31.Outubro.08
Sexta Sub: meu primeiro sub-beijo
Fim de semana passado fomos descansar no sítio de primos em Guararema, perto de São Paulo. Na piscina, as crianças fazendo farra e festa - e André com a máquina, lógico. Conseguiu uma foto linda e singela de um beijo inocente e travesso ao mesmo tempo. Uma das meninas é a irmã do menino. Que é muito fotogênico embaixo d'água, por sinal.
Um sonho de fofura, não?
Tudo de sub sempre.
30.Outubro.08
Wildlife Photographer of the Year 2008 - minhas fotos prediletas
Ontem foram anunciados, em jantar solene no Museu de História Natural Britânico, os vencedores do BBC Wildlife Photographer of the Year 2008, o mais prestigiado concurso de fotografia de vida selvagem no planeta. Como fiz em 2006 e 2007, escolhi as 5 imagens que gostei mais dentre as premiadas e reproduzo aqui - 5 é o limite que o Museu permite para divulgação pela imprensa e em blogs, sem infringir direitos de reprodução do concurso nem os direitos autorais do fotógrafo, como dito pessoalmente para mim pela diretora do concurso quando André venceu em 2006. Como não sei se a regra mudou, exponho 5, apenas.
No final de setembro, o Guardian publicou 5 fotos que haviam sido selecionadas. Nenhuma delas havia vencido categoria alguma de acordo com eles, mas a seleção já dava uma leve noção da alta qualidade das belezas que viriam pela frente. Em seguida, a New Scientist também publicou 5 fotos selecionadas, sendo 2 diferentes das do Guardian - uma paisagem lindíssima da Namíbia inclusa.
Ontem à noite, começaram a pipocar na internet as notícias do jantar deste ano. O Amateur Photographer mostrou a foto vencedora da categoria infantil - de cair o queixo de tão moody. Ellen Anon postou a sua foto vencedora, mas não disse a categoria. Andy Biggs, vencedor na categoria Wild Places, anunciava felicíssimo a novidade em seu blog (Eric Cheng contou cedo pelo twitter a novidade). Sua foto é simplesmente perfeita, da Costa do Esqueleto da Namíbia, o meu sonho de consumo viajante número 1 desde sempre.
(Aliás, foram várias fotos da Namíbia premiadas, tiradas por diferentes fotógrafos. O que só me dá mais certeza de que é um dos últimos refúgios realmente selvagens de vida animal. Namíbia is the place to go...)
No geral, achei as fotos bem poéticas e menos preocupadas com tecnicalidades - o que é bom. Se tem algo que me irrita é ver uma foto maravilhosa, um assunto difícil de ser fotografado ser criticado por besteira. Geralmente uma crítica superficial, do tipo "Ah, mas o horizonte está torto!" ou "Ah, o bicho está fora de foco" ou pior ainda "Ah, mas o animal está de costas". Tudo dito com aquela cara de conteúdo, como se o fotógrafo não soubesse e como se não fosse aquela característica exata que ele quer ver refletida na foto. O prêmio desse ano, a meu ver, deu um tapa de luvas de pelica nessa tecnicalidade excessiva e desnecessária, celebrando os pseudo-erros - que na verdade são grandes acertos quando se quer contar uma história através da imagem. Viva a desamarra técnica superficial. (Os júris do WPY deste ano pareceram também querer dar o seguinte recado escolhendo estas imagens como vencedoras: "Com a câmera digital qualquer um pode ter uma imagem ótima, mas a poesia... ah! essa é qualidade de poucos; e é ela quem vence, o maior diferencial da fotografia atual.")
Aconselho a todos a visitarem a galeria online do Museu Britânico para verem todas as fotos vencedoras de todas as categorias, porque estão muito belas. Parabenizem especialmente o brasileiro Adriano Ebenriter, que ficou entre os specially comended na categoria Animal Portrait, com uma foto striking de coruja curiosa, tirada nas dunas da linda Florianópolis (Parabéns, Adriano!!!
). Celebrem com Nuno Sá, fotógrafo sub português que nadou com orcas em Açores e terminou com uma foto vencedora fascinante que dá a exata sensação de estarmos dentro do ambiente, sermos parte do mundo selvagem (e não somos mesmo?
). E um detalhe meu organizacional: a foto de Andy Biggs é a que eu mais gostei de todas as vencedoras. Mas como ele postou em seu blog e eu tenho uma restrição de 5 para escolher, prefiro que vocês vejam lá, ok? Aproveitem a viagem pelo The Global Photographer e dêem os parabéns a ele, porque ele merece.
Vamos então parar de enrolação e mostrar logo as minhas favoritas de 2008. ![]()
Runner-up na categoria Natureza em Preto & Branco, a foto é simples e ao mesmo tempo de uma força inominável. Os contrastes estão belíssimos. As aves da foto são migratórias, e voam entre Ártico e Antárctica durante o ano. Acho que a simplicidade foi outra vencedora no concurso deste ano, porque as imagens em geral são simples, falam com poucos detalhes, como essa minha predileta. Maravilhoso.
Já se viu imagem de urso polar de todo jeito por aí. Como o animal virou símbolo do aquecimento global, é lugar-comum fotografá-lo perto do gelo - se estiver derretendo, então, melhor ainda. Miguel Lasa conseguiu retirar o componente "gelo" e trazer o "calor" do sol pro urso de uma forma extremamente criativa, diferente. E muito artística. Eu amei pela escolha do approach, pela visão e criatividade do fotógrafo. A foto venceu a categoria Creative Visions of Nature.
A vencedora geral do WPY deste ano foi também uma das minhas prediletas deste ano (o que não é comum). Fotografada com câmera remota, mostrou que na era das digitais, está valendo toda técnica para obter uma boa imagem - e Steve ficou 10 meses para conseguir a imagem única vencedora. O leopardo da neve é um animal criticamente ameaçado de extinção. Vive na Ásia Central e o da foto foi visto nas montanhas do Parque Nacional de Altitude Ladakh's Hemis, na Índia. O fotógrafo Steve Winter ganhou o prêmio especial de Vida Ameaçada com 3 imagens, essa e outras 2 também muito marcantes.
Outra foto "simples" do último suspiro do outono numa floresta de coníferas. Muito bem feita, extremamente poética, rio de fogo que se foi... perfeita, em minha opinião. O fotógrafo Michal ficou entre os vencedores na categoria 15-17 anos - é meus caros, o menino tem muito futuro, como podemos perceber na visão sensacional que ele mostrou esse ano com sua imagem vencedora. By heart, total.
Uma família de avestruzes passeando pelas dunas da Namíbia (mais uma vez, esse país maravilhoso...). Dan Mead conseguiu clicar um momento belíssimo, em que a prole atrás forma espirros de vida na imensidão da areia. Amei.
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É isso aí, pessoal. Vão lá na galeria ver as outras fotos. Encantem-se com a vida selvagem. Parabéns a todos os vencedores por trazerem visões maravilhosas de um mundo natural que cada vez mais se esvai. E até o WPY 2009! ![]()
Tudo de foto sempre.
29.Outubro.08
Cataratas do Iguaçu: o lado argentino
A Patricia nos comentários do post de ontem sobre o lado brasileiro das Cataratas do Iguaçu, falou certeira:
"Eu sempre gostei mais do lado brasileiro por causa da vista e do argentino por causa das trilhas. E pra mim eh impossivel escolher qual eu gosto mais! Acho que tem que se ver os 2 e pronto."
Direto ao ponto. O lado argentino oferece muitas trilhas (e mais interessantes) que do lado brasileiro. Se a visão ali não é tão espetacular quanto do Brasil, as trilhas deixam tudo mais "aventuresco" - e mais emocionante. A cada abertura da mata, uma visão mais estarrecedora daquele monte de água.
Antes de ir para Foz, a maioria dos sites e amigos que consultei davam o mesmo conselho: reserve dois dias para visitar o Parque Nacional Iguazú, do lado argentino. Porque as trilhas são longas, algumas escorregadias, com subidas e descidas, levam tempo, etc. etc. Acreditei na voz da maioria e separei 2 dias da viagem para as aventuras pela Argentina.


Centro de Informações principal do Parque Nacional Iguazú, cuja visão do lado argentino é menos "grandiosa" no geral, mas não menos impressionante à sua maneira específica.
No primeiro dia, chegamos no parque depois do almoço - depois, na realidade, de um passeio pelos supermercados de Puerto Iguazú para comprar a trinca gastronômica hermana que eu adoro: alfajor, vinho de Mendoza e suco de pomelo-limón. Logo na entrada do parque, uma diferença: um mapa era entregue aos visitantes. Do lado brasileiro, não faz muito sentido ter um mapa, já que é basicamente uma trilha só (a não ser que você vá fazer passeios como o Macuco). Do lado argentino, são pelo menos 5 trilhas diferentes, com graus de dificuldade diferentes e visões das Cataratas mais diferentes ainda.
Logo percebemos que a trilha para a Garganta do Diabo era a mais longa e àquela hora, o trenzinho que leva até o início da trilha de madeira ia começar a ser fator limitante. Decidimos deixar a Garganta pro dia seguinte e fazermos o chamado Circuito Inferior e quem sabe chegar na Ilha San Martín. Ao perguntar pra um guia do parque, qual o caminho mais rápido, ele não pensou duas vezes: "Esqueça o trem ecológico e ande até a Estação Cataratas pelo Sendero Verde." No mapa, parece até "longinho", mas são apenas 800m em trilha dentro de mata maravilhosa até o início do Circuito Inferior. Ou seja, tranquilíssimo.


