30.Julho.08

Lost in translation: hangul, o alfabeto coreano

Lost in translation
Fachada de um prédio comercial em Ansan, Coréia do Sul.

Eu sempre fui uma apaixonada por línguas. Filha de professora de francês, aprendi desde cedo a prestar muita atenção às diversidades sonoras dos idiomas. Minha mãe murmurava francês dentro de casa e mesmo eu não entendendo nada, adorava repetir algumas das frases feito papagaio. O som me encantava. Na adolescência, me empolguei e entrei na Aliança Francesa - já fazia curso de inglês desde os 9 anos.

Por isso, quando soube que iria morar na Alemanha, qual foi a primeira ação que tive (antes mesmo de olhar passagem e passaporte)? Matriculei-me num curso de "alemão de sobrevivência". Quando cheguei no Havaí anos depois, o que fiz? Assisti a aulas de havaiano por 1 ano. Eis então que em 2003 soube que iria me mudar para a Coréia do Sul e meu primeiro pensamento foi: preciso aprender coreano. Fucei e achei aulas de coreano básico na Universidade, e lá fui eu me aventurar pela nova língua.

Existe um abismo enorme entre aprender uma língua que usa os mesmos caracteres que os de sua língua nativa (no nosso caso, os caracteres romanos) e aprender um novo sistema completamente diferente. Você precisa ser alfabetizado novamente, e a percepção desse desafio é o que faz muita gente desanimar no início. Mas para mim, era mais empolgante ainda. Matriculei-me no "coreano de sobrevivência" e seja-o-que-silla-quiser.

Eis que então um universo novo começou a desabrochar na minha cabeça. O coreano é uma língua completamente peculiar e a única falada (e adotada oficialmente por um país) 100% inventada por uma pessoa, o rei Seojong, com uma data de surgimento precisa: em 09 de outubro de 1446. Seojong era um rei da dinastia Jeosong (ou Choson), cujo território engloba o que são hoje Coréias do Sul e do Norte. Muito interessado em cultura e artes em geral, durante seu reinado viu-se um florescimento de diversas invenções e tecnologias avançadas para a época. Além disso, Seojong também foi o responsável pela expansão do império coreano, e tinha preocupações militares que o inquietavam. Uma delas era a questão da comunicação.

Antes de inventar o alfabeto coreano, o povo daquela região falava uma língua que advinha do chinês, com modificações de estrutura gramatical e ordem das sentenças. Escrever, por outro lado, era privilégio dos mais nobres, que se utilizavam da complexa escrita chinesa, ou seja, dos caracteres chineses. Dessa forma, qualquer ordem estratégica militar escrita que caísse em mãos chinesas era facilmente decodificada pelo inimigo. Seojong então resolveu criar uma forma de escrever única, que apenas os habitantes do então reino de Jeosong pudesse entender. Inventou o hangul (ou hangeul), o alfabeto coreano.

O hangul foi imediatamente institucionalizado por Seojong, que obrigou todos os habitantes de seu reino a aprenderem a lê-lo e escrevê-lo, unificando assim a linguagem da península e facilitando a disseminação da informação para toda a população - o que de quebra fortaleceu estrategicamente a região, já que era um "código" único que só a península falava, desconhecido pelos invasores. Isso garantiu sua soberania política por mais de 100 anos na região. Os intelectuais da época foram contra a mudança (por que tanta honra aos trabalhadores braçais? Ler e escrever eram privilégios da elite, oras!). Tanto pressionaram que o hangul foi proibido no início do século XVI de ser utilizado em documentos. No entanto, já estava imortalizado entre as pessoas: era a língua do povo. Desde então, houve uma série de "proíbe-permite" do ensino do hangul nas escolas, até que depois da 2a Guerra, o hangul se estabeleceu definitivamente como o idioma da península coreana.

