06.Novembro.09
Sexta Sub: entre os golfinhos - de novo
Ah!... eu tinha esquecido como é bom nadar entre os golfinhos! Matei as saudades. ![]()
Sábado passado, voltamos à Kealakekua Bay na Big Island, na esperança de rever os golfinhos. Eles não decepcionaram: cedinho da manhã, apareceram lá nadando, descansando e fazendo das suas brincadeiras. Fiquei horas na água, nadando com eles, observando cada movimento. Mais relaxante, impossível.
Tudo de calma sempre. Bom fim de semana, amig@s!
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- Ontem também nasceu o filho de minha prima, para quem escrevi este post enorme em 2005. Dani é diabética tipo 1, sua gravidez foi de alto risco, com algumas internações, descompassos de glicose e muita tensão entre os que a circundam. Mas hoje, tudo se acalmou: ela e o novo menino da família passam bem. Felicidade é tudo que sinto no momento.
04.Novembro.09
A Big Island não decepciona
Quinta-feira passada, recebemos a "notícia" de que teríamos que ir a Big Island para fotografar alguns locais específicos para uma reportagem (deixo vocês na curiosidade até ela sair publicada, ok?). Detalhe: tínhamos que ir o mais rápido possível - as fotos eram pra ontem, como tudo dentro de uma redação parece ser. Foi assim então que, em um dia, decidimos toda nossa viagem de fim de semana até Kona e adjacências. Contando os pontos que teríamos que ir como parte do assignment, sobrava espaço para colocar algumas atividades que a gente também gosta - entenda-se nadar no mar. Então, com esse mix de trabalho e lazer, fomos pro aeroporto na sexta-feira, depois de uma semana "daquelas", que clamava por uns dias de relax.
Já estivemos na Big Island inúmeras vezes, na maior parte das vezes para curtir o mar, mergulhar, ver os bichos. É talvez a ilha mais diversa de atividades do Havaí, e já tendo visto bastante dela, escolhemos voltar a alguns de nossos points favoritos e encarar alguns poucos locais novos para sanar curiosidades pungentes. Imaginando que ia ser "apenas mais um fim de semana na Big Island", afinal já conhecíamos, não podia ter tanta coisa nova assim, não é mesmo?
Não podíamos estar mais enganados.
Voltamos com mais de 1000 fotos. Que irei selecionar e postar aos poucos aqui nos próximos dias junto com as histórias e aventuras por trás delas, que foram tão diversas como a ilha em si. A Big Island definitivamente não nos decepciona.
Stay tuned.
Tudo de bom sempre.
02.Novembro.09
Pequenas anotações de viagens virtuais 49
1) Como se conservar o que não se conhece? Uma pergunda mofada - e ainda fundamental.
2) "Um PhD não é um trabalho de 9 às 5."
Há controvérsias. Mas no geral, concordo, principalmente se levarmos em consideração que, quando trabalhando num campo de pesquisa que você realmente ama, o problema investigado não sai da sua cabeça - porque é divertido, prazeiroso, pensar nele. Como bem colocou um comentarista lá:
"Lots of PhDs work 9-4 here. It doesn’t stop them from graduating. In fact at every Christmas party the director of the institute has a bit of a similar speech where he emphasizes that the best work is done in the evenings. And this speech is usually caused by the fact that the hallways are usually deserted by 17:00."
3) Uma declaração de amor a Michael Brecker. One of the best forever and ever, pra mim também.
4) O Camburizinho me enviou esse post pelo Facebook, comentando sobre um assunto "batido", que já comentei aqui no blog, mas que nunca deixa de me impressionar: o quanto nos esquecemos do nosso oceano. A Ísis também trouxe notícias frescas nada positivas de 2 pontos que precisam de preservação mais reforçada da costa brasileira.
5) Vocês já foram parabenizar o Arnaldo pelos 3 milhões de visitantes em seu excelente blog? Aproveitando que está lá, conheça o castelo de Ajlun, na Jordânia, última parada fenomenal dele.
6) Uma agência de viagens especializada em... Kamchatka! ![]()
7) Via Idelber no Facebook, uma entrevista ótima com Robert Crumb e seu "Guia Ilustrado do Livro de Gênesis". Hilário!
8) Ketsana, Parma, Lupit e Mirinae: os quatro tufões que passaram pelas Filipinas nesse mês de outubro. EM UM MÊS, QUATRO TUFÕES. Já no 1º, 80% de Manila ficou alagada. Imagina agora, já que todos estão atingindo a mesma região norte. Não consigo não ficar triste com uma notícia dessas, já que Manila foi uma das cidades mais musicais que visitei. Tudo bem que o filipino é, antes de tudo, um forte, e mestre na arte da improvisação, e vai com certeza se levantar dessa rasteira quádrupla natural mais forte ainda. Mas não deixa de ser das notícias mais deprimentes do ano.