O farol no meio da trilha argentina, que também tem momentos de muita aproximação das quedas.
Pelo caminho, passamos por um farol, que achei curioso estar ali. Logo chegamos no início do Circuito. Era sábado à tarde e o parque estava cheio. Particularmente, um grupo enorme de chineses andava naquelas pontes estreitas de terno e gravata (as mulheres de salto e roupa social), sem dúvida roupa pouquíssimo adequada para o terreno de sobe e desce, com a qual andavam bem mais devagar, atrasando por fim toda a fila de turistas que vinham atrás - nós inclusos.
Mas a vagareza do grupo chinês nos permitiu prestar atenção em alguns dos saltos iniciais - e é aí que mais uma vez o lado argentino surpreende. Se do lado brasileiro as Cataratas estão sempre vistas como um todo, aqui o legal é justamente a compartimentalização: você consegue ver alguns saltos sozinhos no meio da matinha, como se eles fossem meras "cachoeiras" que você encontra numa trilha qualquer. Dá para individualizá-los, de certa forma, e isso nos aproxima mais ainda deles, nos faz sentirmos "parte" das Cataratas - tá, viajei. ![]()


O lado brasileiro visto do lado argentino. Ao lado, a vista das Cataratas que temos fazendo o Circuito Inferior, com o rochedo da Isla San Martín em destaque.
Mas logo a "individualidade" das cachoeiras se vai e dá lugar de novo à visão esplendorosa: nas áreas em que a trilha se abre, vemos inúmeras quedas d'água. Ao longe, já descendo em direção ao barco que atravessa para a Isla San Martín, vemos o passeio do Macuco Safari do lado argentino, que parece muito mais "radical" que o brasileiro, por um motivo simples: chega praticamente dentro de uma queda "furiosa", daquelas que parecem liquidificador, que só vemos pelo lado argentino - o passeio brasileiro chega perto de uma queda de fúria mediana, apesar de passear mais tempo pelo rio Iguaçu. (Além da economia: o Macuco brasileiro custa 160 reais; o Macuco argentino custa 70 pesos, o que dá ~46 reais.)

O Macuco Safari argentino chega muito perto das Cataratas, como pode-se ver na foto; mais até que o brasileiro - fiz o brasileiro em 1999, antes de ser absurdamente mais caro, e me lembro de que chegamos perto de uma queda d'água não tão imensa...
No final do Circuito Inferior, fica o cais de onde saem o Macuco argentino e um barquinho simples, que faz o transporte de turistas até a Isla San Martín. Nesse ponto, se você não está a fim de pagar/fazer um rafting "radical", pode curtir também a sensação de ver as Cataratas de dentro d'água fazendo essa travessia simples. Não molha e tem um visual bem bonito.

Que tal nadar perto das Cataratas?
A Isla San Martín é, a meu ver, visita fundamental. Primeiro, porque você pode se banhar ali - isso mesmo, respeitando as bóias de segurança, você pode nadar com a visão daquele turbilhão de água bem perto, experiência simplesmente fascinante, possível da "prainha" formada na ilha. Segundo, porque há ali 2 caminhadas básicas (apesar da subida em escada cansativa para os menos acostumados): a trilha que leva ao Salto San Martín, de onde vemos também mais perto os Saltos Mbigua e Bernabé Mendez; e a trilha da "Ventana", que revela o Salto Escondido e um pouquinho do Salto Rivadavia através de um buraco natural numa rocha. Fomos para a Ventana primeiro, pelo caminho mais longo, e voltamos pelo atalho, que corta a ilha por dentro. No total, em nosso ritmo pessoal e parando bastante para fotografar, menos de 2 horas.

Vista do Salto Escondido pela Ventana, na trilha da Isla San Martín.
Voltamos da ilha para o cais do Circuito Inferior, onde deixamos por último o Salto Dos Hermanas, que tinha àquele momento uma plataforma de visitação concorrida. Como ainda era antes das 4 da tarde, decidimos que dava pra tentar fazer o Circuito Superior - decisão acertada, por sinal. O Circuito Superior, sem sobe-e-desce em trilha estreita nem pedra escorregadia, é o mais fácil do lado argentino. Permite uma visão dos Saltos Bosseti, Mbigua e Bernabé Mendez de cima, antes deles caírem. O rio passa por baixo da gente e é muito relaxante ficar ali observando de pertinho aquela aguaceira virar "vapor" com a queda.
O parque argentino fecha às 17h e já era quase isso quando voltamos ao Centro de Informações principal. Carimbamos nosso ingresso para poder voltar no dia seguinte e garantir o desconto na entrada.
No dia seguinte, era o momento de visitar a mais badalada das atrações do lado argentino: a visão de cima da Garganta do Diabo. A trilha da Garganta requer que você pegue o trem ecológico até a Estação da Garganta ou ande ~3 km. Queríamos agilizar a manhã e decidimos pegar o trem, no que se revelaria a maior roubada da visita às Cataratas.
Era domingo, dia de pico de visitação no parque, e fazia um sol lindo. Ou seja, tudo lotado. Achando que "economizaríamos tempo", pegamos o trem ecológico na Estação Central e só desceríamos na Estação da Garganta. Entramos dentro do primeiro trem (lotado) que encostou e o trem que anda a uns 5 km/h quebrou no trilho. Um funcionário correndo com um alicate na mão no meio do mato foi a cena que me recordo mais engraçada desse evento. Depois de uns 20 minutos, o trem voltou a funcionar, e aí veio o pior: ao chegar na Estação Cataratas, descobrimos que éramos obrigados a descer e esperar na fila de novo por outro trem que levaria até a Garganta, e não continuarmos a viagem no mesmo trem. Ou seja, ficamos mais de meia hora num trajeto que no dia anterior facilmente fizéramos à pé. Isso acontece porque só há um par de trilhos de trem no parque e não dá para ter trens se encontrando pelo caminho - e isso obriga a ter 2 trens, cada um fazendo um trecho. Para resumir, a fila estava gigante. Felizmente, uma gralha azul e um monte de borboletas entreteram nossa espera de mais meia hora. Mais uns 15 minutos de trem dentro da mata e chegamos finalmente ao início da trilha da Garganta do Diabo.
A visão que temos ali, entretanto, redimiu qualquer irritação com a roubada que passamos. Além de vermos o rio e toda sua largura, chegar perto daquela "monstruosidade" de água, ouvir tanta energia potencial sendo transformada em ruído daquela forma, é simplesmente emocionante. A única palavra que vem à minha cabeça sobre essa visão especialíssima e única no mundo é em inglês: overwhelming. É maravilhoso demais.
Ali, na Garganta do Diabo vista do lado argentino, não se tem a menor dúvida de por quê as Cataratas do Iguaçu merecem ser uma das 7 maravilhas naturais do mundo.
Saímos do parque meio "anestesiados" com o encantamento proporcionado pelo passeio. Com o tamanho da superlatividade que brota daquele lugar. Não à toa, um dos destinos mais procurados pelos estrangeiros que vêm ao Brasil. É um verdadeiro pote de ouro no arco-íris do turismo brasileiro.
E haja arco-íris para celebrar essa história! ![]()
Tudo de bom sempre.
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*Para viajar mais...
- Em minha opinião, pessoas acostumadas a trilhas (ou que não têm problemas físicos maiores em trilhas) conseguem ver os pontos mais relevantes do parque (4 trilhas principais) em apenas um dia inteiro. 2 dias é para ver com muita calma e parando bastante para descansar. Em ritmo de férias, eu diria.
- No site argentino do parque, há um bom resumo de como foram formadas as Cataratas, para os curiosos geológicos como eu.
- Vale lembrar que as Cataratas do Iguaçu já são Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO. Resumo da UNEP sobre o local aqui.
27.Outubro.08
Cataratas do Iguaçu: o lado brasileiro

O traço verde marca a linha imaginária que passa pelo rio Paraná Iguaçu (Thanks, Jô!) e separa a fronteira de Argentina (do lado esquerdo) e Brasil (do lado direito).
Há uma rixa engraçada quando o assunto é Cataratas do Iguaçu: qual lado da famosa maravilha natural é mais bonito, o brasileiro ou o argentino? Em geral, a balança pende pesadamente pro lado brasileiro, já que é deste lado que temos a melhor visão geral do esplendor gigantesco das Cataratas. Que por lógica, se é vista dali, está portanto do outro lado, o argentino.
Da primeira vez que fui a Foz do Iguaçu, visitei apenas o parque brasileiro, então nada poderia acrescentar de opinião, já que desconhecia o lado argentino da atração. Dessa vez, porém, fiz questão de visitar ambos os lados e agora, posso traçar minha opinião sobre essa discussão adorável de tão supérflua. ![]()
Prefiro inclusive, fazer em 2 partes (tem também muita foto, vamos dividir para não cansar demais). Hoje, só comento sobre o lado brasileiro. Amanhã, vem o lado argentino. Combinado?
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Visitar o Parque Nacional das Cataratas do Iguaçu é um dos passeios mais tradicionais do turismo nacional - portanto não espere solidão. O Parque, à medida que foi crescendo em visitação, foi se adequando para tal e me impressionei dessa última vez com a qualidade do gerenciamento de tanta gente que eles agora possuem. Não é para menos: são quase 1 milhão de visitantes por ano. É simplesmente impossível não haver impacto ambiental com tanta gente transitando, mas as trilhas e passarelas bem feitas e bem mantidas, além de estrutura organizacional para os passeios (como transporte de qualidade e elevador na parte final) tornou a tarefa de administrar tanta gente muito mais tranquila. A floresta ciliar provavelmente agradece.


