21.Dezembro.08
Aniversário em tons de azul gelo
Quem me conhece sabe que eu adoro aniversários. Não só o meu, mas de qualquer pessoa. Celebrar é mote básico para o seu dia, seja ele quando for. E para o meu aniversário, comecei a pesquisar em novembro algo diferente para fazer em São Paulo. Achei no ótimo blog da Débora e do Fernando a maluquice perfeita: entraria literalmente numa fria.
Quem me conhece também sabe que eu detesto frio. Desde os idos tempos em que morei na Alemanha, frio é algo que me entristece. Adoro ver neve, vestir casacos, mas detesto a sensação de gelado, aquele vento cortante no seu rosto, me deprimo com o silêncio do inverno.
De modo que a primeira reação que todos os meus amigos tiveram ao saber que eu decidira comemorar meu aniversário num bar de gelo foi surpresa total. Um misto de descrédito e estupefação com escolha tão bizarra, principalmente vindo de mim.
Meu aniversário chegou e à noite estávamos eu e André no Ice Espaço, espécie de câmara frigorífica dentro do ArteEspaço, um barzinho interessante na Vila Madalena. O bar "quente" (na realidade à temperatura ambiente) é como outro qualquer: drinques, um palquinho para shows e ar descolado de modernidade. No cantinho direito, fica a entrada pro Ice Espaço. Uma vez pago o ingresso, você pode entrar no gelo quantas vezes quiser, mas não pode ficar mais de 30 minutos contínuos lá dentro - os donos provavelmente não querem ninguém hipotérmico indo para um hospital. It's not good for the business.
Há uma ante-sala, espécie de "preparação", cuja temperatura é em torno de 4ºC - o mesmo que uma geladeira. Ali, a gente veste o casacão, as luvas e as botas que o Ice Espaço oferece. E já começa a se acostumar com o que vem pela frente.


A entrada do Ice Espaço no cantinho do bar "quente". Vemos os cabides com casacos à direita da foto, em frente à porta de entrada. Ao lado, o bar de gelo por dentro. A decoração muda de tempos em tempos - afinal, é tudo uma grande escultura de gelo.
Então você entra no bar gelado propriamente dito. Com direito a um drinque qualquer feito à base de vodka ou Curaçao blue, bebidas com alto teor alcóolico que não congelam a -10ºC, que é a temperatura constante dentro da câmara fria. A sensação é bizarra. Veja bem: meu mestrado foi estudando resistência ao frio em camundongos, o que significa que passei boa parte do meu tempo de tese dentro de uma geladeira, fazendo experimentos, e sentindo mais frio que os bichinhos. (Por sinal, os camundongos, são mais resistentes que nós, humanos, ao frio, já que o tecido adiposo marrom deles produz calor de forma mais eficiente. Nós nem tecido adiposo marrom como órgão estruturado temos...)


O bar e a decoração apropriadíssima de pingüim.
Tudo é estranho no Ice Bar. O ambiente tem luzes azuladas, os blocos de gelo formam paredes, balcão e poltronas. O copo é também feito de gelo, e gruda um pouco nos lábios quando vamos tomar o drinque. O copo aliás, escorrega fácil das mãos. As poucas pessoas que estão ali quase não conversam, mais se encolhem e deixam o som do technomusic os envolver. Como é um ambiente fechado, não há o vento, inimigo número 1 do inverno temperado, que leva a sensação térmica ao mínimo. Ali não: -10ºC são -10ºC e ponto. Mas o mais estranho de tudo foi a minha reação a toda a experiência mesmo: eu adorei a exposição aguda ao frio. É realmente uma relação de amor e ódio que eu tenho com as baixas temperaturas, que nem Freud deve conseguir explicar direito (enfrentar medos? vício em adrenalina? o prazer do desafio?) Fiquei no Ice Bar dançando, curtindo o ambiente, dando risadas e congelando a mão, com os olhos brilhando de felicidade. Me diverti muito com aqueles 30 minutos de Alaska em São Paulo. Quando o barman avisou que nosso tempo acabara, eu fingi não ter ouvido e quis ficar mais, curtindo o momento polar. Entrar numa fria, afinal, não é sempre sinônimo de roubada.