9) Foi pelo twitter do Júlio Valentim que fiquei sabendo também que Vila Velha, minha cidade querida, está debaixo d'água. No twitter do prefeito, a falação de sempre. Triste.
10) Ah, e eu também fiquei perplexa com isso. Teses poderiam ser escritas analisando todas as nuances do fato, mas no fim as linhas traçadas pelo Thiago resumem melhor que todas as teses juntas:
"(...) Em Gaza não tem uma zebra. Em Gaza nunca existirá uma zebra. Perdeu-se toda e qualquer esperança de uma zebra, em Gaza."
Essas coisas precisam ser compartilhadas, discutidas, refletidas e nunca acomodadas. É preciso nos manter sentindo indignação ao ler histórias como essa. Afinal, é a nossa própria dimensão de humanidade que está sendo jogada na lama e na guerra, ali, naquela faixa - ou naquelas listras de zebra, preto no branco.
11) Tudo de bom (espero) ao mundo sempre.
30.Outubro.09
Sexta Sub: transparência
Não é uma graça esse camarãozinho (Periclimenes tosaensis) passeando pelos tentáculos de uma anêmona?
Tudo de bom sempre.
28.Outubro.09
A amiga medrosa e (nada) “mala” da Malla
A Tata é uma amiga enrolada. Tão enrolada que me entregou anteontem o post que era pro aniversário do blog no início do mês - mas também, né, a Malla aqui, que também tem pós-graduação em auto-enrolação, não deu prazo para entrega dos posts. Porque o que realmente importa é o carinho, a honra que uma amiga me dá ao parar por uns minutos do dia para escrever algo aqui pro blog, e essas coisas não têm data de vencimento. E sendo a Tata, carioquíssima vencedora de tantos prêmios Esso (concorrendo de novo esse ano, by the way), tão ocupada com o jornalismo, os designs e as peraltices do filho Vitor, realmente, é para comemorar que ela tenha dedicado 1 segundo que seja a bem-traçar umas linhas contando as suas peripécias na primeira viagem ao exterior. É a cara da Tata - aquela que enfrentou a Chapada Diamantina sem perder o estilo, o batom nem a finesse. Obrigada pela palhinha, Tata!
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Ser amiga da Lucia é o mais próximo que já cheguei de ter uma vida de aventuras, trilhas exóticas, mergulhos submarinos e viagens ao redor do mundo. Minha querida amiga sempre me inspirou com suas histórias incríveis e corajosas. Graças a ela, alegrei meu filho ao mostrar uma foto sua ao lado de um tubarão de verdade.
Após anos convivendo, ainda que “virtualmente”, e em alguns encontros ao vivo e a cores que tivemos, sempre ficava reflexiva acerca da minha covardia em desbravar novas terras. Ela me inspirava, dentro dos limites possíveis para uma pessoa cheia de fobias de alturas, mares, insetos e outros bichos.
Esse ano, tive a oportunidade de ir a um congresso em Buenos Aires. “Logo ali, posso até treinar meu portunhol”, pensei. Soube que bastava um RG com menos de dez anos de expedição. Viva o Mercosul! Mas comigo nada é tão simples...
Meu RG baiano (sim, porque não me aventurei mundo afora, mas já residi em vários cantos do país) era de 1996 e precisaria tirar outro para poder viajar. Mas quer saber? Por que não tirar logo o passaporte? Quem sabe eu me animo?
E assim eu fiz. Marinheira de primeira viagem total procurei um lambe-lambe “moderno” na Praça da Sé e fiz umas fotos bacanas. Saí de lá toda feliz! Uau! Vou ficar bem na foto para as alfândegas mundo afora. Mas comigo nada é tão simples...
Chego no dia marcado para tirar o passaporte e, ainda na fila de espera, percebi: “É, entrei pelo cano” (aka Mifu). Nada de fotos prontas. Elas precisam ser feitas na hora com um flash desnecessário. Não preciso dizer que nesse dia eu cheguei lá de banho recém-tomado, cara de sono, cabelo despenteado e pálida... Nem batom, nem espelhinho... Poxa, o pessoal da Praça da Sé tem uma infra-estrutura mais bacana, mas paciência. Faltava uma semana pra minha viagem. Sim, eu sou daquelas que não faço hoje o que eu posso fazer amanhã (sem orgulho).