O ônibus de "onça" que pegamos para ir pro início da trilha. Vimos ainda as versões "tucano", "quati" e "cobra", todos com os mesmos desenhos coloridos e divertidos. Adorei. Ao lado, um pedaço da visão que temos das Cataratas logo que a trilha começa a margear o rio.
Sobre as Cataratas em si, reproduzo aqui o texto da plaquinha afixada perto do elevador do Parque:
"descobertas pelo espanhol Alvar Nuñes Cabeza, no ano de 1542, as 275 quedas que compõem esta belíssima paisagem têm 65 metros de altura e vazão média de 1500 metros cúbicos de água por segundo. São também as maiores do mundo em extensão, com 2700 metros de largura."
Haja água.
Quando chegamos no Parque, já eram umas 3 e meia da tarde de sexta-feira. Depois de comprarmos a entrada, corremos para o ponto de onde sai o ônibus que leva até o início da trilha principal. Se antes a gente podia ir em ônibus comum até esse local, hoje não entra mais nem carro. Democratizou-se a chegada às Cataratas e eu acho isso muito bom. Menos pessoas circulando ao léo significa mais facilidade em saber onde elas estão - e evita-se em certa probabilidade a degradação florestal. Tudo em nome do equilíbrio qualidade/quantidade.
A maior parte das pessoas desce no início da trilha principal. Sob o ponto-de-vista do turista-CVC (e do não-CVC também...), a trilha do lado brasileiro é ótima, porque há poucos pedaços de mata intensa e em poucos passos chegamos a um ponto onde começa-se a ver a maravilha das Cataratas. A primeira visão, aliás, impressiona muito, porque é muita água, vários saltos ao longe que se descortinam. Tudo é superlativo (definição by ©Camburizinho). E à medida que você vai caminhando na trilha que margeia o rio Iguaçu e as Cataratas, a superlatividade só aumenta... até o gran finale, quando você chega na ponta da passarela mais próxima à queda, e pode ver de frente a que eu considero a queda d'água mais impressionante das Cataratas, o salto Floriano (que começa ao lado do elevador de subida para a Praça de Alimentação do Parque Brasileiro).
É uma trilha de várias visões, todas engrandecedoras da maravilha que as Cataratas realmente são. Então pro turista menos acostumado a andar em trilhas, mato, etc. essa "distração" proporcionada por essas visões realmente o impulsionam a continuar andando e sentir (nem que seja de forma quase fake) o que é a proximidade com o verde, com o mundo natural, etc. Como opção ecológica inicial, acho interessante que o Parque, ao se organizar, possa proporcionar essa experiência para o maior número de pessoas possível.
André nunca tinha ido a Foz e se impressionou com a grandiosidade das Cataratas - quem não se impressiona?... Mas como chegamos lá tarde (o parque fecha às 17hs), terminamos indo rapidamente para as passarelas "molhadas", fotografar de perto as cataratas que fazem a fama do lado brasileiro. Vários grupos se agregavam por ali, já que o ponto é o highlight do lado brasileiro. Milhares de cliques fotográficos cheios de respingos por todos os lados. Foi quando uma surpresa aconteceu: uma garça resolveu pescar nas rochas próximas as passarelas.
O pôr-do-sol já começava a se revelar e a garça ali, fazendo incursões inusitadas e vôos rasantes nas "cachoeiras" para tentar abocanhar sua janta. Um espetáculo tão bonito que muitos turistas pararam para assistir. (Porque há os turistas que só fazem "o caminho da procissão", como dizia minha vó, e não param pra nada, como se estivessem em uma gincana para chegar mais rápido ao ponto final e voltar. Perdem muitas vezes as melhores surpresas de um passeio que tem tudo pra ser "comum"...)
A garça então se distanciou e nós começamos a subir em direção ao ponto final. Na Torre, os brasileiros mostram que aprenderam direitinho o esquema de como ganhar dinheiro dos parques dos americanos: uma lojinha de souvenirs aguarda todos os turistas que por ali passam, assim como uma lanchonete. Para mim, entretanto, é a lojinha de parque com o visual mais bonito olhando da vitrine... mesmo não consumindo nada, é uma delícia olhar pelo vidro - imagino em dias de chuva como não deve ficar magnânimo tudo aquilo.
Ou vocês não acham? ![]()
Estávamos no alto da Torre ainda fotografando quando o guardinha do Parque se aproximou e disse que em poucos minutos sairia o último ônibus com destino à entrada do Parque - ou seja, se perdêssemos aquele, teríamos que andar os 5 km de asfalto que cortam a mata. Mas sem pressa, conseguimos pegar o ônibus, que interessantemente tinha vários funcionários nele (era o fim do turno mesmo).
De volta à entrada, pegamos o carro no estacionamento e fomos em direção a Foz do Iguaçu. A noite já adentrava e um rodízio de caldos e sopas nos aguardava. Depois de ver tanta água, a inspiração era só de "comer" líquido também... ![]()
Tudo de bom sempre.
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* Para viajar mais:
- Um post muito pessoal e legal sobre Cataratas foi o que o Explorador da Rede escreveu quando visitou a atração. A definição de Iguaçu em guarani é muito engraçada. Só o Camburizinho mesmo... ![]()
- Aliás, faço eco ao Camburizinho quando ele diz:
"É realmente um desses lugares que você precisa ver antes de morrer. É hipnotizante contemplar aquele tanto de água caindo, envolvido pela névoa como se você fosse parte delas, por horas ver a mesma coisa sem cansar e notar algo diferente a cada variação da luz ou mudança do vento. "Y-Guazú" é superlativo."
É a melhor definição das Cataratas que eu ouvi, tanto que a usei no meu post também.
- As hordas de quatis que atazanaram a primeira visita que fiz às Cataratas em 1999, desapareceram. Parece que as pessoas passaram a obedecer as placas de não dar comida aos animais e com isso, eles decidiram voltar a caçar alimento na mata. Interessante.
25.Outubro.08
Dawkins em Pirenópolis
Guardem essa informação com carinho: Richard Dawkins será o Palestrante Convidado de Honra do 46º Encontro Anual da Sociedade de Comportamento Animal, que se realizará de 22 a 26 de junho de 2009 em Pirenópolis, GO.
Eu não sei se isso foi proposital, mas colocar Dawkins naquela que é considerada uma das cidades mais esotéricas do Brasil... vai gerar muito pano pra manga pra imprensa. Aguardemos.
Tudo de bom sempre.
P.S.: Nunca estive em Pirenópolis, mas sei que é uma cidade histórica, que vale ser visitada por sua arquitetura - eu pelo menos quero visitar um dia. Já o comportamento animal dos primatas que lá habitam... melhor deixar pra Richard Dawkins mesmo. ![]()
24.Outubro.08
Sexta Sub: cercado por tubarões
Inspirada pelo filme "Sharkwater" que acabou de passar na TV e para marcar a estréia da galeria nova de Chuuk na ArteSub, eu trouxe esses tubarões lindos de lá.
Eles circulam pela água cercando o barco, como a aguardar os mergulhadores que ainda estavam lá embaixo subirem... que delícia!
Tudo de tubarão sempre.
23.Outubro.08
"Sharkwater" na TV!
Hoje, quinta-feira, às 22:15, o canal à cabo Cinemax passará o mega-maravilhoso e premiadíssimo documentário "Sharkwater" - o mesmo cujo banner fica permanente ali na barra direita do meu blog. (Assista ao trailler no site do filme, logo na página de abertura.)
"Sharkwater" foi um trabalho de perseverança de Rob Stewart, filmado em diversos locais do mundo onde populações de tubarão vêm sendo dizimadas. Alerta em letras maiúsculas com clareza dolorosa sobre o massacre aos tubarões que realizamos nesse momento da história. Além disso, tem cenas subaquáticas lindíssimas, filmadas em alta definição, que dão vontade de entrar na tela e mergulhar junto com ele na maior parte das vezes.
O documentário ganhou, entre tantos outros prêmios, o de melhor documentário no Festival Internacional de Fort Lauderdale, o Prêmio Especial do Júri do Festival Internacional de Filmes do Havaí e principalmente o prêmio Peter Benchley de Conservação de Tubarões, dado pelo Instituto de Pesquisa de Tubarões.
Eu assistirei, óbvio. Não saio de casa nessa 5a à noite nem por decreto-lei. E convido aos que passam por aqui para assistirem também. Os tubarões agradecem o interesse benéfico de vocês pela vida deles.
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Em nota paralela tubaronesca, há um concurso de fotografias de tubarões idealizado pelo Sharkproject, cujo prazo final para envio de fotos é dia 31/outubro. Eu adorei saber desse concurso, enviaremos fotos, claro. Mas na real, eu queria muito que o André ganhasse não pelos prêmios em si, mas pelo design da medalha dos vencedores... é muito sharkcool, vocês não acham? A de prata é a mais linda e acho que ficaria ótima num colar "malla". ![]()
Tudo de tubarão sempre.
22.Outubro.08
Desafio malla paparazzi
Na nossa frente na fila pra pegar o helicóptero e ver as Cataratas do Iguaçu, uma "celebridade" com a família, marido e filho (ou seria enteado?). Alguém reconhece a jovem senhora?
Se alguém acertar, eu atualizo aqui com o comentário levemente "engraçado" que ouvi depois que a senhora embarcou no helicóptero. ![]()
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ATUALIZAÇÃO: Srta. Bia e Andréa acertaram na mosca, é a Tereza Collor. A historinha é a seguinte: na loja do tour de helicóptero, havia 2 opções: passeio de 10 minutos a "X" reais, e 35 minutos a "10X" reais. Depois que Tereza e família entraram no helicóptero, o dono da loja ficou dando uma bronca no vendedor do balcão em altos brados ("Por que você não disse a eles do passeio de 35 minutos?", em voz alterada e indignada). A família endinheirada fez o passeio mais simples, pagou menos. E desceram do helicóptero felizes e sorridentes como todos os demais turistas. Só o dono da loja não gostou disso - e o vendedor, que a essa altura, ainda deve estar escutando, coitado. ![]()
Detalhe: o passeio de 35 minutos consiste em 10 minutos nas Cataratas (o percurso do passeio "pequeno") e 25 minutos indo até Itaipu lááá longe e voltando. Ou seja, a não ser que você realmente precise de uma foto aérea de Itaipu ou tenha algum interesse específico durante o trajeto... é uma roubada sem limites, em minha opinião. Para qualquer um, independente de sua conta corrente.
Achei a situação toda para o dono da loja de uma ironia sem fim, já que a própria existência desse passeio de 35 minutos é supérflua.
21.Outubro.08
Orelhões do Brasil - atualização pós-viagem
Cada maluco com sua mania. Eu tenho a minha: colecionar fotos de orelhões diferentes.
Nessa última viagem, vimos não só orelhões, mas latas de lixo engraçadinhas também. E uma constatação: estes artefatos enfeitados estão "desaparecendo" das ruas brasileiras. Por um motivo simples: a popularização do celular. Ninguém mais precisa usar um telefone público, eles são cada vez menos funcionais, apenas decorativos e aos poucos estão sendo eliminados da paisagem urbana. Fica uma pontada de nostalgia em mim, mas é o progresso urbanístico, né? ![]()
Eis aí o apanhado geral dos orelhões e lixeiras da viagem e onde foram avistados cada um deles - enquanto ainda existem.


