscoa, muito mais rústico que este aí, mas os movimentos (que eu vi aqui pelas fotos) são bastante parecidos...eu amei tb.
beijos
PermalinkPermalink 09.11.09 @ 09:44


Comentário de: Chris Pessoa · http://cpessoa.blogspot.com
Lindo! Um dia ainda quero ver pessoalmente um luau havaiano.
Bjos!
PermalinkPermalink 09.11.09 @ 10:23


Comentário de: Bia Couto · http://verbeat.org/blogs/dreyma
que delícia, deu saudade.
quando eu fui eu era pequenininha, então lembro muito pouco de tudo. mas de uma coisa eu não esqueço: eles cozinhando o porco no chão.

queria lembrar de mais. parece tão bonito.

beijo.
PermalinkPermalink 09.11.09 @ 11:34


Comentário de: tiagón · http://www.verbeat.org/blogs/bereteando
pois é. ficar implicando porque é teatral, ou adaptado pra turista etc, ou curtir o que dá?

aproveitar sempre, lógico! :D
PermalinkPermalink 09.11.09 @ 16:44


Comentário de: João Carlos · http://scienceblogs.com.br/chivononpo/
Vou te mandar a conta do tratamento da fratura exposta de cotovelo!... rsrs
PermalinkPermalink 09.11.09 @ 18:48


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