Um idioma de lógica muito simples, entenda-se. Composto por vogais e consoantes, como o nosso, e palavras formadas por sílabas, exatamente como as nossas. Embora a aparência pareça complicada (pelo menos nos olhos ocidentais), é das línguas mais lógicas do mundo. Seojong teve a preocupação de desenhar cada letra responsável por um som de acordo com o formato anatômico que a língua, a garganta, os dentes e a boca fazem ao pronunciarem aquele som. Ou seja, o hangul é um alfabeto totalmente baseado na fonética - suas letras (os jamos) são desenhadas pela fonética, usando tracinhos e bolinhas (essas últimas representam o som mudo, tipo "h" em "hotel"). Por exemplo, o som do "G" é representado pela letra "ㄱ", que é um diagrama básico da anatomia da língua em relação à garganta quando sai o som "gá".

O alfabeto tem 14 consoantes e 10 vogais e 11 ditongos (considerados como 1 letra), e as sílabas são sempre formadas por pelo menos uma consoante e uma vogal, desenhadas dentro de um quadrado imaginário que delimita a sílaba. Há também as "letras duplicadas", que seria mais ou menos como nossos "rr" ou "ss", mas com outros sons (em geral dando mais força à letra única que representam). Por exemplo, o "ㄱ" que falei acima tem sua dupla escrita "ㄲ" e fala-se com um pouco mais de força e ar expirado, soando quase como um "ká". Embora na Wikipedia comenta-se sobre a existência de 11 uniões consonantais, em 3 anos de Coréia eu não vi sequer uma palavra escrita com uma dessas letras. Portanto, em termos práticos do dia-a-dia, encontros consonantais são praticamente inexistentes.

Uma vez que você aprende as letras, você vira criança de 5 anos aprendendo a ler: para em frente a uma palavra e leva 30 segundos para falar uma sílaba, juntar letra a letra que acabou de memorizar com o som correto. Levei um bom tempo para conseguir ler um pouco mais rápido. Só a prática te permite isso e dado que o coreano é uma língua rara fora da Coréia (só nos bairros coreanos espalhados pelo mundo você tem contato com o hangul), meu conselho é que se você quer aprender coreano, vá passar um tempo por lá. Seul é legal e moderna, vale a pena.

Subway stationIboniok: Irwon
No metrô de Seul, há placas e informações em 3 línguas: inglês, coreano e chinês. Com as Olimpíadas em 88, dentro dos carros do metrô também foi instaurada uma voz que anuncia em inglês a estação. Tradução da placa luminosa: "Próxima estação: Irwon. Saída pela direita."

Mas, uma vez que fui "alfabetizada", mais uma vez igual criança, queria ler tudo que via pela frente. Em termos gerais, se você sabe ler o coreano, já é o suficiente para se virar um pouco na Coréia (uns 30%, eu diria). Por uma razão simples: muitas das palavras utilizadas no dia-a-dia hoje vêm do inglês, e estão nas placas/avisos em inglês, apenas escritas com as letras coreanas. Veja o exemplo da placa abaixo:

Snack Car

"Snack Car" é a exata fonética do que está escrito em hangul. Ou seja, não há uma palavra em coreano para designar "snack" - então eles usam a palavra em inglês, apenas escrita com as letras coreanas. E isso se repete o tempo todo pela cidade, deixando mais fácil a vida pro estrangeiro que sabe ler o coreano. (By the way, esse é um ônibus-lanchonete, que estava estacionado perto do rio Han. Tinha um debaixo do viaduto perto da minha ex-casa que era "ônibus-restaurante", com aquário para peixes e lulas vivos, e de aparência mais dark que os filmes do Batman.)

Foi aprendendo coreano que percebi também outro abismo: aprender a ler e entender o vocabulário. Não me considero jamais uma falante de coreano. Sei ler, mas não sei o significado das palavras que leio, e nesse sentido, sou uma analfabeta funcional do idioma. O vocabulário da língua, exceto o que vem do inglês, é completamente diferente de tudo que se pode imaginar. Algumas palavras têm raízes chinesas, mas boa parte delas são únicas, criadas para e pelos coreanos. Isso para não falar da confusão dos números.