Estes já são os orelhões "clássicos" de Bonito, junto com os de onça e tucano, que não fotografamos dessa vez. Essas 2 araras estavam com aparência de recém-restauradas, por isso a foto.

Não sei se é um orelhão antigo ou não, mas eu só o vi nessa viagem, portanto pra mim é "novo".
A garça está no Balneário Municipal de Bonito.

A localização desse orelhão de pacu me deixou em dúvida, pois não anotei exatamente a cidadezinha. Mas é ou Pato Bragado ou Entre Rios D'Oeste, ambas no Paraná, na fronteira com o Paraguai.


Numa cidade que é toda chique, orelhões também devem ser chiques. Em Gramado (RS), encontrei estes 2 modelos de orelhão: com telhadinho e com casinha completa de madeira. Muito aconchegantes.


O conjunto de lixeiras enfeitadas foi avistado no Balneário Municipal de Bonito. Achei engraçadinhas.

Não gostei do design da lixeira da Oktoberfest de Blumenau deste ano. A portinha da casa alemã é onde você coloca o lixo, mas como pode perceber, há copos plásticos pelo chão, porque depois de 5 cervejas, não tem quem acerte o copo naquele buraquinho. Por que não deixaram sem porta? Ficava mais fácil para manter o lugar limpo.


Vi estas 2 lixeiras no Marco das 3 Fronteiras, em Foz do Iguaçu. Elas estão no lado brasileiro, onde, aliás, está sendo construída uma torre dessas bem altas com vista panorâmica - diz a propaganda que vai dar pra ver as Cataratas, beeem longe dali. Aguardemos.

Essa foto tem uma história tragicômica. Estávamos dirigindo por Campo Grande (MS) quando avistei no meio da praça esse orelhão e falei: "Vamos lá fotografar!" Fui toda empolgada tirar o telefone do gancho da garça, e não me dei conta que um ninho de vespas estava alojado ali. A foto foi tirada depois que as vespas começaram a me incomodar. Felizmente, nenhuma picada, só o susto. E a certeza de que ninguém usa muito esse telefone público... ![]()
Tudo de bom sempre.
20.Outubro.08
Reserva Ducke na Semana de Ciência e Tecnologia 2008
Hoje começa a Semana de Ciência e Tecnologia, promovida pelo Ministério da Ciência e Tecnologia de nosso governo. Uma semana inteira dedicada a eventos gratuitos que discutem aspectos variados do campo científico e tecnológico brasileiro, espalhado por todos os estados do país.
Aqui em São Paulo, a USP estava sábado cheia de cartazes para a Semana, e já havia hoje de manhã 239 eventos variados cadastrados para acontecer.
Mas quero destacar um evento virtual que podemos "aproveitar". Uma equipe de ecólogos do INPA, composta por Márcio Oliveira (ex-aluno do Lucio!), Fabricio Baccaro, Ricardo Braga-Neto e Bill Magnusson (um dos maiores entendedores de Amazônia do país) lançaram um livro eletrônico chamado "Reserva Ducke: a biodiversidade amazônica através de uma grade".
A resenha enviada por email pelo Márcio foi a seguinte:
"Embora o desmatamento causado pela expansão urbana de Manaus esteja isolando a Reserva Ducke de outras florestas, a proximidade da cidade favoreceu o desenvolvimento de uma grande quantidade de estudos científicos, alguns dos quais foram sintetizados nesse volume. A importância desses estudos para a Amazônia é enorme, pois a experiência adquirida foi determinante no planejamento de estratégias de pesquisa no Brasil todo, dentro do contexto do Programa de Pesquisa em Biodiversidade (PPBio)."
O livro explica um sistema inovador de amostragem de dados, que aumentou a área de pesquisa e com isso, permitiu uma melhor integração dos dados, o que no final das contas, nos dá uma melhor "fotografia" da região estudada. Mas para entender melhor, vale a pena ler o livro. E é aí que vem o mais legal de tudo na minha opinião: o livro é eletrônico, está disponível gratuitamente em pdf para download no site do PPBio/INPA. Se você se interessa por assuntos científicos amazônicos, fica a dica dessa boa leitura compartilhada na rede.
Tudo de bom sempre.
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- André e eu tivemos o prazer imenso de visitar uma região de borda da reserva Ducke em 2007, à noite, para fotografar peixes num igarapé com o Bill e sua filha. Como esse peixe abaixo, um Farlowella acus.
Diferente, não?
- Nesse período que estive viajando pelo centro-oeste e sul do Brasil, vários blogs novos se tornaram vizinhos de condomínio. Sejam bem-vindos ao Interney o Marcos VP, a Marina Santa Helena, a Juliana Dacoregio, o Ivan, o personagem "Isaías", o Cel e a patota do Eu acho eh Poco! E o fiapoblog pessoal do Tuca! ![]()
18.Outubro.08
Idiossincrasias gaúchas
Você sabe que está no Rio Grande do Sul quando...
- vai na seção de bebidas do supermercado e encontra isso:
- ou passeia pela rua e vê uma loja dessas:
- ou se hospeda numa pousada que se preocupa com isso:
Adições à lista são bem-vindas...
Tudo de gaúcho sempre. ![]()
17.Outubro.08
Sexta Sub: Brasil Sub
Acabei de chegar de uma viagem pelo sul do Brasil e essa foto combina bem com o meu momento, esse sentimento "brasileiro". O verde-amarelo-azul de peixes, algas & mar, e tudo em movimento. As cores do país no dinamismo da minha viagem. Já estou com saudades da estrada...
Viva o Brasil.
Tudo de bom sempre.
16.Outubro.08
Lar, efêmero lar
1 mês de Malla na estrada. Mais de 9,000 km rodados.
E uma enorme vontade de (continuar a) abraçar o mundo.
Tudo de volta sempre.
*As inúmeras histórias que vivi serão aos poucos contadas aqui, depois que eu me reorganizar e voltar pra realidade. Stay tuned.
12.Outubro.08
Sendo franca
A viagem que estamos fazendo dá um pulo enorme para falar de um "evento" que aconteceu na semana que passou e que me emocionou deveras. (Depois eu volto e conto o intermezzo.)
Fomos à Imbituba, cidade do litoral sul catarinense e capital brasileira das baleias francas (Eubalaena australis). É nesse pedaço de litoral que a espécie vem todo ano, de julho a novembro, se reproduzir e ter os filhotes. Estamos em outubro; logo, nós não podíamos perder a oportunidade de ver a baleia franca em nossa viagem pelo sul do Brasil.

