28.Janeiro.08
Diga "bù" às sacolas plásticas
Eis que há alguns dias, a China decidiu banir de vez todas as sacolas plásticas finas em lojas do país. Não é o primeiro país a fazê-lo: Uganda, Coréia do Sul e Irlanda já são também áreas livres de sacolas gratuitas no comércio. Nos Estados Unidos, a rede Whole Foods Market também decidiu acabar com as sacolas plásticas dadas no ato da compra e pede a seus clientes que tragam suas próprias sacolas. Já é um bom começo de conscientização por aquelas bandas.
Mas devido às proporções populacionais e consumistas da China, o impacto da decisão na terra de Mao é marcante. A partir de 1º de junho, todas as lojas da China, pequenas e grandes, não mais poderão fornecer sacolas plásticas com seus produtos Atitude radical (como quase tudo que vem de lá), mas fundamentada num currículo de poluição deprimente que precisa ser melhorado - principalmente às vésperas das Olimpíadas de Beijing. O país não quer que o mundo saiba o quão sujas as cidades chinesas estão, e quer dar o melhor de si para apagar essa imagem da sujeira.
É claro, a maior parte da poluição chinesa é atmosférica ou da água, e para lidar com esse problema, trazer sua própria sacola de casa não ajudará muito. Mas, mesmo não sendo a maior questão poluidora da China, a medida para banir sacolas plásticas já é um primeiro passo numa boa direção, porque demonstra preocupação por parte de um governo com um tipo de poluente que abunda e não se degrada. Pior: acumula-se em lixões, praias, cidades, matas e qualquer outro lugar que se pode imaginar. Gera poluição visual e prejudica o ambiente de diversas formas. Com a proibição, estima-se que a China economizará 37 milhões de barris de petróleo por ano, já que é o país que mais consome sacolas plásticas no mundo. É muita economia, mesmo para um gigante econômico.
Se os chineses vão mesmo acatar a medida, é outra história. Mas a mensagem do governo chinês que fica é clara: que o mundo saiba que nós estamos pelo menos tentando fazer a nossa parte para um planeta mais limpo e melhor de se viver. Jogada política ou não, o ambiente no final das contas agradece a consideração.
Tudo de bom sempre.
*"Bù" - uma das formas de se dizer "não" em mandarim.
**Postado também no Faça a sua parte.
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Comentários, Trackbacks:
Tem vários lugares vendendo sacolas de tecido resistente, próprias para compras, mas ainda são muito caras para o meu bolso...
O Caio de Gaia está com um excelente artigo sobre a poluição que os plásticos estão causando nos mares.
E aí, eu pergunto: e como fica a "moda", tão ao gosto de nossas "Autoridades Sanitárias" de usar embalagens e outros "descartáveis" de plástico, a título de "evitar contaminações"???
Ernesto, q honra! Obrigada pelo feedback tão maravilhoso. Saber q aos poucos e mallisticamente estou ajudando na conscientização ambiental com posts daqui é o que faz o blog valer a pena. Muito obrigada de coração.
Manu, essa de cheiro desagradável é nova pra mim. Como assim? As sacolas de palha são bem legais!
João, sobre essa neurose de esterilidade que assola o país (e o mundo!), a Carol escreveu super-bem no ano passado:
http://www.interney.net/blogs/guindaste/2007/09/15/embalagens1/
Eu vi o post do Caio agora há pouco, depois de ter escrito o meu. Aliás, q fique o link aqui, para q as pessoas também o leiam:
http://caisdegaia.blogspot.com/2008/01/plstico-no-obrigado.html
Vale a pena.
Beijos a todos.
Também preparei um post sobre este assunto. Postarei em alguns dias.
Já atualizei o link no meu blogroll.
beijo, menina
Denise, ótimo q vc tbm tenha um post, pra gente sempre trazer à tona esse tópico para a discussão, né? Informação nesse caso é crucial.
Por acaso quando andei nas Nilgiris, na Índia, havia sinais por toda a parte a dizer que aquela era uma zona livre de plástico (permitem sacos de plástico mas dos biodegradáveis). Como lá não existe verdadeiro serviço de recolha de lixos aquelas coisas acabavam por cobrir os campos.
João Carlos, comigo acontece a mesma coisa na padaria, toda vez. Para que duas embalagens?
Nos grandes mercados eles vendem sacolas grandes e feitas de material bem resistentes (por experiencia propria, ja coloquei 3 garrafas e 4 caixinhas de leite e nao houve desastre) por 0,15 EUR. Acho uma solucao muito boa, porque por mais que se fale e martele só quando pega no bolso mesmo é que se muda comportamento.
Sem falar que há 3 tipos de lixo: organico, plastico/afins e papel, que comecamos a separar já em casa e depois é só colocar no compartimento certo lá embaixo. Outra coisa simples e que basta um pouquinho de esforco por cada um.
Ah, mais uma: muitas garrafas PET (a maioria, eu diria) e de vidro vem embutida no preco o valor do Pfand (depósito), que voce leva de volta pra loja e recebe. Numa garrafa PET 1,5L esse custa 0,25 EUR.
Solucoes pequenas que fazem diferenca!
Como o Ernesto e a Emília falaram, todos me olham meio estranho, mas não estou nem aí!
Abraços,
Carla
Emília, é um exagero esse negócio de 2 sacolas que os mercados fazem com o consumidor. Principalmente se o plástico da sacola for bom. Para q outra???
Pablo, uma das coisas que mais me impressionou quando morei na Alemanha foi justamente a reciclagem de lixo - idéia alienígena em 97 no Brasil e que eles aplicavam tão bem. Como eles pensavam à frente...
Aaaaaa, Manu! Agora entendi. Desculpa a confusão.
Gabriel, vai ter sempre gente reclamando, infelizmente. O negócio é saber se é uma medida interessante pro ambiente ou não. O custo-benefício geral.
Carlinha, gostei dessa sacola pequena! Será q acha por aqui?
Beijos a todos.
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