Há 2 sistemas numéricos em vigor na Coréia, o coreano e o chinês. Ambos são utilizados corriqueiramente, com regras que não parecem fazer sentido. Na dúvida, meu professor dizia para usar o chinês (?!?!). Por exemplo, para dizer as horas é assim: 8:40 você fala o "8" em coreano e o "40" em chinês. Telefones sempre use os números em chinês. Para contar coisas "palpáveis", use o sistema coreano. O preço das mercadorias é no sistema chinês que se fala. Durma com uma matemática dessas.

Apesar das dificuldades, o coreano é uma língua interessante, e a construção/criação do hangul é, a meu ver, simplesmente brilhante. O hangul pode até não se expandir mais militarescamente falando, mas veio pra ficar e para dar orgulho a uma nação unida pela ancestralidade e pela territorialidade.

Tudo de bom sempre.

******************

- A romanização das palavras coreanas ainda é motivo de muita discussão, acadêmica e popular. Por exemplo, a cidade de Busan também pode ser escrita como Pusan. Não há um consenso ainda na melhor romanização, e vai se fazendo do jeito que soa melhor.

- O hangul não tem fonemas para "V" nem "F" - esses sons não existem na língua. Portanto, toda vez que eles precisam traduzir pro coreano uma palavra com uma dessas letras, eles colocam "B" ou "P". Exemplo: "fork" vira "pork" e "video" vira "bideo".

- Vale lembrar mais uma vez: apesar de tudo parecer um monte de bolinha e pauzinho, o coreano usa letras, enquanto o japonês e o chinês escrevem por ideogramas. E pensa bem: não são as nossas letras também um monte de pauzinho e bolinha? ;)




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Comentários, Trackbacks:

Comentário de: Orlando G. da Silva · http://www.netnografando.wordpress.com
Se viajei!!!!! Putz. Só dá para agradecer!
Obrigado. Quando alguém partilha uma coisa assim com tanto carinho e personalidade é maravilhoso.
Na verdade, não dá para colocar em palavras o conjunto de percepções. Porque envolve muita coisa, em destaque: humildade, não-deslumbramento, solidariedade, informação adequada empacotada com carinho e emoção.

Vou recomendar a leitura para a minha esposa, que é da linguística, e para o meu filho Társis (9 anos), que é teu fã.
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 10:44


Comentário de: Flavia · http://ladyrasta.wordpress.com
Uau!!! Lucia Malla também é (muita) cultura! Não tinha idéia de nada disso. Criar uma língua deve ser uma coisa complexa - coreano deve ser sistemático, porque eles também criaram o tae kwon do (bom, mas pensando bem, os japoneses e os chineses também criaram um monte de coisas, então estou falando besteira...). Adorei o texto!
bjs
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 11:05


Comentário de: Lucia Malla Email
Orlando, obrigada por tantas palavras elogiosas! Rapaz, assim vc me deixa vermelha hidrante! :roll:
Mande um beijo especial ao seu filho Társis. :)

Flavia, o coreano em geral é super-orgulhoso de ter criado o tae kwon do. Aliás, tudo que eles inventaram, têm um carinho muito especial, diferente do nosso na mesma situação. É muito interessante.

Beijos aos 2!
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 11:18


Comentário de: Carla · http://deusadomestica.com
Adorei o post. Nunca imaginaria que o coreano seria uma coisa tão lógica, me parecia tão diferente de tudo... Me deu até vontade de ir para Seul agora.
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 12:30


Comentário de: Patsy · http://www.emundo.wordpress.com
Nossa Lucinha, realmente é cultura, nem imaginava, o que eu imaginava era como você se virou tanto tempo por lá.