Praia do Porto, em Imbituba, vista do mirante. O morro que vemos ao fundo é o da trilha do Farol, de onde se tem uma visão pro mar aberto muito tranquilizadora.
Imbituba em si é uma cidadezinha simpática, com algumas praias: a do Porto, onde há um porto grande (duh!); a da Vila, onde se realizará uma das etapas do WCT desse ano - ou seja, uma praia excelente para surfe; a da Ribanceira, onde predominam os windsurfistas; e a de Ibiraquera, que parece ser a que as baleias mais gostam. Mal chegamos em Imbituba e fomos fazer a trilha do Farol, no canto esquerdo da praia da Vila. Trilha simples, de 1km e pouco de sobe-e-desce em rochedos, ao final vê-se um farol feito de azulejos brancos e toda a imensidão azul do mar de Santa Catarina. Bela visão.
Mas estávamos ali por causa das baleias. Do mirante da cidade, dava para ver alguns pares de mãe e filhote nadando perto da praia - perto mesmo, a uns 50m da arrebentação das ondas. Eis daí aliás o seu nome "baleia franca" (em inglês, right whale): por ficar tão perto da costa e tanto tempo na superfície, era facilmente caçada por qualquer um, inclusive pescadores com barquinhos pequenos, que simplesmente a arrastavam para a praia depois de arpoá-la. Ou seja, era a baleia "certa", "franca" de ser pescada, e seu nome já deriva do uso abusivo que fazíamos da espécie. No passado, dizia-se que as baleias francas foram as responsáveis por "tirar o mundo da escuridão", já que seu óleo foi o primeiro utilizado na iluminação pública das cidades ainda no século XVIII - e para fazer cimento em boa parte das construções antigas.
A baleia franca foi considerada extinta na costa brasileira na década de 70 - lembra da triste ecomúsica do Roberto Carlos "As baleias" de 1981?
"Seus netos vão te perguntar em poucos anos/ pelas baleias que cruzavam oceanos/ que eles viram em velhos livros ou no filme dos arquivos dos programas vespertinos de televisão/ (...) de uma cauda exposta aos ventos/ em seus últimos momentos/ relembrada num troféu em forma de arpão".
Pois é, quando Roberto escreveu a letra desta música, a população de baleias francas no Brasil chegara no menor número de toda a história, praticamente não era mais avistada na costa - não sei exatamente se foi essa dura realidade que o inspirou, mas imagino que tenha feito parte na decisão de escrever sobre o tema. Estima-se que a população de baleias francas original (antes do massacre crônico em busca de sua espessíssima camada de gordura) era de 70,000 baleias, e elas visitavam anualmente até a altura da costa da Bahia. A última baleia arpoada no Brasil foi em 1973, ali em Imbituba - uma franca, óbvio. Hoje, depois de anos de preservação e um trabalho intenso de recuperação, a população de baleias em todo o hemisfério sul é de cerca de 7,000, ou seja 10% da população original, apenas.
Desde 1987, é proibido pela lei federal 7643 de se pescar e/ou molestar cetáceos marinhos (baleias e golfinhos). Em 2000 [link do decreto-lei em pdf] foi criada a Área de Preservação Ambiental da Baleia Franca, uma região de 156.100 hectares que vai da costa sul da Ilha de Santa Catarina (onde está Florianópolis) até o Balneário do Rincão, no extremo sul do estado (mapa aqui). Com essas medidas, a população de baleias pode aos poucos se recuperar. E, mesmo ainda em processo de recuperação, vale ressaltar que o número de baleias vem aumentando a cada ano.
No passado, os humanos ganhavam dinheiro com a baleia morta. Hoje, em tempos de prática ecológica mais aflorada, de leis mais claras e exigentes, e com cada vez mais baleias aparecendo no litoral catarinense (e com mais humanos morando na região), o ideal que vejo é o desenvolvimento do ecoturismo - ou seja, a comunidade local lucrando com a baleia viva, ano após ano. Isso já é feito na Península Valdés, na Argentina, onde a maior parte das baleias francas se concentram no hemisfério sul. Em Valdés, já existe todo um esquema de ecoturismo da baleia franca, e a região lucra bastante a cada temporada com a vinda das baleias.
Santa Catarina tem o mesmo potencial ecoturístico com baleias que Valdés - maior até, porque há mais atividades possíveis de se fazer em geral em SC que na Península Valdez. Respeitando-se as leis básicas, pode-se investir em divulgar a biologia e importância biológica da baleia franca pro ecoturista e envolver a população local nessa empreitada. Essa estratégia é, a meu ver, a mais adequada e a mais rentável para os moradores locais.
Contactei no dia que chegamos em Imbituba a Carolina, bióloga do Instituto Baleia Franca (IBF), com sede na descolada Praia do Rosa, e combinou-se a saída de barco para ver a baleia na manhã seguinte. Antes mesmo disso, do mirante da cidade, dava pra ver grupos de baleias nadando na praia do Porto. Muito vagarosas, elas se deslocavam pra lá e pra cá. A ansiedade de vê-las de perto só foi aumentando.
No dia seguinte, chegamos na praia do Porto às 9 da manhã, quando o barquinho para ver baleias saía. A praia é retona e o barco é um bote inflável, que não vira de jeito nenhum - para um local com ondas de surfe, importante quesito. O passeio é uma parceria do IBF com a Pousada Vida, Sol e Mar: o Henrique da pousada é o responsável pelo barco e pela logística da operação; parte do dinheiro arrecadado com o passeio vai para manutenção das atividades básicas e de pesquisa do IBF, além das biólogas utilizarem o barco para coletar dados das baleias que visitam a região; em troca, o IBF auxilia durante o passeio, divulgando a baleia franca para os turistas, através de uma palestra antes da saída pro mar (na praia mesmo), onde são explicados aspectos gerais da biologia e conservação da baleia.

Biólogas Mônica e Carolina dando a palestra introdutória das baleias na praia do Porto.
O passeio começa, então, e o barco vai rumo à Ibiraquera, praia onde as baleias francas parecem se concentrar. O primeiro impacto que temos é com a distância entre baleia e praia: o animal está tão perto da arrebentação, que fica difícil pro barco se aproximar, pelo receio de que uma onda quebre em cima da gente. Da praia, facilmente se vê a baleia, que mais parece um torpedo parado na superfície. De repente, percebemos que há pelo menos 8 baleias ao nosso redor, com filhotes. É uma festa de baleias francas.

Baleia franca com filhote na beira da praia de Ibiraquera (SC). A distância da praia é absurdamente pequena.
Uma das características da baleia franca é facilmente visível quando ela se aproxima do barco, o borrifo em "V". Todas as baleias borrifam, mas só a franca consegue fazê-lo em formato de V, devido à forma como o orifício respiratório da cabeça do animal se abre. Além disso, percebe-se também suas calosidades brancas na cabeça, formadas por espessamento da pele da baleia - esse espessamento termina favorecendo o acúmulo de crustáceos ciamídeos (cracas) na pele da baleia, tornando-o branco. Cada baleia tem um padrão de calosidade, e isso é utilizado para identificação individual visual dos animais que visitam o Brasil.

A cabeça da baleia franca se caracteriza pela presença das calosidades brancas.