Na véspera da viagem fui lá buscar o passaporte na Receita Federal. Quando vi a foto impressa pensei: “nossa, eu estou pobre!” Não pensei que estava feia porque nos dias de hoje a beleza está diretamente ligada a sua conta bancária. Fato! A recepcionista percebeu o meu ar de decepção e sorriu. “Nossa, a foto ficou péssima! Mas você deve ouvir esse tipo de comentário todo dia, né? Ela sorriu novamente e até agora estou torcendo que seu silêncio tenha sido de concordância e não de “ah, coitada!”
Passaporte na mão, fui fazer as malas. Era uma fazendo as outras. O frustrante disso é que lembrei de um amigo relatando sua última viagem pra Buenos Aires: “Renata, voltei igual a uma muambeira. Tudo é muito barato!” Mas comigo nada é tão simples...
Viajei com uma verba do jornal para as despesas e sem verba pessoal para mimos ou contrabando (para uso próprio e/ou familiar, claro). Tentei me convencer que isso não seria tão doloroso, ledo engano.
Amei a cidade. Linda, linda mesmo... Lá estava a medrosa vagando por uma cidade desconhecida. Primeiro parei no hotel errado e dei de cara com o cemitério onde descansa Evita. Não fui visitá-la, preferi achar o hotel correto.
Alguns dias de congresso, muitos congressos paralelos em bares pela Ricoletta e muita, muita tremedeira pela abstinência do consumo. Entrar num shopping e ver bolsas lindas, perfumes incríveis, vinhos bacanas e argentinos lindos e não pode fazer nada me doeu a alma.
Gostoso mesmo foi assistir a palestras sobre design de jornal onde a maioria das pessoas só repetia: “os jornais estão acabando”. Animador! Além de falida, em alguns anos estarei desempregada.
Descobri que não se chama qualquer um de “Che” a não ser que haja intimidade pra isso (ou o Guevara, que já está morto e não vai poder reclamar), segundo a garçonete que ensaboou meu amigo, tradutor e guia simultâneo.
Um outro amigo descobriu coisas ótimas sobre as diferenças na língua. Entrou na farmácia e perguntou: “Tem crema de cacau? Para boquita, sabes?” Sei lá que língua ele achou que tava falando... Mas duro mesmo foi ele ter a revelação que pra comprar manteiga de cacau numa farmácia em Buenos Aires basta pedir por uma “manteiga de cacau”.
O mesmo amigo entrou em uma loja e fez mímicas para pedir um blazer... No final, ele desistiu e disse pra vendedora: “Como se llama blazer aca?” E ela respondeu: “Blazer”
Divertido mesmo foi andar feito uma louca pela cidade de salto em ruas de paralelepípedo (com um joelho bichado). Até hoje não me recuperei. Problemas sérios de DNA (data de nascimento avançada).
No quesito social, me emocionei com uma menina de rua que vendia rosas e quando disse que não ia comprar, tive que ouvir (já traduzindo ao pé da letra): “Por favor, eu tenho tantos sonhos” Juro que tentei não comparar, mas se fosse aqui no Brasil a tradução seria: “Tia, compra uma rosa aí... “ Sei lá, vai ver o argentino tem uma alma mais poética do que a nossa. Um personal tango-drama que aqui acabaria em samba.
Quatro dias se passaram e ao chegar ao aeroporto e pensei: “Ufa, sobrevivi!” Nova fila e documentos ok - apesar do rapaz antpático da Alfândega não ter rido sobre o meu comentário de “Ei, no repara na fotita” (será que ele não entendeu a piada ou meu portunhol tá tão ruim? Não respondam!
Mas o pior estava por vir. O famoso e adorado paraíso do consumo também conhecido como Duty Free Shop. Foi a visão do inferno, eu garanto. Fechei os olhos, tracei uma reta em direção a saída e só sucumbi ao ver um Menthos de Itu. Vitor iria adorar (e comer em 2 horas). Não pude deixar de comprar. Piada de mau gosto ter que obrigar as pessoas a passarem por aquele antro de perdição para chegarem no portão de embarque. Ainda estou pensando em mandar uma carta sugerindo a troca do nome do estabelecimento para Free é o C... ou No, I can´t, mas como sou uma moça fina não farei isso.
Volto ao Brasil com um carimbo no passaporte. Espero que isso seja motivo de uma ponta de orgulho para minha amiga Lucia e que essa seja a primeira de muitas viagens internacionais dessa mala medrosa que vos fala. É, acho que deu para os seus leitores entenderem aquilo que você já sabe: tudo comigo é enrolado.
Parabéns pelo aniversário do blog e que você continue inspirando os seus leitores com suas histórias fantásticas.
Um grande beijo e aloha!
PS: só pra deixar bem claro que não sou viajada, mas sou poliglota: fico muda em 20 idiomas. ![]()



