O Gustavo contava que quando morou no Japão pegou várias vezes o trem errado, até que decorou os simbolos :)

Beijinhos
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 13:37


Comentário de: tiagón · http://www.verbeat.org/blogs/bereteando
adorei o texto. não tem nada melhor do que viajar nas palavras de quem sabe conduzi-las. beijo!
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 14:15


Comentário de: João Carlos · http://chivononpo.blogspot.com
Lúcia - em que pese o exemplo misto do horário - você se deu conta de que usam o chinês para números e o coreano para algarísmos (ou, mais exatamente, para os "numerais")? É perfeitamente lógico!...

(Reflexão pesarosa: como eu adoraria que adotassem um alfabeto puramente fonético para o português... Ensinar ortografia para crianças é um suplício!... "O que se escreve com 'c', com 'ss', com 'ç', com 'sc'?"... "Que maldito som tem a porcaria do "x" nessa palavra?"... "para que existe a droga do 'h' se ele é uma 'letra girafa'?"... Meu único consolo é que o inglês é bem pior...)
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 15:18


Comentário de: Andrea N. · http://brazilnut-nyc.blogspot.com
Wow, Lucia, mais uma vez eu VIAJO com seus posts. Que delicia esse sobre a lingua da Coreia. Eu nunca tinha pensado ou lido a respeito. Ja aprendi um bocadinho mais agora. Obrigada!! Beijao.
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 17:40


Comentário de: ELI SANDRA BARBOSA · HTTP://ELLISTUR.BLOGSPOT.COM
OLÁ Malla.
Seu blog é muuito legal. Gosto muito das postagens. Também tenho um blog. Sou mais nova no pedaço. Depois dá uma olhada se quiser.

Um Abraço

PermalinkPermalink 30.07.08 @ 18:56


Comentário de: Lucia Malla · http://interney.net/blogs/malla
Carla, eu recomendo! Seul é uma cidade interessante. Pouco falada, meio q escondida do mainstream de turismo, mas com algumas peculiaridades fascinantes.

Ah, Patsy, nós tbm passamos por micos assim... é q eles estão espalhados pelas inúmeras histórias desse blog, hehehe!! É difícil achar tudo. ;)

Tiagón, vindo de vc, poço de criatividade, elogio q toca fundo. Obrigada, querido.

João, então, eu seguia mais ou menos a regra dos "contáveis" e "não-contáveis" do inglês p/ tentar usar o número certo... mas ainda assim me enrolava. Essa sacada dos algarismos é ótima, e deve funcionar p/ alguns casos. O problema é q as exceções são muitas! :D

Andrea, fico feliz q tenha viajado junto. Os amigos são sempre bem-vindos nessas viagens maluquetes por aqui. :)

Eli Sandra, olharei com carinho.

Beijos a todos.
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 19:28


Comentário de: Stephen Dedalus · http://www.dedalus-atlas.blogspot.com
Não sei como cheguei ao seu blog, nem creio que algum dia eu vá a Seul, mas a viagem pela informação que fiz graças a você já me fez feliz o bastante... Obrigado!
PermalinkPermalink 30.07.08 @ 20:05


Comentário de: Lucia Malla Email
Nossa, Stephen, muito obrigada de coração. Fiquei emocionada com suas palavras e feliz de saber q gostaste tanto. Obrigada! :)

Sinta-se à vontade para viajar quando quiser por aqui... o blog está de portas abertas.

Abraços.
PermalinkPermalink 01.08.08 @ 00:08


Comentário de: Idelber · http://idelberavelar.com
Puxa, que aula maravilhosa, Lu, obrigado. E veja que ignorância a minha: eu jurava que o coreano era uma língua composta de ideogramas, como o mandarim. Vivendo e aprendendo.... Obrigado!
PermalinkPermalink 01.08.08 @ 07:06


Comentário de: Lucia Malla · http://interney.net/blogs/malla
Idelber, eu tbm não sabia até começar a estudar e achava como vc, q eram ideogramas - e me achava maluca de embarcar nesse programa de índio 5 tacapes plus.