A baleia franca não possui dentes, e sim essas estruturas filtradoras da foto, feitas de queratina, chamadas "barbatanas" - que ficam dentro da boca, entenda-se bem. Ela se alimenta de krill na Antártica, e fica todo o tempo em águas brasileiras sem comer - por isso a importância da presença de uma camada de gordura de cerca de 40cm embaixo da pele, para garantir a sobrevivência do animal durante a viagem e estadia pelas águas tropicais.
Quando uma baleia se aproxima, o barco desliga os motores. Dessa forma, a baleia pode se aproximar sem ser incomodada pelo barulho sub. São enormes: podem chegar a 5m e pesar 4 toneladas. Uma das baleias em nosso passeio se aproximou demais: seu corpanzil passou por baixo do barco e tocou-o, dando uma certa emoção para todos ali. Lindo.
Foi difícil dizer tchau para as baleias. A vontade que dá é de ficarmos ali o tempo todo, analisando deslumbrados cada respirada, cada caudada que ela dá, suas interações e brincadeiras com o filhote. Mas depois de quase 2 horas no mar, era hora de voltar à terra, com a certeza de que interagir de perto com a baleia franca respeitando seus limites é a melhor maneira de tornar as pessoas mais conscientes da importância da sua preservação. E serei franca, como a baleia: eu acredito na aproximação controlada como forma eficiente de educação ambiental para as pessoas em geral, e cada vez que eu tenho uma dessas experiências, mais me convenço de que no final das contas, com ecoturismo bem-feito, ganham as baleias (ou o animal em questão que se quer preservar). Que mais boas iniciativas, integradas com leis e comunidade, venham pelo mundo a fora.
Tudo de bom sempre.
**************
- Em Imbituba, também fica o Museu da Baleia de Imbituba, hospedado onde a última armação baleeira do Brasil funcionava.
10.Outubro.08
Sexta Sub: boto rosa na Mergulho
Qualquer semelhança...
...não é mera coincidência!
A Sexta Sub hoje investe na auto-promoção: a revista Mergulho desse mês de outubro, que já está nas bancas, tem na capa um boto rosa fotografado pelo André em Novo Airão, numa reportagem escrita por essa que vos fala. Eu já contei essa aventura aqui no blog antes e ela é alvo de uma certa polêmica. Se você quer ler mais sobre esse mamífero fluvial, corra às bancas! ![]()
Tudo de sub sempre.
P.S.: A mesma história apareceu na edição do mês de setembro da revista Unterwasser. Em alemão.
09.Outubro.08
4 anos viajando com a Malla pelo mundo
Eis que mais um ano de blo(g/b)agens malla se passou. Como todos os anos, ao invés de fazer uma retrospectiva do ano que passou em dezembro como manda o figurino, eu a faço em 9 de outubro, celebrando o aniversário deste espaço tão querido de conversa no ano do ecossistema que eu adoro. (Retrospectivas anteriores aqui.) Neste quarto ano de blogagens, acho que escrevi quantitativamente muito (foram 268 posts desde o aniversário do blog ano passado) e a tarefa de escolher os textos para a retrospectiva se tornou então laborosa. Entretanto, um trabalho com prazer, confesso; porque afinal foi um ano de muitas mudanças, pessoais e bloguísticas, e mudar é sempre uma experiência importante para mim.
A maior mudança do blog, sem dúvida, foi a de "hospedagem". Saí do blogspot para a casa Interneyética, e desde então sou uma pessoa muito contente com a vizinhança e com a força sempre presente do prestativo Edney. Aqui no Interney o blog ficou mais estável, conheci blogs novos adoráveis de vizinhos, como o Locutório e o Guindaste, e blogueiros muito divertidos como o Gravataí e a Ana. Além de aprender um pouco mais com a vizinhança, vários novos amigos chegaram aqui na nova casa e aos poucos estão se juntando à nossa rodinha de conversa. Tem sido um barato ver a tchurma se reunir e crescer. O meu outro blog de coração verde, o Faça a sua parte, também mudou de endereço blogspot e foi para o condomínio mais independente do Brasil, a Verbeat. Apesar desta última ser uma vitória coletiva, fiquei particularmente feliz em ver tanta animação rondando o tema meio ambiente nas discussões por lá.
Além disso, conheci algumas vozes queridas por trás de textos que já lia com carinho. Amigos de Faça, tive o prazer de encontrar com Denise, Afonso e Jorge, em ocasiões diferentes, mas mesmo assim, muito legais. Tive a honra de ficar hospedada na casa do meu ídolo Tiagón em Porto Alegre. Tomei cafés deliciosos com a Flavia, a Pat, o Tuca, a Regina, o Ulisses, o Rafael, o Carlos Hotta e a Paula, o Atila, o Rafael. Conheci finalmente 2 amigos de longa data blogosférica, Rafael Galvão e Hermenauta, numa tacada só em noitada inesquecível em Sampa. Tive o prazer de ouvir as histórias jornalísticas do Pedro Doria numa segunda-feira à noite junto com os mais-queridos Idelber, Doni e Marmota. Comi pizza com a dupla do Brincando de Chef e mais um pedaço da galera VnV (Mô, Eco-mília, Ernesto), fui na noite de autógrafos da Mari, quase encontrei Camburizinho e Chris em Buenos Aires (fica pra próxima, com certeza), comi batata frita com a Alê Félix, celebrei o aniversário do Doni conversando com o menino Gustavo e com Ian e o aniversário da Xará conversando com Mestre Ina. Foram muitos momentos legais com amigos virtuais, incluindo o Luluzinha Camp, reunião que foi um show de risadas, sorrisos e papos agradáveis com mocinhas animadas nota 10. Enfim, momentos prazeirosos. (Provavelmente esqueci vários, inclusive as deliciosas manifestações de carinho virtuais e aparições-surpresa em outras mídias.)
Para não romper com a tradição já instaurada por mim, faço a retrospectiva em tons megalomaníacos "distribuindo prêmios" aos posts em diferentes categorias, numa paródia quase-pecaminosa ao Nobel que sai por esses dias também. Eis então sem muita firula os vencedores do Malla Bloggel 2008:
1) Economia
De vez em quando eu me meto a besta e falo de aspectos econômicos de questões em voga, como do ambiente e dos prejuízos das companhias aéreas, além de criar guias para economizar sendo ambientalmente correto. Mas meu post predileto nessa categoria é aquele que tenta "entender" essa economia bizarra que faz com que a carne de cação seja tão barata.
2) Ciência/Medicina
Essa categoria foi expandida para acomodar todas as atividades científicas que comento - de ecologia e evolução à bioquímica e conservação, já que Medicina é apenas uma parte delas. Das discussões que publiquei sobre ciência, o primeiro lugar fica para o do FIV, que ficou 3 anos rascunhado "no tonel de carvalho" do blogspot, envelhecendo, amadurecendo e finalmente saiu em maio desse ano. Só pelo tempo de espera, já merecia o prêmio; mas o assunto terminou colateralmente ganhando o Nobel de Medicina desse ano, então o prêmio fica duplamente motivado.
3) Literatura
Por outro lado, eu quase nunca fazia resenhas de livros porque me acho péssima resenhando. Mas nesse ano que passou, resolvi encarar o desafio e arriscar opiniões diversas. Foram pelo menos 6 livros resenhados (para mim, um recorde) e há uma certa confusão para definir o ganhador aqui. Porque a resenha que mais gostei de escrever foi a do livro do Biajoni; mas o livro que mais gostei de resenhar foi o da Heloísa Schürmann. Sem contar que a autobiografia de Eddie Aikau, que eu enrolei mais de anos para ler, me revelou surpresas deliciosas sobre um tema que eu adoro, Hawaii. Então deixo à critério de vocês escolherem.
4) Política
Um post que infelizmente discute aspectos negativos é o vencedor dessa categoria. Embora eu tenha esperança no futuro, parece que a política americana não quer se comprometer com a realidade e quer deixar o planeta derreter à vontade. Um segundo lugar de destaque fica para o relato de um amigo meu que estava no Chade, no auge da confusão que assolou o país africano no início do ano.
5) Popularidade Google
Não tem pra ninguém. O post que mais trouxe gente pro blog via Google nesse ano foi o da lista das 7 maravilhas naturais do Brasil - algumas delas entre as minhas favoritas para vencerem o concurso das 7 maravilhas naturais mundiais, vale ressaltar. Num segundo lugar afastado em popularidade, fica o post dos wetlands, feito para uma das blogagens coletivas do calendário verde do Faça.
6) Fotografia
Teve prêmio, teve slideshow especial, teve portfolio, teve foto na National Geographic, mas no quesito fotografia, a maior inovação que fiz nesse blog foi criar a Sexta Sub, um dia dedicado a mergulhar em visões diversas do mundo que está abaixo da linha d'água. É, na minha viagem na maionese, um convite para se dar asas aos sonhos imaginativos do mundo que poucos conhecem a cada fim de semana que se inicia.
7) Filosofia do mundo
Eu contei minha bioinfância, falei das saudades que sinto de vez em quando, estive em êxtase musical num show inesquecível, comentei em entrevista das minhas viagens mochileiras, de avião e das coisas que eu não viajo sem, mas a filosofia do mundo vencedora para mim envolve viagem e é das menos visitadas, mas que eu curti escrever à beça: fotografar é viajar.
8) Visita ilustre
Percebi visitas de lugares interessantíssimos no ano que passou, como Uganda, Bratislava e Luxemburgo. Mas percebi também que minha alegria mesmo não é com a localização puntual, e sim abrir aquele mapinha do Sitemeter com as últimas 100 visitas e ter uma bolinha em cada canto do mundo. Isso é muito legal. O mapa abaixo, do dia 03 de agosto de 2008, é para mim o vencedor.
Ainda não chegou ao meu blog ninguém vindo do Kamchatka, mas eu não perco as esperanças. ![]()
9) Pior título de post
O título mais sem graça que criei esse ano (e totalmente desinspirador) foi a rima no post sobre o Halloween de Honolulu. Tecla delete e cai o pano.
10) Melhor viagem real relativamente longa
Estou no meio dela, e por isso esse post meio corrido. A parte de Bonito e Pantanal já foi toda relatada, agora "só" falta todo o sul do Brasil. Acho que vai levar uns meses para eu conseguir escrever também sobre a Argentina e Patagônia - já saíram Puerto Pirámides, Puerto Madryn e pingüins da região, além da discussão sobre a guerra das Malvinas, mas quero fazer um geral da fauna maravilhosa da Península Valdez. Mas acho que essa road trip pelo Brasil merece o prêmio, mesmo sabendo que vai levar uns meses ainda para eu terminar de relatá-la. Estão sendo muitas emoções, risadas e histórias de um Brasil muito belo que estamos registrando.
(Vale ressaltar um "post-resto de viagem do ano passado" que eu amo de coração e não pdoeria deixar de fora aqui: os peixes-boi da Flórida.)
11) Melhor viagem real relativamente curta
Pra variar, ainda não escrevi muito sobre essa viagem aqui no blog - está na longuíssima lista de espera. Mas a melhor viagem real relativamente curta que fiz foi em dezembro do ano passado, quando passamos pelo litoral carioca, de Arraial do Cabo até Paraty, apreciando a beleza natural e gastronômica do meu estado natal.
12) Viagem na maionese
Eu tenho as minhas viagens pessoais, comento de viagens alheias, mas acho que nenhuma delas supera a animada loucura que foi postar a semana inteira sobre recifes de corais em abril. Um viva aos corais sempre.
13) Onde fica?
Eu amo o Pacífico, todos que me visitam sabem disso. Então embora os comentários da minha amiga Silvia sobre viver na Nova Caledônia tenham sido fascinantes, acho que o post sobre lugar mais obscuro que rolou nesse ano que passou foi o do atol de Sikaiana, nas Ilhas Salomão. Mas o vencedor da categoria é de um lugar em território nacional que quase nenhum brasileiro sabe onde fica, o Arquipélago de São Pedro e São Paulo. Vale ressaltar que quase houve empate técnico, porque Chuuk também não pode ser considerado um local muito conhecido, né... ![]()
14) Tudo de bom sempre
Ano passado, as entrevistas mallas eram uma experimentação que eu mal começara, ainda precisando de vários ajustes. Esse ano, elas se consolidaram um pouco mais. Pelo caráter mais-que-amigável com que todos sem exceção responderam, o prêmio Tudo de bom sempre merece ir de coração pros entrevistados diversos que compartilharam aqui suas aspirações e experiências viajantes. Vocês tornaram a viagem mais interessante com suas palavras. Os amigos entrevistados do ano foram: Emília, Flavio Prada, Manu, Daniel Bender, Andréa, Alline, Tiagón, Edney, Marcio Nel Cimatti, Lucia Freitas, Luciano Candisani, Viva, Bruno "Viking", Almirante Nelson, Iraldo, Ian Mackenzie (em inglês aqui). Vocês são uns viajantes maravilhosos.
15) Mallice da Malla
Tem como não citar aqui todas as discussões, notícias, anotações e divagações sobre tubarões que eu escrevo aqui? É a vencedora das mallices! ![]()
16) Malla Bloggel da Paz
Nesse ano algumas perdas mexeram comigo, me forçando a refletir mais ainda na necessidade de vivermos sempre em paz com familiares, amigos e o planeta, na importância das nossas atitudes positivas. Apesar dos percalços da vida, quero dedicar o Malla Bloggel da Paz de 2008 para todos os comentaristas do blog, que inspiram, discutem, corrigem e acrescentam tanta informação, idéia e perspicácia à conversa por essas bandas, independente do ritmo do post publicado. A todos, essa é minha forma de expressar a enorme felicidade por cada linha que vocês compartilham aqui.
E o Malla Bloggel do ano de 2008 chega ao fim. Meio corrido, direto de Imbituba (SC), em meio a viagens e baleias. Uma festa na estrada, como a vida da gente deve ser, essa estrada cheia de curvas, aprendizados, micos e emoções. Viver é uma viagem!
Tudo de bom sempre a todos. E tin-tim pelo aniversário do blog! A festa 2009 já vai começar! ![]()
07.Outubro.08
No Pantanal Sul
Depois de Bonito, nossa viagem continuou rumo ao Pantanal, especificamente na região de Miranda (MS), que é a borda mais ao sul do Pantanal Brasileiro - o Pantanal foi dividido em 10 áreas: Miranda, Nabileque, Aquidauana, Abobral, Nhecolândia, Paraguai, Paiaguós, Barão de Melgaço, Poconé e Cáceres. Ficamos na Fazenda San Francisco (que tem blog!), um refúgio agroecoturístico de 15000 hectares com 30% de área de mata preservada, muito especial e sede do projeto Gadonça, uma das mais interessantes ramificações da ONG Instituto Pró-Carnívoros de proteção às onças e demais felinos do país.
O Gadonça está ali porque há onças na fazenda - e não são poucas. Dão trabalho aos pecuaristas e aí mora o objetivo do Gadonça: tentar entender a dinâmica onça/gado e quem sabe assim conscientizar os moradores locais da importância da onça para o ecossistema, fazendo-os entender que matar uma onça não é uma boa solução ecologicamente falando (vale ressaltar que 40% da dieta da onça são capivaras). Ali na Fazenda San Francisco, entretanto, a presença da onça é também o grande chamariz para o turismo: os clientes têm uma média de 70% de chance de saírem de lá tendo visto uma onça ou outro grande felino. Esse índice, no mundo dos animais selvagens em seus hábitats naturais, é fenomenal.

