16.Julho.08
Opções ambientais efetivas para o consumidor
Recentemente, li um livro que comprei já há algum tempo, mas que sempre deixava "pra depois": "The consumer's guide to effective environmental choices", organizado por Michael Brower e Warren Leon a partir dos conselhos da Union of Concerned Scientists. Antes de lê-lo, estava com receio que fosse muito ecoxiita. Pois eu felizmente me enganei. Surpreendi-me até, com o tom comedido de boa parte das discussões.
O livro começa contando a história de como surgiu o movimento de reciclagem de lixo nos EUA - dá para ler o capítulo 1 aqui (link em pdf). Fala do escândalo da balsa Mobro 4000 (que ficou vagando pela costa leste americana cheia de lixo tóxico) e depois começa a mostrar as sugestões aos leitores do que seria "consumo ambientalmente efetivo". Apesar de ter sido publicado em 1999, muitas das dicas ainda são válidas e atuais. Apenas aquelas que envolviam o preço da gasolina nos EUA como fator para o cálculo ambiental (e a expectativa de que esse talvez não subisse muito), têm que ser revisadas, já que o preço atual aumentou mais de 500% em relação ao da época.
Inúmeras tabelas mostram dados comparativos sob vários aspectos, com detalhes impressionantes. Analisa-se até qual o impacto sobre o aquecimento global e a poluição da água causada pelos bancos e instituições financeiras normalizado por dólar gasto. Há um capítulo inteiro dedicado aos carros, onde as conclusões são claras: prefira um carro mais eficiente, de preferência híbrido; evite SUVs e principalmente carros de off-road nas cidades. Senso comum.
Entretanto, o mérito do livro está a meu ver na ponderação. A todo momento, ele mostra um problema ambiental, suas alternativas, os problemas que essas alternativas trazem e as possíveis soluções para evitar esses problemas colaterais. Tudo com dados, fatos, afinal ele é um livro científico (pelo menos na forma de trazer a discussão), escrito por cientistas e numa linguagem de facílimo acesso a qualquer pessoa interessada. Ou seja, o livro educa o consumidor médio a analisar por diversos prismas um parâmetro e ajuda a construir uma linha de raciocínio ecológico para tomar decisões baseadas em dados. Por exemplo, há um subcapítulo dedicado ao velho dilema ambiental: usar em bebês fraldas descartáveis ou de pano? Pois analisa-se o impacto das descartáveis no acúmulo de plástico e lixo e se analisa o impacto das de pano no gasto de água para ser lavada (lembre-se: água é um recurso que tende a ficar cada vez mais escasso). A resposta a esse dilema (e a quase tudo...) depende: se você mora numa área muito seca, onde água vale ouro, fraldas descartáveis definitivamente são uma opção; se você mora numa área bem abastecida de água, deve pensar em fraldas de pano, para evitar o lixo.
A abordagem científica ponderada e em linguagem clara e simples é muito bem-vinda, principalmente em questões ambientais. Afinal, existimos e isso por si só já causa impacto ambiental. A idéia vencedora é minimizar esse impacto e permitir um futuro saudável aos que vêm por aí. O livro dá idéias interessantes para essa minimização e não deixa a culpa tomar conta. Recomendo aos interessados no tema.
Tudo de bom sempre.
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- Amanhã é o dia da proteção às florestas. Haverá uma blogagem coletiva do Faça a sua parte, e quem quiser participar escrevendo um post, avise lá para a gente acrescentar o link.
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Comentários, Trackbacks:
Com certeza a forma que consumimos produtos hoje será predominante para termos um mundo um pouco mais equilibrado dentro de pouco tempo.
Um abraço do Reação!
Paulo, equilibrar o consumo (e conscientizá-lo) é a chave para melhorias ambientais, em minha opinião.
Beijos aos 2.
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