Mas, no final, até q não é tão complicado, viu? Eu recomendo aprender pelo menos o básico a quem é curioso de línguas. Eles não têm futuro verbal, por exemplo, o q é outra maluquice interessantíssima. As frases p/ futuro são escritas no presente com um advérbio de futuro acoplado (amanhã, em 2010, etc.). É de entortar neurônios ocidentais. :)

Beijão pra vc.
PermalinkPermalink 01.08.08 @ 17:27


Comentário de: Ernesto
Mais uma viagem interessante desta mala viajada...
PermalinkPermalink 01.08.08 @ 17:42


Comentário de: Fábio Carvalho
Conheci o blog via Biscoito Fino e, juntamente com os demais comentadores, vou tietar total. Tudo o que sei sobre coreano aprendi com esse texto. Como sou fluente em mineirês, devo dizer que esse hangul até me soou familiar.

Estou entre aqueles que juravam ser ideogramas os tais caracteres. Ignorância de quem acredita que coreano e chinês é "tudo japonês".

Fiquei curioso para saber como é o teclado em hangul. São 14 consoantes, 10 vogais e deu? E os números? Existe alternativa para números em chinês (aliás, alguém sabe explicar como um teclado pode ser viável com ideogramas)? Como é que fica o F5, que a gente usa para atualizar a tela (risos)?

No mais, parabéns, Lúcia. Estamos todos de "mallas" prontas para ir a Seul junto contigo.
PermalinkPermalink 04.08.08 @ 13:03


Comentário de: Lucia Malla Email
Ernesto, mala viajada é ótimo... :D

Fabio, obrigada pelos elogios! O teclado no computador coreano tem as letras romanas e menorzinho as letras do hangul. O teclado q eu uso hj pode ser "convertido" para hangul, basta eu apertar "apple + barra de espaço", pq configurei o computador tbm para o coreano.

Já na questão do teclado em ideogramas, tbm fiquei curiosa... como faz para montar um ideograma com um teclado tão restrito? Alguém q saiba chinês ou japonês sabe explicar?

Abraços a vc. :)
PermalinkPermalink 04.08.08 @ 13:09


Comentário de: Andrei · http://www.associacaodesafio.com.br
Oi, Lucia. Muito interessante esse texto. Você podia falar um pouco dos nomes coreanos tambem. Sou instrutor de mergulho em SP e tinhamos muitos japoneses e chineses na escola. Ultimamente em aparecido muitos coreanos e parece que todos tem o mesmo nome! Dá vontade de numerar todos!

Um abraço.

Andrei Punt el
PermalinkPermalink 04.08.08 @ 15:33


Comentário de: Leo Martins · http://leomrtns.blogspot.com
Legal o post, vemos muita coisa sobre japonês mas coreano também é divertido!

Para escrever em japonês (e chinês, e coreano também) com o teclado comum usa-se um programa-intérprete: quando acionado, ele transforma as sílabas, conforme escrevemos, no caractere correspondente. Quando há várias opções (mais de um ideograma ou alfabeto) o programa apresenta uma lista, das quais escolhemos - parecido com um corretor ortográfico. Por exemplo, ao digitar "tyou" aparece automaticamente "ちょう", e se eu continuar digitando "tyousen" aparece uma janelinha com as opções "ちょうせん" e "朝鮮" [OBS: No Japão, esse termo é pejorativo ao se referir à Coréia do Sul, só deve ser usado em relação à Coréia do Norte, cujo nome oficial é 北朝鮮 ].

Aliás, a escrita japonesa não é composta apenas por ideogramas: possui dois alfabetos silábicos (katakana e hiragana), semelhantes ao bopomofo (http://en.wikipedia.org/wiki/Zhuyin) chinês. É curiosa a semelhança entre o japonês e o coreano (cerca de 25% de vocábulos com correlatos, mesma estrutura gramatical, uso de honoríficos).