Para completar o "quadrângulo" pantaneiro de bichos clássicos (e ameaçados, menos a capivara), só faltava a onça nessa foto, onde vemos 2 tuiuius, um jacaré-do-pantanal e uma capivara.
É necessário entender também o por quê da onça estar ali. A fazenda San Francisco tem como principal fonte de renda a agropecuária, principalmente o cultivo do arroz. Quando fazemos o passeio, percorremos áreas enormes de arrozal e ele é, digamos, o "segredo" da fazenda. Porque o arrozal traz uma gama de animais herbívoros e/ou que se alimentam de pequenos crustáceos e moluscos, como (muitas) aves e pequenos mamíferos. Há hordas de capivaras espalhadas por tudo quanto é canto. E onde há abundância de presas, há carnívoros. A teia alimentar do Pantanal em visualização simples e prática.

A festa no arrozal: capivaras e aves alimentam-se nessa área da fazenda, atraindo facilmente os carnívoros - e eles, os ecoturistas.
Nós ficamos 3 noites na fazenda e nas 3 noites saímos para fazer focagem noturna, que é o período quando há maior probabilidade de ver felinos. No primeiro dia, avistamos lobinhos, tamanduás-bandeiras, cervos-do-Pantanal, capivaras, mas nada de onça. Na 2ª noite, avistamos uma onça a uns 100m da gente, fêmea, com as tetas cheias de leite. Já na 3ª noite, foi a festa completa. Além do jacaré no meio da estrada, das corujas, de um curiango, espécie rara de pássaro, das capivaras descansando, vimos 2 (!!) jaguatiricas na beira da estrada, a menos de 50m da gente. Uma delas estava com um roedor na boca e deu todo seu showzinho particular para a gente: devorou o bicho estraçalhando-o, depois de alimentada se lambeu toda e por fim, "posou" para a foto, de barriga cheia e menosprezando os espectadores em êxtase máximo que a observavam. Sério, um momento para ficar marcado na minha memória de bióloga. Simplesmente maravilhoso.

A jaguatirica (Leopardus pardalis) que se alimentou na nossa frente.
Mas nem só de onça e grandes felinos vive o Pantanal. A fazenda é muito procurada por grupos de "bird watching", pois é um dos locais do Pantanal com maior diversidade de aves: das 485 espécies pantaneiras catalogadas, 352 já foram avistadas ali. Basta sair para qualquer passeio durante o dia para perceber essa diversidade maravilhosa. É um tal de "olha o colheireiro ali! O tuiuiu tá aqui! Lá no galho o gavião belo!" a todo momento, que o passeio nunca fica monótono. Não interessa se você faz o passeio de jipe, de cavalo, à pé ou de chalana (nós fizemos todos esses): a imensa quantidade de aves diferentes é uma constante assombrosa.


Gavião-belo em 2 momentos: sobrevoando o rio e brigando com o outro no ar por motivo desconhecido.
Diverti-me mais no passeio de chalana pelo rio Miranda. Além da chalana ser alta e te permitir ficar mais perto da copa das árvores - portanto, ter uma perspectiva nova da mata ciliar - dois eventos maravilhosos aconteceram, um inesperado e outro programado: primeiro, um tamanduá-bandeira saiu de dentro da mata para beber água na beira do rio (cena inesquecível!); segundo, nós pescamos piranhas (eu não pesquei nenhuma que sou um zero à esquerda em matéria de pescaria) para alimentar o jacaré-do-pantanal "amigável" da fazenda (muitas aspas aqui) que se chamava.... Mala. Pois é. Lá foi a Malla ver o Mala comer piranhas - e se fartar. Apesar de arriscado, as fotos ficaram empolgantes, porque o jacaré pula completamente para fora d'água atrás de sua presa fácil. E como a atividade não é diária, eles não se "acostumam" muito à situação e continuam caçando normalmente para manter sua dieta saudável.


A piranha pescada e depois, sendo "entregue" ao jacaré Mala.

Tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) bebendo água na margem do rio.
No mesmo dia da chalana, pela manhã, havíamos saído de jipe pela fazenda e visto um grupo enorme de colheireiros, além de diversos gaviões-fumaça, tuiuius, tucanos, garças, cafezinhos e outras aves que eu não me lembro o nome - é muita ave, acreditem. Mas o jipe faz barulho, e de certa forma, "espanta" um pouco os animais - mas só um pouco. Imagina se não espantasse...


Uma das chalanas da fazenda; ao lado, uma família de capivaras nada pelo banhado ao lado do arrozal.
Já no dia seguinte, de manhã fomos andar pela mata à cavalo, para sentir como pantaneiros de verdade fazem. Uma trilha longa, em área onde o rio inunda na estação chuvosa - na seca estava tudo coberto de grama e matinhos. No final, uma visão excepcional: um ninho de tuiuius com filhotes em cima de uma árvore. A ave-símbolo do Pantanal mostrando um lado fascinante de seu comportamento: a fêmea alimentava os tuiuiuzinhos, que só poderão sair dali voando quando completarem 3 meses (tinham cerca de 2 meses naquele momento). O ninho tinha 4 filhotes, e são todos mais esbranquiçados, ainda sem o famoso papo vermelho que caracteriza o tuiuiu adulto. E para ficar mais pantaneira ainda toda a cena, enquanto observávamos os tuiuius, foi compartilhado um tereré refrescante básico, que naquele calorão absurdo caiu muito bem, obrigada.


Na cavalgada, o grande destaque é o enorme ninho de tuiuius ao final da trilha.
A visita à fazenda foi finalizada com uma caminhada em trilha dentro da mata ciliar, numa área cheia de bacuris (Scheelea phalerata), uma espécie de palmeira cujos frutos as araras adoram comer. Vimos também diversos novateiros (Triplaris americana), uma árvore que tem flores lindíssimas bem rosas, mas que não devemos chegar perto: a árvore é oca e faz simbiose com uma espécie de formiga vermelha, de modo que quando você arranca uma flor, as formigas atacam sem piedade saindo de dentro do caule, pois instintivamente defendem a árvore-casa de qualquer "ataque". Cena para inspirar filme de terror que eu não quis experimentar, é claro. Mas fotografei a flor, porque realmente é linda.

Novateiro e suas flores platônicas: lindas e intangíveis.
Nos intervalos dos passeios, além daquele festival de comidas de fazenda, mais observação de bicho: há diversas árvores ao redor, e papagaios verdadeiros se aglomeram às centenas de manhã depois do café; emas também aparecem; tucanos e araras estão sempre na árvore do fundo da casa, bicando alguma comidinha; e até uma perereca incauta foi subindo na báscula da sala-museu que fica na entrada da casa. Fora os mosquitos, que felizmente não são tão abundantes na época de cheia (nada que um repelente não resolva...).


A perereca que apareceu na báscula do museu, engraçada de se ver por dentro. Ao lado, a ema se alimenta num dos portões da fazenda.


Precisa dizer mais? Mosquito não falta por aqui, apesar de termos sentido pouco devido à época seca. Mas a visão dos periquitos-príncipes-negros depois do café da manhã se alimentando no portão da fazenda faz a gente esquecer os mosquitos... ![]()
No dia de ir embora, uma dorzinha no coração. Gostei muito de estar ali, vendo tanta ação em tão pouco espaço e tempo. Vi na prática diversos conceitos e cenas biológicas tão esterilmente estudadas - ali, elas se tornam vivas, razão de ser de um biólogo. Despedi-me da Carol, nossa anfitriã nota 10. E partimos para o próximo destino, com a certeza de que o Pantanal não é só um lugar físico repleto de biodiversidade para ser preservado e estudado: é um estilo de vida que emociona com gostinho de quero-mais a cada tuiuiu que deixamos para trás na estrada de terra.

Carol, nossa super-anfitriã, valeu demais por tudo!
Tudo de bom sempre.
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- Quero deixar um agradecimento mais-que-especial aos guias Luís, Roberta, Jair, Jonas, Guilherme e Giuliano, que nos acompanharam em todos os passeios e dedicadamente nos mostraram diversas facetas desse ecossistema lindíssimo, sem perder o sorriso no rosto. Obrigada de coração.
05.Outubro.08
Gastronomia Mimosa de fazenda

Uma das cachoeiras da Estância Mimosa.
Muitas cidades pelo mundo são consideradas “turísticas” por suas atrações/belezas/bizarrices. Em geral, essas são as que a gente vai sem pensar muito no que vai comer porque o lugar se basta. Fernando de Noronha é um bom exemplo disso: se vou tomar toddynho ou champanhe, não interessa; o legal lá é mergulhar.
Mas há para mim um quê a mais num destino quando ele possui, além das atrações supimpas, uma delícia gastronômica qualquer. Mesmo que seja uma simples torta de chocolate, como Viena, ou um guaraná diferente (e rosa!) chamado Jesu.s, como no Maranhão. Aquela comidinha especial acrescenta sensações ao viajante que experimenta um lugar.
Em Bonito, da primeira vez que fui, nada existia de “exótico gastronomicamente” além da carne de jacaré – que eu logo fiquei encafifada com sua sustentabilidade – e da cachaça Taboa, feita com canela e muito deliciosa, por sinal. Mas quando se vai a Bonito, vai-se para curtir a natureza e a comida é um detalhe. Dessa vez, entretanto, além da carne de jacaré notei que há um movimento de vários restaurantes para melhorar a qualidade gastronômica da cidade, incorporá-la à visão pantaneira de alimentação, principalmente vendendo as chamadas carnes exóticas (javali, cateto, etc.) além de um sem-fim de pratos com peixes. E a carne de jacaré continua lá como carro-chefe - me garantiram vir de um criadouro em Miranda... Mas nenhuma dessas exoticidades gastronômicas se compara a mais simples e maravilhosas das atrações que visitei no último dia em Bonito: a Estância Mimosa. E que coloca Bonito de vez, a meu ver, na rota do turismo agrogastronômico.
Não são muitos os visitantes que vão à cidade e têm tempo para apreciar a Estância Mimosa. Mas deveriam. A fazenda tem uma trilha com diversas cachoeiras, muitas delas possível de se banhar, lindas e em meio a uma área bem preservada, com microambientes de cerrado e mata ciliar, rica em animais (alguns ameaçados). Passam-se cerca de 4 horas andando, quase o tempo todo ouvindo o barulho do rio correndo.


