21.Agosto.09
Sexta Sub: 50 anos do estado do Havaí
...e quem vem celebrar aqui na Sexta Sub é o mamífero símbolo do estado: a foca-monge havaiana.
A foto não é sub, eu sei. Mas é de um animal marinho que mergulha bastante, é endêmico do Havaí e extremamente ameaçado de extinção - pouco mais de 1000 sobraram. Ninguém melhor que a foca havaiana para introduzir minhas parcas considerações sobre essa data, tão representativa quanto celebrada quanto (ainda) controversa.
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A foto acima está exposta no mesmo museu de memorabilia que falei anteriormente. É da primeira página do jornal Honolulu Star Bulletin, no dia 21 de agosto de 1959, quando o Havaí foi oficialmente incorporado à federação americana como estado. Até então, o estado era um território, status que ganhou quando a monarquia se dissolveu em 1893.
A incorporação aos Estados Unidos não foi simples, é claro. Embora tranquila - não houve guerra alguma para tal feito - e fruto de uma votação democrática, um grupo de residentes ainda lutavam contra, tentando unir as ilhas para reconstruir o Reino do Havaí. (Na realidade, até hoje, há facções separatistas inconformadas com a anexação havaiana e que aspiram ao retorno dos herdeiros de Kamehameha ao poder.)
Um dos maiores problemas desde a incorporação do Havaí aos EUA é o dos nativos havaianos. Obviamente, eles estavam aqui primeiro, e logo depois da incorporação, houve uma clara separação da sociedade, com os havaianos sendo prejudicados em diversos níveis pelo poder americano continental que se infiltrou no arquipélago. Para diminuir o gap sócio-econômico entre os havaianos e os não-nativos, foi sugerida em 2005 a Lei Akaka, que basicamente oficializa os havaianos como um povo indígena dos EUA, com os mesmos direitos de minoria dos cherokees ou dos esquimós. Como toda lei, há os favoráveis e os oponentes. Os favoráveis acreditam que estes privilégios são necessários, já que os havaianos perderam tanto desde que os europeus e asiáticos para cá vieram e que os americanos passaram a reger as ilhas; os oponentes acham que a lei gera racismo no estado, já que ser havaiano aqui não é exatamente estar em menor número, pelo contrário (e aqui entra aquele velho chavão de que "minoria é só numérica", esquecendo que uma minoria social não se conceitua exatamente com base em números, etc). O exercício de futurologia que deixo aqui é: e se o Havaí ainda fosse uma monarquia? Como será que a situação estaria hoje? Quais as diferenças e semelhanças poderíamos ver?
Enfim, divagações à parte, aproveitando as comemorações oficiais de 50 anos do estado, o governo realizará hoje uma convenção aberta à sociedade no Centro de Convenções de Honolulu, onde questões pertinentes à incorporação pretendem ser levantadas, além de proposições para o futuro. Que bons frutos saiam dessa oportunidade democrática de discussão.

Estátua do Rei Kamehameha I no centro de Honolulu.
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Desde o início de agosto, me propus a postar apenas sobre o Havaí em celebração aos 50 anos do estado. Minha intenção não foi falar do lugar-comum que todo mundo já sabe (surfe, hula, vulcões, colares de flores, etc.) e sim trazer um pouco de curiosidades e assuntos colaterais, que não são normalmente associados ao Havaí ou que são esquecidos frente aos temas havaianos chavões de sempre. Deixo aqui a lista dos temas dos posts anteriores deste mês especial, para futura referência de quem passar por aqui.
- Humuhumunukunukuapua'a
- Cervejas havaianas
- 'Okina na língua havaiana
- Mergulho com tubarões de Galápagos
- Energia geotérmica
- Na Pali Coast
- Baía de Kealakekua
- Terapia com golfinhos
- Parque Nacional de Kaloko Honokohau
- Estradas havaianas
- O cardeal brasileiro que vive no Havaí
A partir de amanhã, voltarei à programação normal de viagens na maionese. 
Tudo de bom sempre.
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UPDATE: Um texto bem interessante do Paul Theroux no NYTimes sobre 50 anos de Havaí.
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Piado brasileiro no Havaí
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