Ah, sim, também se usa ideogramas na Coréia, não (pelo menos nos dicionários...)?

abraço
PermalinkPermalink 04.08.08 @ 23:35


Comentário de: Lucia Malla Email
Andrei, onde vc é instrutor? Eu estou em Sampa, vamos combinar um dia desses uma saída de mergulho! :)

Leo, os poucos ideogramas que se usam na Coréia são chineses, e eles funcionam como uma inserção de língua estrangeira no meio do discurso deles. Como quando a gente usa uma palavra em inglês no meio da frase, sabe? Não são do hangul, são usadas mais pelo costume cotidiano mesmo. Interessante essa histórida do japonês, eu sabia de 1 alfabeto silábico, não de 2! E muitíssimo obrigada por clarificar a questão dos teclados. :)

Beijos aos 2.
PermalinkPermalink 05.08.08 @ 11:12


Comentário de: Andrei
Lucia, sou instrutor da Staff Divers. Fica na Vila Mariana. Voce iria adorar o pessoal de lá, especialmente a dona, Lurdinha, que tambem é biológa de formação. Entra em contato no email e eu te passo a programação de viagens...

Abraço.

Andrei.

www.staffdivers.com.br
PermalinkPermalink 05.08.08 @ 18:23


Comentário de: Andrei
PS: Tá em época de Manta na Laje de Santos!
PermalinkPermalink 05.08.08 @ 18:24


Comentário de: Chin
Realmente, Coreano é uma das mais lógicas, gostei MUITO do seu post.

Aprendi a ler e escrever coreano a partir da internet, e usando lógica é fácil chegar lá, mas aí que mora o problema, entender é outra coisa!
PermalinkPermalink 06.08.08 @ 02:13


Comentário de: Fábio Carvalho
Leo, valeu mesmo. Sempre tive essa dúvida, perguntava para Deus e todo mundo (que eu conheço). Ninguém fazia idéia. Blog que é cultura tem comentador que também é cultura. O leitor aqui fica menos ignorante.
PermalinkPermalink 06.08.08 @ 05:12


Comentário de: 이종성
Olá, parabéns pelo texto! Pensei que por ser descendente de coreanos eu tivesse sido influenciado pelo tema, mas lendo os outros comentários, percebi que não foi influência não hahah!
PermalinkPermalink 06.08.08 @ 22:59


Comentário de: Lucia Malla Email
Andrei, eu quero a programação, sim! :) Meu email está aí na barra lateral... ;)

Chin, e não é? Entender é a raiz do problema na Coréia. Ler é o mais tranquilo.

Fábio, e vc, leitor, q puxou toda a dúvida da galera! Obrigada MESMO por levantar essa bola q tbm me deixava bolada sobre o teclado chinês. :)

Jeong Son Lee, obrigada! :)

Beijos a todos.
PermalinkPermalink 07.08.08 @ 00:15


Comentário de: carla
Lucia a muito tempo que eu andava á procura de alguém que me falasse sobre a coreia. e encontrando que fale assim é um regalo. Gosto muito de ver filmes coreanos e fico sempre surpreendida pelas expressoes tao genuinas deles , paea maneira de ser daquele povo. se Deus me ajudar eu ainda hei-de ir á coreia ver de perto a terra e o povo que tanto me fascina. obrigado
PermalinkPermalink 07.08.08 @ 18:47


Comentário de: José Antonio Meira da Rocha · http://meiradarocha.jor.br
O hangul é considerado pela Unesco um patrimônio da humanidade.
PermalinkPermalink 10.08.08 @ 05:18


Comentário de: Lucia Malla · http://interney.net/blogs/malla
Carla, vá mesmo, quando puder. É um lugar intrigante e fascinante.

José Antonio, vc não está confundindo com os escritos budistas em blocos de madeira encontrados em coreano no Templo de Haeinsa na Coréia?

Eles sim, são patrimônio da humanidade pela UNESCO. Há um prêmio da UNESCO, dedicado à valorização da alfabetização e da literacidade, cujo nome é King Seojon Literacy Prize. O nome do prêmio homenageia exatamente o Rei Seojong pela sua contribuição extraordinária a multiculturalidade, ao criar uma língua que hoje é utilizada por 50 milhões de pessoas no mundo.

Beijos aos 2.