Trechos da trilha da Estância Mimosa.
Mas é a comida na Estância Mimosa que impressiona. Assim que chegamos, fomos recepcionados com um “lanchinho” da manhã, com bolos diversos, café servido em canecas de metal pintado (na melhor tradição da roça), sucos, um monte de geléias caseiras de frutas da região com biscoitinhos e um pote enorme de requeijão feito em casa – que na hora que chegamos ainda estava quentinho, tinha acabado de ser feito! Só ali, naquele início de visita, devo ter engordado um quilo.
Na companhia do guia Rafael, saímos só eu e André para a trilha, já bem alimentados. Rafael foi sensacional. Enquanto caminhávamos, contou diversas histórias de Bonito, de sua atuação como turismólogo, da vida na fazenda, dos detalhes ambientais do local, mostrou macacos, jabutis, nos fez passear de barco por um trechinho do rio, deu risadas quando contamos algumas de nossas aventuras pelo mundo, enfim, se enturmou com a gente. O barato dessa trilha é que você não se cansa muito, apesar de andar bastante: como há inúmeras paradas para banhos em cachoeira, toda hora você se refresca. Caminha, nada, caminha, nada, e nesse ritmo vamos relaxando em ar puro.


Ah, um banho de cachoeira num dia ensolarado...


Um mutum-de-penacho (Crax fasciolata, esse aí uma fêmea com filhotes), animal de "estimação" que perambula pelo quintal da Estância Mimosa - e ameaçado de extinção. Ao lado, uma visão da cachoeira de dentro de uma caverninha atrás da queda d'água.
Mas é depois da trilha que vem o melhor: o almoço na Estância. É comida de fazenda, feita toda ela em fogão de lenha. Nada de pratos mega-requintados: aqui o sabor está na simplicidade. É feijão com linguiça, arroz carreteiro, farofa de banana, carne ao molho de urucum, tudo farto e com gosto fresco de verdade. As verduras vêm todas da horta, as frutas do quintal, e ficam expostas em uma “pia” de água do rio corrente que no passado servia como pia de verdade para a casa, onde se lavava louça, etc. Hoje é decorativa – e que decoração. Adorei.


A comida sendo servida ainda no fogão a lenha; ao lado, as saladas que ficam nesse "mini-córrego" dentro da cozinha. Um barato!
É humanamente impossível comer apenas um prato, porque há um sabor especial e delicioso de roça em cada garfada. De modo que, depois do 2º ou 3º prato, parti para a sobremesa – e vem mais uma leva enorme de doces. Os que mais gostei foram os de jaracutiá queimado, de melancia (maravilhoso!) e o pé de moleque feito em casa. Mas comi um pouquinho de todos, para provar tudo, é claro.


A mesa de doces... o mais central é o de melancia, que eu mais recomendo a qualquer um que visite a Estância Mimosa. Simplesmente perfeito. Ao lado, meu café em canequinha de metal, verdadeira volta no tempo.
Ainda finalizei essa indulgência alimentar com um cafezinho básico. Perguntei então ao Rafael como ele sobrevive magro ali naquele ambiente onde se come tão bem todo dia. Ele sorriu e revelou: “Já engordei 6kg desde que cheguei aqui”. Fica aí a dica para aqueles (raros) seres que têm dificuldade de engordar: uma semana na Estância Mimosa dão jeito em qualquer magreza esquelética. E garanto, de forma saborosa e saudável.
Tudo de bom sempre.
04.Outubro.08
Lançamento do livro do Ernesto
O Pato Econômico "ataca" mais uma vez. Agora, Ernesto não nos presenteia com suas super-dicas de viagens pra lá de econômicas; nos presenteia como autor advogado.
Uma pena eu não estar em Sampa para prestigiá-lo nesta segunda-feira. Mas fica aqui meu desejo de boa sorte, Ernesto!
Tudo de bom sempre.
03.Outubro.08
Sexta Sub: Aquário derretido
Posso estar "viajando" (pra variar), mas... esse peixe não parece estar dentro de um aquário se derretendo? O reflexo da superfície por alguma razão inexplicável me traz uma sensação forte de vidro em liquefação. Delírios mallescos para uma sexta-feira que começa com cheiros de Canela. ![]()
Tudo de sub sempre.
02.Outubro.08
Mergulho autônomo no rio da Prata
Quando a gente fala de rio da Prata em Bonito, há uma unanimidade: é a melhor flutuação da região - e do Brasil. E muito por causa da quantidade de peixes que vemos durante as 2 horas de descida entre a nascente do Olho D'água até a arquibancada final já no rio da Prata.
Entretanto, de uns meses para cá, foi introduzido o mergulho autônomo no rio da Prata. Assim que eu soube da novidade, antes mesmo de pensar em visitar Bonito de novo, a primeira pergunta que me veio à cabeça foi: para quê?
Porque, analisando friamente, na flutuação a gente já vê muita fauna e cenários fantásticos; além da profundidade máxima do rio ali na região do Recanto Ecológico ser de apenas 7m. Então... para quê gastar energia mergulhando?
Apesar da minha incredulidade, fui checar a tal atividade em nosso penúltimo dia de viagem a Bonito. Apesar do frio da manhã nublada (devidamente sanado com muitas xícaras de café), fui encarar mais essa aventura em Bonito.
Diferente da flutuação, o mergulho é feito integralmente no rio da Prata, não passando em momento algum pelo Olho D'água - que é muito raso. Nosso divemaster João explicava o que veríamos naquele trecho, o quão raso ficaríamos em certos pontos, e eu ainda meio incrédula de que aquilo seria um bom mergulho. Saímos então de uma das plataformas de apoio que existe no Prata e ali percebi que a temperatura da água estava mais agradável que a do ar, o que me trouxe "felicidade térmica".

Preparativos para o início do passeio sub...
Quando descemos ao fundo, aquele mergulho supostamente "água com açúcar" começou a fazer mais sentido para mim. Com um tanque nas costas e completamente submerso, independente da corrente te levando rio abaixo, dá para a gente se aproximar mais das margens e se enveredar com mais calma pelos troncos e galhos, procurando peixes (e quem sabe uma sucuri), fuçando buraquinhos e admirando mais de perto algumas espécies que não se aproximam da superfície. Como o cascudo, por exemplo.
Das 90 espécies já registradas no Planalto da Bodoquena (onde fica Bonito), pelo menos 24 podem ser avistadas especificamente em Bonito - embora nem todas numa só flutuação/mergulho. Apesar do número, a vantagem de se mergulhar em Bonito está na visibilidade da água, claríssima, o que é raro em águas doces do Brasil.
Se a flutuação no Prata é dominada por piraputangas, dourados e curimbatás, no mergulho temos a oportunidade de ver, além destes, também os cascudos entocados, e perceber o quanto eles são rápidos em se esconderem ao ver uma pessoa chegando. Além do cascudo, podemos observar também a joaninha (Crenicichia lepidota) e o canivete (Leporinus striatus), peixes pequenos que se alimentam no fundo; e o piavuçu (Leporinus macrocephalus), que em geral fica debaixo da vegetação aquática.




Alguns peixes que o mergulho permite nos aproximarmos: 1) Piavuçu; 2) Canivete; 3) Cascudo; 4) Joaninha.
Mas nem só da fauna diferente vive o mergulho autônomo no Prata. A proximidade das formações de pedra e dos galhos mais retorcidos, dos verdadeiros paredões de raízes vistos de baixo, é uma visão que impressiona muito. Lembrei-me daqueles mergulhos em naufrágios, cheios de encrustrações esculturais - mas aqui é tudo natural, não há estrutura de metal servindo de substrato e sim madeira em decomposição, e plantas verdes, e peixinhos e insetos. É emocionante.


Debaixo de troncos e galhos retorcidos do fundo, os peixinhos mais tímidos são achados...
Há trechos em que o rio fica mais raso e é extremamente bizarro estar com tanque de ar tão próximo à superfície. Mas na maior parte do tempo, ficamos num fundo muito tranquilo e rodeado dessas esculturas naturais. Elas fazem toda a diferença para a paisagem, modificando bastante nossa visão do passeio pelo rio da Prata - para melhor.


Há áreas muito rasas por onde a gente passa e é preciso cuidado redobrado para não perturbar o fundo. No geral, entretanto, o mergulho se estringe em média a uns 4m de profundidade, onde há muito para se ver.
Saí da água muito satisfeita. O mergulho não só vale a pena como atividade extra: ele traz uma nova perspectiva sobre o rio da Prata, diferente da que mais de 90% das pessoas vê. Aos que gostam de visões beeem diferentes do ambiente natural, eu recomendo com afinco. ![]()
Tudo de bom sempre.
01.Outubro.08
Bereteando
Estou em bereteios pela capital gaúcha, na companhia de uma das pessoas mais sensacionais que o mundo dos blogs trouxe para mim, el grande rey Tiagón. Porque blogs são conversações entre pessoas, são encontros amigos em temas dinossáuricos, bebericando cervejas e cafés especiais pela noite portoalegrense, dando risadas e sorrisos.
Depois que eu sair de Poa, o blog volta a postar da estrada.
Até lá, tudo de bereteio sempre. ![]()













