Pode ser simplesmente sinônimo de um aniversário de arrepiar. De frio. ![]()
Tudo de gelado sempre.
*****************
- Eu já tinha visto um Ice Bar em Auckland, na Nova Zelândia e sabia da existência de um em Seul. Mas nunca tinha ido em um. E não é que é divertido?
- Como não poderia deixar passar, perguntei, é claro, sobre o consumo de energia do bar. Usam 2 geradores elétricos para manter a temperatura baixa na câmara fria. A ante-sala serve de "buffer zone" para diminuir o gasto energético, mas a conta de luz ainda é bem alta. Como numa câmara frigorífica pequena, aliás.
- Demais capitais brasileiras, aguardem: a mocinha do Ice Espaço me contou que eles estão montando um bar de gelo móvel, num caminhão frigorífico, que percorrerá o Brasil levando a experiência antártica até o nordeste. É o Brasil embarcando numa fria.
- Esse post não é patrocinado. Eu é que ando de cabeça muito quente com outras preocupações e resolvi contar aqui uma experiência exemplar da minha nonsense atual. Tudo em nome de esfriar a cabeça, literalmente. ![]()
15 viajaram comigo
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Comentários, Trackbacks:
beijo, menina
Parabéns atrasado, a propósito!
Beijo.
Mas que bom que vc se divertiu :-)
Beijos, já soube do café, já soube que vc se engasgou com a teoria da Fal de que Lobisomem existe...
Adorei conhecer você e agora não saio mais daqui.
Quanto ao Ice Espaço é algo que um dia eu preciso experimentar porque a minha relação com o frio é como a sua: normalmente eu detesto.
Meu filho que vai adorar saber que existe algo assim em SP.
Um ótimo Natal para vocês e que 2009 seja um ano cheio de todas as coisas boas da vida.
Como dizem as falmigas, que não lhe falte o superflúo.
Beijos carinhosos
Fal querida, VC é uma pessoa especial. Muito mesmo. Amei nosso encontro. Beijão enorme.
Gabriel, eu q me orgulho de ter vc como amigo, há tantos anos - já se vão quase 14 anos, parou pra pensar nisso? Vc é um amigo camarada dos mais queridos.
Ma, valeu!
Tati, volte sempre! A casa está sempre de portas abertas aos amigos e amigas legais! De vez em quando até rola um café...
Isis, foi divertido mesmo!
Alline, o limite tende a infinito!
Gisela querida, pois é, eu cheguei a comentar com a Inara q meu aniversário foi no mesmo dia q o dela...
De qqer forma, foi um barato encontrar vcs! E fale pro seu filho q é muuuuito legal a experiência "ártica". Que o supérfluo não falte para nenhuma de nós em 2009! Um grande beijo especial a todos dessa Malla desorganizada e q adora vcs!
E a sustentabilidade?
As vezes um presente de natal e BEM menos impactante que frequentar certos lugares.
Estou errado?
Achei desiquilibrado num post tu exaltar o consumo e no seguinte criticar, mas nao veja isto como uma crítica. Para mim isto é o normal, pelo menos é o meu normal.
Em tempo, sou fã do teu blog, e meu filho tem algo em comum contigo: a paixão por tubarões.
Vou te enviar umas fotos da presença deles (os tubas) na nossa casa.
Feliz aniversário e natal.
Que seja comercial, pois mesmo com críticas é um momento de comunhao, de encontro de famìlias e amigos. Só precisamos aprender a equilibrar os gastos nesta época (energia, recursos,...) pois a festa é bonita.
Já o "não-presente" é uma opção BEM pessoal deste Natal para mim - e se der certo, q seja pros próximos Natais tb. Queria no post colocar algumas das reflexões q me passaram pela cabeça durante o processo de abdicar dos presentes. Infelizmente, acho q soou meio "xiita", mas não o é, acredite. É um processo pessoal, acima de tudo.
Mande um beijo pro seu filho e quero ver, sim, as fotos de tubarão dele. Vamos ver se "bate" com as fotos dos meus tubarões q tenho em casa (de pelúcia, antes que gere mal-entendidos).
Feliz Natal pra vc e sua família tb!
Posso imaginar a cena na sua casa... a cerva congelando na neve. Figuraça. Super-beijo procê.
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