PermalinkPermalink 12.08.08 @ 18:01


Comentário de: Vinicius
http://br.youtube.com/watch?v=7E7kgYzQj-4&feature=related
No trailer desse filme aparece algumas palavras escritas com consoantes duplas. Eu já assisti ao filme e recomendo, vale a pena! Tchau
PermalinkPermalink 28.09.08 @ 17:28


Comentário de: Cristiane
Meu nome é Cris, moro na Australia. Estou aprendendo ingles, vievendo do sub emprego..Fiz um namorado coreano, que ja voltou para lá, estamos dois meses separados, sempre msn ajuda. Faço aula de koreano aos sab, mas ta dificil de entender, como as palavras se formam. Estou pegando a pronuncia de algumas palavras,como, anyeonghasimnikka
mas como escrever é impossivel. Esse foi a ideia que tive, ate descobrir como faremos para nos encontramos de novo. Enfim isso ja deve ter acontecido com vc fazer amigos e amores e ter que se separar. bjs
PermalinkPermalink 01.11.08 @ 08:43


Comentário de: Denise Bonilha
Olá Lucia,

sou estudante de jornalismo da Universidade Sant'Anna, São Paulo, e farei uma matéria sobre a exposição sobre Hangul que ocorreu na Casa das Rosas. Li o post sobre o Hangul em seu blog e achei fascinante. Pesquisei muito para escrever e achei as melhores informações em seu blog.

Só a questão da UNESCO que fiquei boiando. Em alguns lugares dizem que o Hangul foi considerado Patrimônio da Humanidade, em outros da Cultura. Já vi até que o Hangul foi tombado como Legado Documental Mundial. No site da UNESCO não vi nada relacionado. Apuração pra quê, não é?

Obrigada.

PermalinkPermalink 02.11.08 @ 13:33


Comentário de: Lucia Malla Email
Denise, obrigada pelos elogios. É uma felicidade enorme saber que algo que escrevo com tanto prazer pode se tornar também útil às pessoas.

Sobre a questão da UNESCO, no meu comentário aí acima linkei o site da UNESCO que fala sobre o assunto. Não achei tbm nada além do q linkei - portanto, acho q essa história de que o hangul é tombado etc. pode ter sido inventado, sei lá por quê.

Beijos e sinta-se à vontade para viajar quando quiser por aqui.
PermalinkPermalink 02.11.08 @ 18:19


Comentário de: Denise Bonilha
Esse link do site da UNESCO eu vi tb. Só fala da premiação pela erradicação do analfabetismo. Concordo com vc, acho que existem pessoas que quiseram aumentar a história.
Eu que agradeço a ajuda, vc escreve muito bem, pode fazer um texto enorme que ele não se torna cansativo.

Qto a viajar pelo blog, pode ter certeza que visitarei mais. Adoro conhecer outros lugares e suas respectivas culturas, já que não posso fazer isso fisicamente, faço virtualmente =)

Bjus!!!
PermalinkPermalink 02.11.08 @ 21:09


Comentário de: Juli CK.
안뇨웅-하세요, Lúcia 언니 !!!

Não, não sou coreana! haha...^^
Bom, em primeiro lugar, parabéns por esse post! Eu adorei! Amo a cultura oriental e ultimamente tenho me viciado na Coréia do Sul! (não sei explicar, só fazendo 'regressão' pra entender...!)
Quando comecei a ler seu post falando que tu é uma apaixonada por idiomas, eu me identifiquei de imediato! Amo aprender outras línguas, mas fluente mesmo só o inglês...arrisco um espanhol e sei o 'pacote básico de turista' de coreano e japonês...하하
Enfim, sempre achei o coreano um idioma muito difícil, não tanto na escrita, mas na pronúncia. Por exemplo, no japonês (Nihongo), você pronuncia exatamente da mesma forma que escreve, o que no coreano não acontece na maioria das vezes...sem falar que eles falam rápido demais!!!
Tenho muitos amigos - virtuais - coreanos, e realmente tenho me atentado apenas a falar frases úteis do idioma mesmo, mas como você: se alguém me pagasse uma passagem pra lá, eu iria aprender rapidinho!!
E como tu comentou, a romanização do hangul é um caos... cada um romaniza de um jeito!!! Aí eu me perco toda pra traduzir depois....
Enfim, muito obrigada por esclarecer algumas curiosidades sobre lá. Me corrija se eu estiver errada, mas acho os coreanos (pelo menos do Sul), muito simpáticos e abertos : "dados", como nós, brasileiros (acho que os japoneses são mais fechados).
Tem uma frase que eu sempre falo 'A Coréia é o Brazil na Ásia' ... eles são mais divertidos, afetuosos e animados em comparação aos outros asiáticos.
~bom, é isso!
감사합니다
PermalinkPermalink 26.11.08 @ 17:06


Comentário de: Natália Belém
Olá Lúcia, bom dia.
Descobri seu blog porque estamos a procura de pessoas que falem o idioma coreano e o português para trabalhar como tradutor por 1 mês na Coréia do Sul.
Trabalho em uma empresa que precisará enviar um grupo de brasileiros para a Coréia no mês de fevereiro, se você tiver interesse e querer obter mais informações sobre a proposta ou conhecer alguém que fale coreano e português entra em contato comigo pelo e-mail.
Abraços,
PermalinkPermalink 18.12.08 @ 09:46


Comentário de: Érika
Olá Lúcia!
Parabéns pelo texto,estava procurando informações sobre o idioma e achei seu post super interessante,eu sempre fui fascinada pela cultura oriental,morei no japão e estou estudando japones,mas sempre achei o coreano muito dificil, principalmente pela pronuncia,sempre assisto filmes e novelas coreanas(legendas claro^^),mas é praticamente impossivel entender o que eles falam,mas assim q eu puder eu quero aprender e quem sabe um dia ir p/ Seul...
bom,muito obrigada pelo seu texto!
PermalinkPermalink 29.01.09 @ 11:18


Comentário de: dinho
Oi, Lúcia, td bom?? espero que sim.
Parabéns pelo texto, muito legal, tive a sorte de conhecer esse site através de buscas que eu fiz sobre aprender um pouco o idioma coreano.
Estou jogando futebol na Coréia do Sul à 1 mês, morando numa cidade chamada Changwon, e devo ficar no mínimo até dezembro.
No começo não estava preocupado em aprender a falar coreano, porque já tinham 2 brasileiros no time e um tradutor, q fala muito bem português, e tem me ajudado bastante. Eu falo inglês, pensei que me ajudaria mais aqui, mas poucos jogadores coreanos falam inglês. Mas mesmo assim no dia a dia fora do clube, nos shoppings e em outros lugares, o inglês é fudamental para no mínimo ter um diálogo simples.
E com o passar do tempo senti a necessidade de aprender a pelo menos ler o hangul (pelo que vcs falaram é o mais fácil, entender que é o problema hehehe), e falar as palavras básicas e tentar aprender o máximo possível de palavras para ter a possibilidade de manter conversas simples e necessárias sem ajuda de ninguem.
Com ajuda de textos como o seu, alguns vídeos legais no youtube ( http://orientalize.fmafra.com/2008/07/06/vamos-aprender-coreano/ ), consultas no wikipedia, espero até final do ano poder ter aprendido o alguma coisa que preste hehehehe para me virar nesse país maravilhoso.
Se não for pedir demais, e você me puder ajudar um pouco mais com suas informações, pode entrar em cntato pelo meu e-mail.
Abraços, fique c DEUS


PermalinkPermalink 17.04.09 @ 11:34


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As fotos deste blog são de uso exclusivo de Lucia Malla e André Seale. Caso queira utilizar as imagens contidas aqui para fins diversos, por favor contacte a Lucia: mallablog ARROBA gmail PONTO com. A gente precisa saber pra que "viagem" ela vai antes de liberar...

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